Sábado, 16 de Junho de 2012

A Rússia entrou na última jornada com tudo para ser primeira de grupo. Acabou por ficar de fora da próxima fase depois de ter sido, na primeira ronda, a selecção que mais entusiasmou. Um balde de água fria servido por uns gregos que são incombustíveis. Fieis ao seu espirito guerreiro, os soldados de Fernando Santos quebraram todos os tabus estatisticos e deixaram claro que são, outra vez, uma equipa a ter em conta. A Polónia terá de acompanhar a sua festa desde casa, impotentes como foram frente a uma República Checa mais eficaz.

Karagounis não jogará os Quartos de Final. Mas sem ele eram os restantes helénicos que falhariam o primeiro jogo a eliminar.

Não só pelo fantástico golo que marcou, mesmo a fechar a primeira parte. Mais uma vez o médio foi o marechal e o soldado, o pensador e o operário, o cérebro e o corpo desta selecção magistralmente treinada por um Fernando Santos que, de momento, é do melhor que se tem visto nos bancos no Europeu. A Grécia tinha tudo em contra nesta equação menos a alma helénica. Esse espirito espartano que faz sempre dos gregos um rival a respeitar. Os russos, como é hábito aliás, esqueceram-se disso. Jogaram com a arrogância da sua superioridade futebolistica. E perderam. Como sempre.

A vitória grega por 1-0 exemplifica bem o seu futebol, o seu espirito e a sua resistência. Num país a sofrer como nenhum outro na Europa as consequências desta crise financeira e social, o futebol tornou-se outra vez no bálsamo perfeito para ferir o orgulho nacional. Depois de vencer em campo hoje, os gregos tentarão no domingo vencer nas urnas. Uma vitória face à política de estrangulamento que têm vivido. A dedicatória de técnico e jogador aos habitantes do país não é inocente. O plantel grego saiu de um país destroçado prometendo dar-lhes uma alegria. O titulo de 2004 é, convenhamos, uma imensa miragem. Mas passar aos Quartos de Final, como o Em Jogo tinha previsto, um luxo a que poucas selecções podem presumir de lograr. Os russos, por exemplo, fantástico no primeiro jogo, entusiasmantes no segundo, cinzentos no terceiro. Um torneio sempre de mais a menos onde Arshavin foi perdendo gás, Dzagoev escondeu as irregularidades de jogo com golos e Advocaat no último jogo não soube contornar a teia de Santos. O técnico luso está de parabens. Sem ovos fez uma omelete dificil de mastigar mas que estará no menu da próxima fase.

 

Os gregos têm que agradecer, também, aos checos.

A selecção de Petr Cech venceu a anfitriã e somou seis pontos, permitindo que o empate pontual entre russos e gregos fosse decidido pelo confronto directo. A República Checa mostrou mais futebol do que se podia antecipar pelo resultado do primeiro jogo e na primeira parte do duelo contra a Grécia foi muitissimo superior. Mas gerou muitas dúvidas em ambos os jogos no sector defensivo e diante de uma Polónia entusiasmada com fazer história, a ausência de Rosicky fazia-se notar. O médio não jogou, os checos sentiram na pele o vendaval ofensivo dos polacos mas a bola teimava em rondar, mas não entrar, nas redes de Cech. O desespero polaco e a falta de punho do seu seleccionador, um dos grandes responsáveis da eliminação dos homens da casa, tornou-se mais evidente no segundo tempo e a pouco e pouco os checos tomaram conta do jogo. O golo de Jiracek despejou todas as dúvidas e garantiu um apuramento que muitos imaginavam impossível depois de um arranque tão pesado. A selecção checa não só é uma improvável apurada como uma inesperada vencedora de grupo e fica no ar a ideia em Praga de que um lugar nos último quatro está perfeitamente ao alcance de uma selecção a quem se dão muito bem os Europeus, como se viu em 1996 e 2004, especialmente quando ninguém conta com eles como sucedeu em ambas as ocasiões.

A Polónia despede-se com uma derrota amarga e sem nunca ter convencido por jogo, como já antecipamos antes do torneio, mas deixando boas sensações individuais, em particular o trio de jogadores do Dortmund que se confirmou como o esteio de uma selecção que tem ainda margem de manobra de crescimento.

 

Se os russos eram vistos por muitos como um crónico semi-finalista, os resultados de hoje abrem ainda mais o debate sobre o que se passará na próxima ronda. À espera do que aconteça no grupo de Portugal, parece claro que qualquer selecção que saía dos jogos de amanhã seja favorita nos duelos que se seguem. Mas como gregos e checos deixaram claro aos russos e anfitriões, a estatistica e o historial no futebol tem as suas limitações. 


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Miguel Lourenço Pereira às 23:18 | link do post | comentar

2 comentários:
De Eduardo Louro a 18 de Junho de 2012 às 16:15
Esta Grécia - muito espartana e nada ateniense - é um caso sério de mentalidade competitiva e de resistência à adversidade. Um exemplo de tenacidade e coragem!
Sem ovos - Karagounis, aos 35 anos e sendo o que sempre foi, apenas um jogador de alma sem fim que só na selecção consegue atingir uma dimensão extra, ainda é a figura da equipa - Fernando Santos fez uma equipa competitiva, sem recorrer ao modelo arcaico dos autocarros de dois andares de Rehagel. Concordo que é, de longe, o melhor treinador de banco que lá está, seguido pelo croata.
O jogo com a Alemanha será muito mais que um jogo de futebol. Será uma batalha que a Grécia vai travar sem o seu marechal. Veremos se Katsouranis consegue ser o general em chefe!


De Miguel Lourenço Pereira a 18 de Junho de 2012 às 17:53
Eduardo,

Sem gostar do futebol dos gregos admiro-os profundamente. Ao contrário do pensamento snob que entende que uma equipa que defende bem não tem mérito, eu acredito que é mais dificil defender bem do que atacar. A Holanda, uma equipa só de tracção à frente, acaba de o demonstrar. É uma selecção dificil de defrontar se está concentrada - e não o esteve no jogo com os checos - e a Alemanha vai ter muitas, muitas dificuldades.

um abraço


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