Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

vários anos que Portugal não marca presença em Toulon. Ou pelo menos, diga-mos assim, que não apresenta um projecto sério no mais celebre e visto torneio internacional de selecções jovens. O prestígio de Toulon é imenso e chega mesmo a superar o de algumas provas oficiais da FIFA e UEFA e depois de nos anos 90 Portugal se ter tornado um habitue, durante o mandato de Scolari o impacto foi-se diminuindo com o tempo. Hoje a selecção das quinas regressa e com vontade de brilhar. Como nos grandes anos do futebol de formação português.

 
Um dos principais méritos do questionado Carlos Queiroz (sábado tem mais um jogo de vida ou de morte) é de ser um seleccionador com um plano de futuro e com vistas largas. Não reduz o seu trabalho à equipa principal, com o problema de renovação que todos conhecemos. A principal missão de Queiroz, arriscar-me-ia a dizer, já não é a presença na Africa do Sul mas sim preparar a próxima geração do nosso futebol para os grandes palcos. Como já sucedeu com outras grandes equipas europeias que falharam presenças em provas de prestígio (Holanda, Inglaterra, França) ou que passaram por elas sem pena nem glória (Alemanha, Itália e a própria Espanha, hoje um dos paradigmas do futebol de formação), também Portugal terá de perceber que há um período entre gerações que pode ficar marcado por um hiato numa grande prova. É preciso assumi-lo e não fazer disso um drama nacional, por muito que nos custe. O que é preciso evitar é que esse hiato se prolongue e se torne num novo Inglaterra 66 ou México 86, oásis no meio de anos de sofrimento. E para tal, o objectivo primordial é preparar o futuro. Daí a presença vital em Toulon.
 
Há certamente muitos jogadores jovens, entre os escolhidos por Rui Caçador, que dificilmente darão o salto à selecção A. Não se trata aqui de preparar toda uma geração mas sim filtrar jogadores com um futuro realmente promissor e começar a integra-los no quadro principal. A pouco e pouco como sucedeu primeiro com os Figo, Rui Costa, JV Pinto, Paulo Sousa e mais tarde com Cristiano Ronaldo, Moutinho, B. Alves ou Bosingwa. Haverá sempre jogadores que se revelarão fora do âmbito das selecções jovens (Pauleta é talvez o exemplo mais paradigmático) e explodirão mais tarde. E há o caso das nacionalizações, das quais Portugal não deve abusar. Mas é certo e sabido que um projecto de sucesso como foi a França de 98 e 2000, a Alemanha de 2006 e a Espanha de 2008 resulta essencialmente de um bom trabalho de prospecção e formação. Daí que estes jovens sejam olhados hoje de forma especial. Portugal tem uma clara necessidade de sangue fresco, atitude nova e com vontade de vencer. De uma afirmação individual e colectiva de uma nova geração que procura os seus símbolos. E que estes não se deixem ofuscar por um qualquer jogador de primeiro nível, encontrando o seu espaço com a camisola das quinas.
 
Entre os pontos-chave onde Portugal precisa desesperadamente de reforços estão o ataque, o lado esquerdo da defesa, o coração do miolo e, para muitos, a própria baliza. Quanto a centrais, laterais e extremos, estamos conversados. Há qualidade, falta atitude nos A. Mas para o resto dos postos há vagas. Queiroz até já arriscou com Orlando Sá pela selecção principal e para o recente estágio convocou igualmente jogadores da antiga selecção de sub21 como é o caso de Amaury Bischoff.
Em Toulon vamos ver uma série de nomes que serão desconhecidos para a maioria do público. Outro espelho do abandono da nossa formação é que os grandes, com louvável excepção do Sporting, preferem ter as suas promessas a rodar em clubes mais pequenos e menos mediáticos. E nos clubes estrangeiros acabam por ser pouco falados, apesar de serem tidos como boas promessas. Que o diga Rui Fonte ou o próprio Bischoff, por exemplo.
 
Caçador montou um colectivo bastante interessante onde há realmente jogadores capazes de fazer a diferença. Veremos como funciona o colectivo português para além das individualidades.
Nas redes encontramos dois projectos de futuro sólidos, o sportinguista Rui Patrício e o portista Ventura.
O centro da defesa volta a mostrar a qualidade do central português. Para além de Bruno Alves e Rolando, recém-chegados a uma equipa que conta já com Ricardo Carvalho e Pepe, há ainda uma nova vaga de grande valor composta por Rui Pedro, Bura, André Pinto, Tengarrinha e Igor Pita do Nacional. Isto para além de Daniel Carriço, o central revelação do Sporting que falha a prova por lesão. Nas laterais voltamos ao antigo drama nacional. Principalmente no flanco esquerdo onde, desde Nuno Valente, Portugal não voltou a encontrar um sucessor digno. Houve Caneira, Paulo Ferreira, Antunes, Peixoto e até Duda. Nunca nenhum deles mostrou-se digno do posto. Tiago Pinto, uma das revelações da Liga Sagres deste ano, é um nome a seguir. Pela direita Miguel Vítor, lançado no Benfica este ano, e Pereirinha, que pode fazer todo o flanco, garantem continuidade num eixo habitualmente prolifero na equipa das quinas.
 
Chegando ao meio campo começam os problemas para Queiroz e aqui começa a ser vital ver as soluções encontradas por Caçador. Regula, do Setúbal, o jovem Castro emprestado pelo FC Porto ao Olhanense, Stanislas Oliveira, luso-descendente do Sedan e ainda Adrien do Sporting e Ruben Lima do SL Benfica são as apostas mais consistentes. Nos extremos Candeias e Ukra, do FC Porto, e ainda Yazalde do Braga, Fábio Coentrão do SL Benfica e João Aurélio do Nacional são as opções para o técnico que perdeu o seu ponta de lança de referência, Orlando Sá, e que para o seu lugar conta apenas com Rabiola. O mal nacional continua também nos mais novos
 

E claro, para além dos nomes presentes, há uma série de jovens de enorme talento que ainda não tiveram a sua oportunidade, casos dos sempre falados Bruno Gama, Hélder Barbosa, Paulo Machado, Djalo ou Nuno Coelho, que estão numa complicada fase de afirmação pessoal. Também há jovens que, ou pela idade ou por opção técnica, ficaram de fora mas continuam a ser jovens a ter em conta. Ruben Micael, Diogo Lamelas, Josué, Diogo Viana, Nelson Oliveira, Rui Fonte, Amauri Bischoff ou Digo Rosado

 

Portugal tem de procurar o seu futuro.Será a participação em Toulon capaz de nos orientar verdadeiramente para saber em que nível qualitativo nos encontramos? A verdade é que por ali passa o futuro de Portugal depois de nos últimos anos ter ficado a sensação de que os seus antecessores são quase uma geração perdida.


Miguel Lourenço Pereira às 00:04 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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