Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

71 golos em provas europeias. Números escandalosos para qualquer jogador. Banais se te chamas Raul Gonzalez Blanco. O dianteiro madrileño decidiu que era maior que o Santiago Bernabeu e abandonou a segurança do lar para tentar sorte na Alemanha, destino preferido dos espanhóis quando decidem emigrar. Raul não foi para as minas de Gelsenkirchen mas trabalha como um mineiro na equipa mais tradicional da Bundesliga. Para ele a eternidade é mais do que obsessão. É algo inevitável.

 

 

 

Raul estreou-se em 1995 nas provas europeias ao serviço do Real Madrid e marcou ao segundo jogo, com o Ferencvaros.

Foi há 16 anos e durante todo esse periodo só durante um ano o dianteiro esteve sem marcar nos palcos europeus, 1996/1997, a última época em que o Real Madrid falhou as provas da UEFA. Marcou em duas finais da prova rainha da Europa, que venceu três vezes. Marcou golos fundamentais para compreender a história recente do futebol espanhol. Marcou, marcou e marcou. Raul é definido pelo valor que se dá ao golo.

Não tem nenhuma habilidade particular. Nem é rápido. Nem é forte. Nem é dotado de uma grande técnica individual. Não joga particularmente bem de cabeça, não é capaz de aguentar largos sprints e não lhe é conhecido nenhum talento especial nas bolas paradas. Poucos golos marcou de penalty, nenhuns de livres e cantos. Mas, mesmo assim, marcou muitos. Tantos que já é o recordista da Europa. E era de Espanha também, até Villa, o seu sucessor como o 7 da Roja, o ter ultrapassado finalmente. No total Raul Gonzalez Blanco já marcou 340. Em 780 jogos. Quase nada.

O filho predilecto de Madrid, o homem que ainda hoje divide o futebol espanhol, arriscou e muito. Quando anunciou a saída do Real Madrid muitos vaticinavam-lhe um fim agónico no futebol alemão. Se algo diziam de Raul nos seus dias de ouro, nos finais dos anos 90 e antes de ter arrancado o projecto galáctico, é que só funcionava dentro do Bernabeu. Mas chegavam as estrelas milionárias e os golos pícaros e oportunistas do 7 continuavam a decidir ligas. E nos jogos contra os grandes da Europa, Raul raramente falhava. Hoje, como ontem.

 

Quando chegou ao Shalke 04 o espanhol encontrou uma equipa desmotivada.

O regime quase ditatorial de Felix Magath, que tinha surpreendido no Wolfsburg pelo seu futebol de ataque, e a sua postura defensiva, prejudicava o seu estilo de jogo oportunista. Raul jogava longe da área e, portanto, longe do golo. À medida que a equipa foi mudando a sua postura, que apareceram Huntelaar, Farfan e Gabranovic, o espanhol foi tendo mais liberdade para deambular pela área. Onde é letal. O seu estilo de jogo começou a encaixar no modelo dos azuis mineiros de Gelsenkirchen. E os golos apareceram. Frente ao Valencia, nos oitavos de final, o toureiro madrileño fez do Mestalla, pela enésima vez, a sua praça. E em San Siro, estádio onde nunca tinha ganho vestido de branco - e onde jogou o seu rival nisto dos números, Paolo Maldini, a quem superou também em jogos disputados na Europa - também. A exibição de Raul em frente ao Inter é um elogio constante às suas qualidades.

Jogador de grupo, matador, sacrificado, colectivo. Abriu espaços, puxou marcações, triangulou e marcou. Ajudou a destroçar uma irreconhecível defesa neruazurri e ajudou o seu novo clube a fazer história. Será quase impossível ao Inter dar a volta ao marcador e, subitamente, Raul estará de novo bem perto de uma final da Champions League. Algo que ninguém imaginava quando a época arrancou. Os alemães desafiarão o poderia anglo-espanhol da prova com uma arma secreta nutrida nestas batalhas. De tal forma que a eficácia de Raul, que sempre esteve aí, relançou, pela enésima vez, o debate em Espanha sobre a sua presença na selecção. O seu afastamento, depois do Mundial de 2006, deveu-se segundo a maioria a problemas no balneário. Sem a omnipresença de Raul o seleccionador Luis Aragonés pode criar a base da equipa que domina o futebol internacional há quatro anos. Mas a decisão custou-lhe eventualmente o cargo e deixou mau sabor de boca ao clã de Barcelona que agora controla a Roja. Por muito que Raul apresente números que superam em eficácia os de Torres e Villa, as apostas de Del Bosque, o seu regresso está marcado pelo seu passado. E isso torna-o impossível.

 

 

 

Mas mesmo que Raúl esteja destinado a acabar os seus dias dando alegrias às gentes do Schalke 04, a sua missão já terá merecido um louvor especial por um país que sempre teve problemas em aceitar os seus ídolos. Profeta em terra alheia, o eterno Siete sabe que a sua aventura europeia ainda não acabou. E se há algo que Raul sabe fazer, é história. Os rivais que se cuidem, o eterno e teimoso goleador não quer despedir-se tão depressa. E ninguém o irá convencer do contrário...



Miguel Lourenço Pereira às 14:02 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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