Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Sobreviveu a um sequestro da máfia bulgaro e às criticas dos adeptos de Old Trafford. Durante dez anos Dimitri Berbatov nunca foi um jogador consensual mas sempre emergiu como um sobrevivente. O seu letal hat-trick ao Liverpool de Roy Hogdson deu razão a Alex Ferguson. Pode não ser emocionante como Hernandez ou fundamental como Rooney, mas o Manchester United precisa do seu guerreiro búlgaro.

Foram três golos que revelam bem o espirito de Berbatov.

O oportunismo do cabeceamento, a poucos minutos do apito final, realça o timing com que Berba costuma aparecer. Nos momentos decisivos. O dianteiro que Old Trafford aprendeu a odiar, particularmente depois de Ferguson ter gasto 30 milhões na sua contratação, mostrou finalmente as suas credenciais. Já não é novo. Aliás, é já um avançado veterano apesar dos seus 29 anos. Longe do arranque do flamanteinicio na Bulgária natal, onde brilhou no CSKA Sofia. Nessa época o seu sonho era jogar como Marco van Basten e actuar na Premier League. Cumpriu o segundo sonho (apesar do seu clube de eleição ser então o Newcastle de Asprilla, Ginola e companhia) mas acabou por perder na comparação com o ilustre holandês. A principio prometia. Tanto que um gang da máfia bulgara, liderada pelo procurado Georgie Iliev, o raptou para que assinasse pelo seu próprio clube, o Levski Kjustendil. Berbatov recusou-se, sobreviveu ao rapto e rapidamente se tornou numa celebridade num país ainda orfão da sua geração de ouro. Já nada na Bulgária restava da equipa de Stoickhov, Letchkov, Iordanov, Kostadinov, Penev e companhia. O caos abriu as portas ao jovem dianteiro que esteve perto de rumar a Itália mas que acabou por cair em Leverkusen, uma pequena cidade onde despontava o Bayer local. O seu impacto não foi imediato - longe disso - mas rapidamente se tornou num elemento fulcral na equipa de Klaus Toppmoller. Tanto que acompanhou Ulf Kirsten e Michael Ballack no ataque da equipa à Champions League em 2002. Na final começou por suplente e entrou para dar mais contundência ao pressing final dos alemães. Perdeu a final mas deixou a sua marca. Era já uma certeza.

 

O maravilhoso pontapé de bicicleta que neutralizou Reina leva-nos noutra viagem no tempo pela vida de Berba.

O único jogador a fazer sombra ao mitico Stoichkov (venceu por seis vezes o prémio de Jogador Bulgaro do Ano, uma mais que o polémico e genial Hristo) voltou a demonstrar a sua importância colectiva quando conseguiu o milagre impossível de fazer regressar a Bulgaria a um palco europeu. Foi no Euro 2004 e apesar da fraca prestação dos bulgaros, a sua presença em campo reforçou o seu estatuto de idolo no seu país natal. Dois anos depois, com muitas negociações atribuladas pelo meio, chegou a hipótese de concretizar o sonho. Berbatov assinou pelo Tottenham Hotspurs e provou finalmente o futebol da Premier League. Os seus primeiros golos traziam o perfume do leste da Europa. Conquistou rapidamente as exigentes bancadas de White Hart Lane numa parceria com o irlandês Robbie Keane que entrou na história do clube londrino. Marcou cinco golos num só jogo em Dezembro de 2006 confirmando a sua fama de goleador. Cada um dos tentos mais perfeccionista que o anterior. Ecos do que viriam a sentir os fãs do Liverpool quatro anos depois. Ferguson viu o jogo e apontou. O búlgaro tornou-se numa prioridade. A explosão goleadora de Cristiano Ronaldo e a emergência de Carlitos Tevez adiou a viagem. Em Setembro de 2008, quando Ferguson já sabia que tarde ou cedo perderia ambos os atacantes que dividiam o ataque com Wayne Rooney, os Red Devils avançaram com a contratação. Os adeptos esperavam uma máquina de golos, mas o dianteiro acabou por pagar as penas de uma época longa e sem grandes oportunidades. Rooney, Ronaldo e Tevez continuavam a ser a primeira escolha. A sua chegada era um objectivo a médio-prazo.

Mas sem Cristiano e Tevez para fazer-lhe sombra, Dimitri Berbatov continuou tão desaparecido como quando foi raptado. Marcou apenas 12 golos em 43 jogos em todas as competições. Muito pouco. A lesão de Rooney, em Março, abriu-lhe as portas. Era a oportunidade que precisava. Não a aproveitou e os adeptos não lhe perdoaram. No passado domingo fizeram as pazes. A metralhadora búlgaro parece já não estar encravada. Os adeptos suspiram por mais um renascimento do eterno sobrevivente.  



Miguel Lourenço Pereira às 15:57 | link do post | comentar

6 comentários:
De Pedro a 21 de Setembro de 2010 às 19:06
O segundo golo foi um momento genial!


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Setembro de 2010 às 08:34
A questão é que este é o Berbatov que encantou em Londres e por quem o Ferguson se fixou tanto. E o escocês é teimoso. Esperou um ano pelo lesionado van Nistelrooy e esperou dois para contratar o bulgaro sabendo já que perderia o Tevez e o CR7 em 2009.


De Koowijk a 8 de Outubro de 2010 às 16:01
Sem dúvidas o meu avançado de eleição, pode ser muito intermitente, mas aquele toque de bola está ao alcance de muito poucos. Berbagod!


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Outubro de 2010 às 16:10
Um grande avançado prejudicado pelo estilo do Man Utd e pelo conservadorismo de Ferguson que aposta pouco em 2 pontas-de-lança complementares como os da dupla Yorke e Cole.

Um grande talento e uma gigante intermitência!

um abraço


De Koowijk a 8 de Outubro de 2010 às 16:34
Exacto, essa intermitência tem feito com que os adeptos percam a cabeça com ele.
Muita gente chama-lhe clone barato do Ibrahimovic, pois eu discordo totalmente, este homem tem uma classe tão singular que não o consigo comparar a ninguém.

Abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Outubro de 2010 às 19:41
São jogadores diferentes, o Berbatov é mais colectivo que o Zlatan e também mais eficaz frente á baliza. Mas menos artistico e mediático perde por não ser um goleador certo.

um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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