Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Nas últimas semanas era um segredo mais ou menos bem escondido que a relação de David Villa com o FC Barcelona tinha conhecido melhores dias. A sua ausência para o que resta de temporada não só resolve um problema que ameaçava tornar-se sério em Can Barça como abre as portas definitivas à "barcenalização" definitiva da selecção de Vicente del Bosque.

A capa de quarta-feira do jornal Marca anunciava que Villa estava à venda. Guardiola declarou que o jornal da capital, com quem tem uma relação de ódio de largos anos, mentia. Mas a verdade é que o asturiano, peça fundamental na sua estratégia da época passada se tinha transformado num actor secundário neste blockbuster de sucesso com critica e público que é o Pep Team. Depois de co-protagonizar o último capitulo trilogia alguém esqueceu-se de avisar o dianteiro que no quarto filme o seu tempo em cena seria consideravelmente reduzido. Mas poucos pressagiavam que fosse quase nulo.

Villa viu a sua margem de manobra reduzida pelas chegadas de Alexis Sanchez e Cesc Fabregas, jogadores que, somados, custaram 80 milhões ao clube que só aposta pela formação como imagem de marca. Apesar do excelente ano 2010 atrás das costas - incluindo golos decisivos na final da Champions League, na Supertaça contra o Real Madrid e durante a campanha ligueira que permitiu o tri a Guardiola, o seu lugar no onze titular evaporou-se. Em dezoito jogos disputados pelos blaugrana a Villa coube-lhe apenas oito no reparto num sexteto onde também estão Alexis (lesionado dois meses), Pedro, Cuenca, Thiago, Iniesta e Cesc. Claro que, no meio disto tudo, Messi e o seu papel de intocável jogaram um papel fundamental. A má relação do argentino com Samuel Etoo marcou o fim de feeling entre Guardiola, que elegeu centralizar o seu projecto desportivo à volta do argentino, e o camaronês. Depois foram os problemas com Ibrahimovic, despeitado porque Messi entrava demasiado na sua zona de acção e só a ele é que lhe apontavam o defeito contrário, de ocupar espaços da estrela culé. E por fim Villa. O melhor marcador da história da Roja sempre foi um dianteiro que fez do arranque nos últimos metros a sua melhor arma, tal como sucede com o goleador Messi. A sua chegada ao Camp Nou obrigou-o a bascular pelos extremos, jogando no limite do fora de jogo mas demasiado longe da área para poder manter os seus níveis de eficácia goleadora das épocas em Zaragoza e Valencia. Com menos golos, Villa foi perdendo protagonismo, ilusão e magia. Mas também ganhou um inesperado problema no balneário com Messi, que sentiu que algum do protagonismo do asturiano frente à baliza lhe roubou a possibilidade de voltar a bater Cristiano Ronaldo na luta pelo Pichichi, e por consequência, na Bota de Ouro, hoje por hoje o único troféu que o português ainda supera o argentino. Essa má relação ficou evidente já esta época entre ambos nos poucos jogos onde coincidiram e depois de um duelo contra o Viktoria Plizen a própria imprensa de Valencia fez eco das queixas do seu antigo ídolo. A suplência no duelo com o Real Madrid (onde Alexis Sanchez foi brilhante) agudizou o problema, levou ao duelo dialéctico Marca-Guardiola e ameaçou tornar-se num problema sério. Até à lesão em Tóquio.

 

O Barcelona será certamente quem menos sofrerá com o afastamento previsível do asturiano até ao final da época.

Dentro de portas é expectável até que Guardiola sinta que um peso lhe saiu de cima porque não só tem margem de manobra suficiente para essa posição (especialmente com o lançamento de Cuenca) mas também porque gerir o ego de um avançado de top não parece ser algo que se lhe dê bem. Etoo e Ibrahimovic foram pesadelos do dia a dia, Villa será um fantasma distante, longe suficiente para não incomodar mas presente o suficiente para reforçar a ideia de união de um balneário cujos egos são tão complexos como o de qualquer outro clube. Provavelmente, como sucedeu com o Ajax dos anos 70, os problemas do dia a dia só cheguem mais tarde, nas memórias dos seus protagonistas e os mitos caiam inevitavelmente por terra.

O problema tem-no sobretudo Villa. Aos 31 anos o seu ocaso profissional está cada vez mais perto e uma lesão desta gravidade, na tíbia, onde já tinha sofrido moléstias durante grande parte da época passada, pode passar uma pesada factura. E claro, à parte da questão interna do Barcelona e até mesmo uma eventual venda no final do ano a um clube da Premier (falou-se em Chelsea e Liverpool) está o Euro 2012. Para o melhor marcador do anterior torneio esta seria provavelmente a sua última grande prova internacional. Ele que sempre esteve na lista de fundamentais de Vicente del Bosque e que, sobretudo, mostrou ser fundamental a partir do momento em que o estado de forma de Fernando Torres decaiu enormemente. Sem um Torres em forma - como continua a ser o caso - e Villa a verdade é que Del Bosque parece ter um sério problema nas mãos, sabida que é a sua má relação com Roberto Soldado e tendo em conta que tanto Llorente como Negredo ou Adrián são demasiado inconstantes para ser vistos como última solução.

A lesão de Villa pode acabar por ser redentora e permitir ao seleccionador campeão do Mundo aproximar ainda mais o seu modelo ao do próprio Barcelona, que entre Guardiola e Aragonés, definiu esta simbiose Espanha-Barça tão inesperada como certeira. Na falta de um Messi mas com o coração dos blaugrana (Pique, Puyol, Busquets, Xavi, Iniesta, Cesc, Pedro) presente, podemos ver no próximo Europeu uma Espanha a apostar claramente pela ideia do falso 9, a que revitalizou Messi. Um ideário táctico já testado nos últimos jogos da Roja mas que pode ser aperfeiçoado agora que Cesc se encontra muitas vezes nessa situação de jogo no Camp Nou. Sem um avançado puro e com uma lista de médios quase perfeitos infindáveis, a Espanha que viajar à Polónia poderá ser talvez a mais forte de que há memória. Ao lado de Busquets e Xabi Alonso (imprescindíveis na biblia delbosquiana) podem jogar ao mesmo tempo Xavi, Iniesta, Silva e Fabregas, levando ao extremo o jogo dos "bajitos" que Aragonés idealizou na Áustria há quatro anos. Com Pedro, Llorente, Negredo, Thiago e Torres como alternativas, esta ausência de Villa pode significar o empurrão que Del Bosque necessitava para evitar a imagem estagnada de uma campeã mundial e europeia que começa a perder gás face ao jogo mais dinâmico e mais atractivo da Alemanha de Low.

 

Se o Barcelona tem em Messi o seu santo e senha é também porque Guardiola soube instruir o argentino a comportar-se como um centro-campista mais. Para o técnico de Santpedor o futebol perfeito seria jogado com onze centro-campistas e a vitória no Bernabeu, com uma espécie de 3-6-1 reforçou ainda mais a sua crença. Uma visão ondes os avançados como Villa ou Torres não têm espaço e que sempre gerou dúvidas no coração de uma selecção que sempre foi vista como o "Barcelona sem Messi". Sem o eficaz dianteiro asturiano Del Bosque tem a possibilidade de ir ainda mais longe que Guardiola e levar o culto do centrocampista espanhol a outro nível, algo que pode ser fundamental para os espanhóis fecharem com chave de ouro o mais brilhante capitulo desportivo da sua história. Um mito que Villa ajudou a criar mas no qual pode acabar por revelar-se prescindível!



Miguel Lourenço Pereira às 14:17 | link do post | comentar

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