Domingo, 3 de Junho de 2012

Organizar um Europeu em dois países que não são candidatos claros ao trofeu tem destas coisas. Um sorteio que nos proporciona talvez o grupo mais acessível e equilibrado da história dos Europeus, sem um claro favorito para seguir para os Quartos de Final. Aberto a tudo e todos, aos sonhos dos locais e às aspirações dos gregos, à ambição russa e ao silencioso projecto checo, nunca foi tão dificil imaginar o que se poderá passar no grupo que abre o torneio.

 

Em 2008 a Áustria e a Suiça defrontaram Alemanha e Portugal. Em 2000 à Bélgica calhou a fava chamada Itália. 

Os polacos vivem ainda num estado de ansiedade mista. Por um lado agradecem a um sorteio que lhes evitou um dos tubarões do futebol do Velho Continente, como Alemanha, Itália, França ou Inglaterra, ou favoritos crónicos como Espanha, Holanda e até mesmo Portugal. Mas, por outro lado, há uma sensação de desconfiança profunda. Não seguir em frente, diante dos seus, num grupo com Grécia, Rússia e República Checa mais se parece com um presente envenenado. E os polacos estão habituados a ser enganados.

Fransizcec Smuda sabe-o tão bem como qualquer outro e o jogo inaugural com a Grécia será a verdadeira vara de medir de uma selecção que nos últimos dez anos apenas logrou participar em dois Mundiais (2002 e 2006, sem deixar boa imagem) e o último Europeu (último de grupo) que dista muito da imagem de potência histórica que se forjou nos anos 70. Esta Polónia é, a par da Áustria de 2008, o anfitrião mais dócil da história e é contra esse quase fatalismo que os polacos irão jogar. O apoio do público será massivo e os homens da casa contam com um dianteiro inspirado como Lewandowski para abrir as fechadas defesas de gregos e checos. Mas olhando para os eleitos de Smuda e fica a clara sensação de que falta algo mais para que a Polónia sonhe em ir mais longe. Apesar do talento evidente de Szczesny e Piszczek, há poucas alternativas para montar um onze de alto nível e muitos suspeitam - e não sem razão - que dificilmente a Polónia marcaria presença no torneio se não jogassem em casa. 

Do outro lado do espelho vive a Grécia. Se há qualquer selecção que sabe o que é contrariar as fatalidades históricas, essa é a Grécia.

Seguramente que o projecto de Fernando Santos não é o mesmo de Otto Rehagel. Mas entretanto não mudaram muitos dos jogadores, grande parte da filosofia de jogo é a mesma e, sobretudo, o que continua igual é a fortíssima resistência mental dos helénicos, que venceram um grupo frente a uma superior Croácia mantendo-se fiel ao seu ideário. A aposta no colectivo faz esquecer que à Polónia não chegam individualidades capazes de desequilibrar. Os gregos continuam com um problema na criação de jogo mas mantêm um bloco defensivo forte, apoiado no tremendo talento de Papadoupoulos, mas do meio-campo para a frente Karagounis, Salpingidis, Charisteas, Katsouranis e Samaras continuam a ser os nomes próprios. Pouco para quem quer repetir um brilharete, talvez suficiente para sonhar com outras surpresa. No estado de sitio em que vive o país, será curioso ver como o futebol, mais uma vez, pode funcionar como catarsis ou catalisador da asfixia social.

 

Num torneio disputado na Europa de Leste e com um grupo onde todas as equipas estão a leste da antiga cortina de ferro (apesar do posicionamento ideológico grego nunca ter entrado nessas contas por culpa de manobras de bastidores) parecia inevitável que a Rússia fosse o cabeça de cartaz moral.

Os russos chegam com legitimas aspirações de repetir o brilharete de 2008, onde alcançaram as meias-finais caindo apenas diante da Espanha. Advocaat não é Hiddink, com esse dedo de midas que sempre caracterizou o holandês, mas não deixa de ser um técnico competente e com um bom historial às costas. Vencer o grupo parece ser o objectivo mínimo dos russos e depois sonhar com ir percorrendo o leste europeu com o à vontade com que se moviam as altas dignidades soviéticas durante a Guerra Fria, terminando a marcha em Kiev. É evidente que para isso Advocaat precisa de ver a melhor versão dos magnificos jogadores que fizeram o quase milagre de 2008 possível e que, a partir daí, se entretiveram a destruir cada uma das suas carreiras individuais. Andrei Arshavin, Roman Pavluychenko, Igor Shemshov já não são os mesmos. Yuri Zhirkov já não entra nestas contas e Beretzusky e Ignatsievich contam com mais quatro duros anos nas pernas. Na convocatória russa a juventude não é a grande novidade e apesar do génio contrastado de Dzagoev e Akinfeev, poucas alternativas têm os russos de surpreender a partir do banco. Advocaat, que já anunciou que deixará a selecção para voltar ao seu PSV, preferiu rodear-se de veterania absoluta para vencer um grupo acessível e cumprir as expectativas mínimas de uma federação que tem investido muito dinheiro para preparar uma equipa que possa disputar o titulo mundial no Mundial de 2018.

 

Patinho feio do grupo, os checos chegam sem expectativas e ambição à Polónia. Uma situação onde se sentem, habitualmente, bastante cómodos. Foi assim em 1996 e em 2004, quando obtiveram os seus melhores resultados internacionais. A geração de Bruckner deu passo a uma nova etapa de talentos que não estão ao mesmo nível individual (Poborsky, Berger, Nedved, Koller) mas que funciona bem como colectivo. Bilek, o seleccionador, conta com um misto de veterania (Rosicky, Cech, Suchy, Baros, Kadlec) com a promessa futura de Necid, Selassie, Kolai e Rajtoral. Os checos não são favoritos para seguir em frente e arrancam com o jogo mais difícil, frente aos russos. A partir desse momento inaugural, sem pressão, tudo pode suceder e os checos são hábeis nesse departamento.

 

O grupo que abre o torneio no próximo dia 7 é um enigma. Os polacos jogam com o efeito casa e pouco mais, os checos com a ousadia das grandes noites e os russos e gregos, que já sabem o que é ganhar um Europeu, com o peso da história. Entre os quatro seguem em frente os adversários que todos gostariam de defrontar nos Quartos de Final. Mas quem segue provas como esta sabe bem que o que parece uma coisa no papel no relvado transforma-se totalmente.

 

O Em Jogo aposta

1º Rússia

2º Grécia 


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Miguel Lourenço Pereira às 00:29 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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