Domingo, 19 de Setembro de 2010

O circo montado á volta da possibilidade de José Mourinho orientar a selecção portuguesa traz, uma vez mais, o selo inigualável de Gilberto Madaíl. O presidente da FPF não percebeu que a expulsão forçada de Carlos Queiroz também era, indirectamente, um cartão vermelho á sua politica directiva e procurou agarrar-se ao prestigio do mais consagrado técnico mundial para sobreviver. Acabou por multiplicar um problema de fácil solução. O resultado da equação é o enésime ridiculo do seu mandato.

Inédito talvez na história do desporto-rei. O convite que nunca chegou a suceder de Madaíl a Mourinho (e ao Real Madrid) para que o setubalense orientasse dois jogos - dois jogos chave - de Portugal na corrida a um Europeu que se vê cada vez mais distante roça o épico do disparate. Mina automaticamente o prestigio de qualquer um que venha a seguir ao inigualável Mourinho. Se esse é Paulo Bento, um técnico sem prestigio nenhum que soube acumular apenas segundos lugares durante os seus quatro anos como técnico principal, a situação é ainda mais confrangedora. Portugal perde - se é que alguma vez podia ter ganho - a possibilidade de ser orientado pelo técnico mais capaz do Mundo, num biscate de uma semana, e acaba por ter de se contentar com um técnico mediocre e sem o respeito que tantos já criticavam a Carlos Queiroz de não ter no meio futebolistico e junto dos adeptos. Porque se Scolari emergiu em 2002 como o "salvador da pátria", desfeita pelo erro em repetir aposta em Joaquim Oliveira, perdão, António, numa situação igualmente dramática como agora se adivinha (mas sem Geração de Ouro para resolver em campo os problemas do banco), pedia-se um golpe de efeito. Mourinho seria esse golpe?

Certamente, mas nunca num exercício a recibos verdes sem cobrança, por muito louvável que o seu patriotismo tenha emergido para contrariar a turba de comentadores que olha com desprezo aquele que mais fez pelo futebol português cá dentro e lá fora. Optar por um modelo como o que se viu na Austrália e Rússia de Guud Hiddink poderia ser uma realidade, não estive The Special One num clube glutão e incapaz de perceber, como o técnico, que as paragens no calendário para os compromissos das selecções são um calvário para um treinador que fica com meia dúzia de miudos para orientar. Mourinho teria razão em ficar desesperado com o egoismo do Real Madrid. Mas se a FPF nunca o realmente convidou...

 

Gilberto Madaíl, como bom português que é, com ou sem bigode, gosta de se eternizar no cargo.

Depois do Euro 2008 e da saída de Scolari quis reinventar-se chamando para o cargo o homem que iria revitalizar o morto (homícidio em primeiro grau) futebol de formação luso. Saiu-lhe mal a jogada. Queiroz é um mal amado incompreendido em Portugal, a equipa nunca o respeito e aqueles que ainda se lembram da primeira passagem do técnico pela equipa das Quinas receberam-no com as garras afiadas. Era um caso com final previsivel antecipado por um esquema que só em Portugal vingaria. Como vingou.

O presidente que tanto finca pé fez no técnico está agora num beco sem saída. Portugal corre o sério risco de, pela primeira vez desde 1998, falhar uma prova internacional. E a sua posturua durante o caso Queiroz tira igualmente pontos á dupla candidatura ibérica para a organização de um Mundial onde, realmente, Portugal só faria figura de corpo presente, sem sequer ter direito a jogos que mereçam a pena ser vistos. Recorrer a José Mourinho - que já tantas vezes falou sobre o seu interesse em ser seleccionador luso - foi provavelmente o golpe mais baixo do presidente federativo. Baixo para os adeptos, que durante horas sonharam com o seu particular salvador da pátria, para depois terem de se contentar com uma qualquer segunda escolha (pior ainda se essa escolha é Paulo Bento). Baixo para o Real Madrid, que há poucos meses apostou mundos e fundos no técnico português e durante esta semana não foi tido nem achado no esquema delirante da FPF e de Jorge Mendes, omnipresente dentro e fora do balneário do conjunto português. E, acima de tudo, baixo para o próprio Mourinho ao colocá-lo numa situação impossível. Dizer que não ao seu país era algo que Mourinho nem queria nem podia fazer, ele que sempre se viu como o técnico capaz de superar a fasquia de Scolari: vencer. Dizer que sim a Portugal significava desrespeitar um clube que apostou forte nele e que vive uma etapa de crescimento que necessita concentração máxima por parte do seu mentor. A opinião público madrileña, liderada pela inefável Marca de Eduardo Inda tratou rapidamente de colocar a opinião mediática contra o técnico e a federação lusa, o que já de si dificulta a labor de um treinador que ainda desperta reações extremas nos adeptos. Ao mesmo tempo colocou a direcção do Real Madrid num beco sem saída, incapaz de poder confirmar ou desmentir algo que, realmente, nunca sucedeu. Madaíl e Portugal no seu melhor.

Mourinho tem razão, não há grandes incompatibilidades entre ser-se seleccionador e técnico. Ele que orienta três jogadores titulares dos lusos, que conhece como ninguém o futebol português e os portugueses que actuam lá fora (incluindo o esquadrão espanhol). Ele que seria o elemento motivacional que o descreditado futebol luso necessita. Mas a hora - que chegará - ainda não é esta, particularmente porque, uma vez mais, na FPF não se souberam fazer as coisas. Madaíl esquece-se que a forma trapaçeira e rasteira de trabalhar em Portugal choca com um certo profissionalismo que vigora para lá de Vilar Formoso. Portugal e a sua selecção bateram fundo, uma vez mais. Oito anos depois do descalabor de 2002 Gilberto Madaíl continua igual a si próprio. Infelizmente, o futebol português também.



Miguel Lourenço Pereira às 11:25 | link do post | comentar

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