Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

Á partida a Ucrânia é, da dupla organizadora, a que tem mais condições para sonhar com um lugar nos Quartos de Final. Mas o grupo D é traiçoeiro, nem que seja pela profunda regeneração que atravessam as seleções francesa e inglesa, dentro e fora de campo, que transforma o seu histórico papel de favoritos numa incógnita. Os suecos, equipa que tradicionalmente se fica pela primeira fase, poderão acabar por ser o juiz do apuramento nos seus três duelos com os favoritos.

 

A escola do Dynamo Kiev, o sucesso recento do Shaktar Donetsk e o crescimento sustentado da liga ucraniana ajudam a devolver a ex-república soviética à elite do futebol internacional. Mas depois de falhar o Mundial da África do Sul e o Europeu de 2008, fica a sensação que os ucranianos teriam muitos problemas em viajar ao seu próprio torneio não tivessem garantida à partida a vaga de anfitriões. 

Numa selecção onde ainda joga Andrey Shevchenko, a anos-luz do jogador que foi, pode-se esperar de tudo e há pouca gente que aposte dinheiro na continuidade dos ucranianos no torneio passada a primeira fase. Oleg Blokhin, talvez o melhor jogador ucraniano da história, não tem um grande curriculum como técnico principal e o seu trabalho como seleccionador passa, sobretudo, por manter um equilíbrio entre a velha guarda de Kiev e os novos nomes que começam a despontar em Donetsk, uma relação que nem sempre tem sido fácil.

A titularidade quase garantida de Shevchenko é quase mais um problema do que uma solução, sendo que é dificil ver ao técnico alinhar ao mesmo tempo o Ballon D´Or com Artem Milievsky, o mais talentoso jogador do lote de convocados, mas um jogador sem a disciplina táctica que se vai exigir a uma equipa que terá de defender mais do que atacar e que já tem no seu histórico capitão uma figura fora do baralho defensivo. Blokhin tem baixas sérias na defesa, do guardião Pyatov ao defesa Chygrinski e terá de apostar na juventude de Koval e numa linha composta por Kucher, Rakitsky, Mikhailyk e Shevchuk. No meio-campo a experiência de Tymoschenko, jogador do Bayern Munchen, será fundamental para dar equilíbrio a um desenho por onde se vão mover Alyev, Rotan, Yarmolenko, Garsmah ou Gusev, um quarteto atrás do duo ofensivo que será sempre Shevchenko+um, quem sabe Voronin, longe dos seus melhores dias.

Sem ter o seu melhor onze e com uma profundidade de banco bastante ligeira, os ucranianos sabem que a pressão de ser anfitriões é outro contra numa lista onde há poucos prós. Abrir o torneio com a Suécia, num duelo que pode valer 3 pontos fundamentais para a contagem final, é uma das suas poucas armas, sabendo que qualquer resultado do França-Inglaterra obrigará a uma das selecções jogar o tudo por tudo no duelo com os homens da casa.

A chegada de Laurent Blanc ao leme da selecção francesa foi a lufada de ar fresco que o futebol gaulês necessitava.

Depois de revolucionar Bordeaux, o técnico soube realizar uma limpeza cirúrgica após a hecatombe do Mundial da África do Sul e os grave problemas disciplinares que se seguiram. Separou o trigo do joio, apostou entretanto numa nova vaga de talentos que, apesar de não estarem à altura das duas gerações douradas pretéritas, acabam por dar aos Bleus armas suficientes para ser a surpresa da prova.

Apostando num 4-3-2-1 equilibrado tacticamente, com Benzema, Ribery e Nasri como principais interpretes ofensivos, os franceses chegam à Ucrânia desejosos de reencontrar-se com o bom jogo e os melhores resultados. O grupo é traiçoeiro, especialmente o arranque com a Inglaterra, uma selecção com quem os franceses têm um historial misto cheio de desencontros. Mas Blanc confia que a metamorfose espiritual que foi exercendo nos últimos dois anos faça efeito.

Ribery e Benzema chegam inspirados depois de um ano ao mais alto nível internacional. Nasri acabou de sagrar-se campeão inglês, apesar de não ter tido todo o protagonismo que queria. E Jeremy Menez e Olivier Giroud  vêm de bons anos na liga doméstica. Eles serão os responsáveis de fazer a diferença no ataque mas, como bom central, Blanc soube construir a sua equipa detrás para a frente partindo de um dos melhores guarda-redes da actualidade, Hugo Lloris, para um eixo defensivo onde se movem Mexés, Evra, Rami ou Clichy. A baixa por lesão de Sagna e a doença de Abidal são um duro golpe mas em Reveillere ou Debuchy, o técnico tem alternativas sólidas. O meio-campo, centro nevrálgico onde o futebol francês sempre construiu a sua força, carece de um lider inspirador. Nasri será o criativo de serviço, salvo se Blanc aposta definitivamente na controversa figura de Valbuena. Sem eles a França tem um grande problema criativo mas não pode dizer o mesmo em estabilidade defensiva. Yann Mvilla, Yohan Cabaye, Alou Diarra, Marvin Martin e Blaise Matuidi vêm de excelentes épocas e serão o pulmão da equipa gaulesa que pode aspirar seriamente a romper os prognósticos e apresentar-se como séria alternativa ao trio de favoritos. 

 

Jogar contra os homens da casa é sempre um karma para qualquer selecção, especialmente se não chega a uma prova como favorita. Mas os suecos sabem bem o que isso é. Em 2000 defrontaram a Bélgica e sofreram uma derrota que acabou de imediato com as suas aspirações. E em 1992, como homens da casa, sentiram na pele como um público entusiástico pode fazer a diferença.

Sabendo disso e assumindo que a sua equipa funciona melhor quando Zlatan Ibrahimovic decide aparecer, o seleccionador nórdico Erik Hamren já deixou transparecer a público que é consciente das poucas probabilidades dos suecos de lograr um brilharete. Qualificados como o melhor segundo depois de uma vitória surpreendente diante da Holanda, o colectivo nórdico não vive uma das suas eras mais apaixonantes mas ainda tem individualidades capazes de fazer a diferença. Ibrahimovic, por cima de todas, ele que sofreu uma lesão fatídica no primeiro jogo disputado com a Espanha em 2008 que acabou por fazer toda a diferença para a campanha sueca. Mas o avançado do Milan conta com o apoio de Kallstrom, Willhelmsson, Svensson, Isaksson e Elmander, tudo figuras de uma velha guarda que vem a caminho do seu último torneio, o quarto europeu consecutivo para os suecos. Sem grandes novidades a acrescentar, salvo o bom jogo colectivo de Bajrami e Larsson no meio-campo e a confirmação em Moscovo do talento de Wernbloom, os suecos são á priori uma das selecções mais acessíveis das dezasseis em prova. O que não significa que tenham dito a última palavra. 

 

Eleger o seleccionador para um grande torneio internacional a um mês de que a bola comece a rolar é talvez a pior forma de se preparar um Europeu. Mas a FA tem o seu método tradicional de trabalho e depois da saída de Fabio Capello e dos problemas com a contratação de Harry Redknapp, cabe a Roy Hodgson liderar o exército dos Pross. Não será tarefa fácil.

Nem é o ex-técnico do West Bromwich um treinador que inspire confiança nem esta é, nem de longe nem de perto, a mais forte selecção inglesa do futebol actual. Jack Whilshire, a melhor descoberta britânica dos últimos quatro anos, está de fora do torneio. Frank Lampard, herói finalmente em Londres, depois de vencer a sua primeira Champions League com o Chelsea, também. O barómetro Barry e o lider Ferdinand sofreram lesoes suficientes para que Hogdson apostasse por outras figuras. E Wayne Rooney, génio e figura, será convocado para jogar o terceiro e decisivo encontro. E o que siga, se é que segue algo.

Apesar de ter resolvido o histórico problema das redes, com um Joe Hart em excelente momento de forma, esta Inglaterra continua a viver do trauma de uma Geração de Ouro que nunca o foi mas que ainda é fantasma que paira sobre o onze inicial. Hodgson terá problemas no balneário se optar por deixar de fora John Terry de fora e apostar numa dupla Cahill-Lescott. O mesmo se Gerrard der lugar no onze a Downing ou Young. O mais provável é os veteranos sobreviventes sejam titulares fixos, com os crónicos problemas de jogo que têm gerado. Os problemas físicos de Scott Parker, a falta de um homem golo inspirado e de um médio criativo em forma são puzzles para os quais Hodgson tem pouco tempo para resolver naquele que será, agora sim, o último torneio de uma velha guarda que caminha lentamente para o seu ocaso.

 

O Em Jogo aposta:

1º França

2º Ucrânia



Miguel Lourenço Pereira às 17:31 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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