Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

A saída de Darren Bent pode colocar em causa a espantosa época que se vive no Stadium of Light? Depois de uma primeira volta apaixonante, o Sunderland entra agora numa série de jogos fulcrais para confirmar se é realmente uma alternativa credivel aos rivais de sempre na luta pelos últimos postos europeus. A revolução silenciosa de Steve Bruce tornou o clube do nordeste num oásis de qualidade em terras de sua Majestade.

 

 

 

O antigo defesa de confiança de sir Alex Ferguson ficou irritado com Bent e com Gerard Houllier. E com razão.

Não só as negociações foram feitas nas costas do técnico como se mantiveram em segredo até ao último momento. O Aston Villa bateu o seu recorde, o Sunderland ficou a ganhar com uma caixa mais desafogada mas o técnico pergunta-se se a perda de Bent, aliada à inoportuna lesão do jovem Danny Welbeck, irá colocar em risco uma época até agora perfeita de um clube cinzento que fez do bom futebol de ataque o seu santo e senha para 2010/2011.

Bruce aposta claramente na filosofia ofensiva que Inglaterra parece que aprendeu a esquecer numa dimensão em tudo similar à do jogo do Tottenham de Redknapp. Um meio campo onde só milita um médio de contenção, o imensamente promissor Lee Cattermole, (e já capitão) pauta o ritmo balanceado para a frente dos vermelho e brancos. À sua frente, o futebol de toque e dá de Jordan Henderson, já internacional e uma imensa promessa do futebol britânico, encontrava até agora a conexão perfeita com um tridente composto por Wellbeck-Bent-Campbell.Todos atrás da grande referência deste projecto, o imenso Asamoah Gyan, talvez o jogador mais em forma do continente africano, se nos esquecermos por um pouco que existe um tal Etoo.

A relação de Bruce com o seu antigo mentor permitiu ao clube do nordeste manter uma relação próxima com o Man Utd. Daí chegaram não só os avançados Campbell e Wellbeck mas também o lateral Kieron Richardson, que pode fazer toda a ala num só sopro, hoje vice-capitão do conjunto.

 

Mas falar deste Sunderland é falar de profunda qualidade. Da veterania de Zenden e Malbranque ao promissor futebol do paraguaio Da Silva e do argentino Marcos Angeleri, o técnico nórdico conseguiu montar um esquema onde a fluidez ofensiva é o toque dominante.

A defesa, por onde andam também o irmão mais novo de Rio Ferdinand, Anton, o ex-internacional Titus Bramble e os promissores Onohuo e Turner, é a zona do campo mais frágil do conjunto do stadium of Light. Também porque o seu técnico prefere apostar no risco, sabendo que tem melhores possibilidades de singrar se a equipa actuar com a mente colocada no golo. Os tentos apontados pelo quarteto ofensivo, com o apoio de dois médios que jogam com tanto critério que destoariam facilmente em qualquer grande, são um cartão de visita imelhorável que faz desta a equipa revelação da primeira volta da Premier League.

Se todos os titulares se reservam para o quinteto da frente, a verdade é que a grande luta está no miolo com cinco equipas dispostas a tudo para ficarem com um lugar, o último posto europeu. Blackpool, Everton, Liverpool, Newcastle e Sunderland dão cor a este duelo mas apesar dos imensos talentos individuais dos dois conjuntos de Liverpool e da frieza táctica do recém-promovido Blackpool, é no duelo do norte que está concentrada toda a emoção. O Sunderland surge, mais do que nunca, com um projecto credível para instalar-se definitivamente no topo da tabela. Tem sólidas opções para cada posição, um técnico que gosta de arriscar e jogadores capazes de resolver jogos complicados com um golpe de génio. Bent era um desses nomes e a sua perda para um rival directo na luta europeia, um rude golpe. Substituido por Richard Fuller, ex-Stoke, outro avançaod de critério, o dianteiro não deixou muitos amigos. Mas pode deixar saudades se os golos do recém-chegado demorarem a entrar. E com eles a posição na parte alta da tabela dos Black Cats.

 

 

 

Seguir o campeonato inglês é seguir, principalmente, a luta das chamadas equipas de classe média. Com o dinheiro do Manchester City e a audácia do Tottenham dispostos a quebrar a hegemonia do Big Four, a luta pela sobrevivência no miolo do futebol inglês aperta-se mais do que nunca. Sem milhões para gastar mas com um projecto sólido, o Sunderland surge como uma ilha no meio do Oceano em plena tormenta. Cabe ao pequeno clube encontrar-se, uma vez mais, no coração da adversidade. Como no terreno de jogo, o único caminho é seguir em frente e com os olhos postos no golo. Na vitória. E na glória efémera.



Miguel Lourenço Pereira às 15:23 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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