Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

 

 

 

 

Guarda Redes

Manuel Neuer

 

Depois do Mundial o nome de Neuer começou a fazer parte do vocabulário habitual de qualquer seguidor da Bundesliga. A verdade é que há muito que o guardião era pedra angular no Schalke 04 e em 2010/11 voltou a sê-lo durante todo o ano. Mesmo quando a equipa caía no fundo da tabela. Defesas impossiveis, um espirito de liderança incontestado e um talento notorio e ineg+avel, o trabalho de Neuer durante todo o ano foi de primeiro nivel e não surpreenda ninguém que em Munique estejam desejosos de contar com um sucessor à altura de Kahn depois de várias experiências falhadas.

 

Outros: Até à sua lesão, a finais da época passada, Rene Adler era consensualmente o guarda-redes alemão mais aclamado. Mas o Mundial e a notável época de Neuer atiraram com o número 1 do Bayer Leverkusen para a sombra. Mesmo assim a sua temporada foi memorável e Adler foi sem dúvida peça chave em garantir o apuramento automatico do modesto clube de Leverkusen para a próxima Champions League. Nas redes do campeão um velho veterano. Weidenfeller foi imenso durante todo o ano e a sua experiência transformou-se num verdadeiro seguro de vida para os homens de Klopp que se sagraram nos campeões mais jovens da história da Bundesliga.

 

 

 

Defesas Laterais

Daniel Schwaab e Christoph Pogatetz

 

Rápido e certeiro, Daniel Schwaab foi um quebra cabeça para defesas, extremos e avançados durante toda a temporada. O lateral de 22 anos faz parte da geração campeã da Europa de sub-21 pela Alemanha em 2009 e parece finalmente estar a cumprir o muito que então já prometia. Rápido, certeiro na marcação individual, preciso nos cruzamentos, é o protótipo do lateral total que a Mannschafft certamente irá aproveitar para os próximos compromissos internacionais. Do lado oposto da defesa, o austriaco Pogatetz foi a personificação da preserverança e disciplina. Elemento chave da defesa do Hannover 96, uma das surpresas do ano, o lateral soube quando tinha de atacar, quando tinha de defender e quando subia no terreno permitindo uma maior profundidade de jogo ao meio-campo de Hannover, uma das equipas fetiche do torneio.

 

Outros: Anders Beck continua a ser um dos laterais de moda do futebol alemão e quem seguiu a temporada do defesa do Hoffenheim entende bem porquê. Rápido, bom sentido de colocação e determinado, Beck tem todas as condições para dar o salto a um grande e também, porque não, a aspirar a mais minutos na Manschaftt. Em Munique o histórico Philip Lahm continua a ser um caso à parte. No naufrágio colectivo do conjunto bávaro ele foi sempre um dos elementos mais regulares durante a época evitando, vezes sem fim, males maiores para o Bayern.

 

 

 

 

Defesas Centrais

Matt Hummells e Andreas Wolf

 

Alguém no Bayern Munchen deve perguntar-se diariamente o motivo da dispensa daquele que é já o mais promissor central do futebol alemão da última década. Hummels não vingou no Allianz Arena mas foi aproveitado, e de que maneira, pelo Dortmund de Kloop. Com boa saida de bola, precisão cirurgica no desarme e um espirito de liderança anormal para um central tão jovem, Matt Hummels foi peça nuclear na conquista do titulo. Joachin Low ainda não se viu totalmente convencido pelo estilo de jogo do central, às vezes demasiado directo, mas tarde ou cedo Hummels será uma presença segura na Mannschaft.

No Nuremberg o grande destaque do ano foi a época realizada por Andreas Wolf. O capitão do clube bávaro, o jovem de ascendência russa leva 10 anos ao serviço do clube. Esteve na 2. Bundesliga e foi fundamental na promoção do conjunto histórico. Este ano surpreendeu tudo e todos e realizou uma época quase perfeita lembrando que no jovem futebol alemão ainda há centrais da velha escola ao mais alto nível.

 

Outros: O sérvio Nenad Subotic consolidou-se como um dos melhores centrais do futebol europeu e a sua parceria com Hummels foi chave para a segurança defensiva do campeão alemão. Howedes confirmou no Schalke 04 todo o optimismo que rodeou os seus primeiros anos e é já uma figura de referência no futebol alemão. O ganês Isaach Vorsah foi uma das agradáveis surpresas da prova, sempre um degrau acima dos demais.

 

 

Médios

Arturo Vidal , Nuri Sahin e Shinji Kagawa

 

Não é por acaso que Jupp Heynckhes está a fazer de tudo para que o Bayern Munchen roube o chileno Arturo Vidal aos quadros do Leverkusen. O médio foi o pulmão e fiel de balança da modesta equipa vermelha e negra e um dos jogadores mais consistentes do torneio jornada após jornada. Depois de um ano de adaptação, Vidal finalmente explodiu e tornou-se num caso sério para seguir bem de perto. Algo que os adeptos do Borussia de Dortmund terão de fazer à distância com Nuri Sahin. O médio turco-alemão confirmou, cinco anos depois da sua estreia, com apenas 16 anos, que é um dos jogadores europeus com maior futuro. Foi a alma e coração dos campeões alemães e do seu magnifico pé esquerdo sairam alguns dos momentos mais inesqueciveis da temporada. Quem parece que fica, por enquanto, é o japonês Kagawa. Contratação surpresa, o médio avançado chegou da segunda divisão nipónica para impor-se com contundência no miolo do carrossel ofensivo da equipa de Kloop. Mais inconstante que Sahin, foi no entanto o seu melhor parceiro.

 

Outros: Apesar do sofrimetno até ao final, o Borussia de Monchenlagdbach contou nas suas fileiras com alguns dos jogadores jovens mais excitantes do ano. Destaque especial para Marco Reus, um médio formado na cantera do Dortmund e que encontrou no outro Borussia o espaço necessário para explodir. No Schalke 04 a reviravolta começou, em parte, quando Alexander Baumjohann, um médio incisivo e dinâmico que funcionou perfeitamente como escudeiro de Raul e Farfan. Em Leverkusen o outro grande destaque do ano foi o jovem médio Lars Bender, irmão gémeo de Sven Bender, jogador do Dortmund. Herdou o lugar de Michael Ballack quando o capitão se lesionou e tornou-se no parceiro perfeito de Vidal na temporização do jogo do Bayer.

 

 

 

Extremos

Thomas Muller e Mario Gotze

 

O jovem Muller passou a prova do primeiro ano e confirmou tudo aquilo que podia esperar dele. Foi um dos reis de assistências da Bundesliga, o segundo melhor marcador do Bayern (à frente de Ribery, Robben e Olic) e revelou-se fundamental na conexão ofensiva com Gomez. Descaído pela ala direita, sempre com propensão a apostar em diagonais rumo à baliza, Muller foi um dos grandes atractivos individuais do torneio. Do outro lado da barricada, Gotze foi a grande revelação. Apenas 19 anos e já uma confiança para comer o mundo, o extremo esquerdo do Borussia Dortmund representou tudo aquilo que fez do clube de Kloop campeão alemão. Uma época para encadernar.

 

Outros: Kevin Grosskreutz é um dos rostos por excelência deste novo Borussia Dortmund. Jovem, atrevido, rápido, hábil com ambos pés, o seu jogo lateral foi uma das armas preferidas do conjunto vestfaliano para driblar as defesas rivais. Sem dúvida um dos jogadores alemães a seguir com máxima atenção. Tal como o pequeno Lewis Holtby. Sem espaço, aparente, no seu Schalke 04, foi em Mainz que se encontrou mais cómodo do que nunca e ajudou, com os seus passes de golo e tentos decisivos, a levar o modesto clube saxão a um posto europeu depois de ter sido, durante largas jornadas, o único rival do Borussia.

 

 

Avançado

Mario Gomez

 

Em 2010 ficou a sensação de que os 30 milhões que o Bayern Munchen tinha pago por Mario Gomez tinham sido mal gastos. Ivica Olic tinha sido o homem de confiança de van Gaal e até o veterano Klose tinha mais minutos nas pernas que o dianteiro. Este ano tudo foi diferente. Gomez soltou-se e começou a fazer o que sabe melhor. Começou a marcar em Setembro e não parou até Maio, confirmando o seu titulo de melhor marcador do ano com uma solvência inusitada. Foi um dos poucos jogadores do Bayern que sobreviveram à péssima gestão desportiva dos bávaros e a sua imagem saiu reforçada dentro da selecção alemã.

 

Outros: Notável época de Cissé, um verdadeiro goleador que disputou cada lance como se fosse o último da sua vida. Os seus registos, com uma equipa modesto como o Freiburg, agrandam ainda mais a sua lenda. O espanhol Raúl decidiu trocar a comodidade da Castellana pelo duro mundo do Veltins Arena. Brilhou mais na Europa e na Taça Alemã do que na Bundesliga, mas deixou também detalhes de enorme classe e talento que o avalam como um dos grandes dianteiros da história. Ao serviço do campeão, Lucas Barrios voltou a demonstrar que é um predador de área de alto nível. Com os seus golos o titulo do Borussia ficou mais fácil.

 

 

Treinador

Jurgen Kloop

 

O futebol alemão deve muito a este jovem técnico que decidiu desafiar o establishment com um mecanismo de jogo electrizante. Kloop recebeu o desafio de pegar no clube com maior apoio popular da Bundesliga, sem dinheiro para investir, e voltar a encontrar o caminho da vitória. E fê-lo com um estilo muito próprio, descomplexado, atractivo e profundamente atacante. O Borussia de Kloop é uma máquina de ataque afinada, apoiada numa média de idades tremendamente jovem para a alta competição, e que entrará certamente na galeria das grandes equipas que venceram a Bundesliga. O grande desafio passa por sobreviver ao saque que já começou no Westfallenstadion dos seus melhores craques.

 

Outros: Jupp Heynckhes voltou a mostrar que é um técnico que sabe fazer funcionar um projecto. O modesto Bayer Leverkusen começou o ano sem a sua referência, o regressado Michael Ballack, mas ninguém notou. O técnico que para o ano estará, uma vez mais, no Allianz Arena, montou um bloco equilibrado, sólido e foi o único que aguentou o ritmo do Borussia de Dortmund até perto do fim. Thomas Tuchel, técnico do Mainz, e Mirko Slomka do Hannover 96, foram rostos dessa nova vaga de jovens técnicos que com poucos meios e muita imaginação são capazes de desafiar, sem piedade, o status quo da ocmpetição.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:24 | link do post | comentar

4 comentários:
De ZPT a 2 de Junho de 2011 às 15:32
Excelente post! Sugiro apenas a correcção de três lapsos, o nome do treinador do Dortmund é Klopp e não Kloop, e o de Subotic não é Nenad mas Neven, e o Mainz é um clube renano e não saxão. De resto, como pessoa que foi privada de acompanhar, a par e passo, a Bundesliga, desde que nos tiraram o Ran e a SAT1, muito obrigado pelo brilhante resumo da época.


De Miguel Lourenço Pereira a 2 de Junho de 2011 às 16:58
ZPT,

Tens toda a razão no Klopp e no Neven (confundo com Nenad que é uma velha alcunha que traz dos dias de juniores). Quanto ao Mainz, toda a razão claro, lapsus geográfico.

é uma liga que, verdadeiramente, vale a pena seguir.

um abraço


De Joao K. a 2 de Junho de 2011 às 15:38
Acompanhei muito de perto a Bundesliga até porque é o meu campeonato favorito, a aposta na formação está a dar os seus frutos e este 11 revela isso mesmo, a maioria são formados no futebol alemão.
Já agora deixo o meu 11 e suplentes:

Neuer/Baumann

Piszsek/Schwaab
Hummels/Howedes
Subotic/Pogatetz(jogou maioritariamente como central)
Schemelzer/Fuchs(Grande jogador - Mainz)

Sahin/Schweinsteiger
Vidal/Schmiedbach
Mario Gotze/Holtby

Robben/Muller
Reus/Schrurrle
Gomez/Cissê.


De Miguel Lourenço Pereira a 2 de Junho de 2011 às 17:00
Joao,

As camadas jovens alemas são as mais interessantes do futebo europeu sem dúvida. Concordo com todos os nomes que citas, mudamos algumas prioridades (o Pogatetz joga bem nas duas posições e como centrais tinha já dois nomes fixo mas o Fuchs também é mt bom)!

um abraço


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