Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

Nas vésperas de marcar presença na terceira final da sua história, Portugal não sabe bem como lidar com o sucesso da equipa de Ilidio Vale. Sentimentos desencontrados, orgulho escondido, criticas disfarçadas e pouco entusiasmo têm vindo a pautar a campanha da selecção sub-20 portuguesa. Frente ao Brasil a equipa das Quinas pode fazer história e lograr um inesperado tricampeonato mundial mas as sensações de Riade e Lisboa esbateram-se no tempo. Realmente, o que importa mais, vencer o Mundial ou vencer o futuro?

Falou-se durante anos da Geração de Ouro do futebol português, a mesma geração que se sagrou bicampeã mundial de forma consecutiva entre 1989 e 1991. A de Rui Costa, Paulo Sousa, Figo, João Vieira Pinto, Fernando Couto, futuras estrelas mundiais. Mas também a de Jorge Couto, Paulo Madeira, Paulo Alves, Rui Bento, Capucho, Tulipa, Hélio ou Folha, jogadores de nivel médio que tiveram carreiras aceitáveis. E ainda a de Valido, Morgado, Abel Silva, Amaral, Cao, Toni ou Gil, atletas que, pura e simplesmente, nunca conseguiram dar o salto no futebol profissional. Todos eles podem gabar-se de serem campeões do Mundo mas muito poucos contribuiram, eficazmente, para o crescimento desportivo do futebol português.

O sucesso mediático de Figo e companhia só sucedeu muito depois, quase uma década, do seu triunfo, no Euro 2000, onde pela primeira vez Portugal deu provas de ter superado os seus complexos de inferioridade e começou a bater-se de igual com as restantes potências do Velho Continente. Um cenário que Espanha também viveu. Em 1999 os espanhóis venceram o troféu pela única vez numa selecção onde Casillas era suplente e Xavi, inevitavelmente, o eixo central do jogo da Rojita. Foram precisos nove anos para nuestros hermanos lograrem com a absoluta o êxito que a mesma geração tinha antecipado no torneio disputado na Nigéria. É muito dificil antecipar se um jogador que funciona bem nos moldes de um torneio etário dá o salto ao futebol profissional. Portugal sabe-o muitissimo bem e o sucesso posterior da geração dourada funcionou também porque houve vários jogadores que não foram campeões do Mundo, por ausência (Vitor Baía, Jorge Costa) ou porque despontaram mais tarde (Dimas, Vidigal, Costinha, Pauleta, Sérgio Conceição, Nuno Gomes), que se revelaram fundamentais no sucesso colectivo luso na última década. Em 2004 a estrutura do meio-campo, acente no jogo do FC Porto, incluia três jogadores que nem sequer tinham passado pelos escalões de formação da Federação. Vencer o Mundial de sub-20 amanhã não garante um futuro radioso ao futebol português. Gabor, Geovani, Bismark, Caio ou Oliveira são nomes de jogadores campeões do Mundo e, como Peixe, consagrados como o melhor do torneio que disputaram e nenhum deles deixou o mais minimo impacto no futebol profissional. Nessas mesmas competições andavam por lá Ronaldinho, van Basten, Protasov, Kostadinov, Boban, Suker, Sammer, ... mas claro, nem todos repararam neles.

 

O caso mais sintomático desta realidade chama-se Espanha.

O país vizinho é, desde há 15 anos, indiscutivelmente a melhor cantera do Mundo. A RFEF apostou forte e bem num sistema de formação nacional, estruturado a nivel federativo e com cumplicidade com os principais clubes. A aposta no producto nacional - apanágio espanhol em tudo - e, sobretudo, num estilo de jogo que explorasse as condições dos jogadores espanhóis (baixos, dotados de técnico individual, jogo mais ritmado sem a constante busca do choque e da verticalidade da Fúria). Essa politica transformou a Espanha numa potência mundial indiscutivel e, no entanto, salvo esse ano de 1999, os espanhóis nunca estiveram perto de vencer o troféu da FIFA.

Parece uma incongruência mas está longe de sê-lo. Os espanhóis preferiram em apostar em formar jogadores para a selecção nacional em vez de conquistar titulos nas categorias amadoras. Desde 1999 para cá tem havido titulos, é certo, mas sobretudo tem havido fornadas e fornadas de jogadores preparados para dar o salto para a elite sem pestanejar. Talentos como Iniesta, Silva, Fabregas, Cazorla, Villa, Pique, Xabi Alonso, Torres, Ramos e companhia são filhos dessa filosofia mas representam a nata. A liga espanhola está repleta de casos de sucesso que só não vão mais longe porque há sempre alguém melhor a ocupar o seu lugar na elite. Essa aposta ficou evidente na qualidade de jogo da Rojita que foi eliminada nos Quartos de Final pelo Brasil. Talvez a melhor selecção do torneio, juntamente com a Nigéria e Colombia, a equipa espanhola não fez o seu melhor jogo mas não é dificil ver o talento de Bartra, Oriol, Rodrigo, Isco e companhia a brilhar na selecção principal espanhola nos próximos anos. O mesmo não se pode dizer do escrete canarinho onde, apesar do talento individual de alguns jogadores, o mais provável é que se repita o mesmo cenário de sempre e a esmagadora maioria daqueles que serão rivais de Portugal amanhã caiam no esquecimento ou numa liga obscura por esse mundo fora. Espanha não venceu o torneio, mas venceu o futuro, conservou o seu espirito, a sua filosofia, os seus automatismos e lançou um aviso aos mais velhos: aqui há gente com fome de mais. O Brasil, que jogou sem Lucas, Neymar e Ganso, as suas principais figuras no Sudamericano do ano transacto, tem em Oscar, Coutinho e Gabriel as suas principais figuras mas o resto é uma imensa incógnita. A este nivel, onde o futuro é o que conta, triunfar é realmente o mais importante?

 

No entanto, longe da ditadura critica em que parece viver o adepto português, o mérito da selecção de Ilidio Vale é inquestionável e deve ser valorizado, por cima de qualquer outra circunstância. Chegar à final de um torneio, seja ele qual seja, quando muitos nem acreditavam que a selecção pudesse passar a fase de grupos é um feito tremendo. Portugal não tem um único jogador de encher o olho, nenhum elemento que deixe antever que poderá tornar-se numa estrela de futuro (ou presente). Mas em 1991 quem imaginaria o futuro de Figo, Rui Costa ou João Pinto num contexto pré-lei Bosman em que jogar no estrangeiro (e brilhar) estava ao alcance de muito poucos?

O problema da selecção nacional está na politica de abandono de formação da FPF - que nem a dignidade de construir uma casa de selecções tem depois de tanto dinheiro embolsado na última década com a absoluta - e dos principais clubes portugueses, aliado ao final dos clubes de nivel médio que antes forneciam o futebol luso de alguns dos seus melhores interpretes. Ilidio Vale, um dos responsáveis pelo abandono da cantera do FC Porto, é o homem perfeito para esta estrutura federativa mas sem ovos não se fazem omeletes e não há em Portugal muitos jogadores com menos de 20 anos que possam ambicionar chegar à selecção. O nivel é baixo e isso não merece discussão. Num contexto individual há pouco que referir, num contexto colectivo o trabalho é espantoso.

Portugal perdeu para a Espanha esse condão de equipa capaz de manejar os tempos, a bola e de jogar bonito com uma vocação ofensiva, precisamente a imagem de marca da "Geração de Ouro". Hoje, sem jogadores com essa técnica, Portugal, como tantos outros, fecha-se na táctica. E nas armas tácticas que um conjunto sólido é capaz de oferecer face a equipas com melhor expressão individual. Viu-se no duelo com a Argentina, voltou a ver-se contra a França. Um por um, Portugal é inferior. Colectivamente soube impor-se com uma excelente noção dos espaços e, sobretudo, muita disciplina defensiva. Se algo deixa o Mundial sub-20 para o futuro do futebol português é a consciência dessa disciplina defensiva que tanto faltou no passado e que agora começa a ser trabalhada. Mika pode ser um novo Bizarro, Cedric e Mário Rui novos Paulo Torres ou Nélson e a dupla Nuno Reis-Roderick não passar de uma nova versão de Gil e Paulo Madeira, mas a forma como encararam o torneio e como chegam ao jogo decisivo sem um golo sofrido (inédito) é um registo espantoso. Portugal soube defender melhor que atacar (aliás, a esmagadora maioria dos golos surge como consequência de lances de bola parada) e olhando para Nélson Oliveira, Rui Caetano ou Sérgio Oliveira é fácil imaginar o porquê. Mas uma das exigências futuras do futebol profissional é precisamente essa mentalidade que tanta falta fez ao futebol luso no passado. Nesse sentido o trabalho da selecção, apesar de estar longe de ser espectacular, será fundamental.

 

Portugal e Brasil reeditam a final mais memorável da nossa história. Naquele fim de tarde no velho estádio da Luz o 0-0 final não fez justiça a um grande jogo. 20 anos depois é o resultado mais expectável face a um encontro disputado entre uma equipa especializada em defender e outra que se sente pouco cómoda em ter a iniciativa. Não se espera um jogo bonito ou espectacular e como sucedeu em 1991 provavelmente só quatro ou cinco dos 22 miudos que subam ao relvado cheguem a ser jogadores de impacto mundial. O trabalho de Nigeria, México, França, Colombia e, sobretudo, Espanha terá consequências evidentes. A Portugal cabe-lhe saborear o raro momento e desfrutar de uma noite histórica. O resultado é o menos importante, o futuro é uma incógnita, mas o mérito, esse é indiscutivel!

 



Miguel Lourenço Pereira às 15:09 | link do post | comentar

23 comentários:
De Viriato a 20 de Agosto de 2011 às 00:44
Primeiramente, os meus parabéns pelo texto. Pois, expressa o ser Patriótico, sim senhor! Porém, com os "olhos bem abertos" para ser realista e tecer críticas que soam quase que como um alerta para mudar-se os conceitos e fazer diferente.
Sim, fazer melhor e com base não meramente ao acaso ou qualidades, competências, esforços de uma comissão técnica aliado a qualidade, disciplina e perseverança dos atletas, para em um futuro próximo termos óptimos resultados e melhores proveitos.
Salvando quem sabe? Muitas jovens carreiras e incentivando outras tantas que as vezes são abandonadas, esquecidas, não incentivadas ou má orientadas para darem o seu melhor potencial. Tudo isso ocorre a grande maioria das vezes, devido a mediocridade, incapacidade ou ambição dos dirigentes e empresários de futebol. Que se julgam os senhores da bola, mas no final o que interessa são os bilhões de euros a rechearem os cofres destes. Outro factor importante que acabam por "tapar" ou "atrapalhar" o deslanchamento destas jovens carreiras são: No caso de Portugal; Os senhores diregentes a contratarem jovens esperanças de outras nacionalidades ou jogadores medianos a espera que estes se tornem, por exemplo, um "Deco" ou um "Pepe" para terem grandes lucros com as transacções dos direitos federativos e etc. Entretanto, ficam de lado as jovens promessas portuguesas que poderiam no mínimo jogar ao mesmo nível destes e muitas vezes abandonam as carreiras por falta de oportunidade e com o passar dos anos veem as suas esperanças no futebol a diminuírem e vão se dedicar aos estudos ou em um outro trabalho qualquer. Pois precisam ganhar a vida. No caso do Brasil; Onde o futebol e jogado desde as idades mais tenras e em qualquer sítio pode-se transformar em campo e uma bola se faz até com uma pedra. É e sempre será uma máquina de fazer craques e mesmo assim muitos abandonam a carreira por diversos motivos, entre eles, deste o financeiro, transportes até a ganância e incompetência dos dirigentes e empresários. Porém, aqui a ganância acaba por tornar-se uma vantagem (só neste aspecto) em relação à Portugal é que qualquer jovem promessa já é logo colocada para jogar na equipe principal para se possível vende-lo para algum clube estrangeiro de preferência europeu e encaixar bons milhares de euros. Bom mais isto é um assunto muito llongo e deixo como sugestão para um próximo tema se acharem interessante e oportuno.
A falar-se particularmente desta final para mim já sou um vencedor. Pois, estão as minhas duas pátrias e paixões. Portanto, independente do resultado sou campeão e vice - campeão do mundo!!! Viva!!!
Parabéns aos jovens atletas lusos e brasileiros e que tenham uma carreira brilhante!

Viriato Cravo


De Joe Cerqueira a 20 de Agosto de 2011 às 08:21
O menos importante é vencer?
Gabo-lhe o seu Patriotismo...
Deveria ter dito isso quando fomos a final do euro2004 com a Grécia...


Sinceramente só pecou nesse aspecto, pois de resto está um bom texto..


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 20:37
Joe,

Entendo o que quer dizer mas o que digo é que nos campeonatos e torneios de formação o menos importante é o vencer. Não quero dizer que não se deva procurar vencer, mas estes miudos estão a começar e o que precisam é, acima de tudo, sentir-se profissionais e desenvolver as suas capacidades. Se com isso vier a vitória sou o primeiro a celebrar. Mas se isso não suceder, ao menos que esteja moldada uma equipa para disputar o titulo pela A.

Quanto ao jogo da Grécia, já eram os absolutos e ainda por cima a jogar em casa contra um rival bem conhecido. Não havia desculpa possível para perder esse jogo, mas assim é o futebol.

Um abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 21:10
Viriato,

Obrigado pelas palavras.

Explicou no seu comentário essencialmente o que defendo - e de que falarei num artigo futuro - e o que está na raiz do que é hoje o futebol de formação nacional. Nesse contexto esta final é ainda mais importante.

um abraço


De Pedro a 20 de Agosto de 2011 às 09:59
O excelente texto que acabo de ler quase que
nos obriga a entender aquilo que se passa no
dirigismo desportivo e muito mais, justiça, política etc. enfim um número infindável de más preparações para o futuro. Falando dos jovens que mais logo nos vão representar desejo-lhes sorte e sobretudo o empenhamento a que já nos habituarão não
deixo simplesmente de recomendar a cada um deles a leitura do texto que estou a comentar com alguma emoção à mistura.


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 20:40
Pedro,

Obrigado pelas palavras.

O dirigismo português abdicou da formação quando a Lei Bosman abriu a porta aos estrangeiros, ás comissões dos empresários e tornou mais rentável comprar um jogador de nivel médio por pouco e vendê-lo depois por algo mais do que estar a gastar dinheiro ano após ano na formação sem garantia de resultados.

Quando clubes como o Salgueiros, Estrela, Alverca, Boavista, Belenenses, Vitória Setubal, Guimarães, Rio Ave, Gil Vicente, Varzim, Maritimo e tantos outros que souberam nutrir os grandes de jovens valores nacionais deixaram de se preocupar com a cantera para gastar fortunas em estrangeiros de baixo nivel o sistema começou a desvirtuar-se debaixo da passividade da Liga e da Federação, que só se preocupa com as selecções quando ganham.

A RTP só começou a dar jogos de Portugal a partir dos Oitavos porque ninguém acreditava neste miudos. Paulo Bento só se incomoda em ir ver a final quando é seleccionador nacional absoluto. Isso já diz muito...


De Fernando a 20 de Agosto de 2011 às 10:29
Esta noticias tem mais referencias ao Porto do que à selecção nacional. Haja transparência


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 20:41
Fernando,

É um texto de opinião, não é uma noticia, logo a transparência não tem porque ser a mesma. E é, sobretudo, um texto sobre Portugal no seu todo.

Ilidio Vale trabalhou no FC Porto e os azuis e brancos são o exemplo perfeito de como o futebol português abandonou por completo o producto made in Portugal.

um abraço


De Xavier a 20 de Agosto de 2011 às 10:40
As críticas aos clubes e à formação de jovens portugueses justificam-se. O que eu acho que não se justifica é a dicotomia: "apostar no futuro" ou "apostar no mundial", como se fossem aspectos contraditórios. Até o podem ser, noutros países, agora em relação à nossa selecção, a maneira como eu vejo as coisas é que temos cerca de 20 jovens , seleccionados pelo seu bom desempenho, a disputar um torneio. A preparação deste torneio resume-se aos treinos e jogos efectuados antes do evento, preparação que os espanhóis também tiveram de efectuar. A nossa selecção atingiu a final, fruto de muita organização defensiva e esforço, o que deve ser valorizado. Estar nesta final é uma oportunidade única que tem de ser aproveitada.

Eu sei que o autor pretende, acima de tudo, questionar a formação em Portugal, mas o título e alguns parágrafos do texto incorrem no erro de estabelecer esta dicotomia entre vencer o torneio e ter uma excelente formação. A Espanha só não está na final por ter enfrentado selecções do seu nível, não por ter dado menos importância ao torneio.

Há que separar as duas coisas. Podemos e devemos estar orgulhosos da nossa selecção pelo simples facto de estar a lutar por um título. Quer algum jogador venha a ter futuro ou não, só o tempo o dirá. Mas isso é outra questão completamente distinta. No máximo, justificam-se críticas às exibições da nossa equipa.


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 21:06
Xavier,

Ganhar é o objectivo de qualquer jogo, não haja dúvida, e espero que Portugal ganhe o torneio como espero sempre que entra numa competição internacional. Mas quando falo de formação sinto que vencer, apesar de importante, não é o fundamental.

Olhando para a lista dos vencedores dos Mundiais quantos países transformaram essa vitória numa geração bem sucedida na absoluta, que no fundo é disso que se trata? Muitos poucos casos e na maioria das vezes sem o esqueleto da selecção campeã. Honestamente prefiro que deste grupo saem sete ou oito jogadores de top para a equipa nacional A do que vencer e depois suceder como tantas vezes no passado, nunca mais ouvir falar de nenhum dos "campeões".

A Espanha (e a França) são bons exemplos porque nos últimos 20 anos tiveram a melhor formação a nivel mundial, em conjunto com a Argentina e o Brasil, e no entanto venceram poucos torneios internacionais. O importante para eles - que também querem vencer ,é claro - é preparar o futuro.

A nossa selecção é composta por miudos que jogam na segunda divisão, em clubes pequenos ou até mesmo nos juniores e tiveram de competir com atletas que já têm projecção internacional. Esse é o grande mérito mas também o grande aviso, o porque é que os nossos estão tão atrás nesse passo evolutivo.

No caso espanhol, não é que não quisessem vencer, é que os jogadores sabem que mais importante do que vencer é que muitos deles se "exibiram" para entrar na absoluta. E isso valerá para eles no futuro mais do que uma medalha de ouro. É essa a dicotomia, que não é exclusiva de que se concretize as duas coisas, mas que serve para reforçar a ideia de que na formação vencer é o de menos.

Van Basten em 1985 foi eliminado nas meias-finais com a Holanda contra o Brasil e depois foi quem foi, enquanto nessa equipa brasileiro só um jogador chegou á absoluta.

Um abraço


De Xavier a 20 de Agosto de 2011 às 22:13
Caro, eu concordo totalmente com a necessidade de ter em atenção o futuro destes jogadores. Só não vejo a relação entre lutar para vencer um torneio e esse mesmo futuro. Isto porque o aproveitamento de um jogador prende-se com as oportunidades que lhes são providenciadas nos clubes portugueses, bem como uma gestão equilibrada da carreira.

Uma participação honrosa num mundial só lhes permite ganhar experiência, pois, não vejo como isso os possa prejudicar. Se me disser que a carreira destes jogadores foi, de algum modo, prejudicada com a preparação para este mundial, aceito totalmente que estas questões sejam postas. Mas, como não me parece que seja o caso, não vejo como se pode relacionar o atingir de um objectivo tão importante com a falta de evolução de jogadores. Referindo-me à Espanha, mesmo que estes tivessem atingido a final, o seu aproveitamento futuro seria, igualmente, excelente. Ou seja, são aspectos que não me parecem relacionados. O exemplo flagrante das inúmeras gerações de portugueses subaproveitadas, que nem sequer se apuraram para a fase final de um mundial, demonstra isso mesmo.

Acho que a sua opinião deve ser exposta, não para questionar o sucesso desta selecção, mas sim com o intuito de sensibilizar os clubes portugueses a criarem melhores condições para a evolução destes jogadores jovens. Isto é, o tópico é útil para relembrar às pessoas que este feito é excelente, mas não apaga a realidade de que a nossa formação é bastante pobre. Acho que é um erro misturar estes dois assuntos, pois acaba por retirar um pouco o mérito dos jogadores, mesmo que essa não seja a intenção.

Cumprimentos.


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 23:46
Xavier,

E não é mesmo porque o mérito é brutal e não está a ser devidamente reconhecido.

O que eu quero dizer é que o mérito é tal que se Portugal não tivesse passado dos Quartos ou Meias Finais já havia algo que celebrar porque significa que num torneio internacional o nivel mental dos jogadores, as condições técnico-tácticas e o trabalho técnico permitiu uma campanha de alto nivel. Se Portugal não tivesse chegado á final (e espero que ganhe) seria necessário falar desse mérito absoluto. É o que sucede no caso espanhol, argentino ou francês, que apresentaram bons argumentos de futuro sem terem vencido o torneio.

Claro que a evolução não entra em confronto com a vitória, mas o futebol da mesma forma que a FPF se esqueceu da formação para concentrar-se nas vitórias a curto prazo da A, espero que a formação em Portugal não durma á sombra da bananeira do sucesso desta geração quando isso não pode esconder a pobreza em que vivemos.

um abraço


De Ausência Forçada a 20 de Agosto de 2011 às 14:56
Espero que ganhemos, mas tenho que dizer que danilo, pele, roderick e julio alves não deveriam de jogar por Portugal, pois não são portugueses, identidade acima de tudo rapazes, identidade e honestidade...


De Bruno Castro a 20 de Agosto de 2011 às 16:39
Quanto aos outros jogadores não sei, mas o Roderick e o Júlio Alves nasceram em Portugal (Odivelas e Póvoa de Varzim), podem ter pais brasileiros mas nasceram em Portugal. Por essa ordem de ideias eles também não poderiam jogar pelo Brasil por terem mães portuguesas, o Zidane não jogaria pela França apesar de ter nascido em Marselha e metade dos jogadores brasileiros não jogariam pelo Brasil por terem um avô português/alemão/italiano. Por mim basta que tenham nascido em Portugal e se sintam portugueses. Estar a fazer distinções desse género é estar a criar grupos de portugueses de 1ª e portugueses de 2ª. Implicar por casos desse género é no mínimo mesquinho.


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 20:43
Ausência Forçada,

Hoje em dia essas fronteiras são de tal forma ténues que não faz sentido excluir jogadores que sentem a camisola independentemente da origem. A concorrência é desleal em quase todas as selecções e no caso de Julio Alves e Roderick a nacionalidade portuguesa justifica-se em absoluto.

um abraço


De Anónimo a 20 de Agosto de 2011 às 15:32
No passado a selecção de Portugal teve Grandes jogadores, que foram campeões da Europa e do mundo nas camadas jovens. Portugal com os grandes da Europa, sempre fez grandes jogos, mas no momento decisivo de conquista, momento esse sim importante, faltava a disciplina e coerência defensiva, um ultimo esforço, muitas vezes a eficácia que outras selecções de patamar inferior têm. Hoje questiona-se o valor de presente e de futuro, dos jogadores finalistas SUb 20, que não jogando bonito, nem sendo mais de 50% possuidores da bola, causam o espanto por um lado e a dúvida quanto ao futuro por outro. Estou em crer, que esta selecção tem 4 a 5 jogadores com grande futuro e potencial, sobretudo na zona de defesa e meio campo, o que a juntar aos actuais jogadores da selecção A, que ainda vão durar alguns anos, e aos vindouros nas camadas jovens, podem antever um futuro promissor à selecção principal. Apostem neles e logo verão...


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 20:35
Anónimo,

É realmente o maior aspecto a destacar nesta selecção, a sua coesão defensiva e fortaleza mental para saber sofrer. Algo que Portugal sempre careceu nos momentos chave. Os jogadores têm consciência das suas limitações mas fazem disso a sua força e ter um grupo de trabalho aos 20 anos capaz de assumir isso é um tremendo mérito que não creio que esteja a ser devidamente valorizado. Futebol é marcar golos e jogar bem mas também é saber defender e aguentar a pressão dos momentos dificeis.

Sem dúvida este Portugal sabe defender muitissimo melhor que as gerações de Riade e Lisboa, o que espero é que mantenham essa atitude quando assumam a sua carreira profissional e não seja simplesmente o reflexo de um trabalho pontual num grupo que está junto há mês e meio a preparar este torneio.

um abraço


De Bruno Castro a 20 de Agosto de 2011 às 16:18
Um pequeno reparo, disse que Jorge Costa não tinha sido campeão do mundo, o que é falso. Jorge Costa foi campeão mundial em 1991 e até marcou um dos penaltis na final contra o Brasil. Relativamente ao Nuno Gomes, realmente ele não fez parte da geração de ouro de Riade e Lisboa, mas fez parte daquela selecção sub20 que participou no mundial do Qatar e que na minha modesta opinião até apresentou melhor futebol do que as selecções de 1989 e 1991. Infelizmente dessa selecção de 1995, creio que só o Nuno Gomes e o Quim é que tiveram boas carreiras.


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 21:00
Bruno,

Toda a razão do mundo com o "Bicho", um dos grandes centrais do futebol português.

Essa geração de 95 com o terceiro lugar no Qatar foi a última lufada de ar fresco do futebol luso mas, como bem dizes, tirando Quim e Nuno Gomes, perdeu-se com a invasão dos estrangeiros na era Bosman.

um abraço


De jaques a 20 de Agosto de 2011 às 22:43
Mais uma bela dissertação, mas discordo do seu raciocínio de base: as selecções espanholas de formação não passaram a jogar bonito, em tiki-taka, por causa da selecção principal ou de qualquer projecto teórico da RFEF.

Para mim aconteceu precisamente o inverso: durante muitos anos a Espanha ganhou campeonatos com selecções jovens, mas só começou a jogar o futebol tiki-taka, e a beneficiar desse "modelo de jogador", depois de Guardiola aperfeiçoar o estilo, de forma brilhante, no Barcelona!

No máximo, o mérito pode ser repartido com Luís Aragonés, que no Euro 2008 aproveitou a conexão Xavi-Iniesta do Barça para levar a Taça e começar a instituir um estilo que se prolongou até hoje.

Só a partir desta conquista o futebol espanhol ganhou a faceta embelezadora que tanta inveja cria por todo o mundo, e naturalmente também em Portugal, daí as críticas à Selecção "utilitária" de Ilídio Vale, sem se entender que sem ovos não há omeletes.

Antes de 2008 não havia tiki-taka para ninguém porque o Guardiola ainda não tinha despachado 3 estrelas planetárias (Deco, Eto'o e Dinho), e transformado um conjunto de meios suplentes (Iniesta), estrelas encobertas (Xavi), ou jovens desconhecidos em formação (Busquets, Pedro, Piqué e Dani Alves) na equipa que melhor futebol joga nas últimas décadas.

A Selecção espanhola absorveu o futebol Barcelónico por osmose, com a inserção esporádica de alguns jogadores talentosos de outras canteras (David Silva), e não pode ser atribuído à RFEF o mérito que pertence, quase em exclusivo, a Guardiola.

O futebol que as selecções espanholas de sub-19, sub-20, ou sub-21 jogaram em 2011 não tem nada a ver com o das suas congéneres dos anos anteriores! Aos ver os sub-21 espanhóis na Bélgica, o próprio comentador Freitas Lobo chamou a atenção para o facto de, ao contrário do que se diz, ser possível emular a forma de jogar do Barça de Guardiola. O futebol das selecções espanholas é uma decorrência directa da influência Guardiolesca.

Vi os jogos da Espanha contra a Coreia e o Brasil. Jogam ao tiki-taka, mas não vejo nessa selecção um único futuro craque, nem Bartra, nem Canales, nem Rodri, nem muito menos Pacheco ou Oriol Romeu, por quem André Villas Boas está apaixonado; só se for pelo rabo gigantesco, que o impede de passar dos 10 à hora...

Gostei muito da equipa brasileira, mesmo sem os mega-craques, mas é como diz: só o futuro dirá.

Além do Jorge Costa, também errou no Ganso; vai fazer 22 anos em Outubro e não esteve na selecção brasileira campeã sul-americana ao lado de Neymar e Lucas...

Até à próxima e continue o bom trabalho.


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Agosto de 2011 às 23:54
Jacques,

Quando o Guardiola ainda era treinador do Barcelona B já a selecção espanhola era campeã da Europa com máximo mérito num estilo futebolistico que definiu o que é o "tiki taka", termo criado por um jornalista já falecido a propósito, precisamente, dessa equipa orientada por Aragonés.

O jogo de toque na selecção espanhola surge já no Mundial de 2006, embora não tão aprimorado, e torna-se "oficial" durante a dificil campanha rumo ao Euro 08 já sem Raul e companhia e com um 4-5-1 apoiado num meio-campo com Silva, Xavi, Iniesta, Senna e Cazorla, com Torres na frente. Esse 4-5-1 dos "bajitos", já adaptado para poder contar com Villa e Torres, é o que vence o Europeu e é nesse mandato que a RFEF começa a aplicar o modelo de forma definitiva em todos os seus escalões. A chegada de Hierro em 2008 e a selecção de novos técnicos para todos os escalões de formação segue esse preceito. Tudo isso antes sequer de Guardiola ter ganho o seu primeiro trofeu.

Se me pergunta quem joga mais próximo desse ideal, é claro que é o Barcelona, porque realmente o cerebro da ideia está nesses génios Xavi e Iniesta (com Busquets no papel de Senna e Cesc, que também jogou esse Europeu) e porque Messi permite ainda mais essa filosofia ganhar forma do que um jogador mais directo como Torres. Mas se é o Barcelona quem explora realmente o tiki-taka ao máximo, é no sucesso de Viena que se confirma o futebol de toque que hoje é santo e senha em Espanha.

Quanto á selecção de sub-21, só o tempo o dirá, em 1999 quando foram campeões do Mundo pela unica vez Casillas era suplente e Xavi - que perdeu o prémio de melhor jogador para Keita, hoje seu suplente - não tinha a companhia que tem hoje. Há muitos jogadores naquela equipa com potencial, só o tempo o dirá se dão o salto.

E tal como disse ao Xavier, obrigado pelo comentário, efectivamente o Paulo Henrique não esteve no Sudamericano, até porque também estava lesionado.

um abraço


De jaques a 21 de Agosto de 2011 às 00:28
Boa resposta. Bem sustentada. Sabe do que fala e tem razão em quase tudo o que diz. É um estudioso. Parabéns.

Mesmo assim continuo a pensar que a selecção espanhola de 2008 ainda estava muito longe do Barça que Guardiola construiu e que depois foi, tão descarada como naturalmente, aproveitado por Vicente del Bosque em 2010.

Só a talho de foice, digo-lhe que, por paradoxal e temerário que isto possa parecer, não vejo grandes jogadores espanhóis no horizonte, tirando o assimilado Thiago Alcântara, e que parece não ter uma grande cabeça (o que preocupa Pep e não é pouco), nem avançados do nível de Torres (cuja seca é desoladora) e Villa...

A Selecção que me impressiona mesmo a sério é a da Alemanha. Deram um abafo no Brasil, o jogador mais velho é o Lahm, com 27 anos, e jogam enormidades.

Obrigado pela resposta.

Continue o bom trabalho


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Agosto de 2011 às 08:27
Jaques,

Naturalmente, como qualquer processo evolutivo, o Barça chegou a um nivel colectivo que a equipa espanhola nunca alcançou precisamente por ter Messi e o seu dinamismo e por ter uma filosofia própria que há 20 anos é desenvolvida na Masia e que nas camadas inferiores saltou para a selecção espanhola com os Xavi e Iniesta quando estes ainda eram figuras contestadas no Camp Nou por muitos.

Recomendo a leitura dos artigos que o Guardiola escreveu em 2006 para o El Mundo como análise ao Mundial, no arquivo do site do jornal são fáceis de encontrar e ajudam a perceber muita coisa.

um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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