Sábado, 9 de Junho de 2012

Varela é o exemplo perfeito do jogador português. Nos momentos chave, a pressão pode mais do que a eficácia. A vitória da Alemanha resultou, sobretudo, dessa imensa diferença que separa as duas selecções. Quando teve a bola apontada ás redes, os germânicos demonstraram a sua experiência histórica e não falharam. Portugal, que optou por esperar, esperar e esperar, teve o empate a centimetros mas faltou-lhe esse espirito de vitória que nunca diz presente nas grandes noites. Uma derrota que esconde um jogo cinzento da Alemanha e que deixa Portugal sem outra opção que não seja vencer os próximos dois jogos. 

A primeira parte foi cinzenta como Paulo Bento queria.

Portugal dedicou-se a entregar o comando do jogo aos homens de Low e posicionou-se perfeitamente no terreno para anular a verticalidade do jogo alemão. Sem espaços não há velocidade que valha ao jogo de Ozil e Muller e os germânicos ressentiram-se. Um terreno empapado, uma defesa rocosa e uma série de ajudas e coberturas perfeitamente coordenadas atascaram o jogo da Alemanha e transformaram o jogo num combate de boxe aos pontos, sem grandes golpes. 

A Alemanha desferiu primeiro, com um remate de cabeça de Gomez, mas depois não voltou praticamente a aparecer pela zona de Rui Patricio. Muitas bolas largas, passes falhados no último momento e uma incapacidade crónica de assustar. Nesse cenário, Portugal sentiu-se cómodo, bastante mais cómodo. Aguentou as investidas sempre fora da área, manteve a bola nos pés quando era necessário e, ocasionalmente, tentou atacar. Claro que jogar sem um médio criativo é um karma para qualquer equipa que tenha de deixar as tarefas de criação a jogadores como Meireles ou Moutinho que abusaram dos lançamentos largos. Nem Nani, sem chispa, nem Ronaldo, muito pesado e marcado, conseguiram aproveitar esses lançamentos e Hélder Postiga, como sempre, trabalhou mais como defesa do que actuou como avançado de pleno direito. Nessa dinâmica salvou-se o jogo dos laterais, sobretudo Coentrão, que ganharam metros em várias ocasiões e um par de cantos de onde surgiu a oportunidade mais clamorosa dos primeiros 45 minutos. Pepe, só na área, ajeitou demasiado a bola que não passou a linha branca. Faltavam segundos para o final do primeiro tempo e ficou-se com a sensação de que a Alemanha teria de mudar o esquema para penetrar o esquema defensivo luso. A Portugal, só a sorte que faltou naquele lance podia dar uma ilusão de vitória, futebolisticamente a diferença ainda parecia evidente, apesar de tudo.

 

E se Portugal até entrou melhor na segunda parte, a verdade é que Ronaldo continuou desaparecido. E na Alemanha, finalmente, sentiu-se a presença de Ozil. E dos espaços. Os germânicos foram puxando os portugueses da sua linha recuado e explorando os metros que ficavam por detrás. Ozil, vezes sem conta, lançou passes cirúrgicos que eram constantemente desaproveitados pelo trio de ataque. Os minutos passavam, Paulo Bento optava por Nélson Oliveira em lugar de Postiga, e a Alemanha recuperava o controlo do jogo, mas à sua maneira.

Num centro fortuito de Schweinsteiger, depois de um belo lance começado pelo notável Matts Hummels na defesa, a bola encontrou a cabeça de um Mario Gomez que já tinha o seu número escrito no placard de substituições. Rui Patricio, mal colado, deixou-lhe todo o lado esquerdo da sua baliza e o avançado de origem espanhola fez o que sabe fazer melhor e marcou o golo que dava a volta ao guião.

Obrigado a atacar, Portugal começou a pensar como poderia fazer aquilo para que não está preparado para fazer. A Alemanha, por outro lado, agradeceu o imenso espaço que uns cansados Moutinho e Meireles iam deixando nas suas costas e enquanto Bento optava por Varela, os portugueses continuavam à procura de um Cristiano Ronaldo que, como D. Sebastião, desapareceu sem deixar rasto do campo de batalha. 

Um par de oportunidades, inevitáveis, que não deram em nada e a habitual asfixia de jogo criativo dos lusos permitiram aos alemães não acelarar o jogo na busca de um mais cómodo segundo golo. Até porque, quando na hora da verdade, Varela teve o empate nos pés, parecia claro que um jogador como ele não teria o sangue frio para marcar. E não teve. Portugal está habituada a momentos desses. Por isso mesmo é que, neste grupo da morte, são a única selecção sem um titulo no historial.

 

No jogo com a Dinamarca a equipa portuguesa joga mais do que os três pontos. Se os nórdicos logram pontuar, quase que garantem seguir em frente pelo que Portugal tem a dupla missão de vencer e de apanhar os dinamarqueses no segundo lugar do grupo. A partir de agora não há margem de erro e Paulo Bento tem de pensar noutra fórmula que não seja apenas defender e esperar o erro do rival. Uma situação que os dinamarqueses manejam muito bem - já o demonstraram no passado recente. Jogar sabendo que um empate é um bom resultado é algo que os dinamarqueses vão utilizar habilmente. Portugal precisa de Cristiano Ronaldo presente, da eficácia que lhe falhou pela enésima vez e, sobretudo, de deixar de viver o eterno complexo de profunda pequenês que tem acompanhado os recentes mandatos de seleccionadores que optam por esperar em lugar de tomar a iniciativa e que têm contribuido, com isso, a que Portugal seja cada vez menos uma potência tida em consideração por essa Europa fora.  

 


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Miguel Lourenço Pereira às 20:32 | link do post | comentar

1 comentário:
De Bruno a 10 de Junho de 2012 às 02:11
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