Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

A revolução amarela deu nova cor ao espectáculo da Bundesliga.

No ano em que o campeonato alemão superou, finalmente, a Serie A e entrou no pódio das ligas mais importantes do Velho Continente, uma velha glória mostrou o seu melhor rosto e revolucionou por completo a hierarquia do futebol teutónico. O triunfo esmagador do Borussia de Dortmund é o espelho perfeito deste novo futebol alemão.

 

Mais do que nunca a Bundesliga assemelha-se à realidade dos anos 70, a década gloriosa do futebol germânico. Futebol de ataque, futebol que aposta na juventude local, futebol com as contas controladas ao máximo. Futebol para todos.

No estádio mais emblemático do torneio a festa foi amarela e durou todo o ano. Contra as expectativas o Borussia de Dortmund, uma equipa que há um par de anos esteve bem perto da falência, ressuscitou. Sob o mandato de Jurgen Kloop, o técnico de moda da Bundesliga, o equivalente clubistico a Joachin Low – até no estilo de gentleman alternativo e descomplexado que desafia os velhos canones alemães -  a vitória do Dortmund foi inequivoca. Uma equipa profundamente ofensiva, insultantemente jovem e com os pés no chão, o Borussia foi tudo o que o seu histórico rival, o Bayern Munchen não conseguiu ser. Kloop apostou, como tem sido hábito, na prata da casa e a maturidade ganha nos últimos anos começou a dar os seus frutos. Hummels e Subotic foram os patrões da defesa, Sahin, Bender os pendulos do miolo, Gotze e Grossekreutz as asas do ataque e Kagawa e Barrios os implacáveis goleadores. O Borussia não só se assenhoreou da Bundesliga como manteve o ritmo durante todo o ano chegando rapidamente à liderança da prova para não mais a perder. Vitórias complicadas em Munique, Bremen, Gelsenkirchen ou Leverkusen foram suficientes para abrir um fosso que Kloop soube gerir até ao fim. O titulo foi talvez o mais saboroso da história do clube porque, pela primeira vez, foi ganho com a prata da casa e não com os milhões gastos em formar as equipas de 1995 e 2002. Até nisso o Borussia soube encarnar na perfeição os novos tempos.

 

Do outro lado do espelho, o Hollywood FC, como é conhecido jocosamente o Bayern Munchen, voltou a demonstrar a sua tremenda irregularidade. Depois de um ano histórico, van Gaal perdeu o controlo do balneário e a sua equipa, marcada pelas lesões de Robben e Ribery e os afastamentos de Demichelis e van Bommell (que sairiam em Janeiro), andou durante grande parte do ano perdida no meio da tabela. Os golos de Gomez e o imenso trabalho de Muller foram os catalizadores da recuperação dos bávaros mas ficou claro que o projecto do Allianz Arena precisa de definir as suas prioridades futuras. Heynckhes será o encarregado de recomeçar do zero deixando atrás de si um Bayer Leverkusen mais forte do que nunca. Depois de três anos o pequeno clube de Leverkusen assumiu-se definitivamente como equipa da parte alta da tabela. Muito material jovem bem trabalhado, uma gestão financeira e desportiva impecável e algumas contratações círurgicas, e este Bayer terá todas as condições para sobreviver à saída do seu treinador.

O mesmo não se pode dizer, de antemão, dos grandes candidatos ao titulo que foram ficando pelo caminho e que acabaram, vergonhosamente, por limitar-se a lutar pela salvação até ao fim. Schalke 04, Werder Bremen, Stuttgart e, sobretudo, Wolfsburg, foram as máximas decepções do ano. Se os de Gelsenkirchen salvaram a época com as performances na Taça e Champions League, os restantes não tiveram forma de limpar uma péssima imagem. O Wolfsburg teve mesmo de sofrer até ao último dia e sem Diego e Dzeko, para a próxima época, reeditar o titulo de 2009 transforma-se ainda mais numa utopia.

 

Longe do descontrolo deste quarteto, a Bundesliga voltou a demonstrar que é provavelmente o torneio mais equilibrado e bem organizado das grandes provas europeias. Clubes sem um grande orçamento mas muitissimo bem geridas, souberam carimbar o seu bilhete europeu com solvência e determinação. O caso perfeito encontra-se em Mainz, onde o modesto clube local pareceu ser a sombra do campeão Dortmund durante meia época. O trabalho de Thomas Tuchel, o talento da dupla Holtby-Szalai e o espirito colectivo de uma equipa que muitos condenavam à despromoção transformaram o Mainz na sensação do torneio. Em menor medida, mas utilizando a mesma receita, o Hannover 96 passou de ser uma equipa sem ambição a um claro candidato europeu sem grandes nomes no plantel mas com uma gestão humana absolutamente exemplar. E que dizer, igualmente de Hoffenheim, Nuremberg e o recém-promovido Kaiserlautern, equipas que souberam superar constantemente as expectativas. No lado oposto o sofrimento do modesto St. Pauli, o clube alternativo de Hamburgo, e do histórico Eintracht Frankfurt (despromovido na última jornada depois de ter passado grande parte do ano em postos de salvação), numa das lutas pela manutenção mais equilibradas dos últimos anos, falam bem da competitividade do torneio que para o ano voltará a ter um representante da capital.

 

A Bundesliga é, claramente, a liga mais rejuvenescida e dinâmica dos campeonatos europeus. Ao contrário dos seus rivais directos as assistências aumentaram, os contratos televisivos repartem de forma equitativa os lucros e os clubes estão, pela primeira vez em muito tempo, a aproveitar ao máximo os productos da sua formação, a melhor da Europa actualmente. A habitual indecisão que pauta o futuro do torneio garante que um Dortmund envolvido na Champions League e sem algumas figuras terá uma labor complicada para repetir o titulo. Por tudo isso, e muito mais, a nova época já aquece e ninguém é capaz de antever quem celebrará o titulo daqui a um ano.


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Miguel Lourenço Pereira às 10:24 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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