Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

De todas as grandes ligas europeias a mais recente é a Bundesliga, que remonta apenas aos anos 60. Antes a RF Alemanha, em recuperação financeira, não tinha um campeonato nacional e é por isso possível encontrar vários vencedores. A partir daí começou a profissionalização a sério e com ela chega o Bayern de Munchen que domina desde então o campeonato. Na véspera do último encontro no sábado passado o fantasma do domínio do clube da Baviera estava presente em todos os campos. O titã voltava à carga. Só que não esperava a impertinência de um pequeno clube com um grande coração. E técnico melhor ainda. O Wolfsburg sagrou-se, pela primeira vez na sua história, campeão alemão de futebol. Um êxito para uma pequena cidade criada à volta da fabrica da Volkswagen, principal patrocinador do clube. E, melhor ainda, uma vitória orquestrada por uma figura histórica do rival, que tinha sido despedido pelo Bayern dois anos antes de se aventurar neste projecto de sucesso.

 
Durante dois anos Félix Magath desenhou o Wolfsburg à sua imagem e semelhança. Trouxe o veterano Grafite e o jovem Dzeko e formou a dupla ofensiva mais letal da Europa. Os dois lideraram a lista de melhores marcadores da Bundesliga e graças ao trabalho de homens chave como Josué, capitão e médio centro da selecção brasileira, dos italianos Zaccardo e Barzagli ou do suíço Diego Benaglio, o técnico montou um onze flexível e fortemente ofensivo. Durante anos deleitou os adeptos com jogos épicos, incluindo a goleada por 5-1 ao Bayern com aquele toque de calcanhar do avançado brasileiro…ou como o 5-1 de sábado onde humilhou o já ferido Werder Bremen. A justiça do título do Wolfsburg é inequívoca, mas também espelha o fortíssimo equilíbrio da Bundesliga deste ano. Na véspera dos derradeiros 90 minutos havia 4 equipas com possibilidades de levar o ceptro para casa. Só duas venceram, mas os verdes e brancos levaram a melhor.
 
O segundo posto do Bayern é o resultado do megalómano projecto de Jurgen Klinsman. Com uma equipa de sonho (Toni, Klose, Podolski, Ribery, Ze Roberto, Demichelis, van Bommell, Lahm…) o treinador que levou a Alemanha ao terceiro lugar do Mundial 2006 conseguiu o que parecia impossível. Perder. Terminar no segundo lugar é um troféu para um clube que nunca deu a sensação de ser uma equipa coesa, mas que ia ultrapassando os problemas graças ao talento individual dos seus craques. Ao contrário do Stuttgart, equipa que o jovem técnico Markus Babell apanhou a meio da época a meio da tabela e que levou até à Champions League. Um campeonato frenético para o clube do sul da Alemanha que para o ano terá de fazer melhor mas sem a sua grande estrela, Mário Gomez, a caminho do rival de Munique. Por outro lado o Hertha de Berlin foi a grande revelação da segunda metade do campeonato, conseguindo, muito por culpa de Voronin, disputar até ao último dia o título. A classificação para a Taça UEFA é um mérito para a equipa berlinense que começou o ano com objectivos bem mais modestos. Já o Hamburg SV apostou forte na Taça UEFA o que o prejudicou na cavalgada final doméstica e acabou por ter de se contentar com o quinto posto, muito pouco para um clube que quer consagrar-se definitivamente.
 
Duas notas especiais para Borussia de Dortmund e TS Hoffenheim 1899.
O primeiro é um histórico – um dos poucos clubes germânicos a contar com uma Champions League – que tem vivido horas baixas na última década. É o clube que mais adeptos leva ao estádio e falhou por pouco a qualificação para as provas mas provou ter de novo um projecto ganhador e é uma das boas apostas para a próxima temporada. Já o Hoffenheim foi o ex-libris da época. O clube subiu de divisão este ano e foi campeão de Inverno. A lesão do goleador Ibisevic provocou uma baixa de forma significativa que os levou a não qualificar-se para as provas europeias, mas o projecto é sólido e para o ano mantendo a estrutura é um plantel com legitimas ambições.
 

Numa terceira linha encontramos três candidatos eternos ao título. O Schalke 04 fez um campeonato mediano sem nunca lograr a estabilidade nos primeiros postos. Acabou fora das provas europeias a poucos jogos do fim mas a chegada de Félix Magath já levanta várias expectativas para a próxima época. O mesmo acontece com o Werder Bremen, derrotado em Istambul mas que ainda pode voltar à Europa se vencer a final da Taça da Alemanha. Diego foi um dos jogadores do ano na Alemanha, mas o espírito demasiado ofensivo de Thomas Schaaf provocou demasiados desequilíbrios nas transições que em ultima caso levaram a derrotas inesperadas. A partida do brasileiro para Turim debilita ainda mais o conjunto verde e branco. O rival da final de domingo, o Bayer Leverkusen, é outro histórico à procura de voltar à Europa. Fez um campeonato sempre na zona média e está numa fase de clara reestruturação. 

 

Na parte baixa da tabela o veteraníssimo Borussia de Monchenladgbach aguentou até ao fim e conseguiu salvar-se à custa de Karlshruer, Arminia Bieldfield e Energie Cottbus, clubes que acabaram por não provar estar à altura dos melhores. Para o ano lutarão para regressar a uma liga cada vez mais competitiva e que terá várias alterações de fundos. Entre técnicos e jogadores, o rosto da Bundesliga 2009/2010 pode ser radicalmente diferentes ao que vimos este ano. É esperar para ver.


Miguel Lourenço Pereira às 00:46 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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