Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Na época em que o futebol inglês renascia sob o génio e pena de maestros como Charlton, Law, Best, Ball ou Greaves, a swinging Londres vibrava com a eficácia espantosa de um jovem dianteiro que durante mais de uma década foi o avançado mais prolifero da capital. Heroi da final de 66, principe de Upton Park, guerreiro de White Hart...Martin Peters foi o rei de Londres.

 

 

 

Houve poucos goleadores tão graciosos e certeiros na história do futebol britânico como Martin Peters.

A sua carreira durante quase duas décadas, periodo em que se destacou como um voraz animal de área, predador de rapina, certeiro em todos os momentos. Abriu caminho ao serviço do West Ham United e tornou-se num dos rostos mais conhecidos do popular conjunto londrino na sua década de ouro. Com os Hammers marcou em dez anos um total de 81 golos em 300 jogos, desde a sua aparição pela célebre Academia Hammer em 1959 até ao seu establecimento como titular indiscutivel ao lado de "monstros sagrados"  como Bobby Moore e Geoff Hurst três anos depois. O seu ano de 1965 foi de tal forma categórico que o conservador Alf Ramsey não duvidou em chamá-lo ao lote de mundialistas ingleses que se preparavam para disputar o Mundial de 1966 em casa. A lesão do avançado Jimmy Greaves permitiu ao técnico inglês colocar em práctica um novo modelo táctico que há vários meses tinha ideado, com Charlton como falso ponta de lança por detrás da dupla de ataque de Upton Park. Peters foi colocado na linha de médios interiores com Allan Ball atrás de Hunt e Hurst. O modelo táctico, aplicado depois dos dois empates iniciais dos ingleses foi fulcral para a conquista do ceptro Mundial. No derradeiro duelo, contra a Alemanha, Peters apontou o 2-1 que parecia que daria o titulo aos locais. O empate nos derradeiros instantes de Weber adiou tudo para o prolongamento. O falso extremo voltou a ser fundamental na sua associação demoníaca com Ball, que centrou a bola para Hurst rematar à meia volta. O golo mais polémica da história do futebol virou o curso do jogo e da tarde e coroou o jovem dianteiro como um dos mais precoces campeões do Mundo da história. Tinha entrado no Olimpo.

 

Os quatro anos seguintes confirmaram Peters como um dos jogadores mais decisivos da 1st Division.

Com os seus colegas de selecção passou a ser um dos jogadores mais aplaudidos nos relvados ingleses e no auge da sua forma surgiu o Tottenham com uma oferta histórica então e o dianteiro trocou o West Side por White Hart Lane. O valor, 200,00 libras, fez história e marcou também o fim da carreira de Greaves - que trocou com Peters - ao serviço do Tottenham. Peters, como seria de esperar, marcou no jogo inaugural com a camisola branca e durante cinco anos passou a ser a máxima referência do jogo ofensivo dos Spurs. Nesse mesmo Verão de 70 voltou a brilhar com a camisola da Old Albion e frente à Alemanha, no encontro dos Quartos de Final, marcou dois golos, colocando os campeões do Mundo à frente do marcador por 2-0. Então Alf Ramsey cometeu um dos maiores erros tácticos da história, substituindo Peters e Charlton. A RF Alemanha agradeceu o gesto e deu a volta ao marcador. Peters saiu prestigiado e passou a ser capitão do conjunto inglês depois de Charlton e Moore terem anunciado a retirada após o torneio. Não voltaria a uma grande prova internacional já que a histórica Inglaterra passou os dez anos seguintes longe dos grandes torneios.

Em 1972, depois de vencer a League Cup, o dianteiro foi fundamental no duelo britânico frente ao Wolverampton Wanderers que deu ao Tottenham a sua primeira UEFA Cup, marcando nos dois encontros.

Em 1973 assinou um histórico poker em Old Trafford, no jogo que confirmou o fim da carreira de George Best e Bobby Charlton, que anunciariam pouco depois a retirada definitiva do futebol. No ano seguinte foi a vez do dianteiro abandonar White Hart Lane após perder a final da Taça UEFA contra o Feyennord holandês, num dos jogos mais polémicos da década. O jogo foi o último de Peters com a camisola branca. Trocou Londres por Norwich onde rematou os últimos dois anos da sua goleadora carreira antes de um curto periodo ao serviço do Sheffield United confirmar o que todos já sabiam. Foi aí mesmo que Peters trocou os relvados pelos bancos mas a sua carreira como técnico não foi tão prolifera como a de futebolista. Desencantado com o rumo do clube, trocou o futebol por um posto de executivo numa seguradora onde trabalharia nos vinte anos seguintes, afastando-se definitivamente do beautiful game, apesar das tentações regulares que lhe chegavam dos seus anteriores clubes para que colaborasse com eles nos seus projectos desportivos.

 

 

 

Jogador de um imenso talento criativo, Peters foi um dos primeiros falsos noves a brilhar no futebol inglês. Não era um dianteiro à moda antiga, como o seu colega Hurst nem um futebolista tão completo como o imenso Charlton. Mas desiquilibrava um jogo como poucos e ao serviço da selecção inglesa tornou-se num dos icones do futebol britânico da década de 60. Foi um atleta de excepção e um gentleman, dentro e fora dos relvados. Adorado por todos, apreciado por muitos, é ainda hoje é dificil encontrar um jogador tão entusiasmante capaz de herdar uma camisola que entrou para os anais da história do futebol inglês.



Miguel Lourenço Pereira às 14:24 | link do post | comentar

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