Sábado, 7 de Abril de 2012

Quando Joan Laporta sucedeu a Gaspart como presidente do FC Barcelona a situação politica do futebol europeu vivia numa encruzilhada extremamente complexa. O grupo conhecido como o G14 fazia-se sentir mais influente do que nunca junto de Leonardt Johanssen e a ameaça de uma Superliga europeia era cada vez mais real. Laporta retirou o clube blaugrana da segunda linha desse grupo, liderado por Hoeness, Perez e Galliani, e apostou todas as fichas em Michel Platini, o homem de confiança de Sepp Blatter. O futuro deu-lhe razão e desde então sempre que se vêm em problemas, o clube catalão encontra sempre um amigo!

 

Os corredores do poder na sede da UEFA em Nyon eram estreitos para os emissórios blaugranas.

O clube era visto com maus olhos pela directiva e não passava de uma formação de segundo nivel do grupo G14, fundado por Florentino Perez, Adriano Galliani e Uli Hoeness numa reunião em Milão no ano 2000. Entre AC Milan, Bayern Munchen e Real Madrid, com o fortissimo apoio de Manchester United, Olympique Lyon, FC Porto, Juventus e Arsenal pretendia-se desenhar o futuro do futebol continental.

O papel da UEFA na criação da nova Champions League tinha sido fulcral para por em prática os desejos da elite continental mas o mandato final do presidente sueco tinha deixado demasiadas pontas soltas que os dirigentes pretendiam atar com a criação de uma Superliga europeia ao estilo NBA. O projecto nunca chegou a avançar mas o peso do G14 aumentou de ano para ano e isso reflectia-se no sucesso desportivo dos seus principais integrantes. O Barcelona, em crise depois da venda de Luis Figo e da saída de Louis van Gaal, era um mero actor secundário. E isso notava-se no Camp Nou.

Em 2003 o ambicioso advogado catalão Joan Laporta apontou á sucessão de Joan Gaspart. Prometeu trazer David Beckham, acabou por trazer Ronaldinho mas o mais importante acto de gestão foi criar uma embaixada do clube na UEFA, com Gaspart de emissário, juntando a um grupo de descontentes entre personalidades influentes e clubes insatisfeitos com o rumo económico do G14 original. Uma especie de oposição que começou a fazer-se sentir no último ano de mandato de Johanssen quando o clube apoiou declaradamente o francês Michel Platini na corrida á presidência. Florentino Perez tinha saído do Real Madrid, Silvio Berlusconi estava mais preocupado com o seu papel como primeiro-ministro italiano e o apoio da FIFA e as promessas de maior equilibrio financeiro e competitivo com as pequenas e médias nações europeias deram a Platini uma vitória surpreendente.

O Barcelona tinha acertado e começou a viver uma época de esplendor europeu inigualável no seu mágico historial.

 

Em 2006 Chelsea e AC Milan sofreram na pele a influência blaugrana nos corredores de Nyon.

Os ingleses, orientados por José Mourinho, viram o defesa lateral espanhol Asier del Horno ser expulso por agressão depois de um lance onde um então promissor Leo Messi contribuiu, e muito, na decisão final do árbitro. O génio de Ronaldinho fez o resto. Na semi-final que precedeu a coroação do magnifico conjunto orientado por Frank Rikjaard aos italianos foi anulado um golo fundamental no jogo da segunda mão apontado pelo ucraniano Andrey Shevchenko. Anos mais tarde, na celebre conferência de imprensa que lhe valeu a maior suspensão na história da UEFA a um treinador de futebol, o sadino não se lembrou dos nomes de Terje Hauge e Markus Merk. Não era necessário, o historial dos anos seguintes faria destes dois episódios meras anedotas desportivas, similares ás dos sempre polémicos Mr Leaf e Mr Ellis, os árbitros que garantiram em 1962 que o Real Madrid não pisaria a sua sexta final europeia consecutiva numa meia-final histórica com o eterno rival.

O titulo europeu ganho numa final asfixiante com o melhor Arsenal europeu de sempre foi o primeiro de uma série de três em cinco anos, um feito apenas igualado por Real Madrid, Ajax, Bayern Munchen e Liverpool.

Em 2009, o primeiro ano do glorioso e fantástico Pep Team, os adeptos de futebol renderam-se ao magnifico jogo ofensivo de Xavi, Iniesta, Messi, Etoo e Henry, talvez a equipa mais atrevida e arrojada em largos anos no futebol europeu. Mas nem esse talento inegável e superlativo consegue explicar a anormal arbitragem de Tom Ovrebo, árbitro norueguês que conseguiu aguentar o resultado até ao fantástico remate de Iniesta. Pelo caminho ficaram por assinalar penaltys e expulsões. Apesar do génio desportivo, confirmado com uma grande final em Roma, a imagem desse duelo manchou a vitória mais saborosa de Guardiola. Por essa altura o G14 tinha acabado, reformando-se na ECA, e a amizade entre Laporta e Platini era conhecida, aceite e incontestada por todos os presidentes dos principais clubes europeus, como confessou há semanas um dos vice-presidentes mais influentes do clube, Alfons Godaal,

Olhando para os três anos seguintes tem sido fácil perceber porquê.

Em 2009-10 os campeões europeus em titulo defrontaram o Internazionale nas meias-finais. Depois de uma derrota por 3-1 em San Siro, no jogo da segunda volta, o árbitro Frank de Bleckerck conseguiu, como em 2006, ver uma agressão de Thiago Motta a Sergio Busquets e reduziu o conjunto neruazzuri a 10 homens com meia hora de jogo. Foi insuficiente. Não o seria no ano seguinte com Robie van Persie primeiro, expulso cirurgicamente por rematar uma bola depois do árbitro Massimo Busacca ter apitado um fora-de-jogo. Não o seria na meia-final em Madrid com o árbitro Wolfgan Stark a expulsar Pepe depois de um lance dividido com Dani Alves como não seria no jogo da segunda mão quando Gonzalo Higuain marcou para o Real Madrid, apenas para o golo ser anulado por uma falta fantasma de Cristiano Ronaldo sobre Gerard Pique, pelo amigo do costume, o belga De Bleckerck agora elegido pela FIFA para coordenar a sua exclusiva comissão arbitral num braço da organização dirigido pelo espanhol Angel Maria Villar.

A polémica arbitragem no último duelo com o AC Milan foi apenas mais um exemplo para uma longa galeria de amigos que aparecem sempre na hora H. Dois penaltys inexplicáveis, cartões cirúrgicos e um longo sorriso que relembrou aos mais atentos que este mesmo árbitro tinha estado presente no Mónaco, no jogo da Supertaça Europeia frente ao FC Porto para garantir a enésima merecida vitória do Pep Team.

No primeiro lance, Leo Messi sofre falta clarissima de desastrado Antonini mas encontra-se em fora-de-jogo (a bola ressalta no italiano depois de um passe de Xavi o que invalida imediatamente o lance). No segundo, a bola nem sequer está em jogo quando Nesta agarra Busquets sendo depois agarrado por Puyol. O regulamento arbitral obriga o árbitro a interromper o lance e mandar repetir o canto. Kuipers optou pela decisão inédita na história da Champions League de apitar penalty. Um amigo aparece sempre quando é preciso.

 

A indiscutível qualidade futebolistica deste FC Barcelona transforma ainda mais esta profunda relação entre o clube blaugrana e a UEFA numa realidade complexa de analisar e que no futuro marcará seguramente a imagem fantástica de um projecto desportivo unico. Neste periodo de cinco anos sucederam-se duas das cinco melhores equipas da história do Barça. E no entanto, ao contrário dos principais triunfos de alguns dos seus mais simbólicos rivais, a sombra da UEFA nunca se fez sentir tanto por detrás do sucesso de um projecto desportivo como tem sucedido nos últimos cinco anos. Quando a genialidade futebolistica do Barcelona, uma equipa que vence sobretudo porque é a única no panorama internacional que não condiciona o seu jogo ao rival, mantendo-se fiel ao seu ideário, custe o que custar, não chega para resolver os maiores apertos, parece sempre que do outro lado da linha está um amigo pronto a solucionar os problemas. José Mourinho foi punido pela UEFA por denunciar uma realidade que é conhecida por todos os que vivem nos corredores do futebol e que não é inédita nem exclusiva ao FC Barcelona na história do futebol. Mas pensar que a história do futebol europeu dos últimos anos se tem feito apenas com o génio táctico de Josep Guardiola, os passes de régua e esquadro de Xavi e Iniesta e as genialidades de Lionel Messi é, sobretudo, pecar de inocência. E nos corredores do beautiful game a inocência paga-se caro e há muitos clubes da elite europeia que começam a dar-se conta dessa realidade e a sonhar com um projecto antigo.



Miguel Lourenço Pereira às 11:25 | link do post | comentar

21 comentários:
De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Abril de 2012 às 00:46
É lamentável ter de avisar os leitores mais desprevenidos que qualquer comentário que insulte os visitantes e o autor deste blog será automaticamente eliminado.

Aqui debatem-se ideias futebolisticas não os problemas de formação e educação daqueles que não sabem comportar-se num espaço comum de discussão futebolistica.

Boa estadia a todos!


De espanhol a 23 de Maio de 2013 às 07:37
Barcelona quiexa- se dos árbitros:are you kiddin´me?


De Nuno a 8 de Abril de 2012 às 12:21
Caro Miguel Lourenço Pereira, o Barcelona, como muitos outros clubes, são umas vezes beneficiados, outras vezes prejudicados. Achar que este mesmo Barcelona é mais beneficiado que qualquer outra equipa de elite parece-me um golpe baixo.

Sobre a agressão de Thiago Motta, a agressão existe, e é evidente para toda a gente. Se foi com força suficiente ou não para aleijar Busquets, é outra história. O alegado "teatro" do catalão não pode é servir para nada. Nem que fosse apenas uma tentativa falhada. Tentativa de agressão é punível com expulsão. Thiago Motta tentou e conseguiu agredir Busquets. A partir daqui, tudo o que se diga é disparate.

No caso da expulsão de Van Persie, houve de facto excesso de zelo do árbitro suíço. Mas a verdade é que o holandês foi imprudente. Até parece que é inédita uma coisa destas. Francamente!

Sobre os dois lances do ano passado, na meia-final com o Real Madrid, há mais uma vez vontade sua, e de quem quer que partilhe a sua ideia de que o Barcelona tem sido mais ajudado do que os outros, de que as coisas funcionem de modo diferente. O lance do Pepe é vermelho em qualquer parte do mundo. Só um português ou alguém com medo do Barcelona é que pode pensar o contrário. É provavelmente o lance da História do jogo que gerou mais opiniões erradas simplesmente por Mourinho ter vendido a ideia errada às pessoas. Inacreditável! Como é que alguém pode chamar "lance dividido" a um lance em que um tenta jogar a bola e o outro entra de sola, na tíbia do primeiro? Quanto ao lance da segunda mão, Ronaldo derruba Mascherano, que cai sobre Piqué. É claro para toda a gente, menos, uma vez mais, para quem quer escrever a própria História. E mesmo que estes dois lances fossem como você os descreve, o saldo dos vários jogos que o Real Madrid e o Barcelona disputaram nessa altura favoreceu amplamente a equipa de José Mourinho, que fez o que quis em termos de agressividade, violência e agressões durante os 4 jogos. Pepe merecia ter sido expulso três ou quatro vezes em cada jogo. Vários outros jogadores do Real jogaram sistematicamente à margem das leis, com entradas violentas e intimidatórias. Achar que o Barcelona foi beneficiado nestes jogos é inqualificável. Só o percebo em que age por mau perder ou declarada má fé.

Quanto ao jogo com o Milan, você diz o seguinte: "No primeiro lance, Leo Messi sofre falta clarissima de desastrado Antonini mas encontra-se em fora-de-jogo (a bola ressalta no italiano depois de um passe de Xavi o que invalida imediatamente o lance). No segundo, a bola nem sequer está em jogo quando Nesta agarra Busquets sendo depois agarrado por Puyol."

Caro Miguel, fora-de-jogo? O passe de Xavi é para trás, para a entrada da área. A bola só chega ao Messi porque Antonini interceptou esse passe, inviabilizando a jogada delineada por Xavi. Não há irregularidade nenhuma. E se o mesmo se passasse no meio-campo? Se Xavi tentasse fazer um passe para um colega e alguém, para cortar esse passe, pontapeasse a bola para a sua baliza, isolando Messi, que na altura estava à frente da linha de defesa? Também era fora-de-jogo? Claro que não! No segundo lance, o agarrão começa antes do apito, e acaba quando a bola os sobrevoa. Falta clara. Penalty.

O único jogo em que o Barcelona foi, de facto, beneficiado, foi a célebre segunda mão das meias-finais, em Stamford Bridge. Mas dizer, como você o diz, sem contextualizar, que "ficaram por assinalar penaltys e expulsões" não faz sentido. Não faz sentido e não é verdade. Ficaram por assinalar, nesse jogo, 2 grandes penalidades, sim. E há uma outra duvidosa, sim. Mas expulsões? Como assim? De facto, há uma expulsão, sim, a de Abidal, que não deveria ter sido assinalada. E se pensar que, na primeira mão, ficou por assinalar um penalty sobre Henry, o segundo amarelo a Ballack, que não jogaria a segunda mão, não podendo por isso estar no remate que daria origem a um dos 2 penalties que ficaram por assinalar, e o amarelo a Puyol por uma falta que não existiu, e que fez com que ficasse de fora da segunda mão, obrigando Guardiola a jogar com Yaya Touré a central, se calhar as coisas equilibram-se. Aliás, não se equilibram, porque a eliminatória ficava resolvida logo em Camp Nou. Mas as pessoas, desde esse jogo, teimam em inventar coisas, e esquecem-se da primeira mão.


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Abril de 2012 às 14:13
Nuno,

Como diria Nietzsche, na vida não há factos, só interpretações. No caso do futebol isso é ainda mais evidente. Onde uns vêm uma coisa outros inevitavelmente verão outra porque não se analise nada de forma totalmente objectiva, há sempre preferências pessoais e emocionais a julgarem os nossos raciocinios e isso pode passar comigo como com qualquer outro.

Sem querer debater ponto por ponto, porque para isso já deixei a opinião no artigo que é isso mesmo, um texto de opinião e nada mais, apenas pergunto ao Nuno quantas expulsões como a do van Persie viu na alta competição? Quantos penaltys como o segundo penalty do último duelo contra o Barcelona (eu em relação aos dois penaltys faço-me valer do regulamento e circulares arbitrais, tento não inventar nada do que digo e em ambos os casos não vejo motivo para marcar grande penalidade, com especial agravante no segundo onde Busquets cai e a bola ainda nem saiu dos pés de Xavi).

Quanto á agressão de Thiago Motta, os penaltys em Stanford Bridge, o jogo com o Milan em 2006, o tropeção de Ronaldo sobre Mascherano precedido sobre falta de Pique que deveria ter anulado a lei da vantagem se o arbitro queria anular o golo, isso haverá sempre quem pense uma coisa ou outra, respeito absolutamente quem ache que o Barcelona é vitima e não carrasco nesta história. A minha interpetação não vale mais do que ninguém.

Por isso o que não entendo é que se me acuse de golpes baixos, de querer minimizar o papel do Barcelona na história (há dezenas de artigos futebolisticos onde os elogio como merecem, está no historial do blog é só ler) e criar uma teoria de conspiração. A guerra entre a UEFA e o G14 é real, a relação do Barça com a actual directiva também, os lances estão aí, para a análise de todos e o sucesso futebolistico de um clube resulta sempre de várias variantes, e uma delas é a sua relação institucional com os poderes vigentes. Chame-se FC Porto, Barcelona, Benfica, Real Madrid, Man Utd, Juvenuts, Milan, etc...

Simplesmente conheço a história do jogo e posso afirmar sem medo que uma relação tão próxima e com tanta polémica - e queixam-se ingleses, italianos, alemães, espanhois, portugueses... - nunca durou tanto tempo como esta. Nada mais!

um abraço


De Barça a 8 de Abril de 2012 às 18:34
Fantástico comentário do Nuno.
Qualquer pessoa inteligente percebe que este texto do Miguel é fruto de ódio e azia e não de racionalidade.
Mas nós não somos lorpas e não caímos na cantiga do bandido.


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Abril de 2012 às 19:46
Barça,

O comentário do Nuno é, pelo menos, um comentário que aporta um ponto de vista pertinente, com o qual discordo na sua maioria. Quanto aos motivos da escrita deste artigo acho fabuloso que, sem me conhecer, consiga perceber o motivo que me leva a escrevê-lo. É, de facto, espantoso e nada mais fica por dizer.

Claro que o nome escolhido para comentar demonstra, desde já, uma absoluta imparcialidade e um juizo de valor limpo de qualquer sentimento clubistico. Eu gosto de discutir, no bom sentido do termo, com pessoas, não tenho o hábito de fazê-lo com clubes de futebol, mesmo aqueles que mais gosto.



De filomeno a 7 de Julho de 2012 às 11:53
Longo sorriso CÍNICO do árbitro......


De filomeno a 24 de Junho de 2012 às 21:50
La escandalosa semifinal de los árbitros ingleses precursores de Stark fue en 1961 para evitar la sexta consecutiva de Don Alfredo di Stéfano.......


De Constantino a 8 de Abril de 2012 às 16:18
Caro Miguel,

Concordo com todo o texto, apenas fico impressionado como toda a gente em Portugal, sejam adeptos anónimos, opinion makers ou jornalistas, vêm as conspirações lá fora e colocam em causa o mérito de vitorias de clubes por erros arbitrais, mas nunca colocam em causa as conquistas do fcporto, sendo que estas são comprovadamente fruto de situações ilegais. Fico extremamente curioso em saber qual seria o rumo de muitos textos, inclusive este excelente texto que escreveste, caso viessem a publico escutas com Gaspart a encomendar "fruta" para o Blekeer ou a dar instruções ao Ovebro de como chegar a sua casa. É bem mais fácil dizer que lá fora se tem amizades bem colocadas e por cá se tem uma estrutura muito profissional.

Abraço.


De Barça a 8 de Abril de 2012 às 18:31
Este comentário é excelente para si Miguel, que sei que é portista.
O que você fez neste texto é o mesmo que os idiotas dos lampiões andam há anos a tentar fazer: desvalorizar as vitórias da melhor equipa.
É triste, muito triste, que um portista como você siga esse caminho idiota e disparatado. Demonstra incoerência e falta de inteligência.


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Abril de 2012 às 19:59
Barça,

O meu clube não é chamado para uma discussão sobre o Barcelona, curiosamente o primeiro clube estrangeiro de quem quis ter a camisola, ainda era miudo.

Eu não desvalorizo o obtido no campo, e creio que já me repito em dizer que o arquivo está aí e que os meus textos sobre Xavi, Guardiola, Iniesta, Messi, Valdes e companhia espelham bem a minha genuina e real admiração por uma geraçao unica. Mas o que se passa fora do relvado faz parte do jogo, condiciona-o e está aí e só quem não quer ver é que não vê.

Não tenho nenhum problema em denunciar os erros de gestão seja de que clube for, eu gosto de futebol mais do que qualquer clube. O problema, em muitos sítios, é precisamente esse, gosta-se mais de clubes e selecções do que do próprio jogo. Eu não sou assim e não me considero triste, incoerente ou com falta de inteligência, e continuarei o mesmo caminho. Detesto sim verdades absolutas e discussões sem faltas de argumentos que só recorrem a analogias pessoais ou insultos, mais ou menos directos.

cumprimentos


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Abril de 2012 às 19:55
Constantino,

Quando escrevi o artigo já suspeitava que tipos de comentários ia receber porque as pessoas, mesmo sem o saberem, são previsiveis. Eu respeito todos os pontos de vista e jamais alguém me verá a dizer que tenho em minha posse a verdade absoluta das coisas como leio em blogs ou caixas de comentários onde só há uma verdade, um estilo de como jogar, uma equipa que merece todos os elogios, um set de personalidades louváveis, etc...

Eu vejo coisas boas e más, como na vida, em todo o lado.
O Barcelona tem razões de queixas dos arbitros em Espanha este ano. O que se passou em Valencia ou Cornella, por exemplo, foi escandaloso e com esses pontos os blaugranas hoje eram lideres seguramente. Não há nenhum problema em afirmar isso como também não tenho nenhum problema em dizer que Puyol sofreu um penalty em San Siro. O Barça, como qualquer clube, também tem noites onde é claramente prejudicado.

O post não é sobre isso. O post é sobre a relação da directiva do Barcelona com a UEFA e como essa relação de proximidade, que não conheço entre nenhum clube com nenhuma outra direcção da UEFA no passado, tem sido uma sombra ao génio apresentado pelo Pep Team no relvado e como nos momentos mais complicados, há sempre uma aura de suspeita á volta do clube. Nas três finais que ganhou desde 2006 o Barcelona foi imensamente superior, isso não está em causa. No terreno de jogo nos últimos anos tem sido a equipa mais consistente e atractiva, isso também não me causa nenhuma duvida.

Mas eu nunca vi expulsar ninguém como fizeram com van Persie. Nunca vi um penalty como o do passado jogo com Nesta. Não me lembro de um jogo europeu como o de Stanford Bridge nem consigo conceber que um árbitro visse a falta de Ronaldo sobre Mascherano mas não visse a falta de Pique sobre Ronaldo que, com a lei da vantagem anulada, nunca daria direito a marcar falta a favor do Barcelona. Esses lances repetem-se ano após ano e sempre na mesma direcção.

O Barcelona podia ter humilhado o Milan na segunda parte porque é muito melhor. Foi muito mais corajoso que o Real Madrid no ano passado e podia ter eliminado sem problemas o Arsenal e o Chelsea por qualidade de jogo. Mas não foi por isso que arrumou essas eliminatórias e a verdade é que se apurou sempre com essa aura de suspeita. Eu não vi agressão de Pepe nem de Thiago Motta, o Nuno viu. Respeito, sem partilhar, mas esses lances, para mim, são o de menos.

O que eu sei, por exemplo, é que só ao Barcelona se permite em Espanha negar jogar ao meio dia de domingo para cumprir as 48 horas de descanso ao Bilbao depois do jogo em Gelsenkirchen, obrigando os vascos a jogarem com alguns suplentes no jogo mais dificil no Camp Nou que falta até ao final do ano. Esse tipo de poder, fora dos terrenos de jogo, é real.

Um abraço


De José Gonçalves a 11 de Abril de 2012 às 22:35
Nada acontece por acaso. Chelsea, Arsenal, Milan, Real, e muitos outros, foram extremamente prejudicados nas caminhadas dos catalães até às finais. E só mesmo um Inter encostado às cordas, conseguiu ultrapassá-los quase que por milagre, apesar do senhor do apito tudo ter tentado para que isso não acontecesse.
Vi muito futebol desde meados dos anos 80, e devo dizer que em especial nos anos 90, as equipas italianas eram muito ajudadas pelas arbitragens... mas nunca vi nada parecido com o que aconteceu desde 2008 com este Barcelona, tem sido um absoluta vergonha o que se está a passar, um escândalo de todo o tamanho no que toca ao futebol profissional. São muito ajudados, completamente levados ao colo, e eu diria que se fosse uma equipa que não jogasse um futebol que a maioria das pessoas gostam e bajulam, já estariam a ser criticados há muito. Mas como jogam "bonito", a coisa fica por aqui e é abafada.
Não sei de depois da saída do Platini as coisas vão mudar, mas sei que esta equipa do Barcelona ficará para a história como uma das melhores de todos os tempos, e também como aquela que foi mais favorecida. Quem vir o jogo pelo jogo, sem preferências clubísticas, estéticas, ou de outra espécie, sem fanatismos nem hipocrisias, facilmente chega a esta conclusão.


De Miguel Lourenço Pereira a 12 de Abril de 2012 às 15:15
José,

Estamos de acordo.
O que está agora a suceder com o Barcelona não é nada novo. Vários clubes europeus sofreram, ao longo da história, uma proteção especial pela UEFA em provas europeias e o caso dos italianos nos anos 90 (com todos os fantasmas que ainda rodeiam aquela Juve) é evidente.

Talvez um só clube durante tanto tempo seja, isso sim, algo inédito e a relação directa com Platini é evidente. Quando este sair o cenário pode mudar mas apenas se houver uma profunda mutação ao nivel das estruturas dirigentes. Ninguém se engane, outros serão beneficiados no lugar do Barcelona, a UEFA nunca foi isenta.

um abraço


De R_Matos a 12 de Abril de 2012 às 12:53
Caro Miguel,

Há algum tempo que não comentava, mas não poderia ficar indiferente a um artigo que tanta discussão provoca. Estou totalmente de acordo contigo, aqui não se trata de preferências clubisticas ou paixões, apenas uma constatação dos factos e das pequenas (enormes) coisas que vão acontecendo ao mesmo clube e nos momentos decisivos. Porque será?

A quem vem comentar o contrário, é porque se sentem realmente incomodadas com o teu texto, como tal tentam fazer ver a paixão clubística que têm pelo Barcelona, sem antes tentar perceber que aqui não se trata de amores, mas de factos. Os lances que fazes referência, basta ver, não há discussão. Errar, todos têm direito, quando o erro vai beneficiando a mesma equipa e em momentos quase que cronologicamente bem delineados, é curioso. Não há dúvida que este Barcelona vive dos seus génios e é uma das melhores equipas de todos os tempos, mas quando esta genialidade é posta em causa... parece que há muita gente que não gosta e trata de retomar o rumo natural das coisas.

Vamos ver como será a final deste ano, contra Real ou Bayern. Não acredito que o Chelsea dê grande réplica na meia final. Tratando-se de uma final, só a um jogo, perceber-se-á logo pela escolha do juiz responsável pelo jogo. A ver vamos.

Abraço e parabéns pelo artigo


De Miguel Lourenço Pereira a 12 de Abril de 2012 às 15:25
R_Matos,

O clubismo influencia sempre na opinião das pessoas. Há muitos adeptos que preferem o clube da sua estima, seja ele qual for, ao futebol em si e em casos controversos não conseguem afastar-se do meio da floresta para ter uma perpectival global. Já fui assim e por isso sei do que falo.

Não tenho nada contra o Barcelona nem o seu sucesso, todo o contrário, mas ignorar uma realidade é o primeiro passo para criar uma mentira e da mesma forma que não se admite que o Barça ganha o que ganha sem o génio do seu treinador e jogadores também não entendo que se diga que ganha sem estas ajudas recorrentes, principalmente nos últimos 3 anos.

um abraço


De bom senso a 2 de Maio de 2012 às 09:17
vergonhosa parcialidade da sua parte. aziado.


De Miguel Lourenço Pereira a 2 de Maio de 2012 às 14:12
Bom senso,

Claro que sim, chamar aziado ás pessoas normalmente indica uma absoluta neutralidade no seu profundo raciocinio. Parabens!


De filomeno a 7 de Julho de 2012 às 11:55
Ovebró, De Bleckerck, Busacca, Stark........¿Por qué?


De filomeno a 7 de Julho de 2012 às 11:57
fritz......?
paradas romero......


De espanhol a 22 de Fevereiro de 2013 às 01:49
paradas romero, again.......


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