Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

A consagração de uma grande equipa logra-se nos palcos europeus. Se o Barcelona de Guardiola ou o FC Porto de José Mourinho não tivessem aliado o seu esmagador domínio interno à vitória na Champions League, hoje olhar-se-ia para essas duas equipas de forma bem distinta. Wenger tem essa assinatura pendente, Ferguson viveu durante muitos anos nesse vazio e o "Chelski" continua fora da elite porque falhou o assalto à "orelhona". O Benfica tinha, esta época, a oportunidade de ouro para demonstrar que a época passada não foi um acaso. Até agora a desilusão não podia ser maior. Este campeão está na prova errada.

Três pontos, os mesmos que o estreante Braga (nestas andanças) ou que o Cluj, Basel FC ou Marseille.

Muito pouco, demasiado pouco para uma equipa que regressava à Champions com ambição e um discurso que apontava mesmo à final de Londres, a 28 de Maio. Prosápia para vender jornais que não encontra qualquer tipo de justificação no relvado. Chegados ao equador da primeira fase o Benfica tem ainda abertas as portas do apuramento. Mas se o primeiro lugar do grupo é já uma miragem (o Lyon leva mais seis pontos e basta-lhe apenas uma vitória para carimbar a liderança) a verdade é que mesmo o segundo lugar começa a tornar-se algo bem mais complicado do que muitos previam. Num grupo claramente acessível, talvez o que mais na primeira fase, o Benfica apenas venceu o adversário mais débil, os israelitas do Hapoel Tel-Aviv. Uma derrota convincente na Alemanha, frente ao mais fraco Schalke 04 de que há memória em terras germânicas, e um repasso futebolistico em França, contra um renascido Lyon (que há um mês andava também pelos últimos lugares da Ligue 1) foram suficientes para deixar a nu todas as debilidades de uma equipa sem estofo para a alta-competição. Tal como se vai observando no desenrolar da Liga SagresZon, o Benfica planeou mal a época em que sabia que ia ter quatro frentes de combate bem abertas. A legitima ambição europeia empolgou os adeptos mas não encontrou eco na reestruturação do plantel depois de perder os dois elementos chave na reconquista do titulo nacional, RamiresDi Maria. O técnico Jorge Jesus perdeu a profundidade de campo que os dois sul-americanos lhe davam e teve de confiar nos regulares e nada espectaculares Carlos Martins, Ruben Amorim e Nicolas Gaitan para dar a volta. Sem sucesso.

 

Contra o Lyon o Benfica voltou a ser uma equipa mansinha, facilmente domada e, acima de tudo, tremendamente infantil.

Os franceses, semi-finalistas da época passada, são uma equipa de verdadeiro estofo europeu e levam já oito anos (a contar com este) com uma presença assegurada na fase a eliminar. Mesmo nos maus momentos, é uma equipa capaz de bater o pé a qualquer um. Que o diga o Real Madrid, na época passada. O Benfica chegou com um discurso de facilitismos e saiu com a licção bem aprendida. Gaitan viu em solo francês os cartões que habitualmente ficam no bolso em Portugal e deixou os colegas em inferioridade numerica contra uma equipa astuta como uma raposa e ferida no orgulho. O primeiro golo dos Gonnes surgiu das habituais desatenções do sector defensivo encarnado. Excelente remate de Michel Bastos, bola no poste, o lance continua a meio-campo, Gourcouff recupera a bola perdida infantilmente (uma de tantas) por Carlos Martins, e com o brasileiro monta um contra-golpe rápido e letal. Jimmy Briand, uma das grandes promessas do ataque gaulês, fez o mais fácil. Percebia-se bem a diferença de atitude, a mesma que levou ao repasso futebolistico em Liverpool na passada temporada, onde a falta de maturidade de Jesus e as desatenções do sector defensivo terminaram, abruptamente, com a campanha uefeira dos encarnados.

No segundo tempo o Olympique Lyon continuou o seu dominio claro e o Benfica continuava sem arranhar.  O jogo a meio campo era ganho pelo músculo de Pjanic e Gonalons, e pelo imenso talento do jovem Gourcouff, fundamental na campanha europeia do Bordeux no ano passado. Tal como contra o Hapoel (onde só o golo de Luisão evitou o escândalo) e contra o renascido Schalke 04 (com um Raúl já recordista), no desafio contra os franceses percebeu-se que a este Benfica falta algo mais que profundidade. Sem velocidade, sem espirito matador (um golo em três jogos) e sem concentração, foi fácil a Lisandro Lopez, o dianteiro, ex-FC Porto, que conhece bem a defesa encarnada, ampliar a vantagem. Um lance onde a defesa encarnada, pela enésima vez, viu jogar e acabou com as mãos na cabeça. 2-0, e obrigado.

Mais do que a derrota, ficou a imagem de que o SL Benfica é, realmente e ainda, uma equipa de Europe League. Não mostrou grandes diferenças em relação ao estreante Braga e deixou a nu a grande dificuldade das equipas portuguesas em medirem-se de igual para igual nos grandes palcos europeus. Vencer os próximos dois jogos torna-se portanto, fundamental, para sonhar com os Oitavos. Com o calendário a apertar, cada segundo conta. E este Benfica, há muito se nota, começou a época já a correr contra o tempo. Mau sinal, depois de tanta ambição!



Miguel Lourenço Pereira às 08:11 | link do post | comentar

4 comentários:
De Ricardo a 21 de Outubro de 2010 às 20:15
Muita parra e pouca uva, ou melhor, muita conversa fiada e pouca qualidade. É o que dá ter a mania das grandezas e as ilusões que são os maiores do mundo quando só vão à Champions League de tempos a tempos. Depois levam banhos de bola como o de ontem.


De Pedro Almeida a 22 de Outubro de 2010 às 00:29
Boa noite,

As tuas comparações são sempre de uma desonestidade incrível. Então vens dizer que o Benfica tem os mesmos pontos que o Cluj e o Basel FC mas eles estão por ventura no mesmo grupo que o Benfica? Porque não meter o AS Roma também ao barulho?

O Braga tem 3 pontos com 2 jogos em casa, o Benfica com 1 jogo em casa achas que isso não faz diferença?

Sou Benfiquista e acredita que tenho capacidade para respeitar outras opiniões mas há coisas que escreves que não são análises, não são factos não são nada, apenas bitaites de café. Que o Gaitan levou um cartão que não leva na liga zonsagres? Enfim...

O Lyon tem muito mais futebol que o Benfica e o Shalke04 apesar da má classificação no campeonato teria plantel para ganhar o campeonato nacional. Falar em grupo acessivel é uma mentira.


De Ricardo a 22 de Outubro de 2010 às 01:35
Caro Pedro Almeida,

A dura e fria realidade dos números nunca serve para os benfiquistas quando estão na mó de baixo. Você referiu o factor casa, mas este factor é sobrevalorizado. Veja-se o caso do jogo do FCP contra o Besiktas . Os turcos têm fama de criar ambientes infernais nos seus estádios mas isso não impediu que o FCP chegasse à Turquia e marcasse 3 golos (mesmo jogando com 9) e jogasse muito melhor (daí as palmas ao Hulk ).

Admira-me que não concorde com o comentário do autor em relação ao vermelho a Gaitán . O SLB não sugeriu aos seus adeptos para não irem aos jogos fora como forma de protesto em relação às arbitragens deste ano e para pressionar os clubes pequenos atacando-os nas receitas obrigando-os assim a votarem num candidato apoiado pelo Benfica (não é que o Fernando Gomes não tenha sido, mas agora já não presta porque está envenenado)? Ou convém apenas passar a imagem de que a arbitragem prejudica apenas e só o SLB para se poderem vitimar e terem uma desculpa para o fracasso que se advinha esta época?

As pessoas sérias costumam ser coerentes. Os Benfiquistas intitulam-se os maiores de Portugal e arredores baseando-se em...??? números. Quando é para ilustrar o número de golos marcados/sofridos o ano passado, das multidões que arrastam para os jogos em casa ou fora, dos campeonatos ganhos, de números de sócios e de delegações do Benfica por esse Portugal fora, aí já não se importam de nos esfregar na cara com números, estatísticas e rankings. É pena que esses mesmo números que sustentam a vossa megalomania não vos ensinem a ser mais humildes.

Quanto ao Lyon não ser uma equipa banal e ter potencial para ganhar a nossa liga: bem, agora já não parece ser assim tão normal ganhar ao Lyon, e se calhar já não são a equipa que a seguir ao Barça joga melhor na Europa, e se calhar também já não são os principais candidatos a ganhar a Champions League . Como as coisas mudam em tão pouco tempo, não é!?


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Outubro de 2010 às 08:18
Pedro,

Sinceramente, aqui não há nada de desonestidade. Escrevi bem e mal dos 3 grandes quando senti que o devia fazer. Quem falou em grupo acessível foi a equipa técnica do Benfica, do Rui Costa ao Jorge Jesus, não fui eu. Obviamente que há ironia no texto, mas simplesmente mantenho na análise a bitola que a equipa encarnada quis apresentar este ano na Europa: vencer.

O Cluj e o Basel estão num grupo com o vice-campeão europeu e o vice-campeão italiano. E o Braga tem os 3 pontos de serviços minimos, como eu lhe chamo e conquistados à única equipa a que eu sempre pensei que podiam ganhar. Passa o mesmo com o Benfica, de quem nao acho que tenha futebol nas pernas para superar um Lyon de 1 nivel e um Schalke 04 em crescendo.

Quanto ao cartão do Gaitan, honestamente acho que essas faltas, na liga portuguesa, nunca sao punidas, é a diferença de atitude dos relvados lusos ao que se passa lá fora. Mas o Benfica perdeu por culpa propria na Alemanha e ontem mais ainda, com uma transiçao deficiente do principio ao fim.

Sei que és benfiquista e razoável mas, precisamente por isso, espero que sejas capaz de distinguir entre a ironia de uma situaçao que eu esperava mas que, para muitos, era inimaginável, e a simples conversa de café.

um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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