Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Michael Thomas tem um rival para a posteridade. Sergio Aguero entrou para a história como o autor do golo mais agónico e determinante da história da Premier League. Uma vitória asfixiante sobre um heróico QPR que manteve o Manchester United com a esperança de mais um triunfo nos derradeiros instantes. No final, 700 milhões de euros depois, o City quebrou uma malapata de 44 anos e voltou a proclamar-se campeão inglês num ano de muitas surpresas e desilusões num campeonato que continua a manter o suspense apesar de perder, progressivamente, qualidade.

Em três anos nunca um clube tinha gasto tanto dinheiro para conseguir um objectivo tão concreto: o titulo inglês.

Roberto Mancini logrou à segunda tentativa o troféu mas não sem sofrer mais do que um plantel de 700 milhões justificaria. O jogo espesso do City em largas partes da temporada parece um dos lados da moeda. No outro as goleadas consecutivas, resultado normal de um ataque por onde passaram Tevez, Balotelli, Dzeko, Silva e Aguero, peças nucleares na reconquista de um titulo ganho no pulso final a um Manchester United low cost, fraco como nunca outro projecto de Alex Ferguson, mas que teve o mérito de manter-se até ao final na luta pelo titulo. 

 

O United começou bem e perdeu gasolina à velocidade com que perdia jogadores. O débil meio-campo levou a Ferguson a resgatar a Scholes e a alinhar, nos jogos importantes ao histórico centrocampista com Ryan Giggs, o miolo mais veterano da história da Premier. Nos dois duelos directos contra o rival de Manchester duas derrotas categóricas deixaram claro que, no mano a mano, era impossível aos Red Devils manterem o pulso. Mas os tropeções de um Mancini sempre temeroso nas grandes noites mantiveram o duelo aceso e os dois golos inesperados do QPR deram a sensação de que havia algo mais forte do que a lógica por detrás de Ferguson, como naquela noite de Barcelona em 1999. Mas sucedeu o contrário, o futebol decidiu transformar os jogadores do United em reencarnações contemporâneas de Kahn, Effenberg, Mathaus, Kuffour e companhia e confirmar Aguero como figura de proa no seu primeiro ano de futebol inglês.

 

A gesta do QPR quase que serviu para confirmar a salvação do clube londrino mas no último minuto já nem era necessário.

O Bolton, que sofreu na pele a escalofriante situação vivida por Fabrice Muamba, seguiu a Wolverampton e Blackburn Rovers na despromoção ao Championship. Mas o sofrimento sentiu-o, mais do que nunca, um Aston Villa que dista muito do projecto criado por Martin O´Neill e que ameaça tornar-se em mais um histórico problemático como foram Leeds, Newcastle e Nottingham Forrest.

A Premier que tem perdido alguns dos seus melhores jogadores e algo de qualidade de jogo manteve-se emocionante em resultados e na dinâmica da tabela classificativa. O Newcastle foi uma verdadeira lufada de ar fresco e o Tottenham de Redknapp durante alguns meses pareceu dar a sensação de poder ambicionar a algo mais mas a saída de Capello do banco inglês mudou a mente do técnico e levou a um profundo descontrolo do plantel que acabou num tremido quarto posto por detrás de um Arsenal que, um ano mais, luta de igual para igual com equipas com orçamentos infinitamente superiores, mérito indiscutível de Arsene Wenger.

No lado negro da época a terrível campanha de Kenny Dalglish ao leme do Liverpool, com o pior registo doméstico em décadas, e sobretudo a época do Chelsea. Apesar da final da Champions League, o clube londrino terminou a Premier no pior lugar da última década, um sexto posto cuja responsabilidade é preciso distribuir entre Villas-Boas, um plantel em revolta constante e a um Roman Abramovich que continua sem saber muito bem o que quer para o seu clube.

 

 

 

Jogador do Ano

David Silva

 

Há poucos jogadores de futebol na actualidade com a classe e rapidez de raciocínio que o espanhol David Silva. Não havia espaço para ele no projecto de Guardiola e no colete de forças de Mourinho e a Premier tornou-se o seu destino inevitável. Se o Manchester City é, finalmente, campeão, deve-o a ele mais do que a qualquer outro. Marcou, assistiu, encantou, pautou o ritmo e soube emergir como o lider que os citizens precisavam depois de 700 milhões de euros gastos em mais de 30 jogadores para encontrar o caminho ao El Dorado. Ninguém duvida que, no futebol actual, Silva é um dos nomes maiores.

 

 

Revelação do Ano

Papisse Cissé

 

Chegou em Janeiro depois de dar nas vistas no Freiburg. Mas ninguém imaginava que o seu impacto ia ser tão devastador. Em treze jogos pelo Newcastle marcou treze golos, alguns dos quais dignos de entrar na galeria dos melhores do ano. Soube substituir quando necessário o goleador da primeira volta dos Magpies, Demba Ba, e soube também combinar com ele e Cabaye para garantir um sprint final memorável para o clube do Tyne. Em meia temporada deixou a pensar os principais directores desportivos dos clubes de topo europeus.

 

Onze do Ano

 

Apesar do talento incrivel de Joe Hart a nossa opção recairia sobre o imenso holandês Tim Krul, baluarte de uma grande época para o Newcastle United.

 

Na defesa de quatro jogariam Micah Richards (City), Gary Cahill (Bolton/Chelsea), Kyle Walker (Tottenham) e Leighton Baines (Everton). Quatro jogadores que explicam bem a forma como o trabalho defensivo é encarado na Premier League, onde a força e a raça são mais valorizados do que o controlo de bola e o posicionamento táctico.

 

David Silva lidera o meio-campo deste onze de forma inevitável acompanhado pelo francês Yohan Cabaye do Newcastle e pelo seu colega de equipa Yaya Touré.

 

No ataque jogam os inevitáveis Wayne Rooney, que continua a ser o mais determinante jogador inglês da actualidade, lado a lado com o holandês Robbie van Persie e o homem decisivo da Premier, o argentino Sergio Aguero.

 

Treinador do Ano

Alan Pardew

 

O que logrou Alan Pardew com este Newcastle não tem nome. Um clube habituado a falhar, a desiludir e a seguir pelo caminho errado, encontrou neste técnico a sua tabua de salvação espiritual. Sem dinheiro para investir, Pardew montou um onze tremendo em qualidade e poupado em gastos. Deu a batuta de jogo a Cabaye, apostou no perfume africano do golo, com Ba e Cissé, e garantiu uma defesa de ferro liderada por Krul, outra aposta pessoal. Manteve o plantel fresco, apesar das lesões, soube esquivar a pressão de dormir largas jornadas perto de postos europeus, um oásis para um clube muito necessitado de injecção financeira, e acabou a época num mais do que meritório XXX, diante do todo poderoso Chelsea e dos históricos Liverpool e Everton. Quase nada!



Miguel Lourenço Pereira às 15:39 | link do post | comentar

1 comentário:
De ismas a 28 de Maio de 2012 às 18:47
Miguel como sera possivel fazeres uma equipa do ano do futebol ingles sem o Kompany ou coloccini?david silva jogador do ano?!?!?ate janeiro foi depois afundou-se com a lesao no tornozelo e nunva mais foi o mesmo.jogador do ano claramente o yaya toure e viu-se bem com a saida dele em janeiro para a taca de africa o pior periodo do city que ate la dominava o campeonato claramente.sem o Yaya na equipa o city nao nem metade do normal o jogo passa todo pelos seus pes e cabeca amigo.O cahill teve uma 1 parte de epoca muito fraca no bolton e mesmo no chelsea nao jogou com vilas boas quase nada e com DE Matteo esteve lesionado muito tempo portanto muitos duvidas nas tuas escolhas amigo :) mas gostos sao gostos.


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