Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

Num clube impulsionado pelos milhões árabes do petróleo, orientado por um controverso italiano e repleto de jogadores dos quatro cantos do Mundo seria de estranhar que a grande referência da equipa fosse um jovem inglês? Inevitavelmente. Mas Adam Johnson traz para a miscelânia de talentos que forma este City um toque de classe imprevisível.

Houve várias vozes criticas quando Fabio Capello divulgou a lista de 23 mundialistas no passado mês de Maio. Não havia espaço para Adam Johnson.

No entanto o jovem extremo, contratado pelo Manchester City ao nortenho Midlesborough, colhia o favoritismo da critica e do público para viajar com os Pross. Teve direito a um Verão de descanso enquanto que os internacionais voltavam de cabeça baixa. Também por isso ele é o rosto da nova Inglaterra. Mais solta, mais aguerrida, mais determinada. Johnson confirma agora, aos 23 anos, tudo aquilo que deixava antever há quatro épocas atrás quando irrompeu no Boro. Na altura ninguém era capaz de prever o descalabro do clube nortenho. O extremo estreou-se num duelo europeu contra o Sporting e teve tempo para crescer. Natural de Sunderland, um verdadeiro guerreiro do norte, Johnson traz em si a irreverência e descaro que habitualmente falta ao futebolista inglês, todo raça e ordem. As suas diagonais, o potente remate de pé esquerdo fazem lembrar os seus dois idolos de infância, David Ginola e Ryan Giggs. Tal como eles é capaz de desiquilibrar e abrir o campo de forma automática e autoritária. Uma modalidade tão invulgar que rapidamente fez dele um jogador a seguir. Mas Johnson precisou de tempo para explanar o seu jogo. No caótico Midlesborough soube irromper como estrela e os pontuais empréstimos a Leeds e Watford deram-lhe a força suficiente para entender o lado mais dramático do jogo.

 

Quando começou a render Stewart Downing, outra promessa por concretizar, poucos imaginavam que se estava a gestar um jogador tão determinante. A sua propensão pela diagonal em vez de optar pela corrida rumo à linha de fundo, trademark do extremo britânico, notou-se de imediato que havia ali um recorte particular. A pouco e pouco Johnson foi-se tornando na figura de uma equipa em queda livre. A saída de Downing para o Aston Villa abriu-lhe definitivamente a titularidade que o jovem agarrou com unhas e dentes. De tal forma que no meio de tantos milhões gastos em estrelas internacionais (Robinho, Tevez, Adebayor, Millner, Barry, Silva, Touré, Lescott, De Jong, ...) o Manchester City encontrou um miseros seis milhões de libras para trazer o jovem da luta pela promoção no Championship à disputa pela Champions League na Premier. Mark Hughes tinha dado o aval, Roberto Mancini, um virtuoso por excelência, deu a aprovação final.

Quatro dias depois de assinar pelos Citizens, Johnson estreou-se com a sua nova camisola rendendo Stephen Ireland, um dos poucos resistentes britânicos do clube do petróleo árabe, num duelo com o Hull. Foi o arranque de um final de época captivante. Três dias depois era eleito o melhor em campo, no seu primeiro jogo a titular, e imediatamente depois conseguia o golo do empate no confronto contra o clube da sua cidade natal, o Sunderland. A dez segundos do fim.

O final de época consagrou-o como o jogador diferente e o arranque da nova temporada só fez mais do que confirmar as expectativas. Mancini, rendido, já não nega a dar-lhe a condução da equipa, relegando até o campeão do Mundo espanhol, David Silva, para o fundo do banco de suplentes. O golo épico frente ao Newcastle, num jogo de loucos, é só mais um aperitivo para uma época que se antecipa longa. E cheia de espectáculo.

Encontrar uma jovem promessa inglesa que prometa algo diferente às vezes é tão complicada como encontrar uma agulha num palheiro. Adam Johnson tem esse toque de classe que tantas vezes escasseia. Já se assumiu como a diferença numa equipa paga a peso de ouro e onde o inglês é um idioma esquecido. Agora a próxima etapa é provar na selecção inglesa que a chama do futuro saiu do seu pé esquerdo. Ele é o factor britânico que faz a diferença.



Miguel Lourenço Pereira às 14:59 | link do post | comentar

2 comentários:
De Ivo a 6 de Outubro de 2010 às 16:14
Tem traços de Robben, mas muito mais limitado tecnicamente....


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Outubro de 2010 às 16:30
Ivo,

É um extremo mais na escola de Giggs (alguém já lhe chamou a resposta de Inglaterra ao galês) do que um tipico extremo criativo continental. Mas tem uma margem de progressão imensa.

um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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