Sábado, 27 de Agosto de 2011

tão poucos jogadores que podem presumir do curriculo que tem Samuel Eto´o que é dificil descartar o camaronês como um dos grandes jogadores da última década. No entanto o histórico dianteiro preferiu os milhões russos à competitividade da Serie A italiana para a surpresa de muitos. Uma mudança que no entanto se podia antecipar desde que Eto´o chegou à Europa para tornar-se na máxima estrela do futebol africano contemporâneo.

 

Eto´o é um jogador sem medo. Com a bola e com as palavras.

A sua saída do Barcelona, onde se tinha transformado no mais letal dianteiro da história do clube, deveu-se à falta de feeling de Guardiola, uma forma educada, como sempre, do técnico dizer que não apreciava a brutal sinceridade do camaronês num balneário onde durante os anos prévios teve fortes discussões com os pesos pesados do clube. Essa postura de Eto´o acompanhou-o durante toda a vida. Desde a sua chegada à Madrid até à sua coroação em Milão houve poucos jogadores tão genuinos como ele.

A sua mudança para o milionário Anzhi pode parecer aos mais puristas como uma opção oportunista e mercantilista. Afinal, o camaronês deixa uma das ligas mais respeitadas do Mundo - onde era uma das máximas figuras - para jogar no emergente (financeiramente) mas ainda desportivamente débil campeonato russo. E deixa-o por muitos milhões. Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney e Leo Messi, os três mais bem pagos do Mundo ganham à volta de 13 milhões de euros ao ano. Eto´o vai ganhar 14 (inicialmente falou-se em 20) num contracto de quatro anos que o irá transformar no maior bilionário na história do jogo. O dinheiro que Eto´o ganhou com este último contracto vai de encontro à sua filosofia de vida, aquela que enunciou sem papas na lingua quando começou a afirmar-se na Liga espanhola. "Trabalhar como um negro para viver como um branco". Missão cumprida.

 

O avançado chegou a Barajas, Madrid, com 17 anos e muito frio.

Veio de África sem uma muda de roupa e enquanto esperava os directivos do Real Madrid no aeroporto sentiu pela primeira vez o peso do ar condicionado dos aeroportos espanhóis. E viu durante a sua adolescência na antiga Cidade Desportiva como era tratado de forma diferente por todos. Empenhou-se em triunfar pelo clube merengue e fez até parte da equipa que venceu a Champions League de 2000. Mas com a chegada de Florentino Perez e a sua politica de Galácticos as portas do Bernabeu fecharam-se definitivamente. Mudou-se para a solarenga Mallorca onde se impôs como um dos maiores dianteiros do futebol europeu e quando apareceu o Barcelona de Joan Laporta, Eto´o sentiu que estava na altura de começar a sentir o que era viver como um branco no duro mundo do futebol espanhol.

Aguentou de tudo, insultos, provocações, desqualificações e muitas criticas. Em Zaragoza, numa noite histórica na luta contra o racismo no futebol, teve o nobre acto de sair de campo quando La Romareda começou a entoar os habituais cantos simiescos que ouvia semana sim, semana não. Ganhou o respeito colectivo e no clube respondeu com golos e titulos. Muitos golos, muitos titulos.

Nunca gostou de ser segundo plano mas aguentou estoicamente o sucesso de Ronaldinho e depois o de Messi. Isso sim, foi sempre uma figura critica no balneário da vida nocturna do brasileiro e do argentino, no que o levou a chocar imediatamente com Guardiola, decidido a fazer da jovem estrela das pampas o eixo central do seu projecto. A saída de Barcelona coincidiu com a chegada a um Inter de Milão onde encontrar um técnico tão ambicioso e profissional como ele. Para Mourinho o camaronês tornou-se no joker perfeito, actuando até de defesa se necessidade havia, e com ele venceu a sua quarta Champions League (depois de ter sido o desbloqueador das duas vitórias do Barcelona em Paris e Roma) e mais uma liga, a quinta do seu historial desportivo. Mas os desafios começavam a escassear e o envelhecido plantel do Inter já não era, propriamente, o lugar ideal para ir mais longe na sua corrida contra o tempo. Chegou o Anzhi, os milhões que ele sempre quis desde os seus dias a jogar em Nkon e um desafio radical. Homem habituado a fazer o inesperado, Eto´o embarcou na viagem mais louca da sua carreira.

O curioso de tudo isto é que o Eto´o, como os seus colegas, vai viver e treinar em Moscovo, a 2000 mil kilómetros do Daguestão, onde está sediado o clube e onde só se deslocará no dia dos jogos. Uma aventura pensada até ao mais minimo detalhe e que leva a viagem do pequeno camaronês dos trópicos de África à estepe russa. Um longo cruzeiro de um homem que conseguiu cumprir todos os seus objectivos e que já pode pensar na vida de milionário que o espera quando a bola deixar de rolar...



Miguel Lourenço Pereira às 09:39 | link do post | comentar

8 comentários:
De Pudget a 28 de Agosto de 2011 às 08:42
Óptimo post, claramente um post a partilhar.

Gosto de jogadores sem papas na língua e a sério, sem tiques de prima dona como Messi e Companhia, e acima de tudo que t~em um objectivo e lutam por ele e muitas vezes contra a multidão e não a favor dela.

Na Rússia já se sabe, o racismo é o prato do dia. Para mim no Anshi Eto'o ou marca muito a diferença ou vai demonstrar que os russos não estão preparados socialmente para um futebol globalizado e globalizante.


De Miguel Lourenço Pereira a 29 de Agosto de 2011 às 09:21
Pudget,

Obrigado ;-)

O Etoo é um sério candidato a melhor jogador africano de todos os tempos não só por como joga mas porque joga sempre ao mais alto nível onde quer que vá. Um jogo e um golo fundamental no primeiro encontro já diz muito da facilidade de adaptação que tem Samu.

Um dos grandes sem dúvida!

abraço


De jaques a 31 de Agosto de 2011 às 22:34
Revoltei-me contra Guardiola quando ele começou a dar a entender que pretendia encostar o Eto'o, mas esta transferência para as profundezas catacúmbicas do futebol russo veio dar-lhe razão.

Eto'o não precisava de manchar o seu currículo com o nome dessa equipazita de um território de homens-bomba para ser um milionário ao encerrar a carreira.

Falta-lhe carácter, como bastas vezes demonstrou ao serviço da selecção dos Camarões, com atitudes lamentáveis de falta de companheirismo.

Apesar dos seus troféus e dos golos, Eto'o nunca será o melhor africano de sempre. Nunca chegará aos calcanhares do Bola de Ouro George Weah. Ou de Abedi Pelé. Ou talvez até de Roger Milla.
Até o seu contemporâneo Drogba será mais lembrado que ele.

Guardiola é o treinador que melhor "cheira" o carácter dos jogadores. Essa é uma das razões porque a orquestra está sempre tão bem afinada.

Eto'o é uma desilusão. Vai passar à história como o jogador que foi despachado por Guardiola e que trocou o campeão italiano por um clubezeco do Daguestão.

Tenho pena que assim seja. Sempre achei que não lhe davam o devido valor (em contraste com alguns "goleadores" sem golos, como Fernando Torres), mas agora chego à conclusão que só há um culpado: chama-se Samuel Eto'o.


De Miguel Lourenço Pereira a 1 de Setembro de 2011 às 08:16
Jacques,

Etoo é, se não me engano, o jogador africano com mais Champions League ganhas, marcando em duas finais, algo de que pouquissimos jogadores podem presumir. Era, até há pouco, o maior goleador na história do Barcelona e em Milão, a época passada, foi fundamental para a equipa italiana manter-se viva depois do descalabro de Benitez. Com os Camarões venceu a CAN por duas vezes com autoridade e levou uma equipa manifestamente empobrecida a outra final. Foi um dos mais letais dianteiros da última década.

Achas mesmo que ficará para a história como o homem que Guardiola dispensou?

Etoo assinou pelo Anzhi da mesma forma que Roberto Carlos por lá anda, que Ronaldinho passeia pelo Flamengo, que Cannavaro andou pelo Qatar, que Guardiola, Gullit, Rivaldo andaram por esse mundo fora, porque Pelé, Cruyff, Eusébio, Beckenbauer, Muller ou Best foram fazer umas coroas para os EUA e para o Canada...não acredito que por isso tenham perdido o seu impacto na história do futebol. E nenhum deles jogou num clube de acordo com o seu real valor.

Etoo foi fazer dinheiro, elementar, mas é o que fazem todos os jogadores, não só aqueles a quem lhes falta "caracter". Etoo teve problemas na selecção dos Camarões e um dos mais graves foi contra a directiva da Federação que gostava de escolher jogadores de uma determinada etnia, que não a sua, por imposição politica.

Weah, Abedi Pelé, Drogba, Madjer, Kanu, Finidi foram jogadores notáveis. Milla um desconhecido do mundo até ao Mundial de 1990. Etoo venceu em vários clubes, jogou sempre da mesma forma e foi sempre um atleta frontal, incapaz de se calar quando via o trato preferencial a Ronaldinho e Messi, a quem ele sempre acusou de comportamento pouco profissional, a quem sempre soube valorar o trabalho do Mallorca em potencia-lo quando foi dispensado pelo Madrid de Del Bosque e, sobretudo, quem nunca teve problemas em dizer porque estava no futebol.

A ida de Etoo para o Anzhi é consequente com tudo aquilo que ele sempre foi. Guardiola quis fazer o seu projecto à volta de Messi e identificou em Deco e Ronaldinho as piores infuências para o jogador. Mas teve em Etoo uma sombra que não podia controlar fora da sua "Orquestra afinada" de "yes mens" com que se soube rodear. Vai passar para a história como um dos melhores jogadores e treinadores de sempre. Agora não me digas que o Etoo é uma desilusão, quando poucos podem orgulhar-se tanto de definir uma era como o camaronês.

um abraço


De jaques a 3 de Setembro de 2011 às 17:02
É bonito ver a admiração por um futebolista, mas a forma como ele passa à História, e será lembrado pelas gerações futuras, não é condicionada pelos nossos desejos.

O impacto de qualquer futebolista na História do futebol está principalmente relacionado com o impacto que teve num determinado clube ou Selecção Nacional. Sempre assim foi, e sempre assim será.

Todos os nomes que citou espelham esta realidade, tão evidente e poderosa que, por vezes, até supera números de golos e relativiza conquistas.
O camaronês Roger Milla, eleito pela CAF como melhor futebolista africano do Século XX, e naturalmente o melhor camaronês, pôs aqui há uns tempos o dedo na ferida: Eto’o tem um problema de carácter.
“O problema de Eto’o é que ele não dá o exemplo com a braçadeira de capitão”, disse o senhor Roger Milla, o melhor futebolista africano do Século XX, que mereceu uma resposta violenta do atingido.

Apenas numa pequena busca (a expressão “eto'o headbutt” é uma das mais procuradas na net relacionada com o jogador), confirmei que Eto’o já deu cabeçadas em futebolistas (César, do Chievo, à traição), em jornalistas camaroneses, incitou as bancadas do Camp Nou a gritarem cânticos ofensivos para o Real Madrid ("Madrid cabrón saluda el campeón”, no youtube), recusou-se a bater o penalti decisivo de apuramento para o Mundial de 2006 (o defesa Pierre Wome falhá-lo-ia, embora Eto’o se vangloriasse, num bate-boca com Ronaldo Nazário em Maio de 2005, de “cobrar tudo na selecção, faltas e penaltis"), e em Junho deste ano conseguiu um recorde: na recepção ao Senegal, de apuramento para a CAN 2012, foi nomeado compulsivamente capitão pelo Ministro dos Desportos, viu o companheiro Alexandre Song recusar-se a cumprimentá-lo, impediu uma substituição de do seleccionador Javier Clemente a pedido das bancadas (Choupo por Bedimo), e a dois minutos do fim falhou o penálti (0-0) que deixou os Camarões praticamente fora da próxima CAN. Ah Valente!

Samuel Eto’o tem muitos recordes e é um futebolista admirável, mas as suas atitudes nem sempre o foram, e condicionaram o seu trajecto a nível de clubes e de selecção. São estes trajectos que ajudam, ou não, a definir uma era.

Eto’o nunca foi o melhor marcador da história do Barcelona (o próprio Messi ainda está atrás de Kubala e César) e nunca ficará verdadeiramente na história de nenhum clube, ao contrário do que aconteceu com Guardiola (somente viajou para as Arábias com 32 anos), Pelé (rumou aos States com 35), Beckenbauer e Cruyff (embarcaram para a América com 32), ou Cannavaro (aceitou as Arábias aos 37 anos).

Todos eles foram fazer umas coroas na descontra, depois de se lhes acabar o gás, bem para lá dos 30. O próprio Roberto Carlos, companheiro de Eto’o, aceitou o convite do Anzi Machachkhala aos 38 anos, e não quando estava no apogeu, em posse plena das suas faculdades – em 2009 chegou a oferecer-se para jogar no Real Madrid de graça!

É esta a diferença para Eto’o, que depois de uma década a acumular milhões, em vez de pedir para jogar de graça num dos melhores clubes do mundo pôs a hipótese de, em 2009, assinar pelo Kuruvchi Tachkent (campeão do Usbequistão), e prefere aos 30 anos, ainda no auge da carreira, ir jogar para as profundezas da Rússia terrorista, num clube que talvez nunca chegue à Liga dos Campeões, em troca de ainda mais milhões.

Numa coisa tens razão: a ida de Etoo para o Anzhi é consequente com tudo aquilo que ele sempre foi.

Nunca ninguém poderá tirar o mérito do que foi como jogador. O que defendo é que ele poderia ter sido muito mais reconhecido e apreciado (ouço muito mais loas a Fernando Torres, que fica a milhas da produção de Eto'o), e ficado muito mais próximo do Olimpo, se não fosse tão ganancioso, prepotente, mercenário, e mesquinho. Creio que foi isso que Guardiola cheirou…

Desculpa ter-me alongado e obrigado pela paciência.


De Miguel Lourenço Pereira a 3 de Setembro de 2011 às 18:29
Jacques,

Bem vindo de volta como sempre.

Há três pontos no teu comentário que gostaria de rebater, embora concorde com a maioria das ideias que expôes.

- Milla foi considerado o melhor jogador africano do Século XX pela FIFA, isso a mim diz-me muito pouco. É uma manobra de marketing, dessas que a FIFA domina como ninguém. Longevo é-o, mas grande, pouco. Tu analisa a carreira do Milla (Football Against the Enemy é um bom livro para começar) e verás que além de desportivamente a sua carreira ter sido absolutamente insignificante, tanto em África como em França, a verdade é que Milla é o exemplo perfeito de um futebolista que se agarra a regimes dictatoriais para crescer e que vive á sombra de uma politica informativa bastante selectiva. Se há alguém que eu conheça. no futebol africano, que não tem critério para falar de moral é ele.

- Para mim o Etoo é um grande futebolista. Gosto de avaliar futebolistas pelo seu talento, pelo seu mester, e não pelo que são ou fazem fora do campo, tendência habitual de quem quer utilizar o futebol como um manuel de bons costumes. O caracter de Cruyff, Maradona, Best, Garrincha, Di Stefano ou Muller, para citar alguns dos grandes, também nunca foi grande coisa, mas são imensos futebolistas porque se valoriza o que fizeram no terreno de jogo. Em campo Etoo foi tremendo como poucos, versátil, eficaz, entregado. Fora dele cometeu imbecilidades tremendas, teve atitudes que oscilam da infantilidade ao egocentirsmo puro e duro, mas eu, pessoalmente, avalio futebolistas, não sou ninguém para avaliar pessoas.

- Aos 30 anos ele podia ter jogado onde quisesse, como o Drogba que continua a lutar no Chelsea e tem mais anos do que ele. Mas também imagino que um jogador com o palmarés e a experiência que ele já tem se sinta mais cansado da exigência do futebol de elite do que muitos possamos pensar. Como disse, e apontaste bem, ir para o Anzhi é uma decisão tipica dele e não excluo sequer daqui a 1 ano ou 2 a vê-lo outra vez em Espanha e Itália. Etoo é assim, imprevisivelmente previsivel!

um abraço

PS: Admiro muitissimo o jogador, como dizes no principio, mas há outros africanos que admiro mais. No entanto há algo no jogo de Etoo que me faz sentir que, excluindo Eusébio, é sem duvida o mais completo futebolista africano de sempre.


De jaques a 3 de Setembro de 2011 às 19:22
Falar de moral... Falar de carácter... Falar de bons costumes... É uma tentação perigosa, mas quem não gosta de ver exemplos como o de Cesc Fabregas, que para jogar no Barcelona aceitou pagar, do seu salário, um milhão de euros por ano ao Arsenal, em cada um dos cinco anos de contrato com o clube do seu coração!

O futebol mexe com emoções, e as pessoas gostam de ver futebolistas que tenham magia nos pés (sim, senhor), mas que também se saibam sacrificar pela equipa, pelos companheiros, pelo clube que amam (casos cada vez mais raros), ou pela Selecção.

Foi só isso que Eto'o nunca soube fazer, ao contrário de outros craque de moral duvidosa, a começar pelo tal Milla e a acabar em Pelé, que também tem de dar cobertura, ainda hoje, às trapalhadas do Ricardo Teixeira e do seu Mundial de 2014.

Dentro do campo, na efectiva "moral da bola", Milla, Pelé e Maradona foram homenzinhos, respeitados por companheiros e adversários, e num tempo de tantos meninos mimados a malta gosta de ver homenzinhos, principalmente se jogarem como nos nossos sonhos de criancinhas.

Abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Setembro de 2011 às 08:52
Jaques,

O ser humano, no futebol e fora dele, procura sempre os seus heróis e os comportamentos a seguir. Pessoalmente nunca acreditei nisso nem nunca vi nos futebolistas um exemplo a ser, um porta-estandarte de atitudes, pelo contrário, gosto precisamente do oposto, do rebelde contra o estabelecido, contra o que se espera. Suporto mil vezes mais um Cantona, um Laudrup, um Romário, um Maradona ou um Ronaldinho do que um Messi, um Maldini ou um Weah.

No caso do Etoo, naturalmente, quem procura essa identificação não a encontra porque ele sempre foi e será um jogador/individuo, profundamente individualista. Mas sempre soube ser homem em campo.
Desbloqueou duas finais da Champions League, mandou calar um estádio com os gritos racistas e colocou em cheque a direcção de uma liga de futebol, foi sempre um jogador reconhecidamente entregado em treinos e jogos por onde quer que passou. O seu individualismo, hoje, perde-o mais do que perdeu a Garrincha ou a Best, mas não deixa de transparecer os mesmos traços. Não foi o grande Cruyff quem fez a birrinha de deixar o Ajax quando não votaram nele para capitão?

PS: Quanto ao Milla, continuo na minha. Um homem que só foi ao Mundial de 94 porque o governo camaronês, desejoso de vender-se ao mundo, lhe prometeu pagar a sua fundação, é tudo menos um patriota, um homenzinho. Se ainda falasses do Weah, forçado a sair do país por lutar contra a podridão em que os seus compatriotas vivem, agora o Milla, o homem que foi dispensado por onde quer que passou e de quem ninguém realmente se lembra, a não ser pelos golos do Mundial de 90? Milla tem a mesma importância para o futebol como Schillachi!!!!

um abraço


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