Sábado, 4 de Junho de 2011

 

 

Guarda Redes

Victor Valdés

 

Terceiro Zamora consecutivo (quarto na sua carreira) diz tudo sobre o ano de Victor Valdés. Apesar de ainda não ter chegado ao nivel de perfeccionismo de Iker Casillas, o guardião do Barcelona é cada vez mais uma peça nuclear na estrutura de Guardiola. É o primeiro avançado, instruido a começar os lances com atenção cirurgica à rapida movimentação do tridente da frente, Valdés começa a assimilar de forma definitiva os processos do “Futebol Total” que os anteriores guardiões no Camp Nou foram incapazes de compreender. Um salto de qualidade notório e uma frieza de aço fazem o resto.

 

Outros: Iker Casillas continua a ser o guardião espanhol mais completo naquela que é provavelmente a geração de ouro de uma escola que remonta aos dias do divino Zamora. Este ano o capitão dos merengues voltou às suas defesas habituais apesar do estilo de jogo da equipa de Mourinho ter garantido muito menos trabalho do que aquele a que estava habituado. Do outro lado da capital o jovem David De Gea confirmou tudo aquilo que deixara antever na época passada e foi, por direito próprio, um dos nomes mais em foco durante a temporada. O inicio de época foi melhor que o final mas, de qualquer forma, ficou a confirmação de que De Gea é um caso sério de precocidade desportiva.

 

 

Defesas Laterais

Andoni Iraola e Marcelo

 

Na notável época do Athletic Bilbao, de regresso às provas europeias, é forçoso relembrar a imensa temporada realizada por Andoni Iraola. O lateral basco é um dos valores mais seguros do futebol espanhol e foi um poço de regularidade durante toda a época. Fez dele o corredor direito de San Mamés, associou-se sempre bem com Martinez, Llorent e Toquero e marcou vários golos fundamentais na corrida europeia do histórico clube basco.

Marcelo foi provavelmente a grande revelação da temporada. Já tinha deixado vários destelhos do seu talento individual mas se algo marcou as suas primeiras épocas em Madrid foi a sua inconstância. Sob o comando de Mourinho, igualmente suspeito dos seus defeitos, o lateral cresceu e afirmou-se como o melhor lateral esquerdo do futebol actual. Determinante na manobra ofensiva, acertado na organização defensiva, Marcelo foi muitas vezes o desbloqueador, o sócio perfeito para Ozil, Di Maria e, sobretudo, Cristiano Ronaldo. Foi um dos jogadores do Real Madrid mais em forma durante toda a época e pela primeira vez o Brasil pode pensar na sucessão de Roberto Carlos.

 

Outros: Daniel Alves é um excelente lateral ofensivo mas em 2010/11 voltou a demonstrar sérios problemas nas tarefas puramente defensivas. Em mais de uma ocasião deixou a sua defesa em apuros e não fosse o habitual trabalho de limpeza de Piqué e os seus riscos calculados podiam ter deixado uma factura maior. Os seus habituais teatros no terreno de jogo começam igualmente a tornar-se repetitivos e a manchar a imagem de um dos melhores jogadores do futebol actual. No lado oposto ao comportamente de Alves está o seu colega de equipa, Eric Abidal. O francês viveu na primeira volta os melhores meses da sua carreira desportiva e transformou-se num seguro de vida útil mesmo quando deslocado para o miolo. O tumor que soube fintar em tempo recorde prejudicou a sua época mas demonstrou o estofo de um jogador profundamente infra-valorizado na estrutura culé.

 

 

Defesas Centrais

Ricardo Carvalho e Gerard Piqué

 

A aquisição de Ricardo Carvalho pelo Real Madrid demorou cinco anos mas finalmente concretizou-se. E trouxe ao clube merengue a estabilidade defensiva que de tanto careceram os projectos anteriores. Aos seus 32 anos Ricardo Carvalho realizou uma das suas melhores épocas individuais, não dando em nenhum momento ideia de que a sua melhor etapa já passou. Combinou bem com Pepe, Ramos e Albiol, foi o homem de confiança de Casillas e até marcou golos decisivos sem fazer muito ruido. Não foi ele que o Madrid perdeu o titulo mas também foi, e muito, por Gerard Pique que o Barcelona o ganhou. Sem o seu parceiro de sempre, tantas vezes afastado por lesão, e com a ala esquerda constantemente em remendos, Pique teve de ser mais do que nunca o patrão do quarteto defensivo blaugrana. Foi-o com classe, atitude e liderança sem nunca abdicar do seu habitual papel na primeira construção de jogo da equipa de Guardiola. Piqué assinou talvez a sua época mais completa porque, na adversidade, soube sempre crescer.

 

Outros: Pepe ficará para a história por ter sido o anti-Messi perfeito durante 280 minutos. Mas a sua época foi muito mais do que isso. Permitiu à defesa do Real Madrid jogar avançada, na antecipação e muitas vezes tornou-se no construtor de jogo dos merengues com as suas antecipações e cavalgadas pelo miolo do terreno. Mourinho fez fincapé na sua renovação e a verdade é que, com ele em campo, a equipa joga sempre melhor. Destaque igualmente para a grande revelação de Albert Botia. O jovem central que Guardiola não quis provou ao serviço do Sporting Gijon que tem nivel para equipas de primeira linha. É um dos jovens centrais espanhóis com maior margem de progressão e há em Can Barça quem pense já na possibilidade de o recuperar antes que o preço dispare.

 

 

 

Médios

Borja Valero, Xavi Hernandez e Mezut Ozil

 

Xavi Hernandez continua a ser o número um como constructor de jogo mas o posicionamento de Messi no desenho ofensivo blaugrana retirou parte do protagonismo do último passe ao génio de Terrasa. Mesmo assim Xavi continua a ser o santo e senha do jogo do Barça, o seu fiel de balança, e apesar dos problemas fisicos que foi sofrendo ao longo do ano, peça chave na conquista do titulo. Em Madrid a grande sensação do ano foi, sem dúvida, o génio imenso de Ozil. O turco-alemão deslumbrou com o seu toque de bola, passes precisos e golos repletos de magia que deram um toque de classe que os merengues não viam desde os dias de Zidane. Faltou-lhe mais consistência e regularidade, mas sem dúvida que é à volta dele que tem de girar o jogo do Real. Por fim, filho da “Fábrica”, Borja Valero foi um dos jogadores a seguir durante todo o ano. O médio do Villareal pautou o ritmo do jogo da equipa de Garrido e assume-se, cada vez mais, como o sucessor moral na Roja do número 6 do Barcelona.

 

Outros: Julio Baptista definiu o ritmo trepidante da segunda volta com golos, assistência e esperança. Resgatou o Malaga do poço e voltou a lembrar aquele médio possante que ajudou a redifinir o Sevilla moderno. En San Sebatin o talento de Xabi Prieto e Antoine Griezmann ajudaram a Real Sociedad a realizar uma época que superou as expectativas de muitos enquanto que em Barcelona o médio do Espanyol Javi Marquez confirmou-se como o sucessor do histórico de la Peña, que anunciou a sua retirada.

 

 

Extremos

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi

 

Não havia outras escolhas possíveis. São os dois melhores jogadores individuais do mundo, os dois anuncios-vivos da Liga BBVA e as grandes figuras das equipas mais mediáticas do futebol actual. Messi foi decisivo no titulo do Barcelona, com o seu reposicionamento no coração do jogo de toque blaugrana, e brindou os adeptos com alguns dos grandes momentos do ano, desde o seu golpe de oportunidade em Mallorca à espantosa recuperação defensiva no duelo contra o Atletico de Madrid, no Camp Nou. Se muitos se queixam, e com razão, de que o Barcelona se messianisa cada vez mais, asfixiante outras possibilidades de jogo, a verdade é que o argentino respondeu como nunca. A sua nemésis, Cristiano Ronaldo, superou-o em golos mas não acabou por ser tão determinante na corrida pelo titulo. O português atingiu números escandalosos numa liga de top do futebol moderno. Marcar 41 golos, bater o recorde histórico de Zarra e Hugo Sanchez, não é para qualquer um e o posicionamento de CR7 no esquema de Mourinho potenciou, ao máximo, a fome de golos do português. Mas onde Cristiano ganhou com goleador, perdeu como assistente e canalizador de jogo, algo que tanta falta fez aos merengues em muitos dos jogos onde perdeu pontos. Ronaldo foi a figura individual por excelência da prova mas para o ano deverá crescer mais no seu jogo colectivo para, finalmente, re-ultrapassar Messi, menos goleador mas mais eficaz e solidário com os colegas de equipa.

 

Outros: Viver à sombra do duelo Ronaldo-Messi não é fácil mas a regularidade exemplar do espanhol Santiago Cazorla, o espirito “potrero” do argentino Angel Di Maria e o renascimento da eterna promessa mexicana Giovanni dos Santos – chave na recuperação do Racing - não podem passar desapercebidos.  

 

 

 

Avançado

Giuseppe Rossi

 

O dianteiro italiano do Villareal foi um dos must see do ano. Combinou à perfeição com Nilmar e companhia e soltou-se, definitivamente, dos rótulos que trazia de pouco eficaz. Foi o terceiro melhor marcador do torneio, a anos-luz dos numeros estratosféricos de Messi e Ronaldo, mas foi também o autor de alguns dos movimentos mais deliciosos da temporada. Um avançado italiano atipico para um projecto que continua a consolidar-se graças a descobertas como a do ex-Man Utd.

 

Outros: Felipe Caicedo foi, a par de Julio Baptista, o melhor jogador da segunda volta. Quase sozinho decidiu a permanência do modesto Levante, equipa que caminhava no ultimo lugar em Dezembro e que acabou o ano bem perto dos postos europeus. Ao serviço do Espanyol o argentino Osvaldo foi também uma das sensações da época, contribuindo para a óptima época dos “periquitos” e é mais do que certo que para o ano esteja noutras paragens. Por fim, uma palavra para Roberto Soldado. O avançado que ninguém quer, nem o Real Madrid nem a selecção espanhola, foi também o melhor marcador espanhol da prova, depois de Villa, e um dos abonos de familia do Valencia. Continua a surpreender pela sua regularidade goleadora.

 

 

Treinador

Josep Guardiola

 

Ganhar três ligas consecutivas não é para qualquer um. Josep Guardiola há muito que tem um lugar garantido na história do jogo. Esse êxito é só mais um pretexto para louvar, um ano mais, o imenso talento do técnico do Barcelona. Guardiola foi, este ano, mais fiel do que nunca à filosofia do Dream Team. Conseguiu com Villa o dinamismo ofensivo que perseguiu desde que decidiu abdicar de Etoo e voltou a apostar todas as fichas em Messi, oficializando a sua transformação táctica no coração do jogo blaugrana. Aguentou a pressão de Mourinho, montou uma equipa acente, sobretudo, na regularidade, e conquistou o titulo a três jogos do fim com imensa classe.

 

Outros: José Mourinho falhou, pela primeira vez na sua carreira, vencer a liga no seu primeiro ano ao serviço de um novo clube. Mas isso não esconde o imenso trabalho que realizou em Madrid. Até Dezembro os merengues eram, claramente, a equipa mais em forma da liga com um futebol ofensivo e atractivo. Depois chegou o desgaste da Copa del Rey e da Champions, os pontos perdidos com os pequenos e o fim das ilusões. Para Mourinho (e para o Real Madrid), o segundo lugar é um mau resultado, mas a época do português foi de primeirissimo nivel. O ano também deixou claro o talento de Juan Carlos Garrido, o treinador que confirmou o Villareal como a quarta potencia da liga espanhola com um modelo de jogo profundamente ofensivo mas também o labor indiscritivel de Luis Garcia técnico de um Levante que estava à beira da despromoção e que acabou perto do sonho europeu.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:25 | link do post | comentar

19 comentários:
De Paulo a 6 de Junho de 2011 às 14:40
Não consegue falar do Barça sem mandar as habituais "farpas".
Opiniões são opiniões, mas deixar o Dani Alves, talvez o 2º maior desequilibrador do Barça a seguir a Messi, por troca com um lateral mediano como Iraola é no mínimo estranho. Ainda por cima justificando-o com as falhas defensivas quando coloca do outro lado um lateral muito pior defensivamente. Depois manda a habitual boca do teatro ao Dani Alves, escusada, injustificada (o Pepe toca-lhe no lance polémico, por amor de Deus estude um pouco de física!!!) mas em relação ao "Animal" Pepe só tem elogios...
Enfim, é claro o seu incómodo a falar do Barça e é pena porque quando se abstrai dos seus ódios pessoais escreve muito melhor.

P.S. isto para não falar de outras decisões muito como deixar Iniesta e Villa de fora sequer de uma menção honrosa, Busquets claramente o melhor trinco em posse fora da equipa, etc, etc, etc.


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Junho de 2011 às 18:03
Paulo,

Um "onze do ano" é sempre um problema e acaba por ser uma escolha profundamente subjectiva. Se considera que um "onze do ano" de uma liga se deva resumir a citar o 11 do campeão, está no seu total direito, é uma escolha subjectiva sua.

Tanto Busquets como Villa e Iniesta são jogadores superlativos, do melhor que existe. Mas como avançado considero que Rossi esteve por cima num clube inferior e claro, considero que Ozil foi mais determinante na época do R. Madrid do que Iniesta na do Barcelona. Quanto a Busquets, só não está porque considero que um jogador como Borja Valero merece uma menção especial.

Em relação a Dani Alves, a minha opinião é bastante clara, excelente jogador, péssimo desportista. Teve o seu pior ano desde que está em Espanha e muitas vezes deixou Piqué completamente só ante o perigo. O que vale ao Barça é que tem em Piqué o melhor central do Mundo de longe para tapar esses "buracos" que Iraola não deixa. Pode não ser determinante no processo ofensivo, mas defensivamente é muito mais competente que o brasileiro. E a posição em questão é de lateral-direito, Dani Alves é como Roberto Carlos, um dono de corredor eximio mas que funciona melhor do meio campo para a frente do que para trás. Por isso o brasileiro do R. Madrid nunca chegou ao nivel de Maldini ou Bremhe, por exemplo.

um abraço

PS: Não se incomode tanto com o que penso ou deixo de pensar do Barcelona, acho que no texto de resumo da Liga deixei claro a superioridade deste Barça. Que é preciso mais, uma foto minha com o equipamento vestido e uma vénia a um quadro de Guardiola? Por favor, ás vezes há limites...


De Paulo a 6 de Junho de 2011 às 18:53
Não percebeu nada do que eu disse, eu mostrei o ridículo que é nem sequer falar de jogadores como Iniesta, Busquets e Villa, não disse que os tinha que colocar como titulares. Não falar deles é incoerente e demonstra que não gosta do Barça, Não precisa de dizer que são os melhores, mas não considerar que estão entre eles é ridículo!
Quanto ao Dani Alves, enfim só demonstra a tremenda azia. O Dani é mau desportista porque você insiste que simula não sei o que (embora duvide que consiga apresentar exemplos disso), já um selvagem que agrediu barbaramente colegas de profissão mais do que uma vez é um senhor central, ou o Marcelo que agrediu várias vezes o Busquets com calcadelas e murros nas costas merece a titularidade. É completamente incoerente, a única razão para não colocar o Dani é porque não gosta dele porque qualquer pessoa do mundo sabe que o Iraola nem para lhe limpar as botas tem categoria!
Enfim, o seu blog é que perde com estas embirrações!


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Junho de 2011 às 19:38
Paulo,

O blogue não perde, é a sua essência, e se há leitores que não estão de acordo têm duas opções muito claras e não creio que seja necessário dizer quais são.

Um Onze da Liga, tanto da espanhola como de qualquer outra, inclui jogadores que se destacaram em vários clubes e várias realidades. O mundo do futebol não é só feito de Barcelonas. O trabalho do Caicedo, Osvaldo e Soldado tem muito mais mérito que o de Villa, por exemplo. Não está em causa quem é melhor jogador, senão nem valia a pena fazer este tipo de onzes. Está em causa relembrar o que de melhor os diferentes angulos da prova nos podem oferecer. Claro que Iniesta é melhor que Javi Marquez, mas talvez não tenha sido tão influente no seu mundo como foi Javi Marquez no seu. Num espaço limitado, fazem-se escolhas. No onze inglês não menciono os 11 do United, nem no italiano os 11 do Milan, nem no alemão os 11 do Dortmund apesar de serem, muitos deles, jogadores de primeiro nivel.

É ao contrário, essa obsessão com que tudo tem de girar á volta do Barcelona que, honestamente, é repetitiva.

Quanto ao Dani Alves, não há muito a dizer. Se não vê as entradas, as simulações e o espectáculo extra-futebol que o brasileiro monta, isso é consigo. Agora não espere que eu veja o mundo pelos seus óculos, a minha graduação é diferente. E quanto ao Pepe, é um central duro, mas não é anti-desportivo como são Busquets e Alves, melhores jogadores mas desportistas com muito a desejar (e isso que no Barcelona têm óptimos exemplos a seguir como o grande Puyol, um jogador maravilhoso).

Agora Paulo, se cada vez que vier comentar é para usar termos despectivos como "azia" e andar ás voltas da mesma lenga-lenga de se o Barça isto e o Barça aquilo e o mundo é cego e etc.., então confesso que já não tenho muita paciência!

cumprimentos!


De DC a 7 de Junho de 2011 às 09:22
Miguel, eu não quero entrar muito nesta polémica porque já lhe dei a minha opinião algumas vezes e também penso que tem complexos com o Barça mas depois de ver o que diz sobre o Dani e o Pepe não posso ficar calado.
Veja este vídeo e diga outra vez que o Pepe é um jogador agressivo mas leal! Por amor de Deus, como o Paulo referiu duvido que consiga enumerar exemplos sobre o que diz sobre o Dani mas em relação ao Pepe as provas são mais que claras!
Como portista é o único jogador na história do clube que me envergonha dizer que jogou no Porto!

http://www.youtube.com/watch?v=11enIeWNJbE


Que não goste do Dani admito, agora não tente colocar a sua honra como jogador ao nível do "animal", isso fica-lhe mal!


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Junho de 2011 às 10:51
DC,

O Pepe, como muitos jogadores, comete erros infantis. A agressão ao Casquero foi um dos espectáculos mais lamentáveis que já presenciei e o castigo que sofreu podia ter sido bem maior. Nada a dizer.

O que digo de Dani Alves digo-o quando este ainda jogava no Sevilla. Tem uma atitude anti-desportiva recorrente que passa por entradas fora de tempo, simulações recorrentes e declarações despropositadas. É, para mim, o exemplo de como um grande, grande jogador, porque na sua posição é top, depois se perde em detalhes que só lhe retiram mérito. Tal como sucede com Busquets, jogador superlativo, desportista mediocre. A mim não me fica mal pensar isso, é a minha opinião, e as opiniões não estão certas nem erradas, simplesmente estão aí e não é por dizerem o contrário que eu mudo a minha.

Compilar um video (em catalão, ainda por mais, depois sou eu que embirro com o Barcelona como se o Barcelona não embirrace com o mundo) com algumas entradas absolutamente merecedoras de vermelho, não muda a imagem que eu tenho do jogador. Hierro também era assim, lembro-me bem que foi expulso imensas vezes, e no entanto ninguém se lembrou de chamá-lo animal. Continua a acreditar que é um jogador muito agressivo, com entradas fora de tempo, mas na sua essência leal.

Até os anjos, como Messi, de vez em quando se lembram de atirar bolas contra a cara de espectadores.

um abraço


De DC a 7 de Junho de 2011 às 11:19
Miguel está a querer comparar coisas incomparáveis!
Simuladores há muitos e infelizmente acaba por ser uma coisa hoje me dia normal no futebol. Dani Alves talvez, mas também Di Maria, Coentrão, Moutinho (felizmente agora menos), Liedson, o famosos piscineiro João Pinto, Jardel, Cristiano Ronaldo no seu início no Man Utd and so on and on and on.
è feio mas não põe em causa a integridade física do colega.
Agora querer comparar o que o Pepe tem feito a simulações??!! Tenha bom senso por favor.
O lance com o Casquero é talvez o lance mais bárbaro já visto no futebol, mas há mais!! Como é possível partilhar um balneário um ano inteiro com o Lisandro Lopez e depois fazer-lhe aquilo?
E chega ao ponto inclusive de falar dum remate para a bancada para comparar a essa violência bárbara?

Aliás deixe-me dizer que a sua argumentação em relação ao Dani para forçada - "entradas fora de tempo, simulações recorrentes e declarações despropositadas" - as tais entradas fora de tempo embora mais uma vez gostasse de ver exemplos já que não me recordo de nenhuma em especial, penso que qualquer defesa lateral na sua carreira as deve ter; as simulações, mais lobby de Madrid que outra coisa (só mesmo os madrilenos poderiam forjar um vídeo para tentar convencer alguém que o Pepe não lhe toca); as declarações, quando o Puto Jefe Moutinho as faz chamam-lhe jogos psicológicos...

Enfim Miguel não me vou alongar muito mais porque há coisas que são tão evidentes que nem precisam de sustentação, mas repito uma coisa é você não gostar ou mesmo odiar o Dani (o que diga o que disser é por demais evidente), outra coisa é querer coloca-lo como um jogador violento e anti-desportivo baseando-se numa mão cheia de nada!
Eu não sei, se calhar sou eu que sou diferente, mas prefiro que um jogador passe por mim e simule uma falta do que me calque, pontapeie ou me tente partir uma rótula, mas isso sou eu que sou esquisito...


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Junho de 2011 às 12:20
DC,

Admiro muito o Dani Alves como jogador e se fosse treinador provavelmente estaria no topo das minhas prioridades. O seu estilo de jogo ajudou a definir o modelo actual de Guadiola como nenhum outro, à parte de Messi, porque permitiu essa constante mutação táctica durante os jogos que fazem do Barça uma equipa especial.

Mas como profissional não gosto nada dele e isso passará sempre, como passava com JV Pinto, com Cristiano Ronaldo, com Di Maria, Liedson, etc... São tipos de jogadores com uma atitude que me enerva. O meu estilo de jogo, a minha cultura desportiva é assumidamente britânica e por isso tenho mais paciência com jogadores mais agressivos e até violentos (como Roy Keane, Paulinho Santos, Fernando Hierro...) do que jogadores com comportamentos que considero anti-desportivos.

Isso não invalida o talentoso que é Alves nem o imbecil que muitas vezes é Pepe, mas também por Pepe ser o que é não está no 11, porque é acima de tudo um central que está a anos-luz do talento cirurgico de Carvalho e do genial defesa total que é Piqué.

Um abraço


De DC a 7 de Junho de 2011 às 12:43
O Pepe tem condições físicas impressionantes, tivesse ele metade do cérebro do Carvalho e seria um dos melhores defesas da história!


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Junho de 2011 às 14:03
DC,

Totalmente de acordo, mas a sua natureza mudou pouco desde os dias do Maritimo. Lembro-me de um lance em que se envolveu com o Deco no Funchal em 2003 que se assemelha em muito ao seu estilo de jogo actual.

O Ricardo Carvalho é um dos jogadores mais subvalorizados da última década, pertence a um clube restricto de defesas de primeirissimo nível, nestes últimos dez anos nenhum lhe foi verdadeiramente superior, talvez com a excepção de Piqué, que mesmo assim tem que melhorar muito o seu jogo aéreo.

um abraço


De DC a 7 de Junho de 2011 às 11:53
Já agora a minha equipa seria:
Valdes
Dani
Piqué
Carvalho
Marcelo
Busquets
Xavi
Ozil
Iniesta
Messi
Ronaldo

naturalmente com Pep a treinador :)


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Junho de 2011 às 12:14
DC,

Isso foi precisamente o que tentei evitar, um 11 só de Barças-Madrid. É evidente que são os clubes com melhores jogadores mas há mais na Liga com valor que muitas vezes passa desapercebido, especialmente para quem só vê alguns jogos ao ano.

Em qualidade individual esse seria também o meu 11, sem tirar nem por (incluindo o Alves), mas gosto de lembrar que Villareal, Bilbao, Espanyol, Levante ou Valencia também tiveram uma época de altissimo nivel ;-)

um abraço


De DC a 7 de Junho de 2011 às 12:42
Sim, eu percebi isso por isso é que não contestei as suas escolhas, apenas aquela questão do Alves.
Há grandes jogadores em Espanha mas sem dúvida que cada vez mais, tal como em Portugal há 2 clubes no topo e os restantes a lutar pelas sobras.
Mas o Villarreal é uma equipa que adoro ver jogar e apesar de ter levado 5 foi a que mais problemas criou ao Porto este ano!


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Junho de 2011 às 14:04
DC,

O Villareal é uma excelente equipa e acima de tudo, um excelente projecto desportivo. Tanto Rossi como Nilmar, Cazorla, Borja, Bruno, Gonzalo e Diego Lopez (ou o lesionado Senna) são jogadores de primeiro nivel com lugar em quase qualquer equipa do planeta.

um abraço


De TAU a 7 de Junho de 2011 às 12:13
Iraonde?


De Ricardo a 7 de Junho de 2011 às 21:16
Concordo com todas as escolhas excepto com a do Valdés. Acho-o um guarda-redes bom numa excelente equipa. O de Gea ou o Casillas , que foi considerado o melhor guarda-redes do ano pela IFFHS , são muito mais preponderantes nas suas equipas do que o Valdés.


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Junho de 2011 às 08:19
Ricardo,

Concordo que tecnicamente Casillas é um guarda-redes superior a Valdés. Mas o guardião do Barça é uma peça fundamental na engrenagem do jogo blaugrana e um dos melhores exemplos da evolução do Rijkaard Team para o Pep Team. Com Guardiola Victor Valdés começou a seguir a escola holandesa, a jogar bem com ambos pés, a saber ser o primeiro avançado e ultimo defesa, mais do que um simples guarda-redes. O troféu Zamora é uma consequência da excelente equipa onde está (num grande colectivo as individualidades são sempre potenciadas, veja-se Messi) mas também é um "portero" de primeirissimo nível e com uma atitude que espelha bem esse misto de querer, arrogância e inteligência que pauta o jogo desta equipa.

um abraço


De Ricardo a 8 de Junho de 2011 às 12:04
Não concordo. Acho que o Valdés tem algumas falhas técnicas que são disfarçadas pelo facto de estar numa (grande) equipa que aprecia a posse de bola e que se lança em ataque contínuo. Valdés raramente é chamado a intervir, até porque, à sua frente, encontra-se uma muralha quase impenetrável cujo único calcanhar de Aquiles é o lado onde Dani Alves defende. É um bom guarda-redes que se esforça muito, sem sombra de dúvida, mas está longe ser um grande guarda-redes ou de ser preponderante, como disseste, no sistema táctico do Barça. Ocorre-me uma série de guarda-redes muito mais completos que Valdés que sabem jogar muito bem com os pés e saírem-se da baliza para compensar o avanço da última linha defensiva. Julgo que Valdés é mais um símbolo da escola e da mística blaugrana do que propriamente um jogador fundamental no sistema táctico.


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Junho de 2011 às 12:45
Ricardo,

Este ano, principalmente pela baixa de Puyol e pelos erros de marcação defensiva do Alves, a verdade é que Valdés teve de entrar mais vezes em acção do que o habitual. O jogo com o Shaktar foi um excelente exemplo disso, a forma como ocupa o espaço é preponderante nesse jogo. Casillas e De Gea, tecnicamente melhores, raramente saem da pequena área mas são mais chamados a entrar em acção porque as equipas onde jogam não cultivam tanto a posse de bola.

No modelo de jogo do Barça, onde todos têm de saber defender e atacar, Valdés é importantissimo porque decide o primeiro lance ofensivo (na meia-final da CL em Barcelona ele rasga todo o posicionamento defensivo do RM) e ao mesmo tempo dá essa segurança ao quarteto defensivo para subir no terreno e defender mais perto da linha de meio campo.

Em suma, para mim é um guarda-redes com algumas falhas técnicas, não tão competente nesse campo como outros, mas importantissimo neste Barça porque acenta que nem uma luva no modelo de jogo de Guardiola.

um abraço


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