Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Um dia, numa tertúlia organizada pelos Cahiers du Cinema, o então critico Jean-Luc Godard surpreendeu a mesa afirmando que o "travelling é uma questão de moral". Uma frase nuclear para entender a filosofia do movimento Nouvelle Vague, essa sensação de superioridade moral que Godard sentia que acompanha o seu trabalho e os dos restantes elementos do movimento. O futebol contemporâneo podia perfeitamente reunir-se à mesa e ouvir algo similar. "A posse de bola é uma questão de moral"! Em Barcelona tentam vender essa superioridade intelectual mas o futebol está repleto de muitas morais...

 

 

 

Há uma histeria colectiva no ar. Irrespirável por certo.

Talvez o mesmo grito surdo que tinha rasgado os ouvidos de tantos no passado. O futebol está repleto de espartanos. De bárbaros. De egípcios preguiçosos. Mas há só uma Atenas. Uma reluzente capital da razão, do conhecimento, da verdade absoluta. Barcelona quer ser a Atenas do futebol mas para sê-lo antes tem de convencer o mundo que todos somos bárbaros, espartanos, persas, egípcios e ignorantes. E que devemos contemplar e adorar a luz da razão sem queixume. Os ensinamentos de Sócrates, Platão, Aristóteles são hoje as palavras de Cruyff, Xavi ou Rexach. Claro que Guardiola, nisto, não é como Temistocles, arrogante até ao fim.

Essa histeria que Can Barça propaga ganhou adeptos na imprensa. O jogo bonito, o tiki-taka inventado por um cronista espanhol já falecido, que a morte outorga esse sentido poético às coisas, parece que irrompeu do nada nas pernas dos culés. E que se tornou no seu  producto exclusivo. Ninguém consegue entender a verdade a não ser eles da mesma forma que o champagne não é champagne senão cava. Alguns estão lá perto. Arsenal, Dortmund, Villareal...mas mesmo estes, em confrontos directos, são indignos da verdadeira luz. Ouvir hoje Xavi Hernandez, talvez o melhor jogador espanhol da história, é algo profundamente comovedor. A roçar o ridículo. O centro-campista que pauta o jogo da escola blaugrana quer emergir como o arauto dessa verdade absoluta e impoluta. Depois de cada jogo sobe ao púlpito e discursa com a fleuma de um orador ciceriano. Fala dos indignos, das tácticas violentas e desproporcionadas, da ignorância e fraqueza humana e intelectual do rival e da superioridade moral de uma ideia de que só ele, e os que são como ele, podem falar com total propriedade. É fácil ouvir os seus sequazes com o mesmo discurso, mesmo os mais traquinas Alves, Valdés e Busquets, que passam tanto tempo nos palcos dos anfiteatros atenienses, perdão, barceloneses, que ganham dotes interpretativos especiais. Essa mensagem ganha eco com a imprensa, sempre com sede de semi-deuses, e do público que em geral come o que lhe dizem para comer e não protesta. Não pensa. E pior de tudo, não tem memória. Cruyff fala na sua posse de bola como Godard falava dos seus travellings. Com ele a câmara era uma arma. Com Cruyff a bola também. A Nouvelle Vague resultou curiosa, teve um ligeiro sucesso comercial e depois matou-se a ela mesma com uma série de sofríveis filmes que terminaram com o enterro de uma ideia. Mas a intelegentzia, a critica, continuou a adorá-la e aos seus herdeiros. Em Barcelona logrou-se o mesmo. Por muito mal que seja a performance ela será adorada porque assim o diz o senhor. Ou a razão iluminada, que por aqueles lados acaba por ser o mesmo.

 

Esses atenienses, como os do passado, estão de tal forma isolados que vivem numa concha, alheios ao resto do Mundo.

Talvez, no meio de tudo isto, Guardiola seja aquele que melhor percebe esta realidade. Afinal, ao contrário dos seus, ele correu mundo e ouviu antes de agir. Ouviu Bielsa, ouviu Capello, ouviu Sacchi, ouviu Van Gaal, ouviu Ferguson, ouviu..pasme-se, Mourinho. E percebeu que como na vida também o futebol tem muitas morais. E nenhuma é superior à outra. A moral da bola, a moral do espaço, a moral do golpe, a moral do homem, a moral da defesa, a moral de... Um sem fim de narrativas com o seu passado, presente e futuro. O futebol inglês que dominou o futebol europeu durante tantos anos nunca precisou da moral de Cruyff para atingir o brilhantismo. A mágica geração italiana dos princípios dos 60 e mais tarde, do final dos anos 80 e princípios da década seguinte fez da posse de bola algo supérfluo se o espaço era ocupado devidamente. E essa sua moral também, hellas, triunfou. Talvez Cruyff se lembre dessa longa notte em...imagine-se, Atenas. Esses 4 golos sofridos foram em si uma lição de moral. Há travellings que têm de parar em algum momento.

Falava Godard ao ver Hiroshima, Mon Amour, essa bela obra inaugural da filmografia de Alain Resnais. Podia falar Cruyff do último Real Madrid vs Barcelona que hoje à noite se repete, pela segunda vez em quatro tentativas de evangelização. Porque, não nos enganemos. O Barça já não joga futebol: evangeliza. Educa o futuro. Quando Messi chuta a bola contra os adeptos rivais, ri e depois muda por completo a expressão facial, está a evangelizar. A fazer com que o Mundo acredite que o seu semi-Deus actual (como já foram Ronaldinho, Rivaldo, Figo, Ronaldo, Romário...todos não-catalães, todos mercenários da nova Atenas) é incapaz de cometer tal acto. É tudo um engano, tudo um erro de percepção. O "Messias" caminha sobre as águas mas nunca terá tanta humanidade em si para perder a cabeça como, digamos, um falso Ronaldo.  E para calar bocas, as paredes dissolvem-se, o discurso muda e começamos a ouvir o chavão, sempre o mesmo eterno chavão. O de melhor equipa de todos os tempos.

Será que alguém nas redações realmente perdeu todo o seu tempo a ver todas as equipas da história? Será que uma equipa em actividade pode comparar-se a projectos fechados e focalizados no seu próprio tempo e espaço. O Liverpool do final dos anos 70 não foi também a melhor equipa de todos os tempos? O Real Madrid do final dos 50? O AC Milan de Sacchi? O Inter de Herrera? O Manchester de Busby ou o de Ferguson valem? Lá Maquina do River? O Ajax de Michels?E as selecções da Hungria, Austria, Brasil, Alemanha, Uruguai, Argentina, França, Holanda? Que fazer com todas essas equipas que nasceram, cresceram, morreram e tudo sem evangelizar. Eram espartanos, bárbaros, egípcios ou persas? Não nos deixam saber.

Falamos de uma equipa cujos feitos em titulos se reduzem a conceitos básicos do futebol contemporâneo, feitos que nem sequer destoam do seu historial particular ou do país em geral. Falamos de um estilo de jogo que também não inventou nada. O Dream Team de Cruyff já tinha aplicado o modelo de rondo central. O Milan de Sacchi já tinha instrumentalizado o poder da pressão defensiva. E Messi não inventou a posição de falso-avançado. Foi um tal Hidegkuti, em Wembley, num mitico Inglaterra-Hungria. Mas não digam a ninguém, serão queimados como hereges.

 

 

 

Ao poderoso Barcelona cabe hoje mais um duelo com os violentos espartanos. Uma equipa que não sabe jogar futebol porque não bascula lateralmente durante hora e meia à procura que o rival se canse, adormeça como a ler um livro de Proust, e abra espaços na defesa. Não, ai dos espartanos que gostam dos quatro toques antes do grito de guerra. Os espartanos italianos e ingleses migraram para Madrid e plantam cara à inigualável Atenas. Por essa Europa fora os demais bárbaros, persas e egípcios esperam a sua hora. Também eles são evangelizados à distância com essa filosofia do toque curto, do futebol lateral, do teatro dos seus interpretes e da eficácia de uma equipa que precisa de fazer quatro vezes mais passes para chegar ao mesmo objectivo que o rival: o golo, afinal o que realmente importa nisto do futebol. Mas não digam a ninguém, não contrariem a palavra do senhor. Sentem-se no sofá e recebam o evangelho blaugrana, sintam-se inferiores porque a vossa equipa não tem a capacidade intelectual de João César Monteiro. Afinal a moral deles, dos que têm a luz, é essa. Fazer sentir todos os outros nas trevas. Até que surgem flamantes dispostos a iluminar o mundo e resgatá-los desses espartanos e desse passado vergonhoso de um desporto que ensinou Camus a ser Homem.



Miguel Lourenço Pereira às 04:42 | link do post | comentar

38 comentários:
De Samuel Cruz a 20 de Abril de 2011 às 09:06
Excelente artigo.
Cada vez mais querem fazer passar a ideia de que o único projecto futebolístico valido é o do Barcelona o resto é lixo não presta o que me começa a irritar.
Hoje em dia chegar à baliza em 6/7 toques é lixo. O que interessa é chegar à baliza em 80/90 toques.
Ter 70/80% de posse de bola não é sinonimo de vitoria!!
Eu admiro muito o futebol deste Barcelona mas não ignoro o resto é tão simples quanto isso!!


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Abril de 2011 às 09:27
Samuel,

É precisamente isso. Ninguém discute o génio do Barça, ele está lá é evidente e funciona, os titulos são a prova. O que se discute, e pouco na minha opinião, é essa ladainha quase religiosa da verdade absoluta.

Há muitas formas válidas de jogar futebol e que eu saiba, nenhuma é melhor que outra. Todas têm objectivos e se os cumprem são filosofias de sucesso. A estética e a qualidade não estão intimamente ligadas.

O Barcelona faz escola porque segue uma escola que tem 80 anos e que começou com Jim Hogan. Mas não é, ao contrário do que querem fazer pensar, a única escola.

um abraço


De DC a 20 de Abril de 2011 às 09:08
Normalmente gosto dos seus textos mas este... péssimo, terrível, chega a ser ridículo!
Mais não é que uma demonstração evidente de azia face ao sucesso do Barça e da selecção espanhola.
O Barça e os "seus" não são arrogantes, são bons! Arrogante é quem justifica os sucessos alheios com calendário, árbitros e até doping! Arrogante é quem diz que o Villa é caro porque não marca golos e depois leva 5 com 2 golos dele.
E esta é a melhor equipa da história, quer lhe doa muito ou pouco. Os resultados comprovam-no, nunca uma equipa foi tão dominante e tão bela ao mesmo tempo!

P.S. dizer que a táctica do Barça é sonolenta só pode vir de duas situações: ou se enganou no canal e ligou para o jogo defensivo do Real, ou não sabe o que é futebol de ataque! (E não, o Barça não faz só passes lateralizados é provavelmente a equipa com mais passes em progressão na direcção da baliza (que é diferente do charuto para a frente))


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Abril de 2011 às 09:35
DC,

Obrigado pelas visitas, por gostar dos outros textos e não gostar deste. São opiniões, este artigo mais do que qualquer outro, mas não um problema de azia.

Pergunto-lhe directamente: quando não concorda com alguma coisa tem sempre azia? quando vê que há algo que não lhe quadra, um discurso que não engole no seu dia a dia, sente azia? Não me parece.

Eu estudo o futebol, a história do futebol, a essência do futebol e já vi futebol que chegue para perceber a qualidade deste Barcelona, e já escrevi sobre isso muito neste blog, é fácil reler. Não tenho azia nenhuma, não trabalho para o Real Madrid nem tenho particular interesse em vitórias merengues, um clube pelo qual nunca nutri particular simpatia.

Mas quando me vêm à porta vender uma Biblia como se fosse a luz eu fecho a porta, não como tudo o que me dizem nem acredito em verdades absolutas por muito que haja outros que sim.

Este Barcelona é uma grande equipa mas nem é a única nem será única nem inventou nada. Os resultados? Por ganhar uma CL, 2 ligas (ou 3) e uma Taça? Mas se há equipas no tempo com curriculus infinitamente melhores e jogando igual de bem? Alguma vez viu jogos (não falo de resumos de 1 minuto) das equipas que citei em cima? Todas com CV´s impressionantes, que engolem o deste Barça e todas com futebol de primeiro nivel.

Que as pessoas vejam pouco futebol, particularmente pouco futebol de há alguns anos, não é problema meu. Eu vi e isso dá-me, para mim, uma visão alargada do que é ser "o melhor de todos os tempos". E não acredito que uma equipa no activo possa sequer chegar a esse estatuto, veremos quando acabe o maravilhoso Pep Team onde estará realmente. Porque todas essas equipas que lhe citei foram consideradas como tal nos seus dias...

PS: E sim, este Barça consegue ser uma equipa profundamente sonolenta na minha opinião. E como uma opinião não é melhor do que outra, não é preciso partir para a ironia sem sentido. Eu não pretendo mudar a opinião de ninguém, não me interessa minimamente, mas também não chamo ignorante a quem não pense como eu. Isso é perder argumentos e há tanto por dizer...


De DC a 20 de Abril de 2011 às 11:25
1º-Falei em azia porque é evidente o seu mal-estar e desconforto. Neste texto nota-se que não está a analisar nada de forma isenta, mas sim que tem raiva a este Barça. Quando fala dum Dortmund, Levante e por aí fora, nota-se que está a falar como um estudioso do futebol, neste caso nota-se que fala como adepto!
2º- A Pep team neste momento tem 100% dos campeonatos conquistados, 50% das Champions e 100% chegar às meias finais da Champions. Fora outros troféus de menor dimensão. Gostaria que me indicasse alguma outra com este aproveitamento. Já para não falar do evidente aproveitamento da sua táctica e estilo de jogo pela selecção campeã do Mundo e Europa.
3º- Os únicos jogos que poderiam ser considerados sonolentos do Barça são aqueles em que apanham autocarros de 2 andares a responder com cacetada e pontapé para a frente. Em jogos com equipas que apresentem bom futebol todos os jogos são fabulosos (reveja o arsenal-barcelona se tiver dúvidas). O Barça não tem culpa que o Mourinho jogue com 8 defesas em casa e que das 3 1ªs recuperações de bola na 2ª parte tenha respondido com um pontapé directamente para o Valdés. Uma bailarina de ballet profissional não consegue fazer dupla com um pauliteiro de Miranda!


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Abril de 2011 às 12:09
DC,

Não há nenhuma azia, desconforto e mal estar. Gosto quando ganham os melhores e quando ganha quem merece e até agora nas competições que disputou o Pep Team ganhou o que tinha de ganhar e perdeu onde tinha de perder. A minha irritação, é esse o termo, está no discurso não na equipa e foi isso que não entendeu no artigo. A equipa joga como os anjos, o discurso é diabólico. Eu sou um adepto confesso deste Barça, é só ler os meus artigos pretéritos. De Xavi e Guardiola então nem se fala. Por isso como pode haver azia ou desconforto?

O que eu não engulo, porque tenho esse hábito, é que me queiram vender uma mentira e tentar fazer com que passe pela verdade absoluta. A minha vida não se rege por verdades absolutas muito menos o meu estudo e a minha relação com o futebol. E é esse discurso que me tem, como dizem aqui em Espanha, hasta los cojones!

Em relação ao segundo ponto, é fácil e vem de encontro ao que eu digo: as equipas só se podem analisar objectivamente quando enquadradas no tempo e espaço.
Posso falar-lhe do Ajax tricampeão europeu de forma consecutiva e que inspirou a Holanda de 74? Ou o Bayern Munchen, tricampebo europeu, tetracampeao alemão e co-inspirador (com o Monchenlagdbach, duas vezes vencedor da Taça UEFA, finalista vencido da CL e tricampeão alemão) da Alemanha de 72 e 74? Ou do Real Madrid entre 55 e 60, tricampeão espanhol e pentacampeão europeu com Muñoz? Ou o Benfica de Guttman, bicampeao portugues e europeu em 2 anos?

Os titulos valem o que valem para o adepto mas para o historiador deve ser visto de forma mais cuidada no seu enquadramento tempo e espaço. O Barcelona marcará uma era, disso ninguém tem duvidas, mas como ele houve já tantas outras equipas em tantas outras eras que quem sou eu ou o DC ou quem quer seja para dizer que é a melhor de todos os tempos? Como comparamos as eras? Como comparamos os feitos? O Milan de Sacchi, objectivamente, ganhou pouca coisa e todos falam dele. Porquê? Porque hoje se analisa melhor o seu impacto, 20 anos depois, do que numa era onde as suas vitórias eram até discutidas pela imprensa especializada! Percebe o que quero dizer?

Finalmente o ponto 3. O que é a sonolência futebolistica?
São critérios pessoais DC e o seu sonolento pode ser diferente do meu. Aliás, na minha vida, há muitas sonolências conforme as minhas etapas. Ninguem gosta durante toda a vida do mesmo, as pessoas mudam. Quando era miudo o Dream Team para mim era mágico, hoje revejo os jogos e vejo ali tantas debilidades que me dão raiva não ter visto isso na época. Hoje o meu sonolento é esse. Eu no artigo não falei da qualidade de jogo do Real Madrid, dei-lhes o epiteto de espartanos pela analogia histórica.

Mas cada táctica gera uma contra-táctica e o futebol sempre foi assim e quando não o foi as equipas que não evolucionaram morreram (veja o Brasil de 82 e a sua ausência de contra-tactica depois do 2-2 frente à Itália e percebe). O RM hoje não tem a mesma qualidade de passadores e pensadores do que o Barça e isso todos sabem. Mas tem jogadores que defendem bem, que são rápidos pelos flancos e que precisam de poucos segundos para transformar uma situação defensiva numa oportunidade de golo. São assim e serão assim. Não é normal que, da mesma forma que Pep entendeu que os seus jogadores são de toque e montou o maravilhoso esquema que tem à sua medida, Mourinho perceba o plantel que tem e saque o maximo proveito dele. Ele está lá para ganhar não para entreter e sem ovos não há omeletes. Quando defendo que Mourinho é melhor que Guardiola é porque ainda não vi Guardiola trabalhar sem ovos. Quando o veja posso muito bem mudar de opinião.

O jogo lateral do Barcelona foi-se acentuando com o tempo. O primeiro Pep Team foi mais vertical e ganhava em ter Etoo. Ibrahimovic ralentizou o jogo e o recuo de Messi também. Hoje jogam no erro do rival, nesses espaços abertos pelos rondos laterais e só com defesas nuas - como a do Shaktar e Arsenal que não entenderam o conceito de contra-táctica - conseguem chegar a números de escandalo. O mesmo passou com a Espanha do Euro para o Mundial e é normal porque as equipas rivais entendem isso.

O futebol é evolução, nunca parará neste Barça. Há sempre o outro passo a seguir..

um abraço



De DC a 20 de Abril de 2011 às 19:29
Concordo que tem pontos de vista válidos mas mais uma vez lhe digo que no mínimo aparenta estar condicionado por antipatia pelo Barça.
Diz que os discursos do Barça são arrogantes, pois eu arranjo-lhe os exemplos que quiser de arrogância de jogadores do Real e de muitos outros clubes (e a arrogância com base em nada, ou seja sem títulos, é muito pior!).
Quanto às equipas que referiu sabe perfeitamente que a competitividade dessa altura era muitíssimo inferior à actual. Hoje em dia existem pelo menos uns 15 clubes com orçamentos abismais e planteis de luxo. O Barça aparece como o mais forte de todos eles e certamente enquanto mantiver o treinador continuará na senda dos triunfos.
Quanto à sonolência, se admito que nem todos podem gostar do mesmo estilo de jogo, não compreendo como se pode dizer que o futebol que mais golos marca no mundo é sonolento!


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 13:20
DC,

Uma vez mais, nao existe antipatia nenhuma pelo estilo de jogo nem pela identidade, existe hastio pelo discurso. O discurso dos outros clubes nao sao exemplo, raramente o sao, mas nunca ouvi nos ultimos anos ninguem arreigar-se a possuiar a verdade suprema como em Can Barça.

É isso, e nada mais, que aqui esta em discussao.

Quanto a competitividade discordo totalmente, planteis de luxo nao fazem equipas, o futebol actual é alias bastante pobre em equipas de 1 nivel e nao ha claramente uma real competitividadre. Mais uma vez basta olhar para tras no tempo e ver a competitividade da serie A no final dos 80s e 90s, da First Division nos 70s, da Liga espanhola nos 50, na Alemanha dos 70s e procurar algo similiar hoje e nao encontrar nada do genero. Nada.

Nao sei de memoria qual e a equipa com mais golos este ano mas marcar muitos golos nao implica, desde logo entusiasmo. Depende de como sao os golos, contra quem e em que condiçoes. Citando o grande Brera, o jogo perfeito deveria acabar 0-0. E ha muitos nulos mt, mas mt mais entusiasmantes que muitos 5-0.

Para mim pelo menos.

um abraço


De Anónimo a 20 de Abril de 2011 às 13:44
parabéns pelo post e pelas respostas acima. aliás, muitos parabéns, por vezes é díficil mas a receita é infalível: paciência, respeito e espírito aberto.
e já agora: grande "pase vertical" desde a analogia com a nouvelle vague (toda ela certeira), a referência ao camus (pelo conteúdo), e lá em baixo a frase do shankly.

ps: permita-me: keaton or chaplin? espanha ou itália? emoção foi coisa que nunca faltou no catenaccio o qual sempre lidou com o imponderável de a bola estar no outro lado - o mais racional é ter a bola connosco para ir tiki-taka até ao golo. ou será ao contrário?


De Miguel Lourenço Pereira a 20 de Abril de 2011 às 14:25
Anónimo,

Obrigado pela visita e pelo comentário ;-)

O futebol deve debater-se, o problema são as verdades absolutas que não permitem debate algum. Precisamente depois do Mundial falei da Espanha como a nova Itália e todos perderam a cabeça. Mas não é a Itália quem controla tão bem os tempos e os espaços influenciando o jogo dos demais?

Eu gosto do que me entra e Keaton e Chaplin ou Lloyd e os Marx valem todos a pena. Porquê escolher entre Hawks ou Ford, porquê ter de eligir entre Guardiola e Mourinho, entre a horizontalidade de Xavi e a verticalidade de Ozil? Se podemos desfrutar de tudo, ignoremos as verdades e vivamos na mentira da igualdade, porque a nossa verdade é a única que nos vale realmente.

um abraço


De DC a 21 de Abril de 2011 às 00:07
E já agora, após a derrota sublinho tudo o que já referi anteriormente. Cacetada e contra-ataque. Com arbitragens permissivas é uma táctica eficiente sem dúvida...


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 13:23
DC,

Nao vimos o mesmo jogo de certo. Cacetada ou ocupaçao zonal dos espaços com pressao muito alta que impediu que o Barça entrasse na grande area durante quase 120 mts?

Contra-ataque sim, resposta a uma posse de bola totalmente inconsequente, suporifera e sem ideias. Como dizia Benito Floro, grande tecnico, o Barcelona as vezes parece que nao cria, espera uma deslocaçao do rival para matar o jogo. Sem espaço, sem deslocaçao nao ha um plano B, nao ha um ritmo asfixiante, ha muitas limitaçoes que o Madrid soube explorar bastante bem.

Em suma foi um grande jogo de futebol de parte a parte.

um abraço


De DC a 21 de Abril de 2011 às 14:30
Há ocupação zonal e há o que o Arbeloa e o Pepe fizeram. Quero ver se fazem o mesmo com um árbitro da champions! O arbeloa era expulso pelo menos 3 vezes!


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 14:43
DC,

Tambem vi a entrada de Busquets ao joelho do Alonso, as cotoveladas do Villa e alguns momentos de teatro de outros blaugrana, ha sempre incidencias de ambos os lados e isso ira repetir.se nos dois jogos da CL de certeza.

Confesso que noto a sua preferencia pelo Barça e é normal que se sinta um pouco incomodado com o estilo do Real Madrid, mas o aliciante nisto é o duelo de filosofias, nao realmente quem ganha.

Um abraço


De DC a 21 de Abril de 2011 às 18:18
sim é um duelo de filosofias mais ou menos interessante, mas o que é também inegável e até a imprensa madrilena o admitiu, é que o árbitro dos últimos 2 jogos foi branco.
É muito mais fácil condicionar uma equipa que ataca e domina se nos for permitido fazer todas as faltas que quisermos. Com um árbitro a punir o anti-jogo o Real nem respira.
E para o próximo jogo se for ao Guardiola jogaria mais atrás, para o empate até, para ver o que o Mourinho fará se obrigado a atacar. É que tendo que retirar o autocarro que continuamente estaciona o Barça esmaga-os certamente.
Espero que o Guardiola tenha inteligência para isso, no próximo jogo quem tem que atacar é o Real!


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 18:28
DC,

Totalmente de acordo, o Real Madrid deveria em teoria ter a iniciativa do jogo no Bernabeu mas sera todo o contrario. E isso é o que critico no estilo do Barcelona, a incapacidade de adaptar.se ao rival. Deveria recuar as linhas, procurar o espaço entre as linhas do Real mas continuara igual a si mesmo. E isso permitira ao Madrid fazer o seu jogo, procurando evitar o golo de duplo valor do Barça na eliminatoria. Um 0-0 para o Madrid è um resultado melhor do que para o Barça, dá-lhes a vantagem do eventual golo fora. E acho que o Barça o vai procurar em demasia, confiando na sua superioridade no Camp Nou, deixando muitos espaços atras.

Quanto ao arbitro, o Madrid joga duro, muito duro, mas ha coisas neste anjelical Barça que nao se entendem. Vi Busquets e Villa, mais do que uma vez, a desferirem cotoveladas aos rivais em lances parados. Alves e Busquets sao sobejamente conhecidos por exagerarem muitissimo qualquer lance e se ficaram cartoes por mostrar no jogo de ontem seriam divididos entre as duas equipas, porque parecendo que nao o Barça tambem sabe sacar da navalha, só que de uma forma mais subtil. Ate nisso é mais subtil que o rival. E para "picar" tambem podia pensar que um arbitro europeu se calhar expulsaria (ou daria amarelo) a Messi e ao seu remate à bancada ;-)

Serao dois jogos apaixonantes e o melhor seguira em frente, o melhor sempre ganha, nunca acreditei no contrario a nao ser em casos muito pontuais e justificaveis.

um abraço


De Nuno a 21 de Abril de 2011 às 09:36
Que texto tão idiota!


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 13:24
Até o podia ser Nuno, mas perder uns segundos para escrever apenas isto sem nenhuma ideia parece-me muito mais ainda.

Fica registado, quando trouxer ideias como o DC conversamos.

cumprimentos


De Nuno a 21 de Abril de 2011 às 17:02
Todo o seu texto se baseia numa falácia tão grande como aquela que ataca. Para si, não há verdades absolutas. Implica isto que o futebol do Barça não seja melhor nem pior que o do Real, apenas diferente. O problema é que acreditar que não há verdades absolutas é já, em si, uma verdade absoluta. Ou melhor, achar que não há uma "moral" melhor que outras, que por definição o modelo do Barça não é melhor nem pior que o do Real ou do que qualquer outro, é por si só uma verdade absoluta.

Ou seja, você parte da premissa de que, em futebol, não há modelos melhores que outros. E não a argumenta. Acha que é assim. Uma vez que ataca as verdades absolutas dos outros, parece-me no mínimo idiota que o faça sustentando-se numa verdade absoluta sua.

Sobre isto, apenas gostaria de dizer que o futebol é um jogo. E, como todo o jogo, há maneiras mais eficazes de jogá-lo. O modelo do Barcelona, até à data, é o modelo que joga melhor, de maneira mais eficaz, o jogo. É melhor modelo que o do Real Madrid, não obstante poder perder em confronto directo com ele, ocasionalmente. Mas, a longo prazo, é um modelo que proporciona melhores coisas. Em provas de regularidade, por exemplo, é garantidamente um modelo mais regular e fiável.

De resto, é também idiota acreditar que o Barcelona joga para o lado e para trás, acreditar que os jogadores catalães dão mais toques na bola do que o necessário, e acreditar que esta equipa não tem nada de original. São tantas as coisas que esta equipa ensinou à modernidade do futebol, tantas as "verdades absolutas", para utilizar um termo do seu agrado, que esta equipa derrubou, é tanta a genuinidade, que chega a ser constrangedor ver alguém defender que é apenas uma amálgama de coisas que já tinham sido descobertas. A pessoa que o defende tem certamente uma capacidade muito peculiar de não perceber rigorosamente nada daquilo que está a analisar.

E, por fim, além da idiotia toda que há em comparar esterilmente o futebol com o cinema, ou até com a Grécia Antiga, ainda chega ao cúmulo de associar a leitura de Proust a sonolência. Enfim...

Chega isto de ideias acerca do que há de idiota no seu texto?


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 17:14
Caro Nuno,

Ideias ideias, realmente, vejo muito poucas. Opiniao pessoal muita, mas isso é perfeitamente respeitável.

O que considera idiota é uma percepçao pessoal que para si pode fazer todo o sentido do Mundo, para mim é insignificante. Nao é para si, nem para ninguém, que escrevo, logo o que a si parece idiota como criticar a literatura proustiana, associar historia, arte e futebol num só artigo e pensar de forma contraria à sua filosofia fuebolistics, que pelo tom babado da descriçao o denuncia e, portanto, tolda ja o seu raciocinio, para mim é apenas mais uma opiniao. E nada mais.

Quando se escreve algo contra-corrente é normal encontrar-se com as guardas pretorianas morais da verdade, as mesmas que se babam com as palavras de Xavi que ontem, mais uma vez, sem perceber nada do que o rodeia, diz que só o Barça jogou. Jogou o seu jogo, esse jogo jogam.no eles e muito bem. Mas ha muitas formas, filosofias que podem ser igual de eficazes. A de Mourinho é-o certamente, nao fosse o unico tecnico que bateu ja duas vezes em eliminatorias o modelo do Barça (sim, porque o RM nao tem modelo real, tem-no o seu manager).

Quanto aos juizos de valor de melhor modelo, melhor jogo, voltamos às suposiçoes pessoais e aí para cada opiniao ha uma cor. Estatisticamente o Barcelona bascula a bola mas tem muita dificuldade na criaçao quando nao lhe oferecem o espaço. Se tivesse visto muito futebol, de muitas eras diferentes, perceberia que alem de nao ter aportado nada de novo este Barça que imita, bem, o futebol total, a tecnica de Maslov, o espirito de Sacchi, o posicionamento de Sebes ou a largura de campo de Cruyff, nao consegue desbloquear situaçoes de forma que acaba, como uma equipa regional, com o central como ponta-de-lança na hora do desespero total.

Nao acredito em verdades absolutas e nao evangelizo nem pretendo insultar os meus visitantes descrevendo as suas ideias como algo idiota, tenho é pena das limitaçoes de alguns e da teimosia de outros nao permitir um debate mais a sério. Nao se pode ter tudo.

cumprimentos!


De Nuno a 21 de Abril de 2011 às 18:33
O seu problema é pensar que não se podem criticar as suas opiniões, por serem apenas opiniões. Gostar de Proust não é como gostar de ananás, não depende de critérios pessoais. Por isso, não pode ter a opinião de que Proust causa sonolência. A qualidade literária não depende de critérios seus. Seria o mesmo que querer que os outros aceitassem que você tivesse a opinião de que o Holocausto não aconteceu. E se calhar até quer, não sei. O mesmo se passa em relação a tudo o resto. Você não percebe nada deste Barcelona, para não ir mais longe, e mantém a discussão como a quer, partindo do pressuposto inatacável de que todas as filosofias têm igual valor. O problema é que isto é um jogo e, como tal, as maneiras de jogá-lo não têm igual valor. Ninguém na sua perfeita saúde achará tão válido como o 433 a utilização de um 235, por exemplo. É perfeitamente consensual, nos dias que correm, que uma equipa que ambicione ganhar tudo não pode jogar sistematicamente à inglesa, com futebol directo à procura dos avançados. Há melhores maneiras de jogar o jogo do que outras. Ninguém, em xadrez, abre com os peões dos flancos, por exemplo. Trata-se de um jogo e, como todo o jogo, porque tem regras, tem melhores e piores formas de ser jogado.

A respeito do seu argumento de que o Barcelona tem dificuldades para criar quando lhe tiram o espaço, é natural, qualquer equipa experiencia maiores dificuldades em criar o que quer que seja quando não tem espaço. Ainda assim, o Barcelona é de longe a melhor equipa do mundo a fazê-lo. Agora, você esquece a implicação disso. É que o adversário que tira o espaço para o Barcelona criar condiciona-se, ao fazê-lo. Sim, o Barcelona pode ficar menos eficaz, naturalmente, mas o adversário que provocar isso também o ficará, naturalmente também.

Por tudo isto, quando diz que não acredita em "verdades absolutas", está apenas a ser idiota. Primeiro, não percebe que é precisamente sobre uma "verdade absoluta" que está a agir, ao dizê-lo, depois porque algumas coisas têm "verdades absolutas". Você é um relativista, acha que vive num mundo em que pode dizer que Proust é pior do que Margarida Rebelo Pinto, que o homem nunca foi à lua e que o Barcelona de Guardiola é uma equipa tão interessante quanto o Manchester de Busby. Aliás, creio até que você acha que pode inventar palavras e utilizar o português como lhe sai da língua. Pois digo-lhe eu que não pode. Não é esse tipo de mundo em que vivemos. No mundo em que vive, há certas coisas que obedecem a critérios objectivos. Enquanto não perceber isto, a idiotia dificilmente passará.


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 21:14
Nuno,

Só tenho três coisas para dizer-lhe porque mais não são, como é visivel, necesárias de nenhum modo.

A primeira é pena. Pena que sinto por si. Genuina pena por ser um ser invertebrado, sem sangue nas veias, sem alma, um ser que caminha por onde lhe mandam, que acredita em tudo que lhe dizem e que pensa que as coisas são como são porque é assim que têm de ser. Achar que Proust ou o Barcelona não são criticáveis porque não lhe dá na gana, porque o seu establishment social/cultural/mental não o permite não só é patético mas dá pena. Que existam pessoas tão facilmente domináveis mentalmente á vontade alheia, ao mais básico que o Ser Humano possui, é triste. Antes ser idiota, mas pensando por mim, que ser um génio seguindo as pautas que ditam os outros.

Portanto, com pessoas como você, não há discussão. É no fundo o espelho perfeito do que este artigo critica, o sacerdote da verdade absoluta e inquestionável da sua filosofia particular. Amén para isso!

A segunda é que este blog, ou como lhe queira chamar, é um espaço meu. Não escrevo para lhe fazer feliz, não escrevo para que me tenham como guru, opinion-maker, critico desportivo ou o que seja. Escrevo o que me apetece e porque me apetece quando me apetece e com a filosofia que me dá na gana. Da mesma forma que não ando pelos espaços pessoais alheios a chamá-los idiotas e a meter-me com as suas filosofias, porque além de ter mais do que fazer tenho uma educação pessoal e uns valores que não mo permitem, não estou aqui para lhe dar razão. O Nuno pode pensar que o Barça pode jogar sem GR, que todos são indignos de si, deles e de Proust e isso está muito bem. Mas não é ninguém para vir para este espaço mandar bitaites sob como os outros devem pensar, apenas porque julga que tem a verdade absoluta. A isso junta a sua habitual má educação, o seu desrespeito pela opinião alheia e a sua arrogância tipica de uma pessoa insegura, sem conhecimentos sobre o que fala e com uma profunda vontade em impressionar. Eu levo muitos anos disto para me impressionar com qualquer um por isso poupe as palavras e o esforço. Pode escrever o que quiser que enquanto o fizer desde o seu altar, nesta paróquia não prega.

A terceira, bem, a terceira é simples, talvez demasiado popular para si, para o seu magnifico e aborrecido Proust ou para o seu Barça. Mas extremamente básica, talvez como o estilo de jogo do Real Madrid: não gosta, deixa na beira do prato. Ninguém o obrigada a gostar do que lê, ninguém lhe está a vender nada. Se não vem aportar nada de novo, se não vem ter um diálogo civilizado, abstenha-se, ou, em bom portugês, vá dar uma volta pode ser?

Não tenho mais nada a acrescentar!


De filomeno a 21 de Abril de 2011 às 20:04
Magnífico artículo


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Abril de 2011 às 21:15
Filomeno,

Obrigado pela visita, pela comentário e por entender, coisa que, ás vezes, parece ser mais complicado do que se imagina.

Um abraço


De filomeno a 21 de Abril de 2011 às 23:44
Gracias por tu respuesta. Hacía tiempo que no leía un artículo sobre tema deportivo tan bien escrito.
Un abrazo.


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Abril de 2011 às 11:08
gracias una vez más y espero que sigas disfrutando de los demas articulos y las opiniones que vamos escribiendo por aqui.

Un abrazo


De Pedro a 21 de Abril de 2011 às 21:46
Um artigo muito bem pensado. Boas metáforas. Entendo a tua ideia: o barcelona joga bonito mas existem outras formas de jogar o jogo que são, por si só, muito bonitas.
O problema é que a atitude do barcelona , hoje em dia, é igual ao do real madrid no passado: de arrogância com um travo de regionalismo. É pena ouvir o pique a dizer " que vão ganhar a taça do rei dos outros" mas para jogar na selecção já lhes convêm.
Sem dúvida que essa atitude lhes fica mal. Eles pensam que estão no Olimpo e será exactamente um deus com os pés na terra que lhes vai chamar atenção - falo obviamente de um treinador de títulos (que é o que é pedido aos treinadores).
Só tenho acrescentar uma nota aos fãs obsessivos do barça (que é e sempre foi a minha equipa favorita em Espanha), jogar bonito é ver uma equipa a dar 3 toques para marcar um golo, não 70.


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Abril de 2011 às 11:13
Pedro.

A pena é que há quem não entenda que aqui não se critica o jogo do Barça, todo o contrário, isso aqui já foi elogiado até á exaustão porque é merecido e justo o labor de Pep. O que se critica é essa mentalidade de achar que o futebol é exclusivo de uma ideia.

E sim, o Barça está nos antipodas do que o tornou uma equipa simpatica aos olhos do Mundo e adoptou a postura arrogante do pior que oferecia o Real Madrid no passado, e com esse discurso e com pessoas que pensam assim, a situação ficará pior com os anos e quando caiam (porque cairão, tarde ou cedo, como todos) ninguém vai ter pena deles, o que em si mesmo é uma pena porque jogam como os anjos!

um abraço


De jorge a 22 de Abril de 2011 às 16:18
o nuno que aqui comentou é o nuno do blog entredez?
concordo em absoluto com o post. Esta muito bem escrito e bem argumentado, penso que algumas pessoas nao compreenderam que nao ha neste post nenhuma critica ao jogo do barcelona. simplesmente uma critica á ideia que se generalizou de que nao se pode criticar o barça porque é uma equipa perfeita e que quem nao joga como joga o barça deve ir para ao "inferno". Eu comecei a amar futebol muito por culpa do barça, e do ronaldo , o fenomeno. e sinceramente este barcelona nao me cria grande empatia. e de certa forma tambem acho por vezes o jogo do barcelona um pouco aborrecido.
Mas queria so dizer que acho a comparaçao entre pep guardiola e mourinho uma grande injustiça. embora nao acompanhe muito a liga espanhola e o barcelona, nao me parecem existir assim tantas diferenças entre o barça de guardiola e o de rijakaard. Guardiola ta em sua casa e tem feito um bom trabalho. Mourinho tem tudo aquilo que admiro numa pessoa, a inteligencia, a capacidade de se adaptar as diversas situaçoes. a garra, a vontade, a vontade de ir a luta, a determinaçao e a coragem.
dizer como li no entredez que o barcelona nao altera nunca a sua forma de jogar mantendo se fiel aos seus principios nao é um grande elogio a guardiola. o futebol é tambem inteligencia , estrategia e adaptabilidade. e ai mourinho é rei. para finalizar, mourinho vence por onde passa e a forma de jogar das suas equipas variam muito consoante as caracteristicas especificas da liga que disputa dos jogadores que tem a disposiçao e das equipas que defronta. dizer que a forma como mourinho defronta o barcelona faz com que tenha menos probablidades de vencer parece-me pelo menos estatisticamente errado visto que o proprio mourinho ja conseguiu eliminar barcelona por duas vezes em eliminatorias a duas maos e vencer-lhes numa final. de resto penso que so foi eliminado por eles apenas uma vez.


De Miguel Lourenço Pereira a 23 de Abril de 2011 às 17:34
Viva Jorge,

Nao sei se é a mesma pessoa, nao se apresentou como tal, mas pelo estilo de escrita, pela mesma inflexibilidade mental e pelo apego á filosofia blaugrana, parece-me que sim.

Se quanto ao post acho que é fácil de perceber essa ideia, com Pep estou totalmente de acordo. Guardiola herdou um clube muito bem preparado que dois anos antes tinha sido campeao da Europa e que contava com o esqueleto base da sua equipa, a que adicionou os geniais Busquets e Pedro (Alves e Pique ja estavam contratados) e deu-lhe um cunho pessoal de quem conhece a casa. Mas nao se pode ignorar o grande trabalho de Rijkaard. Pep está em casa e sabe-o, ali é "deus" e tem tudo á sua medida. Mourinho é um trota-mundos, adapta-se a todas as realidades, todas as ligas, todo o tipo de jogadores. Sabe o que significa ser um constante "alien" nas estruturas onde trabalha e pega sempre em clubes na mó de baixo para cumprir objectivos que outros nao lograram. E isso é ter mérito, muito mérito.

Quando Pep provar o estrangeiro e provar que tudo o que de bom que sabe fazer também o pode aplicar a outros mundos, merecerá certamente ser considerado um dos grandes. Mas se for como Cruyff, que só quis trabalhar em meios que dominava totalmente como o Ajax e o Barça, ficará sempre essa suspeita no ar de um técnico que nao criou nada, simplesmente soube herdar um projecto e levá-lo um pouco mais longe, um pouco mais perto da grandeza eterna. Tem imenso mérito, mas sabe-me a pouco.

E eu, como todos sabem, sou um grande fã de Guardiola.

um abraço


De adams a 22 de Abril de 2011 às 21:08
Muito bom!


De Miguel Lourenço Pereira a 23 de Abril de 2011 às 17:35
Adams,

Obrigado :-)

um abraço


De Tiago a 28 de Abril de 2011 às 00:02
Gostei do post... vim de outro blog (entre 10), onde um utilizador deixou o link. Vim à procura de algo mais imparcial, onde possa aprender algo mais sobre futebol. Vamos ver se é aqui. No ultimo blog onde estive podia ver as "cores" em cada parágrafo.... tristeza.


De Miguel Lourenço Pereira a 28 de Abril de 2011 às 08:35
Bem vindo Tiago ao EJ,

Aqui, mais do que aprender, porque aprendemos todos, tentamos discutir, explorar outras realidades e, acima de tudo, não entrar em faciosismos populares.

ás vezes gostará, outras não, como em tudo na vida.

Espero que desfruta, pelo menos!

Muito bem vindo ;-)

um abraço


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