Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

muito que a Kop deixou de entoar o You´ll Never Walk Alone para Roy Hogdson. O flamante técnico está mais só do que nunca à medida que o Liverpool vai mergulhando no precipicio. As bancadas de Anfield uivam o nome de Dalglish enquanto a tabela apresenta o pior arranque em 55 na história do Pool. Um longo suicídio desportivo que antevê mais um ano de pesadelo para os Reds.

O titulo do Chelsea na passada época foi celebrado euforicamente em Anfield Road.

Um estádio que há muito perdeu a alegria própria dos titulos teve de contentar-se com o triunfo dos londrinos que significou, na prática, que por uma época mais o Liverpool continua a ser o clube mais titulado de Inglaterra, apesar da omnipresença do Manchester United. Curioso é que o último titulo Red remonta a 1990. Vinte anos de derrotas atrás de derrotas. Vinte anos de equipas desfeitas e sonhos perdidos. A ascensão de Alex Ferguson significou o fim da hegemonia do Liverpool mas duas décadas a ver os titulos passarem por mãos de Leeds, Blackburn Rovers, Chelsea e Arsenal, tem sido um longo e interminável pesadelo. Que começa a ganhar contornos mais preocupantes à medida que a equipa montada por Roy Hogdson se despenha na classificação. Estão em postos de despromoção. E acabam de sofrer um pesado correctivo do recém-ascendido Blackpool. Diante dos seus. A situação não podia ser mais dramática.

Depois do muito criticado Benitez ter partido para Itália, muitos pensavam que o grande problema do Liverpool estava finalmente resolvido. O espanhol que chegou, viu e venceu uma Champions League (repetindo a final dois anos depois) nunca caiu no goto dos adeptos e a sua politica de contratações e rotações em jogos da Premier foram apontados como os elementos necessários para a constante falta de competitividade do clube na prova. Exceptuando 2008/2009, o Liverpool nunca roçou sequer o título, acabando por debater-se pelo quarto posto, algo que nem na passada época logrou. Nem com Steven Gerrard e Fernando Torres na equipa o histórico conjunto de Anfield encandilava. As lesões do espanhol, a intermitência do inglês e a falta de qualidade do plantel faziam o resto. Uma manta de retalhos que Roy Hogdson, popularizado pela campanha europeia do Fulham, não soube emendar.

 

O técnico perdeu antes de ter começado.

A polémica gestão de Tom Hicks e John Gillet, os gestores norte-americanos do clube, não permitiu grandes aventuras no defeso. Foram-se Javier Mascherano e Yossi Benayoum e entraram Joe Cole, Raul Meireles e Christian Poulsen. Curta mutação de um plantel débil em vários pontos e desanimado após anos de desaires. A falta de ambição de um técnico habituado a outros desafios e a baixa de forma evidente de vários pilares da equipa, de Torres a Reina passando por Gerrard, Agger e Johnson foi fazendo o resto. Derrotas ligueiras, sofrimentos na Europa e uma massa adepta desiludida até ao tutanto. Não foi por acaso que no passado sábado se ouviu o nome de Dalglish nas bancadas.

O histórico médio escocês não é só uma das figuras no terreno de jogo da história do Liverpool. É também o último treinador a poder proclamar com orgulho ter sido campeão em Anfield, com uma equipa que então roçava a lenda. Depois disso repetiu a dose ao serviço do Blackburn Rovers enquanto o seu Liverpool entrava numa espiral auto-destructiva trocando de técnicos e jogadores que excessiva facilidade. Nem a geração de Fowler e McManamman, nem os Owen e Heskey, nem Gerrard e Torres. Ninguém reencontrou a fórmula. Este Verão o veterano Kenny Dalglish ofereceu-se à direcção com alternativa. Foi imediatamente colocado de lado. Os adeptos não gostaram. Referenciam o escocês. E com sentido. E agora gritam por ele. Vêm no passado a única esperança para o futuro

Certo é que Roy Hogdson tem os dias contados em Anfield. O projecto do técnico não tem futuro e o próximo duelo - depois da pausa das selecções - é contra o eterno rival Everton. O clube do qual Bill Shankly só queria saber quando olhava para a parte baixa da classificação. Onde agora está o seu Pool. O velho técnico continua à espera de alguém que pegue na sua herança. Qual estátua de pedra à porta de Anfield, o velho Shankly espera poder voltar a sorrir. O céu está cinzento. Há nuvens no horizonte. Terá de continuar a esperar...



Miguel Lourenço Pereira às 11:56 | link do post | comentar

2 comentários:
De zé luís a 8 de Outubro de 2010 às 18:05
Como me custa, Miguel, ver assim o Liverpool.

No entanto, custa-me ver também ainda alguns erros no teu texto.

O Kop sempre adorou Benitez e o cântico "Rafa. Rafa, Rafa, Rafael Benitez" entoou sempre até ao último ano dele lá, quando as coisas efectivamente pioraram.

Foi o Blackburn, creio, que venceu o Liverpool na última jornada.

E Shankly tem uma estátua à entrada de Anfield, mas não na rua que deu o nome ao estádio, Anfield Road; está, sim, no largo em que se ergue precisamente o Kop, frente à Megastore ali debaixo, porque a Anfield Road é quase que uma viela maior e não dá espaço para tanto.


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Outubro de 2010 às 19:37
Zé Luis,

Bem sei que o Liverpool é o clube europeu da tua estima e que este ciclo sem fim já se alarga há muito, até para mim que nunca fui um grande fã dos Reds.

O jogo foi com o Blackpool, vi-o em directo e foi embaraçoso, nem os jogadores recém-promovidos acreditavam no que estava a passar. O uso da estátua do Shankly foi mais metafórico do que fisico, sempre quis ir ver um jogo na Kop mas nunca tive a oportunidade.

Quanto ao afecto por Benitez, sempre existiu, e no braço de ferro com a direcção o espanhol teve sempre o apoio dos adeptos. Mas também é fácil seguir nos foruns e sites de adeptos e na imprensa britânica que ano após ano o treinador ia perdendo crédito, particularmente pela desastrosa politica de contratações (desde a legião espanhola aos desconhecidos que chegavam e iam de uma época á outra) e de rotação que lhes tirava pontos importantes na PL, a grande obsessão do Pool.

um grande abraço e bem vindo sejas


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