Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

Antes do infame 11/09/01 há muito que as "Twin Towers" estavam presente no vocabulário futebolístico. Pelas torres que albergavam o mítico Wembley. Mas, principalmente, pela dupla mais letal do futebol inglês da década de 90. Só jogaram juntos dois anos mas foi suficiente para entrar para a história do futebol britânico. Definiram uma época em Old Trafford e foram, talvez, o último grande dueto atacante da história do Manchester United.

 

 

 

Quando Dwight Yorke confessa que o seu despertador matinal consistia numa chamada matinal bem disposta de Andrew Cole, torna-se fácil perceber os inúmeros sorrisos cúmplices que as câmaras de televisão captaram entre ambos durante os anos em que vestiram a mesma camisola.

A letal parceria Yorke-Cole era, sobretudo, uma dupla compenetrada até ao mais mínimo detalhe. Não era só a parecença física (daí o nome por como ficaram conhecidos) e a forma de jogar. Era como se entendiam.

Durante duas épocas (1998/1999 e 1999/2000) era recorrente ver passes entre ambos na zona de ataque sem sequer se preocuparem em ver onde o outro estava no terreno de jogo. Não era necessário. Há muito que o sabiam. Uma relação que não foi construída nos treinos diárias mas sim fora do centro de estágio. Cole e Yorke eram, sobretudo, parceiros. E no relvado jogavam como se estivessem num jogo de amigos. Relaxados, compenetrados e sempre com um sorriso. Uma dupla letal que Alex Ferguson montou para fazer esquecer o fantasma de Eric Cantona. E que lhe valeu uma época de sonho onde nenhum titulo foi deixado de lado. Os (muitos) golos de Yorke e Cole, as muitas assistências entre ambos (com a preciosa ajuda de David Beckham e Ryan Giggs) abriram caminha ao histórico Treble de 1999 e ao titulo de 2000. E quando os heróis de Old Trafford falhavam, sempre havia Solsjkaer e Sheringham, os suplentes de luxo que decidiam jogos, para rematar o dia. Eram dias felizes para os red devils.

Quando a dupla se desfez - em 2001, ano em que Yorke caiu em desgraça com Ferguson pela sua polémica razão com a modelo Jordan - o Manchester United ressentiu-se. Yorke ficou, mas a chegada de van Nistelrooy significou menos minutos de jogo para o caribenho. Cole foi vendido ao Blackburn Rovers - apesar dos protestos dos adeptos - e rapidamente se assumiu como a nova estrela da equipa, guiando os rovers à vitória na League Cup, com golo determinante incluído. No Verão de 2002 o seu amigo Yorke juntou-se-lhe uma vez mais e a velha dupla voltou a brilhar no Lancashire levando a equipa de volta às competições europeias depois de uma década de ausência.

 

Dwight Yorke sempre foi um avançado muito especial.

Corria como poucos dianteiros no futebol britânico e tinha um sentido posicional exímio. Despontou ao serviço do Aston Villa em 1990 depois do manager dos villains, Graham Taylor o ter descoberto numa tour realizada pelo clube em Trinidad e Tobago. Com 19 anos a sua adaptação foi lenta e durante muito tempo Yorke actuou longe da sua posição natural. Mas em 1995 começaram a chegar os golos e durante três anos disputou até ao final o prémio de melhor marcador da Premier League. No Verão de 98, e depois de um ano marcado pelo titulo do rival londrino Arsenal, Alex Ferguson, ainda orfão de um líder depois do abandono do futebol a finais de 97 de Eric Cantona, decidiu sacar do livro de cheques. Juntou o tobaguenho a um leque de reforços certeiros (Stam e Blomqvist) para atacar o titulo. 

Em Old Trafford o já veterano (28 anos) dianteiro encontrou a sua alma gémea: Andrew Cole.

Cole tinha-se tornado numa estrela por direito próprio do futebol inglês depois de fazer parte da grande equipa do Newcastle United, liderada por Kevin Keegan, que começava a dar nas vistas. Produto da formação do Arsenal, Cole era um avançado móvel e extremamente eficaz que combinava bem com o futebol-champange de Peter Beardsley e o ritmo veloz de Asprilla e Ginola. Subitamente, em plena corrida dos magpies pelo titulo, o clube não resistiu a uma oferta milionária . Cole chegou, viu e venceu e mostrou-se rápido a combinar com Cantona e Sheringham, os seus parceiros de ataque nos anos seguintes. Mas com Yorke o feeling era outro. Era especial. Desde o primeiro jogo juntos, em Setembro de 1998 que se notou que havia algo que relembrava as grandes duplas atacantes da história do clube como Law-Charlton ou Hughes-Cantona. Uma compenetração que foi rapidamente correspondido com golos (Yorke marcou 23, Cole marcou 19) e com exibições antológicas como os jogos em Barcelona, Milão e Turim que marcaram a caminhada para a noite histórica que deu o segundo titulo europeu ao clube. Nessa noite os heróis foram outros, mas as "twin towers" voltaram a ser um pesadelo para a defesa bávara. No final do momento 93 já tinham entrado na história.

 

 

 

A história do futebol está eternamente marcada por grandes parcerias. E é sempre dificil encontrar dois jogadores que transpareçam no relvado a boa disposição que os acompanha no dia a dia. Num futebol (principalmente o inglês) marcada por vedetismos, wags, problemas financeiros e uma boa dose de marketing, é sempre uma boa noticia quando o olhar cúmplice e relaxado de dois jogadores de alto nível garantem ao espectador a certeza de que os próximos 90 minutos serão de um espectáculo garantido. As "Twin Towers" fizeram sonhar mais do que um adepto. No fim de contas talvez tenha sido essa a sua maior conquista.



Miguel Lourenço Pereira às 10:37 | link do post | comentar

2 comentários:
De jdiniz a 26 de Fevereiro de 2011 às 14:28
é curioso: foi a partir desta dupla que passei a odiar a sério o united. e isso mantém-se até hoje.


De Miguel Lourenço Pereira a 26 de Fevereiro de 2011 às 19:08
Mas porque achavas que eram maus ou pelo bom que e eficazes que eram contra os rivais?

um abraço


Comentar post

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Fundamental.
EnfoKada
Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


FUTEBOL MAGAZINE. revista de futebol online


Futebol Magazine


Traductor


Ultimas Actualizações

Toni Kroos, el Maestro In...

Portugal, começar de novo...

O circo português

Porta de entrada a outro ...

Os génios malditos alemãe...

Be right back

2014, um Mundial de parad...

Brasil vs Alemanha, o fim...

Di Stefano, o jogador mai...

Portugal, as causas da hu...

Últimos Comentários
ManostaxxGerador Automatico de ideias para topicos...
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
En el libro último de Carlos Daniel ni siquiera se...
.Xavi e o melhor jogador meio campista atual e da ...
.Xavi e o melhor jogador meio campista atual e da ...
Posts mais comentados
69 comentários
64 comentários
47 comentários
Arquivo
.Do Autor
Cinema
.Blogs Portugueses
4-4-2
A Outra Visão
Açores e o Futebol
Duplo Pivot
Foot in My Heart
Futebol Finance
Futebol Portugal
Lateral Esquerdo
Leoninamente
Minuto Zero
Negócios do Futebol
Pitons em Riste
Porta 19
Portistas de Bancada
Reflexão Portista
TreinadorFutebol
.Blogs Internacionais
Os mais destacados blogs internacionais de futebol
.Imprensa Desportiva
Edições Online Imprensa
Aviso

Podem participar nesta tertúlia futebolistíca enviando os vossos comentários e sugestões à direcção de correio electrónico: Miguel.Lourenco.Pereira@gmail.com


Bem Vindos a Em Jogo...


Nota



O Em Jogo informa os leitores que as fotos publicadas não são da autoria do weblog sendo que os seus respectivos direitos pertencem aos seus legítimos autores.



Siga o Em Jogo através do:

Follow Em_Jogo on Twitter


Em Jogo

Crea tu insignia

Bem vindo!

Categorias

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO