Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Por alturas do Natal havia pouca gente que imaginasse Sir Alex Ferguson a festejar o seu 19º titulo. O tal que lhe permitia ultrapassar o Liverpool. A promessa, realizada em 1986, foi cumprida. Demorou 25 anos, mas a partir de agora ninguém pode questionar o titulo de maior clube inglês aos Red Devils. E cuidado, porque Ferguson não tem previsto retirar-se tão cedo...

 

Foi o último ano de Gary Neville e Edwin van der Saar. Também Paul Scholes, Ryan Giggs e Rio Ferdinand estão mais perto do fim das suas carreiras do que nunca. E pelo meio houve a novela Rooney, onde muitos questionavam realmente se Ferguson ainda era capaz de mandar no balneário de Old Trafford. Com uma equipa repleta de gladiadores e miúdos com poucos jogos importantes nas pernas, a debilidade deste plantel do Manchester United parecia evidente. E no entanto este acabou por ser um dos títulos mais fáceis da década para Ferguson.

Ganho com nove pontos de avanço e lado a lado com uma histórica campanha europeia que só terminou aos pés do melhor Barcelona, o triunfo  caseiro do Man Utd destroçou as previsões da esmagadora maioria dos analistas. Muito graças ao Chelsea, que se foi afundando na classificação a partir de Dezembro e, sobretudo, ao espírito (ou melhor, à falta dele) do Arsenal, que a certa altura parecia ser o rival a bater. Os gunners acabaram num deprimente quarto lugar, perderam a final da League Cup e cedo saíram da Champions League demonstrando, uma vez mais, a fraqueza psicológica do projecto de Arsene Wenger. Se essa foi a debilidade do Arsenal (e em certa medida do City de Mancini, mesmo depois de 400 milhões gastos em estrelas internacionais), essa foi também a fortaleza do United. Muitos empates fora, muitos poucos pontos perdidos em casa e uma solidez mental tremenda definiram a temporada. Os golos de Berbatov (ao inicio) e de Javier Hernandez (no fim) confirmaram a tremenda eficácia atacante de uma equipa que contou com o melhor Nani e um superlativo Vidic. O titulo mais do que merecido foi confirmado com uma vitória sobre um Chelsea totalmente perdido nas suas próprias dúvidas existenciais.

 

Se a equipa de Ancelloti parecia talhada para o bicampeonato, o arranque da época confirmou todas as expectativas à volta dos Blues.

O Chelsea não parava de golear, impondo o seu estilo de jogo musculoso e fluido, e abria uma brecha pontual considerável com os rivais. E depois, do nada, começaram as derrotas e os empates em Stanford Bridge e os problemas físicos de Lampard, Drogba e Terry para minar o esqueleto do conjunto londrino. O castelo de cartas montado pelo técnico italiano desfez-se no dia em que Abramovich decidiu intervir e pagou o impagável por Fernando Torres, a agonizar no Liverpool. O dianteiro espanhol marcou 1 golo em meia temporada ao serviço do Chelsea mas a sua presença imposta afastou Drogba do onze e revolucionou a estrutura ofensiva dos campeões. Foi o erro da temporada e Ancelloti pagou caro a sua falta de mão dura perdendo um posto que, mesmo quando há vitórias, parece amaldiçoado desde a saída de José Mourinho.

Por outro lado, em Eastlands, o Manchester City deu um salto qualitativo considerável, mais graças ao jogo de Carlos Tevez do que há gestão de Mancini. O outro Manager italiano da prova nunca conseguiu gerir o imenso balneário (e também teve o seu Torres na forma do bósnio Dzeko) e a hipótese de conquistar o primeiro titulo em 40 anos rapidamente se desfez com tropeções inesperados ainda na primeira volta. O City acabou por salvar a época com um notável sprint final que lhe deu o terceiro posto e o apuramento directo para a Champions League. Graças ao Arsenal, em queda livre absoluta, uma equipa desorientada e perdida que tem de mudar drasticamente a sua politica desportiva se não quer correr o risco de cair no erro do Liverpool. Os Reds viveram com Hogdson dias de inferno e só o regresso de Kenny Dalglish devolveu a ilusão e esperança à Kop. Atrás veio a habitual caravana europeia de Aston Villa, Everton, Fulham, Sunderland, Newcastle e West Bromwich Albion, as equipas que escaparam ao sofrimento dos últimos dias. Num mundo à parte caminhou quase sempre o Tottenham. Com um dos melhores planteis da Premier, a equipa de Harry Redknapp não demonstrou ter pernas para caminhar entre Champions e Liga ao mesmo ritmo e acabou por perder por pouco o acesso aos milhões europeus, conformando-se com um quinto posto que, no entanto, abre boas perspectivas para a próxima temporada.

 

A queda do West Ham Utd acabou por não surpreender ninguém. Apesar de contar com um excelso Scott Parker no miolo, os históricos hammers, sob o comando do israelita Avram Grant, mostraram uma insegurança constante em Upton Park e nunca deram sinais de inverter a queda livre na tabela a partir do Natal. No ultimo dia juntou-se-lhes o modesto Blackpool, a equipa que ninguém queria ver despromovida (muito por culpa do estilo original de Ian Holloway, o seu treinador) e o Birmingham City. Curiosamente os de Birmingham carimbaram, através da Taça da Liga, um lugar na Europe League, onde não estarão nem Liverpool, nem Everton nem os rivais vizinhos Aston Villa.


Categorias: ,

Miguel Lourenço Pereira às 08:23 | link do post | comentar

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Fundamental.
EnfoKada
Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


FUTEBOL MAGAZINE. revista de futebol online


Futebol Magazine


Traductor


Ultimas Actualizações

Toni Kroos, el Maestro In...

Portugal, começar de novo...

O circo português

Porta de entrada a outro ...

Os génios malditos alemãe...

Be right back

2014, um Mundial de parad...

Brasil vs Alemanha, o fim...

Di Stefano, o jogador mai...

Portugal, as causas da hu...

Últimos Comentários
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
En el libro último de Carlos Daniel ni siquiera se...
.Xavi e o melhor jogador meio campista atual e da ...
.Xavi e o melhor jogador meio campista atual e da ...
Posts mais comentados
69 comentários
64 comentários
47 comentários
Arquivo
.Do Autor
Cinema
.Blogs Portugueses
4-4-2
A Outra Visão
Açores e o Futebol
Duplo Pivot
Foot in My Heart
Futebol Finance
Futebol Portugal
Lateral Esquerdo
Leoninamente
Minuto Zero
Negócios do Futebol
Pitons em Riste
Porta 19
Portistas de Bancada
Reflexão Portista
TreinadorFutebol
.Blogs Internacionais
Os mais destacados blogs internacionais de futebol
.Imprensa Desportiva
Edições Online Imprensa
Aviso

Podem participar nesta tertúlia futebolistíca enviando os vossos comentários e sugestões à direcção de correio electrónico: Miguel.Lourenco.Pereira@gmail.com


Bem Vindos a Em Jogo...


Nota



O Em Jogo informa os leitores que as fotos publicadas não são da autoria do weblog sendo que os seus respectivos direitos pertencem aos seus legítimos autores.



Siga o Em Jogo através do:

Follow Em_Jogo on Twitter


Em Jogo

Crea tu insignia

Bem vindo!

Categorias

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO