Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

 

Guarda Redes

Samir Handanovic

 

Não tem o carisma de Buffon nem a popularidade de Julio César, mas a época realizada pelo esloveno Samir Handanovic é uma das mais impactantes que a Serie A se recorda em muitos anos. Num país habituado à excelência dos seus guarda-redes, Handanovic sempre jogou com a suspeita de adeptos e rivais mas com o tempo tornou-se numa das figuras indiscutiveis da equipa de Guidolin. Igualou o recorde de penaltis parados numa só época (seis) com a frieza que o caracteriza e acabou por ser um dos guarda-redes menos batidos do ano, apenas batido por Abbiati.

 

Outros: Época de confirmação em Palermo para o jovem Salvatore Sirugu, um dos nomes mais fortes para o futuro da Azzura com a eminente retirada de Buffon. Já substituiu o mitico guardião no passado Mundial e depois de um ano ao mais alto nivel a sua mudança para um grande não está descartada. Em Napoli ressuscitou Morgan De Sanctis, grande promessa há meia dúzia de anos que passou desapercebido na sua estância em Sevilla e que se reencontrou com o futebol num ano para não esquecer à sombra do Vesuvio.

 

 

Defesas Laterais

Christian Maggio e Federico Balzaretti

 

Imenso na época surpreendente do Napoli, Christian Maggio foi um dos jogadores mais determinantes da última época. Fundamental no jogo de transição dos homens de Mazzari, Maggio assenhorou-se da ala direita, tornou-se no melhor sócio de Cavani e companhia no ataque e manteve-se seguro e fiável em tarefas defensivas. Um imenso salto de qualidade para o ex-jogador da Samdporia. Do outro lado da defesa trabalho superlativo de Federico Balzaretti que, aos 29 anos finalmente se consagrada como um dos grandes laterais do futebol europeu. Com Cassani formou duas alas demolidoras que ajudaram, e muito, a definir o estilo de jogo ofensivo do Palermo.

 

Outros: Mattia Cassani em Palermo e Maurico Isla ao serviço da Udinese foram dois dos jogadores mais regulares do torneio. O primeiro conseguiu finalmente chegar à azzura depois de realizar uma época superlativa ao serviço dos rosanero enquanto que o chileno foi um verdadeiro pesadelo no sector esquerdo do conjunto de Friuli. Por fim destaque especial para Sorensen, lateral direito da Juventus lançado por Del Neri e uma das revelações positivas do ano numa época para esquecer da Vechia Signora.

 

 

 

Defesas Centrais

Thiago Silva e André Dias

 

O titulo do AC Milan confirmou também a maturidade competitiva do brasileiro Thiago Silva. Aquele que há sete anos passou pela equipa B do FC Porto antes de rumar ao Dynamo Moscow graduou-se finalmente como lider da defesa rossonera. Foi o mais regular e determinante defesa dos campeões e ganhou também um lugar no eixo defensivo do escrete canarinho. Ao seu lado neste nosso onze outro brasileiro, André Dias, que ao serviço da AS Lazio confirmou todo o potencial que trazia desde a sua etapa no São Paulo. Uma época para relembrar do veterano central.

 

Outros: Continua o processo de maturação de Chiellini, erigido em novo lider espiritual da defesa da Juventus. O central cada vez mais assume o papel de herdeiro de Cannavaro e dentro dos erros individuais dos turineses, os seus foram uma imensa minoria. Em Friueli o colombiano Cristian Zapata foi um dos seguros de vida da Udinese, realizando uma época absolutamente espantosa e confirmando o olho de Guidolin para lançar jogadores desconheciso. Por fim, Walter Samuel continuou a demonstrar em Milão que é um dos duros do jogo, mas foi também a sua fortaleza psicológica que ajudou o Inter a encetar a sua quase milagrosa recuperação.

 

 

Médios

Danielle De Rossi, Antonio Nocerino e Javier Pastore

 

A dupla do miolo do Palermo, composta pelo italiano Antonio Nocerino e o argentino Javier Pastore, foi um dos grandes aliciantes da temporada. Nocerino explodiu finalmente depois de épocas perdidas entre Genoa e Juventus. Na Sicilia transformou-se no patrão de jogo que o Palermo necessitava e a sua associação com o superlativo Pastore foi determinante para a boa época dos insulares. Pastore, por outro lado, foi um dos nomes individuais próprios do torneio. O argentino é indiscutivelmente um dos melhores do mundo no seu posto e a titulo individual talvez só Alexis Sanchez e Edison Cavani tenham estado à sua altura na competição de este ano. Também em grande esteve o vice-capitão da AS Roma, Daniele De Rossi. Já não é novidade, mas De Rossi foi fundamental na recuperação dos romanos face à habitual intermitência de Totti à frente do conjunto da capital. Uma excelente temporada.

 

Outros: Parte da solidez defensiva do Napoli de Mazzari passou pelo trabalho de Walter Gargano. O uruguaio foi pedra angular na estratégia de jogo dos napolitanos, soltando Marek Hamsik – outro dos nomes próprios do ano - na transição ofensiva enquanto cobria as habituais subidas de Maggio. Em Parma a grande estrela jovem do Calcio, Sebastian Giovinco voltou a fazer das suas. Destroçou a “sua” Juventus e voltou a demonstrar aos mais cépticos que é um nome com um futuro tremendo. Por fim uma palavra para Kevin-Price Boateng. O titulo do AC Milan começou a ganhar forma quando Allegri apostou, definitivamente, no ganês como trequartistas rossonero, dando equlibrio e tranquilidade a uma equipa até então demasiado partida em dois.

 

 

Avançados

Edison Cavani, Antonio Di Natale e Alexis Sanchez

 

Tridente de luxo que define bem o poder dos clubes mais pequenos em recrutar jogadores de grande classe que passam debaixo do radar dos grandes da prova. O Napoli apostou forte em Edison Cavani e ganhou a aposta com juros. Juntamente com Hamski e Lavezzi, o uruguaio explodiu como goleador e homem chave na corrida dos napolitanos a um scudetto que acabou por não suceder. Foi um dos melhores marcadores do torneio, sobretudo com golos chave que mantiveram vivo o sonho do titulo até bem perto do fim da época. Também com bilhete para a Champions, a Udinese contou com um duo espantoso no ataque. O italiano Di Natale voltou a confirmar-se como um goleador nato, vencendo o prémio de Capocanonieri com 28 golos, apesar dos seus já 33 anos. Ao seu lado o jovem chileno Alexis Sanchez foi o parceiro perfeito desta dupla, tanto pelos golos como pelas assistências, transformando-se num dos nomes mais cobiçados do futebol mundial. Certamente que será uma baixa de luxo para a campanha do próximo ano em Friuli.

 

Outros: Solto dos espartilhos tácticos de José Mourinho, o camaronês Samuel Etoo foi mais decisivo do que nunca ao serviço do Inter. Durante largos meses marcou com espantosa regularidade e face às lesões de Milito e Pandev, emergiu como o único dianteiro dos neruazurri. Com a chegada de Pazzini, autor de uma boa primeira volta com a despromovida Sampdoria, perdeu em protagonismo e espaço que o italiano aproveitou para conseguir marcar algumas gestas impensáveis. Destaque também para Alessandro Matri que saltou do Cagliari para a Juventus sem deixar de fazer o que melhor sabe, marcar.

 

 

 

Treinador

Walter Mazzari

 

Pegar numa equipa tão modesta como o Napoli e fazer dela candidata ao titulo é algo quase impensável para a maioria dos técnicos. Mas Walter Mazzari superou as expectativas e confirmou o que já deixava antever desde os seus dias como técnico da Sampdoria. Ele é, provavelmente, um dos mais completos técnicos italianos e a forma como montou o esquema de jogo do Napoli, num falso 3-5-2, com Cavani e Lavezzi como elementos mais adiantados e Hamsik como pensador de jogo, surpreendeu pela agressividade do planteamento. Mazzari desafiou os grandes de Milão como nenhum clube modesto foi capaz nos últimos 20 anos e tarde ou cedo será campeão, possivelmente ao leme daqueles que esteve perto de bater.

 

Outros: Primeiro ano no banco do AC Milan e primeiro titulo. Massimiliano Allegri foi uma das revelações da época passada ao serviço do Cagliari e com um Milan montado e reestruturado em detalhe não teve grandes problemas em conquistar o scudetto. Mesmo assim ficou a sensação de que Allegri poderia ter sido campeão com mais solvência se tivesse apostado, desde o inicio, por um esquema de jogo mais coerente e menos mediático. Grande época a realizada por Francesco Guidolin que conseguiu o êxito histórico de qualificar a Udinese para a prévia da Champions League. Fica o aviso do que sucedeu à Sampdoria mas é de esperar que o técnico mantenha as suas grandes armas, com a inevitável excepção de Sanchez. No outro extremo de Itália, nota mais para Delio Rossi. Apesar de ter sido despedido em Fevereiro – inexplicavelmente – o técnico acabou por ser “recontratado” dois meses depois para garantir um final de época tranquila a uma das equipas que melhor joga em Itália, o Palermo de Pastore e companhia.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:27 | link do post | comentar

3 comentários:
De Joao K. a 8 de Junho de 2011 às 14:43
O Milan é campeão e só mete um jogador no 11? Creio que Abiatti, Seedorff e Ibrahimovic mereçam outra consideração.


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Junho de 2011 às 14:53
João,

Como disse no artigo de ontem, o AC Milan é campeão mas não é, propriamente, um campeão entusiasmante. Foi o melhor, mereceu o titulo e isso não está em disputa, mas confesso que o melhor futebol veio dos pés de jogadores que actuam em equipas, ditas, de segunda linha.

Não foram Cavani ou Di Natale mais importantes e determinantes que Ibrahimovic, que passou de jogos geniais a exibições absolutamente mediocres? Não foi Seedorf uma figura inconstante até que, finalmente, Allegri se decidiu a colocar Boateng a seu lado, enquanto Pastore, Sanchez, De Rossi e até mesmo Hamsik foram mais regulares e até mesmo, espectaculares.

Quando a Abbiatti, podia concordar perfeitamente com a tua ideia, mas é um guarda-redes que não me transpira confiança nem determinação ao contrário de De Sanctis, Sirigu e, sobretudo, o imenso Handanovic, todos eles determinantes nas óptimas épocas das suas equipas. Provavelmente qualquer seleccionador apostaria primeiro em Sirigu, De Sanctis e até mesmo Marchetti do que no titular do AC Milan, por muito competente que tenha sido (e foi-o claro).

um abraço


De Joao K. a 9 de Junho de 2011 às 17:34
O Ibrahimovic acho que foi o factor X para o AC Milan ser campeão, mais do que marcar golos ou fazer assistências primorosas, foi preponderante na preparação mental da equipa, não é por nada que por onde ele passa o clube é campeão.

Quanto ao Abbiati, também pensava assim como disseste, mas este é daqueles casos que quanto mais velho melhor, foi preponderante em jogos importantíssimos, mostrou grande regularidade e foi o guarda redes menos batido. Na minha opinião foi o melhor guarda redes de todos os campeonatos.

Quanto ao Seedorf, sou suspeito porque tenho veia holandesa, as o Seedorf é dos ultimos poetas que andam por ai, além daqueles pés ainda mostrou grande disponibilidade fisica sendo uma peça nuclear na segunda volta.

Mas aceitam-se perfeitamente as tuas escolhas, pois Napoles, Udinese, Palermo e Lazio revelaram muitos jogadores este ano.

Abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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