Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

Chega ao fim o ciclo de Mourinho no Real Madrid. A partir de agora o treinador português contará os dias para o final do seu mandato como um miudo conta os dias que faltam para acabar o ano lectivo. Com ansiedade. O sadino poderia ter feito da sua estadia na capital espanhola um êxito a todos os níveis, algo sem precedentes na memória de um clube que vive de e para a história. Em vez disso sai como o destruidor de uma herança única e como o mais directo responsável do seu próprio fim, dentro e fora do campo.

 

Não é preciso a imprensa espanhola avançar com o divórcio entre Florentino Perez e José Mourinho para saber-se que esta história tinha um final previsível. Nem que seja pelo próprio historial de técnico e presidente, dois homens que lidam muito mal com relações duradouras num universo onde tudo muda talvez demasiado depressa. Fizeram um esforço, mais a figura presidencial do que o técnico, para coabitar por um objectivo comum. Quando o individual se sobrepôs ao colectivo, o divórcio tornou-se tristemente inevitável.

Mourinho sai de Madrid da pior forma possível. Sai como um huno, como o destruidor de uma imagem que a imprensa espanhola reverenciou durante a sua carreira em Inglaterra e em Itália, tratando-o como ele gosta de ser tratado, o eleito. A imagem de um grupo de adeptos entregados, de um plantel que soube por de parte as suas diferenças para remar em conjunto. Tudo isso o português teve nas mãos. Tudo isso deitou a perder. Por culpa própria.

Na historial do Real Madrid a figura do treinador nunca existiu. Ninguém se lembra dos nomes dos técnicos que venceram as seis primeiras Taças dos Campeões Europeus (Villalonga e Muñoz) mas todos sabem a equipa titular de memória. Figuras como Benhaker, Capello, Heynckhes, Del Bosque ou Schuster foram tratados abaixo de cão por dirigentes, imprensa e adeptos mesmo quando os triunfos surgiam. Em troca, os jogadores eram reverenciados e idolatrados, nos momentos altos e baixos. Mourinho mudou isso. Foi o único homem que se tornou protagonista na história clube não desde o palco, não desde o relvado, mas no banco.

Centrou à sua volta o organigrama do clube, despediu e contratou quem quis, transformou o presidente num holograma vazio e oco, e auto-proclamou-se Deus e Senhor, o único capaz de derrotar o infiel, o demónio. O homem que ocupava os pesadelos dos adeptos merengues, um tal Guardiola.

Nessa cruzada santa, o maniqueísmo tornou-se fundamental. O contra mim ou por mim tornou-se santo e senha. Saíram Valdano, saíram ajudantes, saíram médicos, saíram cozinheiros. Os adeptos, fartos da hegemonia do eterno rival, entregaram-se de coração e perdoaram tudo. A goleada por 5-0 no Camp Nou, a primeira liga perdida antes do tempo, as duas semi-finais da Champions League (entre erros arbitrais, azar e um péssimo planeamento táctico) em troca de um mísero espólio. Uma Supertaça, uma Copa del Rey e uma Liga.

Contra a maior equipa de sempre, diziam, era muito, era inaudito. Uma equipa com um orçamento inferior, uma equipa que nos doze confrontos directos só perdeu duas vezes. Uma equipa que a história aprendera a amar pelo futebol, mais que pelo extra. Mas os titulos avalavam a sua gestão. Mourinho foi perdendo tudo o que ganhou porque nunca soube comportar-se como um cavalheiro do futebol. Foi um rufia, um hooligan. As conferências de imprensa, um insulto constante a quem não o apoiava, utilizando o exemplo da vergonhosa imprensa catalã. Para ele o jornalismo militante devia ser obrigatório, mas só vale quando a seu favor. Contra os rivais faltou repetidas vezes, desde treinadores de pequeno perfil mas grande coração como Manuel Preciado a rivais directos. E o dedo no olho foi o culminar da sua atitude de rufia de bairro, espelho de uma gestão autodestrutiva na essência. Ao menos se no campo o futebol falasse mais alto...

 

Futebolisticamente o que tem sido a equipa de José Mourinho em dois anos e meio de gestão desportiva?

Mourinho fez-se notar em Leiria e no FC Porto com equipas ofensivas, atrevidas, um 4-3-3 ousado, rápido, directo e com o pressing como principal arma. Em Londres mutou para um 4-4-2 mais conservador que logo se transformou entre 4-2-3-1 e 4-3-2-1 na sua passagem por Itália. Quando chegou a Espanha, havia muito pouco do técnico original e muito do cinismo do homem que vergou Itália. Incapaz de dar minutos a todos os homens do ataque com medo a perder o equilíbrio defensivo, condenou Benzema e Higuian a uma guerra fratricida. Fez de Xabi Alonso o pau para toda a obra, destroçando-o fisicamente. Não abdicou nunca de um médio mais defensivo, mais fisico, obrigando a uma rotação excessiva entre dois postos do ataque porque Cristiano Ronaldo, já se sabe, jogava todo e qualquer minuto disponível.

Entregou-se a Jorge Mendes e permitiu que este triplicasse o número de jogadores que tinha no balneário, triplicando assim a sua influência. Permitiu a formação de clãs entre jogadores para aumentar a competitividade, tudo à base do confronto, do desgaste, do ódio disfarçado. Desafiou os homens da casa a vergarem-se ao seu domínio e quando estes preferiram a amizade dos colegas de selecção do outro bando, nunca mais lhes perdoou a traição. 

Em campo a equipa perdia-se sem um fio de jogo, apostando sobretudo na brutalidade do seu arsenal ofensivo e na eficácia goleadora crescente de Cristiano Ronaldo, que sob o seu comando bateu o seu próprio recorde de golos em dois anos. Mas não conseguiu criar uma escola de jogo, não conseguiu definir padrões de comportamento para além dos rápidos contra-golpes e do jogo directo de Pepe e Alonso pelo ar para as costas dos rivais onde a máxima qualidade dos avançados fazia a diferença. Nos duelos europeus e contra o eterno rival recuava linhas, predominava o trabalho defensivo e até hoje ficamos sem ver um só desses jogos épicos que definem a história de uma equipa.

A saída de Guardiola, em parte provocada pelo desgaste mental que suponha a guerra do gato e do rato com Mourinho fora dos relvados, mudou tudo. Acabou a cruzada santa, a vitória parecia ser sua por desistência do contrário. Aí Mourinho decidiu o seu futuro, longe de Madrid.

As condições que tinha permitiam-lhe tornar-se no Manager do clube para a próxima década, o Ferguson da Casa Blanca.

Mas o seu egocentrismo, o seu espírito auto-destructivo foi mais forte. Criou guerras com tudo e com todos. Como fraco abusou da sua força contra os mais débeis e calou-se contra os mais fortes. Minou o trabalho da formação - algo que na sua carreira nunca está nas suas prioridades - acusou a imprensa, um sector de adeptos e a própria directiva. Publicamente dividiu o balneário com o seu apoio directo a Cristiano Ronaldo na luta pelo Ballon D´Or e pelo segundo ano consecutivo o dinheiro investido não resultou em nada beneficioso para o jogo da equipa. No campo o futebol nunca esteve presente e os resultados, desta vez, deixaram de o acompanhar. Teve um arranque de época similar ao da sua quarta época com o Chelsea. Mas a indemnização de despedimento é bem maior e o sonho da Décima ainda acalenta os corações de muitos adeptos e directivos. Com ela, Mourinho poderá ainda tentar sair como um herói, sem ela acabará da pior forma um mandato curto e aos anais da história insignificante.

 

José Mourinho é um dos grandes treinadores da história e tem um curriculum imaculado. Mas também tem um grave problema de personalidade, um culto do ego que relembra em muito Helenio Herrera. O fim de ambos tem semelhanças evidentes. O desgaste do balneário, o titubear da relação com os outrora apóstolos da imprensa, público e directiva e a ausência de resultados. O seu arqui-rival, de ontem, de hoje e de sempre, saiu num ano de derrotas mas com uma aura de vencedor. Mourinho pode acabar o seu mandato em Madrid com títulos, principalmente nas competições a eliminar, mas deixará sempre atrás de si uma sombra de perdedor, de um homem que se perdeu a si mesmo e consigo a possibilidade de transformar o Real Madrid num clube diferente, longe da gaiola de prima-donas em que sempre viveu.



Miguel Lourenço Pereira às 14:30 | link do post | comentar

47 comentários:
De filomeno a 3 de Dezembro de 2012 às 21:17
Por lo que se ve, la envidia no es algo exclusivo de españa y de los españoles.....


De Miguel Lourenço Pereira a 3 de Dezembro de 2012 às 22:08
Filomeno,

Como assim?


De JV a 5 de Dezembro de 2012 às 11:22
Não gosto de Mourinho. Já me confessei grande adepto do Barça neste blog mas não é só por isso que a personagem Mourinho não me agrada. Apesar de lhe reconhecer óbvias qualidades, nem que seja só pelo seu currículo impressionante, acho muitas das suas atitudes francamente lamentáveis. Tal como disse, Mourinho chegou a Madrid com o seu super-ego depois de ter vencido a Champions, e tentou (e conseguiu!!!) sobrepor-se aos jogadores, às grandes figuras da história do clube, a até mesmo à maneira de estar e aos valores de cordialidade e respeito do próprio clube.

Eu devo ser dos pouco que não acredita nessas guerras antes do jogos (pelo menos quando estamos a falar de futebol de alto nível) via conferência de imprensa, nas quais Mourinho é considerado rei. Ok, esses jogos psicológicos podem ter ajudado a obter resultados hà uns anos atrás quando Mourinho começou a aplicar essa primeira abordagem ao jogo, mesmo antes de ele começar (principalmente nos anos do F.C. Porto e Chelsea). Mas ainda assim, considero que o sucesso obtido nesses clubes se deveu principalmente à forma de jogar das suas equipas, em que apresentavam um futebol bem mais “positivo” quando comparado com as épocas em Milão e em Madrid.

Eu juro que não percebo e faz-me sinceramente muita confusão como é que se pode aceitar de forma natural que um clube como o Real Madrid que tem 9 Ligas dos campeões e um plantel de 500 milhões de € jogue em casa como jogou contra o barça numa meia final da Liga dos Campeões em que faz 2 ou 3 remates à baliza e tem uma percentagem de posse de bola a rondar os 25%. Como adepto do Barça só mesmo 5-0 supera a felicidade que tive em relação a esse jogo, mas mesmo assim não consigo perceber como é que um clube desta dimensão se deixa cair nesta triste realidade devido às ideias de um teinador.

Como se isto não bastasse as faltas de respeito para quase todos os treinadores de todas as outras equipas da La Liga, o desrepeito várias vezes demonstrado aos adeptos, ao clube e à imprensa, e agressão a Tito Vilanova, tornam a passagem de Mourinho por Madrid rídicula, mesmo que acabe por ganhar a Champions esta época.

Abraço.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 14:33
JV,

A mutação de Mourinho é em tudo igual à de Herrera. Nos principios eram diferentes, ousados e ofensivos, muito ofensivos. O Atlético, Barça e primeiro Inter de Herrera eram máquinas de fazer golos como foi o Leiria, o FC Porto e o primeiro Chelsea de Mou. Depois Herrera encontrou Rocco, Brera e tornou-se progressivamente mais cauteloso. Mourinho transformou-se no profeta do jogo de transições. Até 2008 o jogo de toque era relativamente marginal, as grandes equipas (Munchen, United, Chelsea, Milan, Madrid) jogavam um futebol transicional apostado na velocidade e no fisico e Mourinho era o profeta e apóstolo número 1.

Depois apareceu Espanha, depois apareceu Guardiola e o futebol de posse renasceu e tornou-se popular e todos aqueles marginais (Bielsa, Del Bosque, Prandelli, Kloop) tornaram-se progressivamente populares e deixaram o jogo de Mourinho isolado. E ele não soube evoluir. Manteve-se fiel à sua ideia, particularmente porque a sua faceta defensiva permitia-lhe defender-se do futebol de posse. A goleada em Camp Nou marcou-o profundamente e arrancou-lhe o que lhe sobrava de audácia. Essa noite o Special One morreu de certa forma.

Em Madrid tornou-se num pequeno caudillo, tacticamente inconsequente, capaz de sacar o melhor de um plantel brutal à base do conflito e cada vez mais egocêntrico e desrespeitoso com quem o rodeia. E mesmo que vença a Champions, será sempre uma caricatura de si mesmo!


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 14:52
Fico satisfeito por ter mudado um pouco a sua opinião do passado principalmente no que toca a isto:

"Nos duelos europeus e contra o eterno rival recuava linhas, predominava o trabalho defensivo e até hoje ficamos sem ver um só desses jogos épicos que definem a história de uma equipa."

Mourinho arranjou maneira de ganhar um campeonato (com muito escândalo arbitral à mistura, esperas a árbitros, etc), mas nunca conseguiu ganhar o respeito dos adeptos.
O Barça que perdeu o título no ano passado saiu em glória, Guardiola foi aplaudido na sua saída, a perda do campeonato e da Champions não fez esquecer o brilhantismo das exibições.
Já Mourinho, mesmo em jogos em que goleava chegava a ser assobiado. Era futebol viril, mesmo violento, pontapé para a frente e Ozil e Cristiano que decidam.
Agora sem a motivação extra de derrotar o campeão a equipa não sabe o que fazer em campo. Chega a ser deprimente a falta de ideias duma equipa que tem um ex-bola de ouro no banco. Aliás é deprimente ver que Mourinho nunca conseguiu integrar Kaká na equipa mesmo ele jogando bem sempre que é titular.

Vai para Inglaterra agora, onde as tácticas são muito mais rudimentares e onde terá certamente no Chelsea ou City muitos milhões para gastar e continuar a acumular títulos. Porque a carreira dele é essa, ganhar títulos, custe o que custar! O que fica depois do clube a ele não lhe interessa.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 15:03
DC,

Não mudei de opinião.
Os meus artigos prévios sobre Mourinho assentavam, sobretudo, na minha filosofia de que todos os modelos tácticos e todos os esquemas de jogo são válidos. Todos sem excepção.
Não gosto de abordagens politicamente correctas nem de modelos mais contra modelos menos. Desfruto tanto de uma organização táctica defensiva perfeita como de uma sequência de ataque constante ou uma posse de bola eterna. A dupla exibição frente ao Barcelona, com o Inter, tão criticada, para mim demonstra o génio de um treinador e não é propriamente uma eliminatória extremamente ofensiva.

Quanto às arbitragens, nos últimos cinco anos, sem andar a contar pelos dedos, vi tantos ou mais favores arbitrais ao Barça do que ao Madrid, mesmo com Schuster e Pellegrino na equação. Continua a acreditar que Stanford Bridge 2009 e as meias-finais de 2011 são um dos capitulos negros da arbitragem da UEFA e Guardiola passou os últimos meses em Barcelona a queixar-se em excesso dos arbitros, algo que contradiz em muito o seu perfil. Não me preocupa, acho perfeitamente natural, mas não há santos e demónios no futebol.

O que sim critico a Mourinho na sua etapa do Real Madrid é, sobretudo, a sua incapacidade de criar um modelo de jogo identificável. Fê-lo no Inter e no Chelsea, e com admiradores e detractores. Em Madrid esse modelo não existe, quando ganha é por KO do ataque e quando perde é por uma desorganização táctica primária.

Não critico nem a sua versão "mercenária", porque ele é um profissional e nem todos os profissionais se movem pelos mesmos motivos nem o estilo de jogo que professa. Mas ser-se educado e respeitoso devia ser algo obrigatório a todos na vida e Mourinho disso esqueceu-se à muito tempo!

um abraço


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 15:44
Não é uma questão de validade. É uma questão do que esse modelo táctico significa para a equipa.
Mourinho ganhou um campeonato, criou algumas dificuldades ao Barcelona, mas nunca conseguiu realmente ter uma equipa. Porque defender com autocarro como já se viu com Celtic, Inter, Chelsea e Real, é muito mais fácil do que construir jogo de ataque de qualidade.
Aliás você diz tudo:
" incapacidade de criar um modelo de jogo identificável"
Quem tem que abdicar do seu futebol para vencer outra equipa nunca será verdadeiramente grande!

Já na questão das arbitragens, acho estranho continuar a falar dum jogo onde antes dos penaltis reclamados o Abidal é mal expulso, ou que se esqueça como o Inter vence o Barcelona com 2 golos irregulares e um penalti por marcar e elimina o Chelsea com 4 penaltis por marcar.
O Barça na final com o United sofre um golo fora-de-jogo 2 metros e não se veio queixar, são estilos diferentes.
Aliás eu sou portista e vi o Scholes fazer o 2-0 em Old Trafford limpinho e o Jorge Andrade ser expulso numa preciosidade. Às tantas se formos a ver como Mourinho ganhou as suas Champions teríamos muito mais para dizer do que sobre o Barça!
Quanto ao Real no campeonato, se é normal as equipas grandes serem beneficiadas, não é normal em 3 jogos haver jogadores do Real a defender bolas de golo e o árbitro ignorar, a haver jogadores do Espanyol a defender "golos" do Messi e o árbitro ignorar, a haver foras-de-jogo marcados ao Maiorca (que deram golo) bem antes do meio-campo, ou a passarem em claro inúmeras agressões de Ramos especialmente (a agressão contra o Rayo é de bradar aos céus! E por falar nisso, mais uma cuspidela e uma agressão no recente derbi, no pasa nada) mas também Pepe, Alonso ou Arbeloa.
Guardiola não se queixou de árbitros, aliás falou depois de estar a 10 pontos, quando subitamente os árbitros começaram a marcar penaltis a favor do Barça (depois de ignorarem 2 contra o Valência, 1 contra Bilbao, Sevilla, Espanyol, Málaga, etc, etc, etc) que não iam disfarçar nada do que tinha acontecido com esses penaltis.
Não falou por exemplo das esperas em parques de estacionamento que em Inglaterra por exemplo, pura e simplesmente arrasariam Mourinho...
Quanto a arbitragens o Miguel cai num erro crasso que é o de só se fiar no que vai lendo na imprensa. Mas essa imprensa, que tanto gosta de falar na meia-final com o Chelsea é mais que facciosa. Nunca vi sequer uma análise decente a esse jogo, porque dos 4 ou 5 penaltis reclamados, 1 é fora da área e 2 não são falta nenhuma. Depois a expulsão de Abidal, pura e simplesmente desapareceu dos registos... Porque jogar 70 minutos com 10 não mudaria o jogo.
Mas enfim, não vale a pena centrar esta discussão mais em arbitragens até porque o Barça continua aí a provar que o que aconteceu no ano passado foi a excepção e que só numa conjuntura muito favorável o Real (ou o Mourinho) os consegue vencer.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 15:53
DC,

Exactamente, o que lhe falta em Madrid é o modelo de jogo, mas esse modelo em Milão e no Chelsea já não era popular e era igual de válido. Contra o Barcelona com o Inter, por exemplo, na 1º mão jogou exactamente como fazia sempre e venceu sem contestação (só vejo problemas no 3º golo, mas ok) e na 2º mão levou com uma expulsão ridicula e fez o que qualquer treinador teria feito. O problema é que com o Madrid nem isso tem conseguido, porque a maioria dos jogos contra o Barça são pura reacção e quando tem na mão a possibilidade de ir mais longe, como aconteceu na Supertaça, mete sempre o travão.

Em 2004 o golo do Scholes é onside, sem dúvida, mas o Jorge Andrade é bem expulso para o critério UEFA, o árbitro não tem porque saber que ele e o Deco são amigos da alma. Foi estúpido e infantil, mas a expulsão parece-me lógica. Quanto ao jogo do Chelsea não nos pomos de acordo, em 180 minutos eu vejo muito mais a balança desequilibrada para um lado, como sucedeu com o Milan anos antes e voltou a acontecer em 2011 na meia-final com o Madrid, mas isso são detalhes.

E, por certo, eu nunca falo pelo que leio, gosto de falar com propriedade, e além de ver todos os jogos do Real Madrid e Barcelona dos últimos 4 anos, vi e revi vários dos jogos de que falei, essas coisas não posso admitir. Outra coisa é que tenha uma opinião diferente, mas isso é futebol ;-)

um abraço


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 16:08
Miguel, não quis dizer que não via os jogos, se calhar expressei-me mal.
Todo o mundo do futebol viu aquela meia-final!
Agora, como o Miguel sabe muito bem, à imprensa só interessa relembrar o que lhe interessa e isso é quer queiramos quer não uma influência na nossa opinião.
Não discutindo sequer critérios de arbitragem só lhe pergunto isto:
Quantos jornalistas ouvir falar nos últimos anos da expulsão de Abidal? Quantos vídeos viu disso?
E quantos ouviu dizer que o Barcelona foi beneficiado sem sequer especificarem porquê?
Assim por alto diria que por cada comentário ao lance do Abidal vi 100 aos outros, aliás ainda hoje se quiser encontrar o lance no youtube tenho dificuldade. Já vídeos anti-Barça surgem todos os dias.

Acho que se fizer essas contas facilmente percebe que há um objectivo de desvalorizar os feitos do Barça e associá-los ao árbitro. Um pouco como o que o Benfica faz em Portugal com os êxitos do Porto.
É como lhe digo, nem é uma questão da interpretação que se dá aos lances ou ao jogo, é uma questão sim, de uma análise tendenciosa por parte da imprensa que procura abafar o que não interessa e impolar o que lhe interessa.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 19:23
DC,

Podem existir 100 videos no YouTube ou 1, 100 artigos publicados em 5 ou 50 jornais ou 1, isso nunca altera a minha percepção da realidade. Não é por repetir-se sempre a mesma ladainha, seja verdade ou mentira, que ela se altera. Aliás, para mim, o que a imprensa diga ou deixe de dizer conta muito pouco por isso podem impolar o que quiserem!

Eu tenho sempre duas perspectivas sobre o futebol, a de adepto e a de analista. Como adepto há coisas que gosto mais e coisas que gosto menos, em jogadores, treinadores, em sistemas tácticas, em instituições, etc. Como analista tenho de olhar para lá dos gostos pessoais e mergulhar mais fundo e aqui é o que tento fazer.

Sobre a arbitragem acredito no erro arbitral individual. É humanamente impossível não suceder, particularmente no caso dos offside. Mas também conheço a história do jogo e sei que a corrupção arbitral existe, seja individual seja através de organizações que podem ir de clubes a federações e confederações. Afinal o futebol tem tanto de desporto como de negócio e movem-se muitos milhões.

Eu não me importo com o erro arbitral. É parte da equação. Sou contra o hawk-eye e a tecnologia de golo por principio porque entendo que uma das razões de sucesso do futebol é ser um jogo simples. Mas entendo-as. O que me incomoda são os erros sempre na mesma direcção e, sobretudo, o discurso de virgens inocentes.

O Real Madrid, o Barcelona, o SL Benfica, o FC Porto, o Man Utd, o Arsenal, o Liverpool, o AC Milan, o Inter, o Bayern, são equipas que nunca se deveriam sequer poder queixar de erros arbitrais. Mesmo que existam entre si, em duelos directos, a esmagadora maioria das vezes prevalecem os erros a seu favor contra equipas pequenas e indefesas que são prejudicados contra A, B, C e D tantas e tantas vezes.

Não conheço nenhum campeão (e vice-campeão) que não tenha tido ajudas arbitrais em determinado momento. É impossível que uma equipa tenha passado uma época sem vencer um jogo com um offside a mais ou a menos, com um penalty a mais ou a menos, uma expulsão a mais ou menos. Impossível.

O Barcelona foi prejudicado em alguns jogos dos últimos anos mas foi beneficiado também em muitos. Nos jogos europeus dos últimos cinco anos a média sai-lhe favorável. E é uma tendência que não encontro em mais nenhum clube. Só lhes ficava bem assumirem a realidade mas o que menos gosto - da mesma forma que o que menos gosto de Mourinho é a sua arrogância ditatorial - é ainda por cima interpretarem o papel da virgem ofendida e o discurso do politicamente correcto. Da mesma forma que o Real Madrid também devia seguir pelo mesmo discurso porque muitos dos seus triunfos chegaram pela mesma via. No futebol não há santos nem demónios apesar de hoje em dia se tentar criar essa imagem.

A imprensa catalã é a mais facciosa que conheço em todo o mundo e leio-a diariamente como exercicio didático. Leio ao dia os 4 desportivos espanhóis e não encontro exercicios mais umbiguistas do que nos do Sport ou Mundo Deportivo. Mas também leio o L´Equipe, o Guardian, a Gazzetta e o France Football e não vejo aí nenhuma tendência demonizadora do Barcelona a nível europeu. Pelo contrário, é elogiado pelo que deve ser elogiado, como a equipa que melhor futebol ofensivo tem praticado na última DÉCADA (desde a chegada de Rijkaard), e a equipa com as melhores individualidades do mundo. Essa é a realidade. O que não impede que se analisem os jogos, caso a caso.

Provavelmente em ambos os jogos, com Chelsea e Madrid, o Barcelona foi melhor colectivo, teve a proposta mais atrevida e mereceu ganhar. Isso não está em discussão. Mas não implica criar um discurso de protecção à volta de uma realidade!

um abraço


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 00:32
Miguel, desculpe lá mas está completamente errado!
Tudo o que você lê, faz, vê o influencia mesmo que inconscientemente.
Se lê toda essa imprensa é automaticamente influenciado por ela, mesmo que pense que não.
Eu e você somos o produto do meio onde estamos inseridos, reagimos à TV, imprensa, etc. Compramos coisas por causa disso, gostamos de certas coisa por causa disso, etc, etc, etc... É um facto mais que comprovado por estudos sociológicos e eu sei bem do que falo.

Como tal, é perfeitamente normal que vá na onda dos benefícios ao Barça da mesma forma que eu vou noutras ondas.

Agora digo-lhe uma coisa, um dia se quiser vamos comparar jogo a jogo esses benefícios e prejuízos que você diz existirem e no fim se calhar a conclusão é que a teoria dos árbitros ajudarem o Barcelona é mais uma invenção da imprensa.

A imprensa conseguiu fazer crer o público em geral que o Pepe não tocou no Dani Alves. Leis da física e da anatomia humana nada importam às pessoas, elas acreditam mesmo que um jogador que acaba de chutar a bola para a sua esquerda consegue, mantendo a perna no ar, fazer um mortal rodando para o lado completamente oposto ao do remate, sem ter uma força que o projecte.
Resumindo, o lance do Dani é uma impossibilidade humana sem uma força que o projecte, é uma coisa que devia ser óbvia para qualquer pessoa com cérebro. O que se vê? Milhares e milhares de pessoas a afirmar que Pepe não toca em Dani.
Como lhe disse, a força da imprensa é ENORME!


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 00:38
DC,

Lamento verdadeiramente que não consiga acreditar que uma pessoa seja capaz de pensar por si própria sem sentir-se influenciada por elementos externos. Não consigo dizer outra coisa a não ser isso.

Que eu, que leio x imprensa, vejo x jogos, seja influenciável pela imprensa então só posso concluir que o meu cérebro estaria derretido por ler no mesmo dia o Sport, o As, o Mundo Deportivo, a Marca, a Gazetta ou O Jogo, porque tantas vezes se contradizem que todo esse raciocínio perde sentido.

A imprensa é o meio não é a mensagem. Cada orgão veicula a sua mensagem mas nenhum receptor é forçado a absorvê-la de forma acritica. E eu não acredito nisso, pura e simplesmente. O DC sim? Ok, nada a dizer.


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 10:33
Miguel não é questão ou não de pensar por si próprio. Eu e você pensamos pela nossa cabeça. Mas a nossa cabeça é constantemente influenciada pelo meio.
Você é menos influenciado por umas mensagens do que por outras, normalíssimo.
Agora garanto-lhe que se você tivesse nascido em Pequim não era adepto do Porto (se calhar nem era adepto de futebol), porque as mensagens que o influenciariam lá seriam totalmente diferentes das daqui.
O que pretendo dizer é que todos somos mais ou menos afectados pela imprensa e pelos media em geral, e que claramente houve um objectivo da imprensa desportiva de associar os êxitos do Barcelona aos árbitros (mais em Espanha e Inglaterra que noutros países, mas também mais nesses países porque eram esses os reais adversários do Barcelona).

O que quero que compreenda é que não estou a dizer que você vai ler o AS e acreditar em tudo o que lê e que tudo passa a fazer sentido para si. O que digo é que tudo o que lemos nos modifica de alguma forma e se formos constantemente sujeitos a certas mensagens acabamos por ser influenciados por elas.
As grandes empresas de marketing e publicidade aliás, utilizam todo o tipo de estratégias para indução de intenções de compra e manipulação de opinião.
Já lhe referi que o melhor exemplo é o do caso do Porto. Qualquer que seja o jogo do Porto, aconteça o que acontecer nesse jogo, você sabe que haverá sempre comentários às notícias a dizer que o Porto é corrupto, foi beneficiado, etc, etc, etc...
E é também isso que estranho, é que sabendo você da campanha mediática montada contra o Porto e PdC, aceite a campanha mediática contra o Barcelona.



De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 11:03
DC,

Mais uma vez, essa só é válida quando se toma a parte pelo todo. Que uma parte da imprensa defenda uma mensagem, como a imprensa de Madrid e alguma imprensa inglesa, que o Barça é habitualmente favorecido não significa que toda a imprensa internacional o faça. Porque não faz. Desafio-lhe a que me encontre na imprensa italiana, francesa, alemã, brasileira, argentina e catalã essa afirmação.

Quando só se lê uma parte da história é normal ficar posicionado a favor de A ou B, mas no caso de se ler toda a história, isso é impossível. E não confundamos condições sociais com mensagens de imprensa para públicos-alvo pré-determinados.

um abraço


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 12:01
Miguel, uma pesquisa de 5 minutos. Com tempo se quiser arranjo-lhe mais:
http://www.le10sport.com/football/france/liga/barcelone-favorise-par-les-arbitres-58023
http://fautetactique.com/2011/08/28/oui-le-barca-est-favorise-par-larbitrage-uefa-mais-pourquoi/
http://blogteam.sport24.com/bruno_roger-petit/2011/05/que-serait-le-fc-barcelone-sans-les-arbitres-de-luefa-2.html
http://www.20minutes.fr/sport/910905-debat-barcelone-est-il-favorise-arbitres
http://www.telegraph.co.uk/sport/football/competitions/champions-league/9184805/Referees-favour-Barcelona-claims-Zlatan-Ibrahimovic-after-two-Lionel-Messi-penalties-knock-AC-Milan-out.html
http://www.goal.com/en/news/1717/editorial/2012/04/05/3013398/referee-broke-the-law-in-awarding-second-barcelona-penalty
http://bleacherreport.com/articles/374470-messi-the-referee-and-the-lines-men-take-barcelona-to-the-semi-finals
http://www.mz-web.de/servlet/ContentServer?pagename=ksta/page&atype=ksArtikel&aid=1303968425456
http://sport10.at/home/fussball/championsleague/705265/Barca-ueberfluegelt-sich-selbst
http://www.miragens.abola.pt/videosdetalhe.aspx?id=15176
http://www.firstpost.com/topic/place/barcelona-alfons-godall-accepts-that-barcelona-is-being-helped-by-ref-video-hrDKxv42Ax4-1142-16.html
http://www.sportsillustrated.co.za/referees-favour-barcelona/


E eu falo mal francês e nada de alemão.
Só títulos e artigos completamente tendenciosos, uma autêntica perseguição. Eu é que o desafio a encontrar títulos assim relativos a outras equipas (sem ser o Porto em Portugal).


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:18
DC,

Nos mesmos jornais encontrará seguramente artigos que digam o mesmo do Real Madrid há uns anos, do Manchester United em Inglaterra - um dos clubes mais criticos e criticados em relação à arbitragem - ou na Alemanha em relação ao Bayern Munchen. E nas mesmas publicações seguramente que também há escritores, jornalistas ou cronistas, que dizem exactamente o oposto e elogiam o futebol blaugrana por cima de todas as coisas.

Na própria Marca, associada historicamente ao Real Madrid, existem essas duas posturas. No As menos. No Sport e no Mundo Deportivo há um unanimismo assustador e na Gazzetta falou-se do Barcelona citando dois jogos muito concretos, o Milan no ano passado e a 2º mão com o Inter há 3 anos, onde têm razão (não a teriam no jogo da 1º mão de S. Siro, sem dúvida).

Mais uma vez repito. Erros arbitrais que favoreçam e prejudiquem grandes equipas são parte da história mas só, ocasionalmente, se verifica uma tendência tão clara a favor de uma equipa. Agora é o Barça como antes foi a Juventus, o Madrid, o Milan ou Bayern e o futebol nem esses clubes morreram por isso. O que não entendo é a conotação com o FC Porto - são casos bem diferentes - nem pensar que isso possa surpreender alguém. Lembro-me perfeitamente da era em que os clubes italianos eram os donos e senhoras da UEFA e na altura ninguém se escandalizou.

um abraço


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 16:03
Acho que o MD e o Sport não são grandes exemplos pois eles não pretenderam nunca ser imparciais. São assumidamente culés e nunca o esconderam. São para o Barça o que a revista Dragões é para o Porto, praticamente.

Agora nos restantes, sinceramente não me lembro de ver essas campanhas contra outras equipas, mas posso ser eu que não reparei.
Mas sinceramente, por exemplo com Howard Webb e o Man Utd, relação que é alvo de gozo em Inglaterra por parte dos adeptos, não me lembro mesmo de ver a imprensa a explorar esse assunto.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 16:11
DC,

Em primeiro lugar é preciso distinguir a imprensa generalizada da imprensa desportiva. A imprensa desportivo corriqueira só existe na Europa do Sul. Na Inglaterra não há jornais desportivos, há secções, e em França e Alemanha há revistas semanais e secções em jornais, logo o enfoque será sempre diferente.

Mas sim, as equipas italianas nos anos 90, o Real Madrid do virar de século e o Bayern Munchen, em várias ocasiões, receberam um tratamento parecido. O United em Inglaterra tem meio país em contra precisamente por essa atitude. O caso do Barça chega a extremos por 2 motivos: ganha mais do que os outros, o que provoca uma reacção mais veemente, e ganha a clubes de vários paises, o que provoca a imprensa desses países a defender os seus e investigar mais a fundo do que se a coisa não fosse nada com eles.

Se o Barça nunca tivesse ganho ao Milan como no ano passado ou se Thiago Motta nunca tivesse sido expulso, como em 2010, seguramente que a imprensa italiana seria muito mais afectiva. Se van Persie não tivesse sido expulsado como foi há dois anos e não tivesse sucedido o Ovrebogate (aquecido pelo duelo entre Mourinho e Rijkaard de anos anteriores) talvez a imprensa inglesa não estivesse tão informada. De certa forma actuam por reacção, não há uma campanha orquestrada.

Tanto é que na Holanda ou Alemanha, países que não "sofreram" na pele o efeito Barça, o discurso é radicalmente diferente.


De JV a 5 de Dezembro de 2012 às 16:08
DC,

Completamente de acordo. São tanto os episódios de falta de respeito para com os outros e para com o próprio jogo da parte de Mourinho, que até me esquecia de muitos deles.

E volto a sublinhar o que disse em relação ao Kaká. Só um treinador com as ideias de Mourinho pode deixar um jogador daquela qualidade no banco e às vezes até mesmo fora do convocatória. Ainda que não seja o mesmo Kaká do Milan, em que apresentava uma mudança de velocidade estonteante, o brasieliro tem mais qualidade técnica e de compreensão de jogo que quase todos os jogadores do plantel blanco. Kaká podia ser muito bem o elemento central desta equipa.

Essa meia-final do Chelsea, sinceramente, até já mete nojo. Sim, é verdade que o Barcelona foi favorecido de um modo geral nesse jogo. No entanto vir sempre com essa desculpa para justificar os sucessivos sucessos do Barça nos últimos anos só dá mesmo vontade de rir...Ainda mais com o conjunto de casos que contriubuiu em muito para a conquista da última liga para o Real Madrid. Ainda assim, e como convém para a imprensa portuguesa esses mesmos casos foram ocultados como se nunca tivessem acontecido.


De DC a 5 de Dezembro de 2012 às 16:15
A notícia hoje da bola demonstra o facciosismo da imprensa portuguesa:
"Ronaldo supera Messi e Del Piero"

Quem ler isto pensa que Ronaldo bateu algum recorde dos 2. Mas afinal o que aconteceu foi que Ronaldo marcou 6 golos nesta Champions contra 5 do Messi QUE TEM MENOS UM JOGO!!! E vai uma aposta que se Messi marcar 2 golos a notícia "Messi supera Cristiano" não aparecerá?
E Del Piero foi ultrapassado no número de golos na Champions, mas bem lá em cima, uns 20 golos acima, está Messi...

Ou seja uma notícia a dar a entender que Ronaldo ultrapassou Messi e Del Piero num recorde conjunto afinal não quer dizer nada disso, é mau jornalismo, é jornalismo completamente ridículo e tendencioso!


Quanto a Kaká, com Ozil, Kaká e Modric Guardiola e outros como ele teriam um meio-campo de futebol fabuloso. Mourinho usa no máximo 2 de cada vez e um deles normalmente descaído numa ala...


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 19:35
DC,

Mais uma vez, dar importância à imprensa desportiva, que jamais o merece, é só o que eles querem. Fazer como se não existissem é tão saudável como um sumo de laranja diário ;-)!

Quanto ao meio-campo, não estou de acordo. O Guardiola utiliza médios de toque rápido, interiores, jogadores de associação em distâncias curtas. Kaká, Ozil e Modric são jogadores de corte diferente, mais talhados para um jogo em velocidade, não têm as caracteristicas para fazer "rondos" no miolo durante largos minutos. Procuram o espaço para os passes a rasgar e gostam de mover-se em velocidade.

O melhor Kaká, o de 2006-08, jogava como segundo avançado e especializava-se em aproveitar os lançamentos em velocidade do miolo e em lançar ele Inzaghi. O melhor Ozil, tanto no Madrid como na Alemanha, sente-se cómodo quando tem espaço para correr e jogadores a tirarem diagonais. O que ele fez no Camp Nou, para o 2º golo do Ronaldo, ou no Mundial 2010 contra a Inglaterra, explica bem isso. O Modric é distinto, um jogador que não tem uma posição fixa, mas que tem uma caracteristica: gosta de jogar com a bola em movimento nos pés. Precisa atrás de si de um jogador de recorte mais defensivo, um Xavi, para jogar em vertical. Um meio-campo com esses três nunca seria igual a um meio-campo Busquets-Iniesta-Xavi ou mesmo Xavi-Iniesta-Cesc porque as caracteristicas são relativamente diferentes.
Seria como o Barcelona utilizar um meio campo composto por Cesc-Thiago-Deulofeu, com Messi e dois extremos, sem ninguém que faça o trabalho defensivo e mantenha a posse em linhas curtas.

um abraço


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 00:24
Ozil é tal e qual Iniesta, se calhar até corre menos com bola do que ele, portanto não tenho a mínima dúvida que jogaria no esquema do Barça tranquilamente.
Kaká jogou como 2º avançado em Itália, mas tem todas as capacidades para jogar mais recuado e para render mais aí.
Modric joga onde ele quiser!

Os grandes jogadores como esses 3 jogam em qualquer esquema e 3 jogadores com esta capacidade técnica e de passe tinham claramente lugar num esquema como o do Barça.
Eu não os vi nunca a correr com bola como você diz, mas mesmo que fosse assim o Iniesta joga muitas vez numa ala, o Fabregas também, nada invalida que estes 3 jogadores jogassem um futebol curto.
Até porque a Alemanha também o joga, o Brasil também e até a Croácia.

Atrás bastaria o Xabi Alonso como médio mais recuado e Ronaldo e Benzema na frente.
Mas para isso era preciso ter coragem de assumir o jogo e arriscar um bocadinho mais, coisa que Mourinho não tem.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 00:44
DC,

Então o Real devia jogar com Alonso, Modric, Ozil, Kaká, Ronaldo, Di Maria, Benzema e Higuain para seis postos?

Parece-me excelente, devia fazê-lo em vários jogos ao longo do ano, mesmo que guardasse a opção de um médio mais recuado para dar liberdade criativa a Xabi Alonso. Em Dortmund jogou assim desde o minuto 20. Não resultou muito bem.

O problema nem sempre são os jogadores que se colocam em campo mas sim as ordens que recebem. Podemos ter uma equipa com estas individualidades e ter um jogo colectivo bastante mediocre. E é possível ter um jogo colectivo excelente com um meio campo menos apelativo. Essa é a grandeza do futebol.

O mérito do Barcelona, o imenso mérito, é que as individualidades não pisam o colectivo e o colectivo sobrevive para lá das individualidades. Porque é um sistema enraizado há 20 anos, treinado até à exaustão e com uma cultura futebolistica que demorou anos a ser assim de eficaz. Iniesta, Cesc podem mover-se por várias posições, como Messi, e ser iguais de eficazes apesar de não estarem nas suas posições naturais (o chamado número 8). Xavi é mais restritivo e Busquets é santo e senha, muito mais omnipresente que Alonso no jogo defensivo.

O meu problema com o Real Madrid não está nos jogadores que sobem ao terreno de jogo, está na forma em que o fazem, nas movimentações, na falta de estratégia, na desorganização colectiva em vários processos. E isso acontece quando estão em campo Ozil, Kaká, Modric, Alonso, Benzema e Ronaldo da mesma forma que quando estão Khedira, Essien, Di Maria ou Callejon.


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 10:20
Exactamente Miguel, por isso é que eu falei em Guardiola ou um treinador do género (Klop por exemplo).
O problema não é falta de jogadores, é falta de capacidade para os colocar em sintonia, o problema é Mourinho!


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 11:00
DC,

Mas isso foi precisamente o que eu disse em relação a Mourinho e este Real Madrid. Não houve o mesmo aproveitamento do plantel que noutras ocasiões!


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 12:30
As únicas ocasiões em que me lembro de Mourinho tentar enquadrar alguns jogadores mais criativos foram no Porto com Deco, Maniche e Alenitchev ou Pedro Mendes.

De resto no Chelsea mal pôde juntou Essien a Makelele, usou ainda Jarosik, Smertin, Scott Parker e Tiago em funções claras de destruição.
Depois no Inter jogavam Cambiasso, Zanetti e Motta, três tristes trincos, que iam rodando com Chivu ou Muntari. E Stankovic e Sneijder não eram propriamente médios ofensivos...

Agora no Real não abdica de Xabi e Khedira ou Lass.

Realmente na carreira de Mourinho só no Porto me recordo de jogar apenas com um homem á frente da defesa que era o Costinha. Depois disso começou a preferir o duplo pivôt até nunca mais o largar.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:24
DC,

A evolução do Mourinho do 4-3-3 para o 4-4-2 losango e mais tarde para o 4-2-3-1 é a evolução natural de um treinador ousado a um treinador conservador. Ele nem é o primeiro nem será o último a passar pelo mesmo. Lembro-me bem do Hitzfield do Dortmund dos anos 90 ser radicalmente diferente do Bayern do virar do século e das suas últimas equipas, incluida a selecção suiça, com um 4-5-1 ás vezes asfixiante. E é outro dos treinadores com um cv imaculado.

No arranque do Chelsea o 4-3-3 era igual ao do FC Porto e aí a equipa era de tracção à frente com dois extremos bem abertos (Duff, Robben) e Lampard-Cole à frente de Makelele, com Tiago e Smertin a ser utilizados ocasionalmente. Só a partir do segundo ano é que começou a metamorfose para o 4-2-3-1 que em Itália até passou a 4-3-2-1 e 4-3-1-2, com um jogador livre (Sneijder) e avançados móveis.
Sinceramente não vejo qual é o problema nessa ideia, na base. O problema está nas ordens dadas aos jogadores.

Espanha joga, no papel, como o Real Madrid, num 4-2-3-1, que devido à mobilidade dos jogadores, muitas vezes se torna num 4-6-0. Mas estão lá Busquets e Alonso da mesma forma que no Madrid estão Khedira e Alonso. A diferença é que Alonso tem mais liberdade para incorporar-se no jogo ofensivo e os laterais trabalham mais as tarefas ofensivas. E todos atacam e todos defendem. No Real Madrid, ter um jogador como Cristiano Ronaldo, é uma carga para o meio-campo porque há sempre um espaço vazio que obriga o meio-campo a trabalhar mais. Com Ronaldo em campo não se pode jogar num 4-3-3 sem perder o equilíbrio do meio-campo. Por isso no final da carreira em Old Trafford ele era usado como avançado e Rooney e Tevez como extremos, porque fechavam melhor os laterais.


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 16:00
É a grande crítica que eu faço a Del Bosque, jogar com dupla de médios defensivos.
Busquets joga metade do que sabe assim.

Para mim a Espanha seria sempre Busquets, Iniesta e Xavi, com Silva, Fabregas e Pedro na frente.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 16:07
DC,

Sempre que jogou assim, saiu-lhe mal. O último jogo contra a França foi um bom exemplo disso. Ás vezes tantos jogadores com as mesmas caracteristicas atrapalha a dinâmica de grupo. No caso espanhol Silva, Iniesta e Fabregas são demasiado parecidos e atropelam-se mutuamente. Precisam de um jogador de corte distinto como Pedro, Navas ou Cazorla, e ter cuidado com as movimentações entre Silva e Iniesta, que ás vezes acabam por surgir no mesmo espaço.

Entendo Del Bosque com a utilização de Xabi Alonso, o pior é quando este atropela o terreno de Xavi Hernandez, como aconteceu durante quase todo o Europeu. Mas, até aí, se vê que o mesmo jogador pode actuar de maneira diferente. Contra a França, Alonso teve o espaço e liberdade que no Madrid nunca conseguiu ter.


De Francisco Oliveira a 5 de Dezembro de 2012 às 15:18
Parabéns pelo blog e pelo artigo muito bem escrito e reflectido. Gosto do José Mourinho como português, mas não posso deixar de estar de acordo com várias reflexões aqui deixadas pelo autor do blog porque sou um apaixonado pelo futebol.

Mourinho perde muito por seguir aquela máxima "quem não é por mim, é contra mim" e deixar de ser um cavalheiro. Seria um grande treinador e um grande exemplo. O futebol não é uma guerra em que existem inimigos, é um desporto em que existem adversários e em que todos os intervenientes se devem dar ao respeito pelo seu empenho e desempenho, e também pela sua grandeza de desportistas, ao reconhecer mérito à equipa que venceram porque amanhã também vão perder. O desporto é isto. A vida é isto um pouco também.

Quanto ao futebol praticado pelas equipas de Mourinho é verdade que raramente empolga e no entanto sempre teve ao seu dispor dos melhores executantes da modalidade. É inegável a sua competência ao nível táctico e estratégico, seria um grande treinador para equipas de pequena dimensão, mas para clubes do calibre dum Real Madrid, não chega e aqui Mourinho não tem arte, nem engenho para deixar uma marca sólida, um conceito, uma forma de jogar que aproximasse o futebol da arte, assim como, o faz o Barcelona, já o fez o Ajax , o Bayern e o Liverpool na década de 70, a Juventus de Platini e Boniek , mas também o Milão dos anos 90.

De Mourinho ficará os títulos do "special one" porque as suas equipas ganharam pontualmente é verdade, mas nunca marcarão uma época.

Francisco Oliveira


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Dezembro de 2012 às 19:30
Francisco,

Obrigado pela visita, pelo comentário e pelas amáveis palavras.

Não concordo com a marca própria. O Chelsea venceu a Champions League em 2012, seis anos depois da sua saída, a jogar ainda com a sua marca. O Inter não encontra um treinador que entenda a sua marca. Mourinho deixa uma marca muito profunda no balneário, nos adeptos e no modelo de jogo. Outra coisa é que siga uma corrente de pensamento colectiva identificável.

O Barcelona de Guardiola não inventou nada, renovou pura e simplesmente um modelo que remonta aos anos 20. É um modelo que aparece em muitos momentos da história sempre com brilhantes e que vai evoluindo naturalmente. Mourinho dá uma abordagem mais pragmática ao modelo de jogo, parte de uma equação para vencer, sem que signifique com isso que vai criar uma escola táctica de futuro porque absorve conceitos distintos.

O problema em Madrid é que não conseguiu aplicar nenhum desses fundamentos. O seu 4-2-3-1 é o mais simples conceito táctico da sua carreira, a sua relação com o balneário não tem o mesmo espirito colectivo de pertença que tinha em Londres, Porto e Milão e no final é o poderio individual que tem resolvido os problemas do Real Madrid. Quando ele falha (os pontos que o Real perdeu equivalem quase ao número de golos que Ronaldo não tem, em comparação com o ano passado) há poucas alternativas tácticas.

Isso deve-se sobretudo a uma questão: o medo!
Mourinho aprendeu com o 5-0 no Camp Nou a cor do medo e não a esqueceu. Perdeu o arrojo, perdeu a inovação e passou a ser um treinador reactivo e nunca proactivo. O seu modelo com o Chelsea e Inter podia não ser agradável ao olho mas condicionava o jogo dos rivais. No jogo da 1º mão contra o Barcelona, em 2010, jogou exactamente como sempre, e forçou o Barcelona a adaptar-se ao seu 4-3-1-2 em vez de ser o contrário. Agora é incapaz de o fazer mesmo quando está numa posição de vantagem, como aconteceu na Supertaça ou no jogo para o campeonato, duas oportunidades únicas que teve de matar o Barcelona e o deixou escapar com vida.

Creio que o que peca neste Real Madrid é que continua a ser uma colagem de individualidades antes que um colectivo e quando assim é o papel do treinador é sempre irrelevante.

um abraço


De Francisco Oliveira a 6 de Dezembro de 2012 às 13:12
Caro Miguel

Novamente deixo aqui bem patente a tua clareza de raciocínio crítico. Depreende-se pelas tuas frases que estás bem informado, preparado e que reflectes sobre os assuntos que opinas e debates.

No entanto, não estou de acordo com a tal "marca" Mourinho que referiste que é mais um egocentrismo do próprio (apesar de vencer e ter mérito como referi), mas não é uma "marca" ou se quisermos um modelo a seguir para ficar na história, como os exemplos que eu referi (Ajax, Barcelona, etc).

O facto é que o seu futebol é, salvo várias excepções, pouco entusiasmante, muito previsível e nada estético e por isso não ficará, a meu ver, tão vinacado como o actual Barcelona (ou melhor ainda o de Guardiola).

É verdade e tens razão que a filosofia barcelonista sempre almejou ao que actualmente é o futebol do Barcelona, no entanto e apesar do só ter ganho uma Liga dos Campeões, nunca vi nada igual ao Barcelona de Guardiola. E não digo isto por facciosismo, mas pelar pura "arte" do futebol à sua mais elevada potência quando tens intervenientes da classe do actual Barcelona que irá brevemente virar a página e perder a hegemonia. É que Messis, Iniestas, Xavis e Busquets não surgem todos as décadas.

Para mim o futebol mais sublime que já com lances que até me emocionam de tanto regozijo.

Abraço e continua
Francisco


De JV a 6 de Dezembro de 2012 às 14:40
Francisco,

Completamente de acordo. Permita-me só corrigi-lo: Guardiola ganhou nos 4 anos como treinador da equipa principal 2 Ligas dos Campeõs (e não uma, como disse), e nas outras duas edições perdeu nas meias-finais da forma como se viu contra o Chelsea e o Inter de Milão.
Mas tal como disse, mais do que os 14 títulos em 17 possíveis ganhos por Guardiola, o maior troféu desta época dourada foi a transformação do futebol em autêntica Arte em movimento.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 16:27
JV,

Há duas expressões que me surpreendem no raciocinio:

"da forma como se viu" e "arte em movimento", como se o futebol arte nunca tivesse existido (existe desde os anos 30) e outros modelos tácticos não tivessem validade ;-)!


De João Varela a 6 de Dezembro de 2012 às 17:17
É claro que os outros sistemas também são válidos no entanto não lhes consigo ter o mesmo respeito e valorizar da mesma forma. No entanto o sistema do Chelsea na primeira mão de válido não tem nada!! Fosse a eficácia catalã a mesma que é habitualmente, nessa noite o Chelsea tinha sido goleado, tão grande foi a quantidade de oportunidades flagrantes para marcar golo que teve o Barcelona. Por isso, e mesmo tendo passado a eliminatória, aquele sistema não impediu de fazer o jogo que o barça normalmente faz. Não fosse a ajuda “Divina” (leia-se grande defesas de Peter Cech e os falhanços incríveis dos jogadores blaugrana), o Chelsea tinha sido eliminado com toda a normalidade. Isto ainda se torna mais inaceitável quando se trata de uma equipa na qual foram investidos milhões e milhões de euros em jogadores de topo. Peço desculpa, mas enquanto amante do futebol-espéctaulo essas equipas não merecem qualquer respeito, e felizmente não vão ficar marcadas na História do Jogo.

Em relação à outra expressão que o “surpreendeu”, a mim surpreende-me a sua surpresa. Acho que não é crime nenhum o que um “gaiato” com 21 anos como eu escreveu, quando já várias lendas do futebol mundial afirmaram que este Barcelona é a melhor equipa da História, e elevou o futebol a outro nível.

Penso por isso que o que disse não está assim tão errado.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 19:02
João,

Apesar de eu não gostar de fazer comparações entre eras que são, na sua essência, incomparáveis, é absolutamente inequivoco que este Barça está seguramente entre as grandes equipas da história, equipas que definem eras. Mas não foi isso que me surpreendeu. O que me surpreendeu foi a ideia que alguém pode pensar que o futebol arte nasceu agora. Actualmente vive um dos seus expoentes máximos mas nunca um dos seus expoentes exclusivos.

Quanto à primeira questão, a mim o que me custa é entender que se valorizem sistemas e modelos com diferentes varas de medir. Para mim todos são válidos e espectaculares, dentro da sua natureza, especialmente quando são aplicados de forma perfeita como sucedeu com o Barcelona-Inter em 2010 e com o Barcelona-Chelsea em 2012. No caso do jogo de Stanford Bridge houve muito maior vector sorte do que na segunda mão, mas a eficácia é uma das prerrogativas do sucesso, sempre foi e sempre será assim.

Não gosto do argumento de que a equipa A ou B vai ou não vai ficar na história porque não é verdade. Depende é de quem estuda a história, do quão longe se vai e do que se quer saber. No Football for Dummies talvez a recopilação seja mais limitada, mas quem estudo o futebol como fenómeno sabe que o Grande Inter de Herrera vale tanto como o Milan de Sacchi.


De Francisco Oliveira a 6 de Dezembro de 2012 às 22:29
Caro Miguel

É evidente que existem várias "escolas" ou talvez "correntes" futebolísticas, como aquelas que referiste, nomeadamente a centro-europeia, eu incluiria uma muito popular e na origem do futebol, a britânica (kick and rush), o aparecimento da escola sul-americana, potenciada por grandes selecções brasileiras de jogo apoiado, passe curto e drible imprevisível, o "catenaccio" da "squadra azzurra" que porém foi inventado por um austríaco, Karl Rappan, que o colocou em prática aquando da sua passagem pela selecção helvética, podemos referir muitas outras escolas e correntes, desde a holandesa, até ao futebol muito peculiar dos africanos, cujo exemplo máximo talvez tenha sido a selecção representativa da Nigéria no Mundial dos EUA, em 1994.

Todavia e passando a citar-te "marcas no futebol há várias" se te referes a escolas, correntes concordo, no entanto equipas marcantes como esta do Barcelona, nunca houve. Podemos falar de equipas que também marcaram épocas, como o Inter de Herrera de acordo, agora há uma diferença perante uma equipa marcante e a praticar um futebol nunca antes visto como o Ajax do início de 70, acho aqui uma diferença substancial. Quem terá tido mais admiradores? O Inter de Herrera ou o Ajax de Cruiff?

Por outro lado, deixa-me dizer-te que nunca antes o jogo esteve tão avançado. É que repara tens hoje um conjunto de técnicos super bem preparados, com conhecimentos científicos e tecnológicos que em muito contribuem para o desenvolvimento da modalidade e que a trouxeram para patamares nunca antes vistos.
Os jogadores hoje estão muito melhor preparados para o jogo. Houve como que uma evolução genética, passe a expressão, no futebol e isto trouxe jogadores super rápidos, não só a nível motor, como também ao nível da decisão. E depois a uma série de outras coisas a nutrição, o material, o conhecimento, etc.
É um pouco como ultrapassar barreiras e recordes, como no olimpismo: citius, fortius, altius.

Sem desvalorizar os grandes jogadores do antigamente e que sejam abençoados pelos lances magistrais que nos deixaram naquela época, só que, não é comparável. Somos melhores hoje e teremos um futebol melhor amanhã.

Abraço
Francisco


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 22:41
Francisco,

Sim, no futebol, como em tudo, a evolução está presente e o que se consegue hoje é radicalmente diferente do que se conseguia no passado. Por isso sou radicalmente contra falar em melhor de sempre. Isso não existe, a evolução histórica garante que o recente terá sempre condições de ser melhor. Mas por isso não se podem criar comparações entre eras e realidades tão distintas quando tudo, até as leis do jogo, mudaram.

Continuo a achar que houve muitas, mas muitas equipas marcantes na história do futebol, tão marcantes quanto este Barcelona. O que nunca houve tanto foi o impacto mediático e global. Vivemos na era do mediatismo, do imediatismo, das redes sociais, onde tudo é urgente e magnificado. O genial trabalho desenvolvido na última década no Barça não é radicalmente diferente do Real dos anos 50, do Milan de Sacchi, do Ajax de Michels, do Liverpool de Shankly-Paisley, das equipas centro-europeias dos anos 30, 40 e 50. É sim, mediaticamente mais reconhecido.

Quanto a comparações entre o Inter e o Ajax, sem dúvida que o Ajax tem mais admiradores, porque é sempre mais fácil admirar o mais atractivo. Uma boa actriz que também é muito bonita será sempre mais admirada que uma boa actriz não tão bonita. Um bom carro menos estético será sempre desvalorizado em relação a um carro com um design espantoso. Na vida, em todos os aspectos, somos escravos dos sentidos e essas equipas apelam mais aos sentidos e por isso conquistam o apoio do público. Mas isso nunca significa que sejam melhores ;-)!


De DC a 6 de Dezembro de 2012 às 14:56
Só uma pequena correcção: Guardiola ganhou 2 Champions e esteve 4 vezes nas meias-finais.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:32
E eu a este ciclo junto sempre o sucesso de Rijkaard porque ele é o verdadeiro iniciador desta tendência, aproveitando sobretudo o trabalho de base de Van Gaal.

Guardiola foi um génio na sua gestão, mas salvo Pedro e Busquets, herdou um plantel já de si fabuloso!


De JV a 6 de Dezembro de 2012 às 16:16
Miguel, é óbvio que alguns dos mecanismos são semlhantes ao usados por Rijkaard, mas com Guardiola há sem dúvida uma transição dentro do projecto de continuidade do Clube. A dispensa de Ronaldinho e Deco na altura em que eram os jogadores mais evoluidos do plantel naquela altura são a primiera grande prova da era de Guardiola. Não acredito que muitos (para não dizer nenhum!) treinadores apenas com um ano de experiência e apenas na 3º divisão do futebol espanhol, chegassem -à principal equipa do Barcelona e dispenssassem os maiores cracks do plantel.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 16:31
JV,

Ronaldinho e Deco estavam nos planos iniciais de Guardiola, foi a sua vida fora dos terrenos de jogo que os mandou para outras paragens não a sua qualidade no terreno de jogo. Na biografia do Pep, escrita pelo Guillaume Ballagué, ficou claro que Guardiola chamou os dois com a ideia de contar com eles (como com Etoo), mas só a atitude do último lhe deu alguma margem de manobra para mantê-lo integrado no plantel apesar da falta de feeling.
No fundo não foi ele quem dispensou Ronaldinho e Deco, foi o clube, algo que já estava pensado ainda antes de se anunciar que ele era o novo treinador. Laporta já o deixou bem claro por diversas vezes.

O jogo de Rijkaard era mais directo porque apostava mais na figura de um avançado puro (como sucedeu durante quase todo o 08-09) e mais musculado no miolo, mas a filosofia de jogo de posse, toque e pressão era similar. Guardiola trocou o músculo (Marquez, Edmilson, Deco) pelo toque curto e pressão alta (Iniesta, Xavi, Busquets) e explorou o jogo dos laterais, com a incorporação de Dani Alves que já estava contratado num meio-campo efectivamente de 4 homens. A linha ofensiva de Roma (Henry-Etoo-Messi) era em tudo igual à de Rijkaard, salvo Ronaldinho, por exemplo.

Guardiola é um génio, disso não creio que exista qualquer dúvida, e não precisa de fazer mais nada para garantir o seu lugar na história. Mas não trabalhou desde zero, teve um background muito potente e aproveitou-se, e muito bem dele.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:29
Francisco,

Não posso estar de acordo. Marcas no futebol há várias mas há uma que sempre foi, desde a raiz, a mais popular: a escola centro-europeia.

Essa escola passou para o Brasil e Argentina, ajudou a potenciar o futebol do Danubio, do Wunderteam aos Magicos Magiares, e transformou-se no Futebol Total de que a escola blaugrana é sucessora. É portanto uma marca de quase 100 anos que sempre esteve aí e sempre teve o seu core de adeptos.

Depois há outras marcas, menos populares, como podem ser o jogo directo inglês, o catenaccio italiano, o jogo de pressão soviético, o 3-5-2 sul-americano ou o jogo táctico de treinadores como Mourinho. São marcas próprias, que seguiram a sua evolução na história do jogo por outros caminhos mas não são menos válidas por isso. Para o espectáculo é natural que o adepto neutro se sinta mais identificado com elas, mas isso não significa que sejam a verdade absoluta do futebol.

E mesmo o próprio Barcelona mudou muito desde a chegada de Michels a Guardiola e durante muitos anos o estilo de toque actual era assobiado no Camp Nou, que lhe preguntem a tipos como Xavi ou Iniesta, que antes da chegada de Guardiola eram altamente criticados pela inconsequência do seu jogo. O mérito foi aliar o modelo ás vitórias, nada mais. Se os resultados desaparecerem, como sucedeu no final da era van Gaal ou Rijkaard, quem diz que os que hoje são promessas do futuro não serão assobiados e forçados a jogar a outra coisa no futuro?

um abraço


De portista_amadorense a 6 de Dezembro de 2012 às 15:17
grande post, sim senhor. nao é preciso ser um gandre expert para notar que mourinho caduca e evitar mesmo passar mais do que 2 anos num clube. teve grande sucesse no porto, no chelsea (menos, la está, nos seus ultimos anos) enfim em tudo o lado mas nao nasceu para treinar um clube anos a fio. Chega a um momento em que o seu estilo de jogo se torna demasiado previsível e parece que o propriou mourinho e os seus
jogadores se cansam.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Dezembro de 2012 às 15:31
Portista_amadorense,

É certo, a gestão de Mourinho é desgastante, exige do plantel um sobre-esforço que cansa, depende em excesso dos resultados e exige ao clube um constante investimento a renovar o plantel para criar novos desafios. Poucos clubes aguentam essa dinâmica e quando os resultados não acompanham, começa-se do zero noutro lugar.

Mourinho não será nunca um Wenger, um Ferguson ou um Cruyff, mas mandatos curtos também não são sempre sinónimos de má gestão. Sacchi durou 4 anos no Milan e nunca mais voltou a ser o mesmo. Guardiola também sentiu, ao final de 4 anos, que se estava a perder algo e saiu. Ás vezes o sucesso também cansa!


De Victor Hugo a 8 de Dezembro de 2012 às 16:26
Miguel Lourenço Pereira

Essa troca de idéias entre você e o Francisco foi uma aula pra mim. É sempre bom vir a este blog.

Abraços!


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Dezembro de 2012 às 16:31
Victor Hugo,

O prazer é todo meu!


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Miguel Lourenço Pereira

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