Domingo, 11 de Dezembro de 2011

Madridamanheceu mais triste, fria e cinzenta do que nunca. Um despertar que se repete no tempo, no espaço, na memória...um dia que se repete, uma realidade que não se muta. A ressaca de uma noite de profundo realismo transformou a expectativa em depressão. Um fantasma que, Natal após Natal, aparece nos céus da capital de Espanha voltou para repetir-se, ano após ano, num dia da marmota futebolístico sem igual na história do futebol europeu. A superioridade técnico-táctica, moral, psicológica e desportiva do FC Barcelona de Guardiola funciona para o Real Madrid como a marmota para Bill Murray. Nunca se vai embora...

Há grandes equipas de futebol e depois há as equipas de contornos míticos.

É impossível retirar este Barça deste segundo grupo. Já o Real Madrid de Mourinho ontem nem sequer parecia fazer parte do primeiro. O profundo complexo de inferioridade dos jogadores merengues com os rivais blaugranas, de Mourinho com Guardiola, dos adeptos e imprensa de Madrid com os de Barcelonacomeçam a tornar-se numa patologia crónica, sem cura, sem solução a não ser o inevitável (mas aparentemente distante) desmantelamento de um projecto desportivo a todos os títulos superior ao do histórico clube da capital.

No pior clássico que vimos disputar ao Barcelona a sua superioridade foi tal que a muitos se lhes podia ocorrer que este Real Madrid hoje é mais um bálsamo que um problema para o clube da cidade condal. Incapaz de dominar equipas pequenas fora de casa, no Bernabeu, com mais complexos que um conceito freudiano, o Barça sente-se em sua casa. Explora o seu jogo com autoridade, enerva o rival á mínima e provoca o caos com um suspiro ténue mas determinado. O festival de futebol da passada noite não foi só um repetir sem fim de uma realidade que já leva quatro anos. Foi a confirmação de uma clara superioridade a todos os níveis do campeão europeu. Nem vendo-se a perder desde os 27 segundos o Barcelona mudou uma virgula do seu esquema. O prémio, mais do que a vitória, foi o triunfo da sua ideia, ontem mais posta á prova do que nunca. Talvez não o assuma, mas para Guardiolaa vitória da passada noite tem mais méritos do que os históricos 5-0 do ano passado. A conjuntura parecia favorecer os astros de Madrid mais do que nunca. Não havia queixumes, não havia medos, o primeiro jogo no Bernabeu (pela primeira vez na era Guardiola) parecia afastar o fantasma do Camp Nou. Mas a assombração não conhece cidades e lá se apresentou, pontual, para amargar o enésimo natal aos merengues que sonham ainda com uma liderança que nunca pareceu tão frágil.

 

Guardiola tinha prometido atrevimento e Mourinho fidelidade aos seus conceitos.

O problema do técnico português, de há uns anos para cá, está na própria natureza do seu modelo de jogo. O jogo directo tem tanta validez como o jogo de posse - por muito que os talibans de Barcelona insistam no contrário - mas ontem Guardiola nunca permitiu sequer um atisbo desse modelo que fez do Madrid uma equipa letal. O seu 3-6-1 destroçou por completo uma equipa incapaz de trabalhar como uma unidade, visivelmente dividida entre secções onde o trabalho se reparte em partes desiguais e provoca inevitáveis desequilíbrios. Cesc e Messi, os dois homens mais avançados á priori, trabalharam durante todo o jogo como dois médios mais, juntando-se a Iniesta, Busquets, Xavi e Dani Alves para cercar e matar qualquer posse de bola do rival. O Real Madrid alinhou com uma linha ofensiva de quatro contra três defesas rivais (Busquets recuava quando a equipa perdia a bola), mas foi incapaz de se valer dessa superioridade salva na ocasião do golo (um tremendo erro de Valdés, tremendamente corajoso depois a continuar a jogar com os pés todos os lances sem medo) e no falhanço clamoroso de um Cristiano Ronaldo que ontem voltou a demonstrar que está a anos-luz de ser um atleta digno de entrar na história. A sua inoperância defensiva, tristemente habitual, contrasta com o árduo trabalho de Messi no miolo. O argentino também não marcou mas sua foi a assistência para o golo do empate (genial jogo de Sanchez) e, sobretudo, em instalar o caos no meio-campo merengue. Ronaldo das duas vezes que teve a história ao seu alcance mostrou o seu rosto habitual, acobardado pelas circunstâncias, nervoso e profundamente complexado com o jogo rival. Foi a sua pequenez o sinal mais evidente da impotência de uma equipa que viveu dos sprints de Di Maria e a insistência de Benzemaface a um jogo colectivo profundamente medíocre.

Se Guardiola tem o mérito de soltar os seus maiores artistas, Mourinho terá sempre a culpa de os prender a conceitos conservadores e estáticos. Xabi Alonso, a bússola do Real, viu-se atado de pés e mãos pelo circulo formado á sua volta entre Busquets, Xavi, Messi e Cesc e o Madrid não encontrou alternativa. Ozil não tinha com quem associar-se,Diarra limitava-se a correr e a defesa, demasiado medrosa para pressionar mais perto do miolo, deixou espaços em abundância para o jogo de toque do rival florescer. Assim nasceram os três golos do Barcelona, trocas de bola rápidas a aproveitar espaços vazios e jogadores estáticos. Mourinho optou por Coentrãocomo defesa direito e deu razão aqueles que entendem que algo de muito podre se vive em Concha Espina. O caso do jovem Pedro Mendes desatou a polémica na semana anterior (e como habitual, cobardemente, Mourinho mandouKarankafalar em seu nome) e começa a ser evidente que no onze titular estão, sobretudo, os homens de confiança do treinador e do seu agente. O desnorte do habitual lateral esquerdo foi evidente, a falta de uma solução no meio-campo gritante (foi Mourinho quem preferiu Khedira a David Silva) e quando a equipa precisava de um sinal do banco este nunca chegou. Kaká não trouxe nada de novo numa substituição fácil,Khedira por Diarra deu um sinal de profundo conformismo e a chegada de Higuain por Di Maria, quando o argentino era o mais atrevido, deixou claro que Cristiano Ronaldo (que voltou a falhar três livres, e vão 23 na época sem golo) não sai nem que esteja sem uma perna. No jogo de ontem a aposta em Callejonfazia muito mais sentido, jogador com espírito de sacrifício para defender e garra a atacar.Guardiola entendeu isso e deixou a Villa no banco sem piedade. Mourinho vive demasiado pendente dos seus e com isso, como sempre, é o colectivo que sai prejudicado. Ontem a derrota táctica foi mais evidente do que em nenhum outro jogo.

 

No meio desta imagem doloroso ficou evidente que o Barcelonasó perde este liga se quiser e que aos madrileños lhes espera mais um ano de azia profunda. O que a equipa tem feito tem os seus méritos mas não diverge em muito do que se via com Schuster, Ramos ou Pellegrini apesar do brutal investimento e do mediatismo que rodeia o mandato de um Mourinhoincapaz de ganhar de tu a tu ao Barcelona desde que chegou a Stanford Bridge. O seu complexo com o clube que uma vez o rejeitou parece ser superior ao seu inegável talento e também disso se aproveita Guardiola,jogador que cresceu martirizado com o espírito do Bernabeu mas que encontrou o antídoto sendo fiel a si mesmo (algo queCruyffnunca foi) e á sua mentalidade profundamente ofensiva. O dia da marmota merengue parece que continuará até que o Barcelona o queira e os jogadores blaugranas aterram hoje em Tóquio com a sensação de que o seu rival há muito que deixou de ser o Real Madrid. O seu rival é a própria história!



Miguel Lourenço Pereira às 13:27 | link do post | comentar

12 comentários:
De xapac a 11 de Dezembro de 2011 às 17:05
Boa análise Miguel. Apenas um pequeno reparo, Mourinho já ganhou a este Barcelona quando estava no Inter, mas acabo por concordar contigo, pois nunca jogou de igual para igual e adotou o mais italiano dos autocarros para defrontar o barça.
É muito bem observado o complexo que o Mourinho tem em relação ao Barcelona, por ter sido recusado. Aliás, atrevo-me a dizer que não é a primeira vez que ele mostra algo do género, apesar de numa dimensão muito inferior. Quando esteve em Portugal, Mourinho sempre teve (na minha opinião) um ligeiro complexo desses em relação ao Sporting, visível nalgumas declarações sempre mais críticas ou irónicas para o Sporting. Sempre achei que havia ali um ligeiro (apesar de disfarçado) mau estar devido ao facto de ter saído do Sporting na altura com Robson e principalmente pelo Sporting não ter tido a coragem de assumir o compromisso com ele, quando ele saiu do Benfica. Agora a confirmação deste problema de azia está, para mim, confirmado. O seu enorme ego não aceita nem lida bem com quem o recusa. E se no caso do Sporting era uma coisa ligeira porque ele esteve claramente por cima, em Espanha, a coisa dói mais.


De Miguel Lourenço Pereira a 11 de Dezembro de 2011 às 17:44
Xapac,

Precisamente as vitórias com o Inter e o Real Madrid na final da Taça, por muito meritórias que tenham sido, nunca foram em circunstâncias de tu a tu e nunca, pelo menos, com a superioridade clara com que o Barça já venceu o Madrid.

No caso do problema dele com o Barça é por demais evidente se temos ainda em linha de conta que esteve muito perto de assumir o posto de Guardiola (que queria como segundo) quando Laporta decidiu substituir Rijkaard. Pelo que comentou recentemente o ex-vice do Barça, Ingla, a coisa esteve renhida até ao final e a possibilidade gorada de ter orientado este projecto desportivo custou-lhe bastante a assimilar.

um abraço


De Pedro Maia a 11 de Dezembro de 2011 às 18:29
Miguel,

Excelente análise. Assino por baixo quase tudo o que escreveste.

Como tu acho que, tal como os 5-0 (noutro contexto, é óbvio) esta foi uma derrota moralmente muito dura para o Real e Mourinho.

Vinham de uma série impressionante de vitórias consecutivas desde Setembro, goleando e massacrando os adversários. Pressionavam mais alto e verdade seja dita, relativamente ao ano passado nota-se que a equipa cresceu colectivamente. Os jogadores estão "esticados" ao limite. Rotação e "esforço" máximos. Nunca antes tiveram um cenário, envolvência e forma tão favorável como os de ontem. E marcando aos 30 s tinham mesmo tudo a favor. Mas, no fim, foram claramente derrotados. O Barça que ontem nem esteve a um nível tão alto assim. Principalmente na primeira parte. Mas na segunda então foi confrangedor ver o Real "partido", desesperado, perdido.

Mourinho quis, este ano, dar ao Real "mais ataque", uma fuga para a frente com solidez, eficácia e velocidade vertiginosa. Talvez perdendo apenas alguma consistência na transição defensiva. Tem resultado muito bem contra todos os outros. Mas o choque, na relva, contra "o toque" deste Barça de Pep foi fulminante. Jogar olhos nos olhos não dá.

Apesar de muito criticado, as duas vezes que ganhou ao Barça foi defendendo lá atrás, com linhas muito juntas e saídas rápidas. Mas é um desgaste extremo para os jogadores com um retorno muito questionável.

O que deve doer mais é saber que estão no "limite", que vêm trabalhando fortíssimo, mas mesmo assim perdem de novo, contra este Barça , que faz as coisas de forma mais natural. Com prazer. E depois, por mais estratégias que monte Mourinho, a "libertação", a qualidade individual dos jogadores do Barça , e as suas terríveis "associações" parecem sempre conseguir ultrapassá-las.

Apesar de tudo isto não tenho tanta certeza se o Barça ganhará a Liga. O Real continua com muita fome e perderá poucos pontos no resto dos jogos. O Barça não pode mesmo descomprimir e continuar a perder pontos ridículos.

Mas ficou uma certeza. Quando é a doer, nos grandes jogos, este Barça aparece e mostra estar ainda acima de todos. Uma delícia.

Abraço

Pedro Maia





De Miguel Lourenço Pereira a 12 de Dezembro de 2011 às 07:38
Pedro,

Obrigado.

O problema deste Real Madrid no fundo está na estrutura do futebol espanhol e europeu actual. Uma equipa com um orçamento de 500 milhões está fadada a humilhar os seus rivais numa liga que é, ano após ano, cada vez mais coisa de dois. O estranho não foi a magnifica sequência de vitórias mas sim os cinco pontos perdidos com Levante e Racing. Na Champions com rivais tão discretos como Ajax, Lyon e Dinamo Zagreb mais do mesmo.

Por isso só se pode realmente medir o valor real do Madrid quando joga contra equipas do mesmo calibre. No mandato de Mourinho isso só sucedeu contra o Barcelona já que na Europa se limitou a bater Lyon, Tottenham e AC Milan, de longe a nata do futebol europeu. E nesses duelos a equipa tem criado uma psicose muito similar ao que ocorria com o Barcelona dos anos 80 antes da chegada de Cruyff.

Um abraço


De THE TRUTH a 12 de Dezembro de 2011 às 10:25
Só não perdeu mais porque o árbitro não deixou. O Valência foi muito superior ao Real, o Atlético sempre que um do Real entrava na área via um jogador expulso, mas nem o colo absurdo lhes chega quando a diferença é tanta!
Com arbitragens isentas (e o Barcelona foi claramente roubado com o Valencia em 2 penaltis e o Getage num golo anulado) o Real não tem hipótese de ganhar NADA!


De Miguel Lourenço Pereira a 12 de Dezembro de 2011 às 11:03
The Truth,

Contra o Valencia o Real Madrid realizou uma segunda parte penosa, profundamente acomplexada e teve muita sorte em não perder o jogo nos últimos minutos. Contra o Atlético repetiu-se o mesmo até à justa expulsão de Courtois (apesar de eu ser contra expulsar alguém num lance de penalty) porque Manzano soube como travar Xabi Alonso que é quem faz a diferença.

O Barcelona tropeçou em Getafe porque Luis Garcia soube montar uma teia defensiva perfeita e teve sorte num dos poucos lances onde a equipa podia ter marcado. O golo pareceu-me bem anulado, o fora-de-jogo é claro e não consigo distinguir se a bola vem de Messi ou do central. No jogo de Valencia houve evidentemente penaltys por marcar que podiam ter virado o resultado a seu favor.

O problema do Barcelona tem sido a sua irregularidade com os pequenos fora, aquele que era o problema do Real Madrid no ano passado. É possivel que os merengues ganhem a liga mesmo perdendo em Camp Nou mas para isso têm de chegar lá com mais de 3 pontos de vantagem e realizar um campeonato perfeito. Parece-me muito complicado.

um abraço


De R_Matos a 12 de Dezembro de 2011 às 12:17
Mais uma vez, um artigo de excelência! Parabéns.

Sou um confesso admirador do Real Madrid e de José Mourinho, mas consigo ver o futebol de uma forma consciência e clara e, nos últimos anos, a superioridade do Barcelona não só em relação ao Real, mas a todos os outros, é avassaladora!

Também concordo com o facto do resultado deste clássico ter tido um impacto bem maior que o 5-0 da época passada. O Real Madrid vinha de uma fase demolidora, confiante, determinada, invencível. Quando vejo um golo aos 25 segundos pensei logo: "É desta que isto vai ser diferente!". Estava redondamente enganado. A primeira parte ainda denotou algum equilíbrio, mas a segunda foi uma lição do Barcelona, mas que lição!

Do jogo não vale a pena falar muito, quem viu percebeu a superioridade de uma equipa para outra. Só quero acrescentar que não gostei de ver a excessiva agressividade de alguns jogadores do Real, mostrando uma "azia" constante (talvez eu no lugar deles sentisse o mesmo perante tal impotência), tendo entradas violentas por vezes, valendo aí alguma benevolência do árbitro, que teve uma boa actuação, tentando segurar o jogo até final.

Depois, em relação a Mourinho, como disse sou admirador do mesmo, mas não gostei nada das declarações pós-jogo. Todos sabemos que Mourinho é arrogante e tem uma personalidade muito vincada, mas quando é preciso ver as coisas como elas são, normalmente ele não foge ao assunto (ainda agora referiu que o Ajax teve dois golos mal anulados, quando muitos preferem fugir a essas questões). Mourinho falou em falta de sorte. Um treinador tão realista, consciente das fraquezas e pontos fortes do jogo, que lê muito bem o jogo, apesar de não arriscar quase nada, vem falar em falta de sorte? Custa aceitar que o Barça é melhor e tem sido melhor nos últimos anos, isso eu acredito, mas falar em sorte? Ficou-lhe mal.

Por último, o que este clássico também veio provar. A La Liga vive destes dois clubes, anda-se uma época inteira à espera destes duelos. O duelo do planeamento do Barça há vários anos, incutindo na formação um espírito táctico e técnico que tem dado os frutos necessários e continuará certamente a dar, gastando só no estritamente necessário, como as excelentes contratações de Fabregas e Alexis. Por outro lado, os milhões do Real, gastando em excelentes jogadores, sem dúvida, mas onde falta a filosofia necessária que vem de trás, forma-se apenas um colectivo forte, assente nos milhões e que tem a sorte de ter Mourinho a liderar, para não deixar "abandalhar" muito aquilo. De resto, a Liga Espanhola caiu num poço. Perdeu emotividade e qualidade. O percurso europeu recente é prova disso. É Real Madrid e Barcelona e os outros. Não prende o espectador sem ser nos duelos entre os dois gigantes e já nem isso tem valido a pena, pois é um superioridade tal que já se torna habitual.

Penso que nos próximos anos continuará a hegemonia do Barcelona, salvo raros relaxamentos que podem acontecer no futebol, o Barcelona ganhará praticamente. Goste-se ou não, são melhores.


De Miguel Lourenço Pereira a 12 de Dezembro de 2011 às 12:57
R. Matos,

O Real Madrid este ano pagou no Verão 30 milhões por um jogador mediano e que nunca foi utilizado na sua posição original, 20 milhões por dois turco-germânicos que nunca jogam (Sahin por lesão até agora) e mais uns 10 milhões por um dos futuros melhores centrais do Mundo, Raphael Varane, que também é quarta opção.

Guardiola trouxe Alexis e Cesc e ambos decidiram o clássico com exibições de pura classe (também lançou Cuenca, emprestado ao Sabadell, algo que Mourinho é incapaz de fazer com qualquer jogador do Castilla, preferindo o cedido Pedro Mendes a Jesé, Morata, Joselu, Fernandez e companhia).

É nisto que se vê a diferença de uma gestão desportiva coerente, a do Barcelona, e outra onde os negócios ainda prevalecem sobre o futebol. Sempre admirei Mourinho mas um treinador que prefere a jogadores como Diarra ou Khedira a David Silva ou Esteban Granero está fadado a sofrer na pele a superioridade técnico-táctica de uma equipa como o Barcelona.

O Madrid tinha muito que perder e quase nada a ganhar. Era a oportunidade de romper, de lançar um onze com Higuain e Benzema (imenso) um onze com Callejon, jogador da casa em forma e com "ganas", de apostar em Diarra como lateral e Xabi Alonso escudado por Khedira ou Ozil, numa posição mais recuada, para deixar aos dois dianteiros, a Di Maria e ao espanhol (Ronaldo é um caso perdido neste tipo de jogos) e surpreender a defesa de 3 do Barcelona. Fez o oposto, foi o mais previsivel que podia e deixou-se literalmente "comer" pelo jogo de toque no miolo. Aí esteve a diferença.

No final, falar de sorte, diz muito do que Mourinho é, hoje em dia, um treinador sem rumo, perdido numa guerra que não sabe como ganhar, desejoso de voltar a Inglaterra mas preso a um desafio que irá marcar profundamente toda a sua carreira.

um abraço


De Marcelo Silva a 12 de Dezembro de 2011 às 19:45
' de um Cristiano Ronaldo que ontem voltou a demonstrar que está a anos-luz de ser um atleta digno de entrar na história '

Caro Miguel,
Posso até concordar com as análises todas sobre complexos, amplexos e diferenças abissais entre os clubes, estilos de futebol, treinadores, história e mais um par de botas. Detesto o Barcelona mas consigo compreender
Mas escrever o que escreveu sobre CR7, não só é tremendamente injusto como, perdoe-me a expressão, quase criminoso! E nem é por CR7 ser português. Mais que não fosse por isso.
É porque CR7, e não sou eu que o digo, está na galeria da história do futebol, como um dos seus melhores jogadores de sempre.
Em comparação, gostava de ver Messi noutro campeonato.
Em comparação, gostava de ver Guardiola a treinar outra equipa com outros jogadores.
Se calhar a história não se escrevia assim...
Saudações desportivas
Marcelo Silva
Porta 10A


De Miguel Lourenço Pereira a 13 de Dezembro de 2011 às 07:43
Marcelo,

Não consigo ver o Cristiano Ronaldo em nenhum panteão histórico. Sinto que desde que se mudou para Madrid assistimos a uma regressão significativa de um jogador que tem todas as condições fisicas e técnicas para brilhar mas a quem, cada vez mais, lhe falta a fortaleza mental e a chispa de genialidade que faz os grandes jogadores.

Os números de Ronaldo contra rivais de renome são demasiado débeis para se sustentar em comparação com outros nomes, pretéritos e presentes, e apesar de não lhe retirar nenhum mérito aos feitos já logrados, Ronaldo é um jogador que não decide jogos importantes, não inventa nada de novo e, sobretudo, é incapaz de chamar a si a equipa e a bola para liderar. Quando (se) resolver esses problemas, poderemos analisar o seu papel real na história do jogo.

Quanto a Messi e Guardiola, em relação ao primeiro estão os números nas provas europeias frente a rivais de outros campeonatos. Quanto ao segundo, não acredite que ninguém duvide do génio de Bill Shankly, Matt Busby, Bob Paisley ou Alex Ferguson (salvo o curto mandato em Abardeen) apesar de terem passado toda ou quase toda a sua carreira na mesma instituição.

um abraço


De Marcelo Silva a 13 de Dezembro de 2011 às 13:37
Caro MLP,
Se os titulos individuais e colectivos que CR7 já ganhou ( e irá ganhar ) de nada valerem, ele não terá lugar na história.
Se os inúmeros golos que marcou ( e deu a marcar ) não são decisivos, CR7 não entra(rá) nessa galeria que só é possivel atingir se se for um messi ou um qualquer outro génio argentino ou catalão.
Quando ele inventar algo de novo (?) no futebol, podemos falar sobre o assunto. Uma boa tirada mas, infelizmente e mais uma vez, injusta.
Gostava que me dissesse, até porque conhece profundamente o futebol, se existe alguém no planeta, que faça o mesmo que CR7 faz à velocidade que executa?
Fosse CR7 argentino e jogasse no barcelona, outra história seria escrita.
Primeiro, porque na Argentina, defendem e idolatram os seus. Já em Portugal e com os portugueses...
Fosse ele jogador do barcelona e teria o mundo a seus pés. Sendo argentino, do barcelona e com o alto patrocínio da UEFA, nem o universo era o limite.
Só que, para seu infortúnio, nasceu na Madeira, território de Portugal.
Entristece-me profundamente que os portugueses não saibam valorizar o que é seu. Somos um povo de gente egoísta, invejosa. Damo-nos mal com o sucesso dos outros. A nossa perspectiva é sempre ganhar-perder. Nunca ganhar-ganhar. Somos, definitivamente, um povo que nunca sairá desta cepa torta e desta mentalidade do coitadinho, carregado de fado e desgraça.
Mas pronto, os outros é que são sempre os maiores, os melhores, os mais competentes. Por causa disso, é que os nossos melhores saem daqui para fora...

Espero que a (sua) história se recorde dos números de CR7 nas provas europeias. E dos golos que marcou...
Quanto a Guardiola, pode ficar mais 50 anos no barcelona e ganhar muitas vezes mais. Mas ganha ali e não terá o sabor de ser campeão noutro sítio. Se calhar nem terá o saber... mas isso, talvez, um dia se saiba. Ou não...
Eu cá por mim, gosto mais de ver génios ' à solta ', i.e., génios que conseguem ser génios em mais lugares.
Mas isso sou eu.

Saudações desportivas e obrigado por ter um blog de referência e onde se pode ler e escrever umas coisas no melhor espírito e numa salutar conversa.

Marcelo Silva
Porta 10A



De Miguel Lourenço Pereira a 13 de Dezembro de 2011 às 14:12
Marcelo,

Sinceramente não entendo para onde veio a conversa com o português e argentino pelo meio. O futebol - como tudo na vida - não conhece nações nem define os bons e os maus por elas. A mim como português que tenho orgulho em sê-lo (e mais fora de Portugal que é bem mais dificil do que se pensa) dá-me exactamente igual que triunfe um português, um chinês ou um neo-zelandês. Se todos eles fazem méritos para tal, bem vindos sejam. Nunca escreverei ou torcerei por alguém sobre outro por um critério de nação. Portanto não entendo bem o que tem a ver a discussão do valor e talento do Cristiano em comparação com o Messi ou com qualquer outro atleta de outra nacionalidade.

Quanto ao seu valor real, é indesmentível que os números de Ronaldo são muito bons e difíceis de igualar. Mas qual a sua real relevância. Com a excepção dos anos 2007 e 2008, onde esteve brilhante a vários niveis, os seus números são maiores do que aparentam. Em cinco anos em Inglaterra nunca marcou em liga ao Chelsea, marcou apenas dois golos ao Arsenal e três ao Liverpool em dez jogos. Em Espanha, com o Real Madrid, em liga tem um golo contra o Barcelona em cinco jogos. Esses golos, os que decidem ligas, jogos chave, têm um valor emocional real e todos hoje se lembram mais do golo de van Basten à URSS que valeu um Europeu do que a sua obra prima frente ao Utrecht numa goleada na liga holandesa. É inevitável.

Ronaldo e Maradona nunca venceram uma Champions League mas fizeram algo distinto, têm esse dom para aproveitar essa chispa de génio que os singularizam. Seedorf venceu quatro e por muito genial que seja, nunca ninguém se lembrará de os comparar. Há titulos cujo somatório é menos importante do que o impacto real causado. Em oito anos de carreira ao mais alto nivel o impacto de Ronaldo é menor do que seria de esperar.

Quanto ao caso de Guardiola, remito-me a Shankly, Busby ou Paisley, treinadores que definiram o futebol moderno nas ilhas como Herrera, Michels e Lobanovsky lograram no continente. A história não precisou de os ver noutro sitio para os imaginar grandes. Eu também não.

um abraço


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