Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

O abelhudo micro da reporter da Sexta espanhola apanhou um avispado Cristiano Ronaldo farto das perguntas sobre a sua falta de pontaria. Chamou-lhe "la puta ansiedad". Um problema que a imprensa gosta de hiperbolizar ao extremo e que afecta, num momento ou outro, qualquer jogador que viva do golo. Uma crise goleadora que já deixou de afectar o português mas que grassa por meia Europa deixando vitimas ilustres pelo caminho...

David Villa fintou o problema da "ansiedade", reforçando a ideia de que ele, como qualquer goleador de top que se preza, vive com ela desde que tocou pela primeira vez na bola. E é a mais pura realidade. No mundo do futebol jogam 11 contra 11 mas só há dois modelos de jogadores com os focos constantemente em cima: o guardião e o goleador.

Uma relação intimamente ligada com a sua evidente productividade. Um médio centro pode perder bolas e compensar com recuperações. Os extremos podem baixar o volume de assistências e resolver o problema com golos. Os centrais podem falhar marcações mas emendar-se com cortes cirúrgicos. Os guarda-redes e os ponta-de-lanças. Não vivem com a opção. O guara-redes é o eterno bode espiatório das derrotas, o homem que raramente é alabado pelas suas defesas e que acaba facilmente crucificado pelos erros. E vive com isso, melhor ou pior. Já o avançado pode trabalhar para a equipa, e aliás, esse dianteiro corporativo ganhou popularidade nos últimos anos com os técnicos mais disciplinados, mas o adepto nunca o perdoará se passa por um daqueles periodos de seca angustiado, de pólvora molhada. De perda do instinto assassino que faz parte do seu ADN. Sem golos o avançado perde a chama. Ele perde a confiança, o técnico duvida, o público assobia e o defesa rival cresce. É uma equação de fácil resolução. Basta a bola entrar. Uma vez. Mas, primeiro que entre...

 

Cristiano Ronaldo viveu esse estigma no inicio do ano.

O Bota de Ouro 2007/2008 tardou vários meses - e milhões de remates disparatados depois - até encontrar-se com o golo. E agora é o Pichichi da Liga Espanhola (e o rei das assistências também) e o jogador mais em forma do campeonato do país vizinho. E no entanto, há poucas semanas, tinha de conviver com a "puta ansiedad". Um problema que a imprensa desportiva diária, na eterna busca pela sobrevivência/lucro, gosta de enfocar. Comparativas, estudos, análises, flashbacks. Tudo vale para despojar o dianteiro do seu orgulho até que a bola não rompe com a lógica e establece a tranquilidade do golo ao seu dono, o goleador.

Agora são outros os "ansiosos". Em Espanha, David Villa, tem de viver com o peso da sua chegada a um clube que arrancou a época de forma mais titubeante que se imaginava. Nem o goleador do ano passado, Leo Messi, nem David Villa parecem encontrados com o golo. O argentino está numa forma deficiente desde o Mundial. O espanhol, goleador do torneio e contratação mais cara do defeso estival, já marcou com a camisola blaugrana. Mas pouco, demasiado pouco. Contra o Valencia, a sua antiga equipa, tiveram de ser Iniesta e Puyol a salvar a honra do convento. Pela equipa espanhola, só de penalty, na Escócia, o dianteiro conseguiu marcar. Depois de dezenas de oportunidades clamorosas ao lado. O seu companheiro de selecção, a meias entre lesões e um clube em pleno estado comatoso, Fernando Torres, é outro caso se ânsia incontrolada. O seu treinador, Roy Hogdson, menos compreensivo que Guardiola ou Mourinho, já deu a receita ao desinspirado homem golo. Mas até a bola não entrar, as palavras servirão de pouco. E que dizer de Diego Milito, o Principe que Mourinho ergueu em San Siro e que agora vive à sombra do vazio. Não marca, não faz jogar, não ilusiona. Esfumou-se no espaço e no tempo. Edin Dzeko e Ivica Olic, promessas eslavas cumpridas da Bundesligas vivem também o seu divórcio com o "thor". Como os Gomis, Lisandro, Gervinho e companhia na Ligue 1. Ou o inefável Wayne Rooney, que há meio ano que não marca a não ser de penalty. A ansiedade é um virus internacional.

Como sempre as ondas vão e vêm e o mar segue igual. O goleador que não marca hoje inevitavelmente marcará amanhã. Se exceptuarmos os casos dos dianteiros pontuais, com um ano em alta, a maioria dos grandes avançados do futebol internacional vivem de altos e baixos. Épocas de grande productividade vão caminhando ao lado de épocas de longas secas goleadores. Mas é preciso vender, interessar o público, dividir para reinar. Falcao, Liedson e Cardozo deixaram de valer porque a bola deixou de entrar? Villa, Torres, Rooney, Milito e companhia já não fazem parte da elite? Ilusões vendidas em papel barato de baixo custo. O futebol vive a sua própria linguagem, e no campo não há espaço para a "puta ansiedade".



Miguel Lourenço Pereira às 10:46 | link do post | comentar

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