Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

alguma diferença entre a antevisão desta edição da Champions League, que amanhã arranca, e da que vivemos nos dois últimos anos? O futebol é um fenómeno imprevisível, e a final de Munique da última edição prova-o, mas à partida para mais um ano de futebol europeu, nada mudou. Os favoritos continuam a ser os mesmos, as surpresas esperadas continuam a ser as mesmas e o mais provável é que a história continue a negar-nos uma final entre os dois colossos espanhóis em Londres. 

 

Real Madrid. Barcelona. Barcelona. Real Madrid.

Não há outros favoritos. Não há outras equipas que estejam ao mesmo nível. Não há outros clubes que gerem tanta expectativa para o arranque da nova temporada da Champions League do que os dois grandes do futebol espanhol. Tem sido assim nos últimos três anos. E no entanto, nem o Real Madrid chegou à final em nenhuma das últimas tentativas, nem o Barcelona conseguiu manter a coroa na última temporada. Desde 1990 que nenhum clube vence a prova rainha da Europa por dois anos seguidos. No formato Champions nunca aconteceu. Olhando para o vencedor da última época é muito pouco provável que este seja o tal ano. Mas pode muito bem ser o ano que permita, na próxima época, que se faça história. Real. Barcelona. Barcelona. Real. Entre eles desenha-se o presente e o futuro. 

O Real Madrid de José Mourinho não vai a uma final desde 2002, quando venceu a nona edição da sua história em Glasgow. Dessa equipa só sobra Casillas, que nessa noite começou a sua candidatura a santo da devoção do madridismo. Depois de dois anos e de duas meias-finais perdidas, este é o ano do tudo ou nada do projecto merengue do técnico português, o tal que quer ser o primeiro a igualar Bob Paisley e vencer três Champions. O primeiro em três clubes diferentes. Do outro lado do ringue, o inevitável Barça. Sem Guardiola. Apesar de Tito. Sem a necessidade de Guardiola e graças a Tito? As perguntas que se fazem na comarca blaugrana giram à volta dessa realidade. Nos últimos seis anos, o Barcelona venceu três vezes a prova e recortou as diferenças históricas com os maiores do continente. Desde 2007 que não falha uma meia-final e Messi quer partir para mais uma época como Bota de Ouro do torneio. Haverá alguém capaz de impedir a sua fome de golos e títulos?

 

Em 2011 escrevíamos algo similar. Nós e todos.

Ninguém perspectivava um final distinto, uma festa longe de Cibeles ou de las Ramblas. E no entanto o futebol é assim, caprichoso, imprevisível. Futebol portanto. E a festa fez-se, pela primeira vez na história em Londres. Na mesma Londres que recebe a final, pela segunda vez em três anos, ironias da vida, como se não houvesse estádios de luxo por esse continente fora para receber a festa do futebol europeu. Mas Wembley não é Stanford Bridge e é aí que o rejuvenescido Chelsea, o mesmo de Mata e de Hazard, o de Torres e Óscar, procurará defender uma coroa que muito poucos esperam que mantenha. Os Blues não são sequer a equipa inglesa favorita. Nem o eram o ano passado. O Manchester City rompeu a gafe da Premier mas na Champions desiludiu. Pelo segundo ano consecutivo no "Grupo da Morte", este será o ano determinante na nova etapa dos Citizens, recheada de petrodolares. Não se permite um novo fiasco europeu, não se imagina a equipa longe do top oito, mas depois de dois anos entregue à Bundesliga, o Borussia de Dortmund quer finalmente voltar a dar cartas na Europa. E o Real é o Real. Passam dois, um será o máximo candidato a vencer a Europe League, mas ninguém está disposto a abandonar o barco sem luta. 

Perto do City of Manchester, em Old Trafford muitos querem recuperar a ilusão de ser uma potência europeia. Mas o Manchester United, a única equipa que rivalizou com o Barcelona durante os últimos anos, perdeu aparentemente o comboio dos favoritos e agora parte como eventual surpresa, mais graças aos golos de van Persie do que ao meio-campo, ainda algo desequilibrado, de Ferguson. Um técnico que quer vencer a sua terceira Champions, como Mourinho, para retirar-se em paz. Wenger, por outro lado, quer vencer a sua primeira e acredita que num ano onde a Premier é um sonho quase impossível, como sucedeu com Liverpool e Chelsea, as atenções podem virar-se definitivamente para a Europa onde os gunners sempre falharam nas noites decisivas. A este clube anglo-hispânico podem juntar-se os alemães de Munique, depois do trauma que significou perder em casa uma final que estava ganha, os italianos de Turim, de regresso a uma prova que conhecem bem e até os franceses do PSG, mais a peso de ouro do que à base de prestigio. Mas ninguém imagina umas meias-finais, sequer, com outras equipas que não estas.

Zenit, FC Porto, AC Milan, SL Benfica, Valencia ou Shaktar são os outros nomes de quem todos falam para surpreender. Tal como no ano passado. Alguns ficarão pelo caminho muito cedo, outros podem realmente ser surpresas, mas nenhum tem capacidade para desafiar as dez principais formações do futebol europeu actual.

 

Na final de Londres seguramente não estarão aqueles que todos dão como favoritos hoje. Ao longo da história Real e Barça partiram como favoritos e nunca se encontraram no jogo decisivo. Caprichos do sorteio, maus momentos de formação, eliminações surpreendentes, tudo vale. Ninguém é capaz de arriscar dois finalistas porque ninguém tem coragem de eliminar antes do tempo aos dois gigantes espanhóis, mas a época de Champions que nos aguarda terá as suas surpresas, os seus jogos para a história, os seus momentos de antologia e as suas desilusões. E no final mais uma equipa para perdurar na memória, para entrar no folclore emocional de um torneio que ainda hoje é único no panorama internacional.



Miguel Lourenço Pereira às 20:49 | link do post | comentar

3 comentários:
De Ganhar dinheiro online a 19 de Setembro de 2012 às 00:10
Enorme o jogo de hoje entre Real e City.. espero que o Real ganhe esta competição.


De Miguel Lourenço Pereira a 19 de Setembro de 2012 às 00:45
Tremendo, sem dúvida!


De filomeno a 19 de Setembro de 2012 às 18:08
"Dessa equipa só sobra Iker Casillas......".....Sabias palabras......


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Miguel Lourenço Pereira

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