Segunda-feira, 7 de Março de 2011

Quando o futebol de um país é movido exclusivamente pelo clubismo, não há volta atrás. Portugal está cada vez mais envolto numa profunda caverna mediática em que a discussão do jogo passou para um distante centésimo plano bem atrás de todas as trifulcas futebolísticas dos agentes mais polémicos da praça. A derrota do SL Benfica em Braga e o grito mediático que se montou imediatamente após o final do jogo apenas confirma que o futebol português merece mesmo um ensaio sobre a cegueira.

 

O adepto de futebol português é tudo menos um adepto de futebol.

Clubismos há nos quatro cantos do Mundo mas neste rectângulo inexpressivo ganha proporções perigosas. E sedantes. Ao contrário de outros países de fanáticos, em Portugal a discussão do jogo deixou de fazer sentido. Não há um único bom livro sobre futebol escrito por um autor português. Não há - nos vários programas televisivos dedicados ao jogo - nem uma rubrica que se centre nas questões tácticas, sociais, económicas ou politicas do beautiful game. E o adepto comum é capaz de saber de cor o nome do árbitro de um qualquer jogo da liga 1989/1990, mas dificilmente saberá citar as equipas finalistas do mundial de 1970 (para por uma pergunta fácil). Isso é o espelho claro de uma ausência de cultura desportiva que se é gritante em desportos pouco ou nada mediatizados - e onde Portugal e os seus representantes até apresentam, por vezes, bons números - se torna evidente no caso do futebol. Não há imprensa desportiva portuguesa. Há jornais "não oficiais" associados a este ou aquele clube (mudando algumas vezes de camisola, como esteja o mercado). Não há programas desportivos. Há tertúlias onde figuras públicas que nada têm a ver com o jogo debatem tudo menos a beleza da bola a rasgar o tapete verde. Os estádios primam pela ausência de público. Os horários das múltiplas transmissões televisivas são tudo menos amigos dos adeptos e o clima de suspeição que se cria à volta do jogo é de tal forma asfixiante que garante - independentemente do resultado final - que não passará uma única semana sem que se sirva uma nova polémica. Reais ou imaginárias, acaba por ser irrelevante. O adepto português percebe mais da lei de fora de jogo (ou isso crê) do que das transições ofensivas da sua própria equipa. Mesmo que tenha visto todos os jogos durante anos a fio. Sabem a rua onde moram os assistentes mas desconhecem tantas vezes a posição de origem de muitos dos jogadores da sua equipa. E preocupam-se tanto com os resultados dos seus rivais que às vezes até se esquecem dos seus próprios. É uma cultura negativa, invejosa e profundamente hipócrita. Um espelho da sociedade.

 

A sociologia sabe que o futebol é hoje uma das melhores formas de tomar a temperatura a um país.

Portugal é um caso clínico de cegueira diária. Cegueira clubística capaz de criar autênticas realidades paralelas onde todos parecem viver. Cegueiras morais, deturpando valores absolutos por oportunismo clubístico. E uma cegueira económica que conduz, rapidamente, o futebol português para a extinção. Numa semana em que a FIFA ameaça - uma vez mais - com suspender o futebol luso não há uma única voz de preocupação. Tudo está centrado no dia a dia do clube. Nas constipações dos jogadores, nos erros de português dos técnicos, nas suspeitas dos elementos de arbitragem. Para o adepto português a época está definida à partida e cabe à sua equipa contrariar os poderes dominantes. A ideia é a mesma para todos os adeptos, só mudam os rostos no alvo. A derrota do SL Benfica em Braga, depois de um jogo monótono e onde a estratégia do técnico encarnado falhou desde o principio, voltou a deixar os podres do futebol luso bem à vista. A equipa da Luz que vinha de uma notável e merecida série de 18 vitórias consecutivas em todas as provas não aguentou o cansaço físico de muitos jogos decididos no limite das forças físicas (e mentais). O Braga, depois do brilharete da época passada, jogava com orgulho de bater os que o privaram do primeiro titulo. No meio de um jogo tenso um soco de um jogador benfiquista - Javi Garcia - no peito de um arsenalista - Alan - que tinha acabado de cometer falta ao rival determinou um antes e um depois. Não no resultado. Mas na mente dos adeptos. De um lado da barricada - o encarnado - e com o habitual apoio retórico da equipa directiva - um habitué nos meandros do futebol português - voltou-se aos gritos das primeiras jornadas do titulo vendido e empacotado ao eterno rival, o FC Porto, e à corrupção no futebol luso. Ninguém se lembrou desse discurso durante a série de vitórias - algumas das quais com decisões discutíveis até - e foi preciso a derrota para voltar a levantar a habitual politica de choro dos derrotados em Portugal. A imprensa desportiva fez eco da contestação encarnada, aliando pelo mesmo diapasão, resumindo a um lance toda uma temporada. Curiosamente a mesma imprensa, no ano anterior, tinha-se esquecido de um lance bem mais grave no estádio do clube da capital que poucos viram (mas como passa com Woodstock, todos dizem ter lá estado). A cegueira é selectiva e profundamente clubística e também se vive do outro lado. Os ataques injustificados dos adeptos bracarenses aos jogadores rivais, atirando vários objectos para o relvado, não diferenciou em muito o comportamento de outros adeptos noutros estádios com outros rivais. O civismo cegado pelo poder mediático do confronto de clubes voltou a demonstrar que o futebol português não consegue exibir um nível moral superior a uma discussão de faca e alguidar. Responsabilidades repartidas entre agentes, imprensa e o próprio público que, no entanto, parece estar satisfeito com o modelo desportivo em que vive. Na ressaca da polémica as posições extremam-se, as questões realmente graves (ausência de futebol de formação, falência de clubes, ausência de público, debilidades técnico-tácticas da maioria dos jogadores da competições) voltam a desaparecer na penumbra das acusações e dos insultos.

 

Os títulos vendidos e comprados, os adeptos fanáticos, os dirigentes com largo historial criminal - com ou sem confirmação judicial - os técnicos provocativos que transformam os saudáveis "mind games" em ajustes de contas pessoais e o vitimismo selectivo da imprensa continuam a fazer do futebol português um paciente em estado comatoso. Mas talvez, no meio de tudo, a verdadeira culpa a tenha o adepto comum que aceita - particularmente hoje com tanta facilidade de informar-se e conhecer outras realidades - entrar neste jogo. Mais, que defende a capa e espada uma filosofia de vida onde o confronto define o jogo que devia resumir-se na perfeição dos ângulos geométricos traçados a régua e esquadro e que acabam caprichosamente no coração de uma qualquer rede numa qualquer baliza num qualquer estádio desse perdido país chamado Portugal.



Miguel Lourenço Pereira às 16:57 | link do post | comentar

26 comentários:
De Leandro a 7 de Março de 2011 às 17:57
Apesar de nem sempre concordar com o que escreves sobre o futebol português, neste caso concordo totalmente nas características que identificas no adepto português. A maior parte das pessoas não vê futebol, vê o seu clube e o árbitro. A maior parte desinteressa-se pelo futebol se o clube perde sucessivamente ou se já não há "nada" em jogo e como sportinguista tenho presenciado esse mesmo desinteresse nos meus companheiros sportinguistas.

Continua o bom trabalho, apesar de por vezes discordar do que escreves, acho isso perfeitamente normal, visto que o tema "futebol" tem muitos pontos de vista.

Abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Março de 2011 às 22:03
Viva Leandro,

Nunca é necessário concordar, aliás, para uma boa discussão o melhor é partir de desacordos para aprender sempre algo de novo.

O adepto, em todos os lados, é assim. Mas em Portugal a situação está a tornar-se insuportável e o futebol como fenomeno, como desporto, como realidade socio-economica está a perder a guerra com o clubismo exacerbado e isso provoca instabilidade a todos os niveis. No caso do teu Sporting no divórcio entre os adeptos e a equipa depois de dois anos fracos quando a equipa vinha de quatro épocas sendo vice-campeão meritoriamente. E isso já diz muito da eterna insatisfação desse tipo de adepto, o que de futebol percebe ou quer perceber pouco.

um abraço


De Pedro Almeida a 7 de Março de 2011 às 19:03
Peço desculpa se me vou alongar demasiado neste comentário, apenas o faço porque costumo gostar bastante das análises e perspectivas que aqui costumam estar.
Em primeiro lugar, escreve-se aqui sobre clubismo, sobre o estranho facto que nós, os Portugueses, ao invés de gostar de futebol sofremos de clubite. O Benfica fez uma série brilhante de vitorias consecutivas, não saiu um único post a falar disso. Foram ganhar a Alemanha, a Alvalade e ao Dragão se és assim um tão defensor do futebol porque não falar dessas conquistas em vez da polémica após a derrota em Braga?
Em segundo lugar cegueira, é falar do soco do Javi Garcia (que eu não o vejo!) sem esquecer a cotovelada do Alan, do fora de jogo do Jara que porque raio não aparecem ali as linhas do fora de jogo tão comuns nas transmissões da SportTv. O que se passa não é cegueira, são olhos a serem tapados!
Deixo apenas um comentário final, de quem é a culpa do clima de suspeição que reina em Portugal? Será mesmo dos adeptos ou é pelas escutas que estão no youtube terem passado impunes? Por culpa dos dirigentes ou por se ter a certeza que o presidente do clube que vai à frente neste campeonato foi condenado por corrupção e nada lhe aconteceu?
O melhor que podia acontencer a este campeonato era o Fc Porto jogar sozinho, o FC Porto e contra os seus emprestados por esse Portugal fora. O Fc Porto que quando joga com o Braga o Ukra se lesiona. Adeus campeonato Nacional, enquanto assim for so vejo o meu Benfica (sofra eu de clubite ou não).


De Luís a 7 de Março de 2011 às 21:06
Pedro, gosto de futebol por tudo o que não escreveste, porque é irracional. Se fosse racional e não se justificasse a clubite " não tinha graça, logo... por se é irracional não se discute.

Depois do jogo, não há jogo.

Ps: O lance do jogo era falta a favor do Benfica... foi por isso que o Roberto se distraiu, estava a pensar que era o Coentrao que estava a marcar o livre.



De Pedro Almeida a 7 de Março de 2011 às 21:44
Confesso que esperava uma resposta mais inteligente nessa do lance do Roberto. Eu gosto de futebol mas em primeiro lugar, e fora do futebol, sou uma pessoa sensata e honesta.

Não se pode ganhar de qualquer maneira, apenas digo que se fosse adepto do FC Porto tinha muita vergonha em ouvir ou que se ouve por esse youtube. Tinha muita vergonha em saber os condicionalismos que o meu clube impoe aos outros apenas porque para ganhar qualquer meio serve.

Todos os bons jogadores deste campeonato estão controlados pelo Porto e o resto é conversa. O Sporting cometeu o erro de tentar o Djalma que está ha mais de um ano ilegalmente comprometido com o Porto. E como esse há muitos. O Silvio, o Lima, o Kleber é preciso continuar.

O Roberto de facto devia estar baralhado mas n foi no livre, foi por ver camisolas vermelhas e adeptos de vermelho comportarem-se como se estivessem vestido de azul


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Março de 2011 às 22:16
Pedro,

O dominio do FC Porto nos relvados e fora deles é uma evidência no futebol português dos últimos anos. Como foi durante largas décadas com o Benfica e antes deles com o Sporting. É normal neste pais de condicionantes que "um dos grandes" tente controlar os elementos que ligam as cordas do jogo. E não está correcto. Mais uma vez o que está no Youtube é vergonhoso, e o que não está também.

Quanto aos jogadores, é verdade o que dizes, como também o foi com outros clubes noutras épocas (as dentadas do leão de Sousa Cintra, as compras da era João Rocha, as aquisição de Manuel Damásio a todos os clubes que jogavam contra o Benfica...etc..).

É mais uma triste sina do futebol luso.

um abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Março de 2011 às 22:13
Luis,

Os clubes são a base social do futebol como os partidos são da politica e as empresas da economia. Todos temos o nosso clube e muitos temos vários clubes em vários paises e de acordo com vários momentos da nossa vida. Eu terei pelo menos uns "50" clubes que sinto como meus. Mas isso não permite colocar palas nos olhos e o problema está quando as palas nos olhos condicionam em demasia a evolução do jogo, que é o que há muito se vive em Portugal.

um abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Março de 2011 às 22:11
Pedro,

Gosto muito dos teus comentários e aprecio as tuas visitas por isso vou tentar responder ao teu comentário que, permite-me a provocação, já cai no tal clubismo.

Tento escrever sobre o que conheço. Não vivo em Portugal e não tenho acesso á televisão portuguesa e por isso acompanho a liga lusa com menos detalhe do que queria e não vi, este ano, mais de quatro jogos completos do Benfica. E não gosto de escrever do que não vejo. O ano passado, se vires o historial, encontraráras alguns artigos do bom futebol praticado pelo Benfica na altura que me valeram criticas de outros adetpos de cores que não o vermelho. Tudo é relativo. Não escrevo sobre clubes, escrevo sobre realidades. Escolhi o jogo de hoje porque o que li na comunicação social (capas de jornais, analises criticas) suplantaram o aceitável. Nem vi o jogo, estava a ver o Santander-Real Madrid e só vi os lances em questão á posteriori. Vi uma falta do Alan seguida de uma agressão. Parece-me evidente e se fossem outras cores, um Udinese-Palermo haveria poucas dúvidas. É aí onde entra a cegueira que falo e que passa em todas as cores.

Os adeptos Pedro elegeram os presidentes que têm, as maiorias dos Pinto da Conta, LF Vieira, Bettencourt, Loureiros, Pimentas, Salvadores e afins foram todos sufragados pelos adeptos. São eles, para mim, os responsáveis dessa situação porque dão carta branca ás direcções sempre que em troca recebem titulos e humilhações dos rivais. O que se ouviu no youtube, e sabes bem, é a ponta de um icebergue que não é diferente ao que se vive em Itália, por exemplo, e que toca todos os clubes. E por arrasto, todos os adeptos que olham para o futebol como o "nós" vs o "eles".

O que dizes tu do FCP diriam eles do teu SLB o ano passado, dirão os sportinguistas como o Leandro desde 2003 e assim ad eternum.

um abraço


De Pedro Almeida a 8 de Março de 2011 às 14:43
Concordo com tudo o que dizes. Achei ridícula a onda que se gerou na comunicação social (e não só) como se o campeonato tivesse sido perdido no sábado. Enquanto tivermos Rui Santos e Trios de Ataque ou Dias Seguintes onde se chega ao ridiculo de analisar lances frame a frame limito-me a ver os jogos e deixo as análises para quem tiver paciência. Não existe em Portugal um programa sobre F U T E B O L.

A mim envergonha-me ver o Rui Costa e o Jesus barafustarem com tudo e todos como no lance do "golo anulado" contra o Maritimo. Não pode valer tudo e a postura não pode ser aquela.

Atirar uma bola de golfe a alguém deveria ser uma coisa grave ou não? Invandir o campo para bater num fiscal de linha também deveria ser gravissimo ou não? É que em Portugal tudo isto parecem coisas normais e isso é que ainda me causa mais estranheza.

O problema do futebol Português é antes de mais uma questão de mentalidade. Vale tudo, e ganha quem é o mais esperto. Confesso que no golo do Benfica no ultimo minuto contra o Sporting antes de ver a repetição o meu comentario foi "Espero que esteja fora de jogo" gostamos disto, somos assim e é uma pena


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Março de 2011 às 15:12
Pedro,

É precisamente isso. Há adeptos que vão ao estádio só para insultar os jogadores (os seus e os rivais) como há os ultra que passam todo o jogo de costas para o terreno. São os mesmos que dão audiências aos jornais, programas televisivos sem critério e que votam nos presidentes que apoiam o seu discurso na idiotez demagógica. "Do Lisboa a arder" ao "nao nos deixam ganhar" a distância real é infima, a temporal imensa...mas tudo fica na mesma!


De Pedro Serra a 7 de Março de 2011 às 21:44
"Não há um único bom livro sobre futebol escrito por um autor português"? Agora ofendeste-me, e sobretudo ofendeste o Ricardo Serrado :-)
Para a maioria dos adeptos, a estética ou a qualidade do jogo nada interessam. O futebol não é um desporto, é uma guerra, uma luta pelo poder. E só pode haver vitória ou morte.


De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Março de 2011 às 21:53
Pedro,

Já te tinha dito que gostei muito do vosso projecto mas olho para ele como um livro de história do futebol português (que fazia muita falta) mais do que um livro sobre futebol como fenomeno tactico, economico e social (apesar de abarcar, como todo o exercicio historico de qualidade tudo isso). Falo de livros como os do Jonathan Wilson, John Foot, Simon Kuper et alli mais do que análises históricas!

Quanto ao resto, tristemente, totalmente de acordo.

um abraço!


De DC a 8 de Março de 2011 às 19:41
A categoria das equipas portuguesas vê-se lá fora na Europa onde não basta pôr a carne toda no assador para ir ganhando os jogos nem que seja no último minuto. e aí o Porto tem provado ser muito superior!
Cá, com todo este sistema montado, com toda esta imprensa ridícula e nojenta que incita ao debate mentiroso sobre arbitragens, vai ser muito dificil mudar mentalidades.


De Miguel Lourenço Pereira a 9 de Março de 2011 às 08:14
DC,

A prestação europeia do FC Porto é uma constante que engana uma realidade onde o clube português surge sempre - ou quase sempre - nos últimos 16 da Europa apesar do seu orçamento, significância institucional e poder de atração ser muitissimo inferior a muitos dos rivais que ficam pelo caminho. Isso é uma actuação positiva porque revela uma boa tendência competitiva e uma adaptação ao ringue europeu com toda a sua conjuntura. No caso das restantes equipas portugueses na Europa, com campanhas que se pautam por altos e baixos constantes fica claro que as conjunturas nacionais podem mais contra a estrutura continental e que são resultados de fenómenos pontuais (uma boa equipa, um bom técnico, uma série de rivais acessiveis) mais do que uma poltiica desportiva coerente e ambiciosa.

um abraço


De DC a 9 de Março de 2011 às 11:23
Concordo Miguel.
E penso que é terrível para qualquer das equipas (mas sabemos perfeitamente que uma é mais visada), ter um imprensa constantemente a hiperbolizar feitos internos.
A diferença entre os 3, e cada vez mais entre os 2, mais fortes clubes portugueses e os outros é abismal logo é normal que existam grandes séries de vitórias internas.
Lá fora é preciso mais inteligência, mais flexibilidade táctica, mais concentração, resumindo o tal "estofo".
E penso que nem Porto nem Benfica o têm para vencer a liga Europa.


De Miguel Lourenço Pereira a 9 de Março de 2011 às 11:45
DC,

O futebol não é 100% cientifico, mas um 90% sim. E por isso é possivel analisar com frieza números que dizem onde realmente está uma equipa no quadro europeu. E o ranking UEFA/FIFA é sempre enganador. Clubes portugueses não podem ambicionar ganhar um trofeu contra rivais de países mais ricos, ligas mais ricas, planteis mais ricos, rivais com mais experiência e países com maior base de recrutamento.

Portugal é um pais com um nivel populacional médio/baixo (pouca área de recrutamento de talento bruto nacional), é um país com um nivel baixo de riqueza (dificuldade em atrair bons jogadores de forma regular) e um país com pouca experiência já que, à parte dos 3 grandes (e já nem isso) a maioria dos clubes nunca disputa jogos contra rivais de outros paises e culturas, o que atrasa o seu desenvolvimento (do clube, institucionalmente, dos jogadores, tecnica-tacticamente).

No meio de tudo isso a imprensa pode vender que o FC Porto é o maior ou que o SL Benfica está ao nivel do Barcelona e tudo isso será mentira e quando as equipas chegam longe é um verdadeiro milagre que se deve a) muita sorte b) óptimo planeamento desportivo que consegue minorar esse handicap.

Não acredito que nenhum possa ganhar a EL mas há sempre esse 10% (sorteio, arbitragem, lesões, rasgos individuais) que podem mudar a balança. Mas a maioria dos adeptos não vê isso e depois perde-se em trifulcas sem sentido.

um abraço


De hmocc a 9 de Março de 2011 às 11:40
Caro Miguel, clubismos à parte, puseste e bem o dedo na ferida do futebol português. Coloquei um link no meu blog para o teu artigo porque acho que é, mais que pertinente, uma reflexão indispensável a qualquer adepto de futebol em Portugal.

Mais, acho piada que se fale em escutas baseadas num processo movido por pura inveja e mesquinhez da parte dalgumas pessoas ligadas a uma instituição que não as merece, o SL Benfica.

Digam essas pessoas o que disserem, difamem ou insinuem, a REALIDADE e os FACTOS são estas: Nos últimos 30 anos apenas 1 clube em Portugal teve visão estratégica, competência e personalidade para subir ao olímpo. Esse clube foi / é o FC Porto.

Os outros não o são por culpa própria, porque vivem agarrados às glorias dos anos 50 e 60 e perdidos em conflitos internos e crises existênciais.

Se virmos bem, nos últimos 20 anos apenas 1 coisa impediu o FC Porto de ser permanentemente campeão: tiros nos próprios pés - mas como ninguém é perfeito, estes tiros nos pés são esperados de quando em vez.

Se o Porto domina o mercado português de jogadores é porque tem visão estratégica, ao invés de ir contratar jogadores em vésperas de jogos para os impedir de jogar. Cada um defende-se com as armas que arranja.

Abraços


De Miguel Lourenço Pereira a 9 de Março de 2011 às 11:50
Hmocc,

Obrigado pela citação e pelas palavras ;-)

Quando ao que dizes, vem de encontro ao que respondi ao DC. O FC Porto é, clubismos à parte, a única instituição construida para enfrentar o mundo altamente competitivo do futebol europeu. Entrar no G14, mover-se bem no mercado de transferências (não só pelo lucro financeiro mas pelas boas relações que establece com os clubes compradores), marcar presença regular nas fases a eliminar dos torneios e uma ocacional vitória (milagrosa para um pais como Portugal numa prova onde há, matematicamente, um minimo de 22 equipas superiores economicamente e estruturalmente) é um êxito indiscutível.

Os outros clubes podem ter uma boa imprensa nacional mas sabem que, lá fora, a música é diferente e devem pensar em estratégias para adaptar-se ao futebol europeu. O Sporting falhou a sua depois de 4 anos de más performances na CL (a única vez que se apurou foi previsivelmente trucidado) e o Benfica também, depois de tanto apostar na CL de este ano (como sucedeu, alias, em 2006 depois do titulo anterior com maior sucesso). Há que rever estratégias e reposicionamentos se Portugal não quer ficar atrás das Ucranias, Romenias, Holandas, Grécias e Turquias da Europa.

um abraço


De Pedro Almeida a 9 de Março de 2011 às 14:46
Grande parte das referências deste comentario foram aos meus comentarios. A partir do momento que o processo apito dourado é considerado um processo movido por mesquinhez está tudo dito.

É pena, adeptos assim é que tornam o futebol Português no que ele é. Adeptos não, pessoas. É engraçado pensar o que teria acontecido ao Hulk pelas agressões em Inglaterra ou Alemanha.. Será que iamos ter conferências de imprensa a desculpabilizar as suas acções ou um multa pesada do seu próprio clube.

Ca continuaremos a ouvir um presidente que enche capas de jornais a dizer que um clube pensa q está a cima da lei. E ele? que foi condenado por corrupção e n lhe aconteceu rigorosamente nada?

Que o Fc Porto é o melhor clube Português dos ultimos 30 anos a nivel externo e interno não discuto, apenas discuto algumas coisas que fez. O clima de guerrilha constante, o "o filhos da put&% slb" quando marcam um golo contra outra equipa qualquer, o "ooohhh filhos da Pu%"#" seja qual for o guarda redes adversario, o presidente que quando fala é para ofender, denegrir, atacar e incentivar a violencia so que fazem ter ainda mais orgulho em ser adepto do meu Benfica :)


De hmocc a 10 de Março de 2011 às 01:10
Caro Pedro,

Sou portista e tenho muito respeito pelo Benfica enquanto grande clube e grande instituição desportiva portuguesa, a maior em termos de adeptos.

Gostava que o Pedro me esclarecesse em que tribunal é que o FC Porto e o seu Presidente foram "Condenados" por corrupção? Mais, o Pedro também me poderá esclarecer em que outro país do mundo se aplica uma suspensão por tempo indefinido a punir uma agressão em resposta a provocações deliberadas?

Sabe Pedro, é muito simples aceitar as verdades indesmentíveis da "isentíssima" comunicação social lisboeta. Até a mim, e acredito que a muitos outros portistas, parece tudo tão claro e cristalino...

O processo Apito Dourado (e a vergonha que foi o julgamento sumário intitulado Apito Final) não deu em nada, apesar de ter contado com uma equipa de elite da Procuradoria Geral de Justiça em parceria com a Polícia Judiciária, porque pura e simplesmente usaram conversas privadas - que admito possam levantar certas suspeitas - sem que (1) tivessem autoridade para isso (logo incorrendo em ilegalidades processuais) e (2) sem que delas conseguissem extraír o que quer que seja para provar a tese de corrupção - juntando-lhes o pseudo-testemunho absurdo de alguém que foi nítidamente manipulada e que mentiu descaradamente durante os julgamentos.

Mas, tal como se previa, esta campanha orquestrada por gente que é no mínimo mesquinha de tanta inveja, que contou com o apoio do circo mediatico (TVs, Rádios e Jornais), que deu para publicar livros e realizar filmes, teve um sucesso inequívoco: Condenou na praça pública aquilo que os tribunais (vários) decidiram que não tinha matéria condenável.

Para terminar, porque já me alonguei demais neste espaço, pergunto ao Pedro que clube grande não terá elementos indesejáveis nas suas claques? Que adeptos de clube grande não cometem excessos verbais sempre deploráveis? E finalmente pergunto-lhe porque é que acha que o FC Porto é, nas suas próprias palavras "...o melhor clube Português dos ultimos 30 anos a nivel externo e interno..."? Será que a ideia peregrina da corrupção não é um fait-divers dos outros clubes para justificar as suas próprias falhas?

Um abraço


De Pedro Almeida a 10 de Março de 2011 às 01:32
Fez tantas perguntas que vou tentar responder a todas as elas.

Começo pela mais fácil. Concordo consigo, as claques não são exemplo para ninguém e infelizmente os dirigentes também não. Em todos os estádios se verificam aqueles episodios que mencionei em relação aos adeptos do FC Porto. Agora aqui num ponto teremos de estar de acordo, não lhe fez confusão que numa final Europeia, o Derlei marca um golo nos ultimos minutos de jogo e o clube q porque se ouve na bancada gritar é o SLB?

Quanto à pergunta em que tribunal o FC Porto foi condenado por corrupção, eu penso que o facto de ter perdido 6 pontos terá sido porque foram provadas irregularidades. Agora se lhe quer chamar corrupção ou outra coisa qualquer isso já serão preciosismos de linguagem. Não me diga que acredita na versão dos conselhos matrimoniais? É só isso que eu queria dizer, que por mais que digam que não foram condenados aquelas escutas estão la (legais ou não) e o que elas se referem é demasiado claro (para quem queira ver claro).

Estamos no campo dos "ses" em relação ao castigo do Hulk em Inglaterra. Concordo consigo em relação à suspensão por tempo indefinido mas isso não é um problema da justica desportiva Portuguesa, é um problema da justiça Portuguesa que se alastra à justiça desportiva. Se foi provocado ou não, eu também sou provocado no transito, na faculdade, no restaurante, e não parto nunca para a agressão física. Não sei quanto tempo estaria suspenso em Inglaterra mas pode ter a certeza que um clube como o Manchester ou o Arsenal multaria de certeza absoluta o seu jogador (coisa que duvido que um clube como o Benfica fizesse, daí que não tenha sido uma critica ao FC Porto mas sim à mentalidade dos clubes nacionais).

Finalmente, claramente que não me conhece para me vir dizer que aceito as verdades indesmentíveis da comunicação social Lisboeta pois não me lembro da ultima vez que comprei um jornal desportivo. Gosto de futebol, talvez por isso não o faça. O Fc Porto tem sido o melhor clube Português a nivel externo porque é manifestamente o mais bem organizado. O dominio em Portugal em muito ajudou a isso, não duvide. É o clube das negociatas, que compra um jogador do Nacional por um preço a que outros pediram o dobro. Não acha estranho o Atletico Mineiro preferir vender o Kleber ao clube que oferece menos dinheiro?

A verdade desportiva não está so em não subornar arbitros está também noutros esquemas. Está por exemplo no elevado numero de emprestados que o FC Porto mantem em todos os clubes nacionais, jogadores esses que nunca jogarão no FC Porto. Está na pressão permanente aos arbitros, aos dirigentes, a tudo o que lhes passa no caminho. Não se lembra do Vitoria de Guimaraes quando optou pelo lado do Benfica no caso da Liga dos Campeões? Perderam logo uma série de jogadores.

Cumprimentos


De hmocc a 10 de Março de 2011 às 02:42
Pedro, vamos por pontos:

1. A questão de muitos adeptos portistas (e doutros clubes) gritarem o slogan anti-slb que se conhece é uma questão de mentalidade de multidão. É como um cantico tribal de incitamento contra o maior rival e quando começado por alguém é difícil parar. Tal como o Pedro eu não gosto e nunca me ouvirá cantar tal coisa, mas não sejamos sectários: quantos cânticos não dedicam os adeptos encarnados ao Pinto da Costa e aos portistas em geral? Porque é que durante décadas o adepto portista era "carinhosamente" apelidado de "Andrade" pelos cívicos da capital?

2. O facto de terem sido deduzidos 6 pontos ao FC Porto não tem rigorosamente nada a ver com provas, e sim com regulamentos disciplinares da Liga / FPF. O FC Porto optou por (erradamente a meu ver) uma estratégia confusa em que acatou a decisão de culpa para o clube (porque tinha ganho o campeonato com 20 pontos de avanço e podia perfeitamente dar-se ao luxo de perder 6) mas repudiou a condenação ao seu Presidente (Pinto da Costa) com o intuito de fazer prevaler mais tarde as decisões dos tribunais civis em relação ao Processo Apito Dourado e dessa forma garantir a futura absolvição do clube. Quanto a mim esta decisão foi errada no plano emocional porque aceitou uma condenação fictícia apenas para não prejudicar a pontuação da época seguinte.

O Pedro afirma que as escutas "...estão la (legais ou não) e o que elas se referem é demasiado claro (para quem queira ver claro)." Ora se a matéria das escutas fosse assim tão clarividente, o Pedro não ache que pelo menos um dos vários tribunais que julgaram este processo não teria levado a condenações de facto? Realmente só existe condenação possível para quem quer ver culpa imputada nos outros a todo o custo.

3. Em relação ao Hulk (e ao Sapunaru) não estamos no campo dos "ses". O Hulk (e o Sapunaru), segundo o relatório do árbitro, agrediu um steward no túnel de acesso aos balneários e ainda que o steward não tivesse razão para estar no túnel nem fosse naquela data considerado agente desportivo (para efeitos dos regulamentos disciplinares apenas agressões a agentes desportivos podem ser sancionadas), e por isso devia ser punido - como foi. Acho que nisso estamos de acordo.

Agora suspender os melhores jogadores das principais rivais (Hulk e Vandinho) por largos meses deu ao SLB uma vantagem que em muitos outros sectores se chama de concorrência desleal e é punida por lei.

4. Se o Pedro for ler o que eu escrevi verá que não disse que o Pedro aceita tudo o que vem da CS lisboeta. Disse sim que é muito fácil acreditar nas versões disseminadas pela CS e até mesmo eu tenho dificuldade em distinguir o trigo do joio.

Como o Pedro não respondeu à minha questão no final do post anterior volto a perguntar: O dominio do FC Porto em Portugal é ou não, tal como os êxitos nas competições internacionais, baseado na mesma competência? Ou será que na realidade o FC Porto é tão corrupto que já tem a UEFA e a FIFA "no bolso"?

O Pedro acredita mesmo que o Atletico Mineiro queira ser a Sta. Casa da Misericórdia para o Porto e aceite um valor inferior pelo jogador Kléber? Desculpe mas isso é muita inocência.

Sem dúvida que o FC Porto sabe negociar jogadores. Faz parte do modelo de gestão do clube potenciar jogadores para realizar mais valias com transferências futuras. Mas também o Benfica o faz. Agora pergunto eu: O que é mais certo, contratar jogadores com bastante antecedência, e mesmo alinhavar potênciais negócios futuros, ou contratar um jogador essencial de um clube mais pequeno em vésperas de defrontar esse clube, e impedindo o jogador de alinhar nessa partida pelo seu (ainda) clube de origem?

A questão dos jogadores emprestados é daquelas que se é preso por ter cão e preso por não ter: Se se empresta o jogador e se o deixam jogar contra o clube-mãe "é certo e sabido que tal jogador fará o favorzinho" ao clube de origem. Se se empresta com um acordo tácito de proteger o jogador de tais acusações está-se a desvirtuar a competição e tal. Não há saída airosa. Se fosse eu a mandar reduzia o numero de empréstimos a clubes da mesma liga para evitar confusões.

(Continua)


De hmocc a 10 de Março de 2011 às 02:49
(cont.)

5. A "verdade desportiva" de acordo com os derrotados está sempre noutro lugar, no árbitro, nos dirigentes, no sistema. Enquanto pensarem assim os derrotados nunca perceberão que precisam eles próprios de melhorar a sua prestação para se tornarem mais eficientes e competitivos. Isto aplica-se à grande maioria dos treinadores e dirigentes de futebol. Arséne Wenger e José Mourinho são apenas dois casos crónicos da táctica de sacudir as culpas para cima dos outros.

Quanto ao que se passou com o Vitória, foi um escândalo! Quererem aproveitar-se de uma situação perfeitamente artificial para acederem à Liga dos Campeões sem mérito é algo no mínimo surreal. Se tivesse acontecido contra o Benfica em circunstâncias semelhantes, o Pedro acha que teriam continuado ambos os clubes com relações cordiais? Não me parece.


De Constantino a 10 de Março de 2011 às 14:14
Caro Miguel,

Por muito que possa parecer "limpar a agua do capote" a verdade é que erros arbitrais podem definir um jogo. Dirão uns que fazem parte do espectaculo, dirão outros que está na altura de encontrar novas formas para os diminuir. Dizer que isto é exclusivo de Portugal é redutor, pois basta olhar para o que se pasa lá fora sem o provincianismo da "galinha da vizinha..." para concluir que estamos perante um fenomeno global. A verdade contudo (e isto é indesmentivel) é que o advento do Apito Dourado levantou toda uma serie de dúvidas (fundamentadas em escutas) que a não condenação dos infractores apenas exponenciou. As ultimas declarações de um individuo condenado por corrupção tambem não ajudam a retirar o futbeol portugues do torpor da impunidade. Quando um cadstrado ironiza acerca do cumprimento da lei é como se um cutelo entrasse a direito na espinha dorsal da verdade desportiva em Portugal.
Contudo para mim, enquanto adepto de futebol e do Benfica em particular, o mais preocupante são as constantes manifestações de ódio sem precedentes com que o SLB é recebido no norte. É um caminho perigoso onde o futebol portugues parece começar a dar passos largos e nisto estou à vontade pois condenei e condeno actos como os protagonizados por adeptos do SLB nos anos 90 no Restelo, tal como condeno e condenarei toda a situação do very light, tal como condeno e condenarei os crimes pelos quais membros dos No Name estão a ser julgados.
O meu problema é que parece que tudo o que se passou nas ultimas visitas do SLB ao norte passaram despercebidas. A imprensa preocupa-se mais com factos acessorios do que com factos concretos. A imprensa fala do que foi dito nos altifalantes de Braga, mas pouco diz do que foi arremessado para o relvado.
Para mim, mais do que resolver os problemas arbitrais, o desafio que se coloca a quem de direito no futebol portugues é punir estes comportamentos agressivos e preocupantes. E quando digo punir não falo de multas de 7.400 euros. Falo de interdições a estadios e perda de pontos.

Abraço.


De Miguel Lourenço Pereira a 10 de Março de 2011 às 14:29
Constantino,

Bem vindo sempre. Respondendo ao teu comentário há dois pontos que gostaria de salientar.

Quanto à importância dos árbitros na decisão de um jogo, ela é real, mas tem uma proporção mais pequena do que imaginamos (muitos nem o admitem sequer). Como as condições climatéricas, o estado do piso, o factor casa, o árbitro é uma variável - e humana, ainda por mais - que está sujeita a mudar um resultado que poderia até ser previsivel. Mas, cuidado. Se leres alguns livros de economia desportiva - e há alguns muito bons - encontrarás vários estudos que demonstram que, por exemplo, a marcação de penaltys não altera em mais de 3% os resultados dos jogos a favor ou contra alguma equipa. E isso pode aplicar-se a cartões, expulsões ou faltas. O árbitro tem poder, muito para um só ser, e pode ser ou não influenciado/subornado, mas a sua importância é menor do que pensamos. Se as equipas fazem o seu trabalho, é só mais uma variável.

Quanto à atmosfera de que falas não só é real como também é esperada. Passou-se o mesmo nos anos 80/principios dos 90 com o FCP. Passa-se o mesmo há vários anos com o Real Madrid, a Juventus, o Marseille ou o Chelsea noutras ligas. É um espelho também da atitude dos clubes para com os rivais.
A campanha de marketing a favor do Benfica é legitima mas cria anti-corpos na sociedade, na percentagem que não é afecta ao clube. Cidades como Braga e Guimarães, historicamente bastiões encarnados no Norte, são agora centros mais volcados com os seus clubes locais e por isso mais sensiveis às politicas de superioridade moral/historica/populacional que o Benfica tem. Ter dirigentes e técnicos conflituosos nao ajuda ninguem (ve o caso do Real com o Mourinho e o Cristina, por exemplo) e há quem tome essa posição da forma errada e parta para a injustificada violência.

O Benfica, como o FC Porto, é uma grande instituição fundamental para o futebol português. Mas de há uns anos para cá tentou criar uma imagem de limpeza contra os sujos, quase todos os outros, sob a órbita do FCP. O que pode ou não ser verdade. Mas foi o discurso igual ao que o FC Porto utilizou nos anos 80 contra os sujos "de Lisboa" e que fez que qualquer viagem dos azuis fora fosse um inferno.

Menos confrontaçao de dirigentes, técnicos e jogadores e certamente que haverá mais tranquilidade nas bancadas. Os adeptos reagem muitas vezes por impulso e em paises conflituosos esses confrontos têm lugar de forma recorrente. E ninguém ganha nada com isso. Em sociedades mais tranquilas são raros.

um abraço


De hmocc a 10 de Março de 2011 às 16:23
Caro Constantino,

A condenação do FC Porto foi um acto de Justiça Desportiva baseado em suposições e não factos (já que nos tribunais "a sério" nunca o Clube ou o seu Presidente o foram), e aceite pelo FC Porto como única alternativa de resolver "em tempo útil" algo que se poderia arrastar durante anos. Fica-lhes mal, mas foi a opção estratégica que tomaram.

Quanto a declarações de dirigentes, como escreve o Miguel, quantas menos melhor: o futebol devia ser comentado apenas pelos seus participantes e intervenientes directos, ou seja, jogadores e treinadores. A atenção desproporcional que os media portugueses dão ao futebol leva a que a classe dirigente tenha um protagonismo indesejável e a meu ver desprestigiante para o desporto.

Quanto às questões dos adeptos, invoco outra vez os media para perguntar porque é que o Autocarro do Benfica apedrejado à entrada dos Carvalhos é notícia de abertura de telejornais enquanto que o apedrejamento de viaturas privadas de público portista dá apenas para nota de rodapé?

O comportamento dos adeptos é condenável nas 2 situações, mas é o FC Porto que é continuamente associado a todos os malefícios do futebol português.


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