Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Ano após ano o futebol nacional vive e revive o mesmo cenário de transe analítico de final de temporada na Segunda Circular. Depois de mais um ano sem títulos de renome - e já lá vão quatro num eixo e uns longos sete no outro - toca a reavaliar, estructurar e recomeçar do zero. Sem resultados aparentes. Este ano chega aliás com bónus eleitoral num país que, já por si, estará farto de ir a votos. Em nenhum caso a crise institucional aclara e ajuda a solucionar o problema desportivo. As sucessivas sucessões e guerras de reis sem trono e tronos sem reis são um fenómeno cada vez mais habitual, ausente a norte do Douro, onde a longa ditadura de quase três décadas de Pinto da Costa, ajuda a esconder os podres da casa e a ressaltar as conquistas no terreno de jogo. Para Benfica e Sporting isso é um sonho longinquo e já se sabe, quando se começa já a época de corda no pescoço, torna-se complicado nçao acabar bem enforcado.

 

Se está claro que o nivel de uma prova depende da qualidade competitiva dos seus principais elementos, então aí está a explicação mais lógica para o baixo nível do futebol português e a constante facilidade na renovação do ceptro de campeão por um FC Porto muitos furos abaixo do possível. Benfica e Sporting são hoje, cada vez mais, fantasmas do que já lograram no passado. Longe de apresentar projectos sólidos e estaveis, capazes de bater o pé aos agora tetracampeões nacionais, os dois grandes da capital disparam sucessivos tiros nos pés, ano após ano, hipotecando muitas vezes antes do próprio inicio da temporada todas as suas hipoteses. Uma falta de clarividência que chega a ser assustadora se observarmos bem que ambas as instituições têm mantido a mesma linha directiva (no caso do Benfica já são cinco anos de presidência e no caso leonino uma continuidade que vem dos dias de José Roquette) nos últimos anos e mesmo assim sem reais resultados. Águias e leões entram em campo a medo, incapazes de demonstrar bom futebol, muitas vezes a sonhar que o máximo a lograr é um segundo posto. Atitudes negativas que puseram em causa vitórias que pareciam claras e hipotecaram naturais opções ao título nacional como sucedeu há três anos e mesmo durante grande parte da época transacta, as duas provas onde o nível do FC Porto baixou a niveis assustadores. Em ambos os casos os dragões mostraram nos momentos decisivos esse pedigree de campeão que anda escondido a maior parte do ano mas que ainda subsiste. Um nivel que os dois colossos da Segunda Circular parecem ter perdido, comportando-se cada vez como anões.

 

Este ano ainda não terminou (ou arrancou como preferirem já) e enquanto o FC Porto se diverte a desmantelar mais uma equipa com negócios mais ou menos obscuros, já Sporting e Benfica começam a deitar por terra as suas reais opções. Ambos a braços com eleições directivas, ambos a braços com problemas desportivos, os dois clubes falham de novo no mercado, nas formas e na dinamica desportiva. Os sportinguistas deram uma esmagadora maioria a mais um presidente que continua a politica desportiva minimalista que transformou um clube que foi campeão dois anos em três no inicio da década numa instituição que já quase dá como por assumido que o segundo posto - e a classificação para a Champions League - são o prémio mais elevado a lograr. Se nas provas nacionais do Sporting só se vê serviços minimos, na Europa a prestação do ano passado foi hilariante, chegando mesmo a colocar o real valor da equipa que tinha arrancado o ano com tantas ilusões. Incapazes de resolver problemas de balneário sem criar crises institucionais, com um técnico limitado tacticamente e que é constantemente deixado só ante o perigo, o Sporting arranca mais um ano baseando apenas nos jovens que vai formando e em meia dúzia de elementos a custo zero que pouco ou nada trazem ao colectivo. Uma absoluta falta de ambição desportiva que se nota a léguas. Em Alvalade há pouca esperança de que a coisa mude.

 

Por outro lado, o Benfica vive os seus habituais defesos. Muitas capas de jornais vendidas, muitos jogadores contratados e no final, o resultado de sempre. Na época passado o novo director desportivo, cheio de boas intenções, Rui Costa, montou o melhor plantel encarnado da última década. Mas entregou-o a um técnico sem resultados evidentes e com uma notória falta de conhecimento da realidade do futebol português. Achou que os serviços minimos funcionavam e até Dezembro, com ajuda de Porto e Sporting, até teve razão. Mas quando se exigiu mais viu-se que naquela cama os pés ficavam de fora. O plantel bem estructurado caiu num onze mal planeado deixando de fora vários elementos que poderiam ser tacticamente relevantes na estructura encarnada. O resultado foi mais um terceiro posto, uma péssima participação europeia e um ano mais de orgulho ferido para aquele que ainda é (mas por quanto tempo?) o conjunto nacional com mais titulos. Agora que o presidente voltou a querer todo o protagonismo, preparando-se para mudar tudo de novo (novo técnico, novos guarda-redes, defesas, médios, avançados, ....) parece que a equipa tão bem montada já não vale de nada. Que o Benfica ande no mercado atrás de um guarda-redes quando tem dois internacionais portugueses no plantel, é a viva prova de que a confiança é uma palavra inexistente na Luz. Que o plantel se prepare para avançar para o mercado sem ter ainda um técnico com contracto assinado, é também sinal de que LF Vieira continua, um ano mais, a provar que é daqueles presidentes que não conseguem deixar de lado o lugar de treinador frustrado. E se apostar em Jorge Jesus pode ser a solução para consumo interno, há muito que os adeptos benfiquistas perderam a ilusão de ver jogar uma equipa como a que a logrou ao título de 1993/1994, apenas um dos dois conseguidos nos últimos...quinze anos!

 

Olhando bem para o panorama é mais do que preocupante observar que os dois clubes históricos da capital possuem em 18 anos apenas 4 titulos de campeão em total (dois para cada) contra a vitória solitária do Boavista e as 13 conquistas azuis e brancas. O FC Porto tem sido uma sombra de si própria desde que Jesualdo Ferreira tomou o leme do Dragão mas mesmo assim vive um periodo dourado de conquistas internas. Mais do que mérito azul e branco - que o houve, especialmente na época 2007/2008 - estamos claramente diante de uma nova época num futebol que fala a uma só voz e onde todos os outros clubes teimam em não se fazer ouvir. Que os problemas estructurais dos crónicos clubes de classe média os impeçam de subir, é algo a que estamos habituados. Que os habituais candidatos ao titulo se comecem a portar, cada vez mais, como se estivessem em pleno transe, é para por em causa a real competitividade de uma prova que começa a parecer-se cada vez mais aos campeonatos de terceira linha da Europa, quando há menos de uma década se assumia como uma das ligas emergentes do futebol internacional. Curiosamente numa época onde para ser-se campeão era preciso um pouco mais do que nos oferece o actual detentor do trofeu...o mesmo de sempre!



Miguel Lourenço Pereira às 09:51 | link do post | comentar

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