Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Durante a última década o Atlético de Madrid viveu num constante dilema interno. Cada vez que se aproximava dos seus objectivos parecia que uma qualquer fatalidade deitava tudo a perder. A alcunha de "Pupas" foi ganhando força entre os adeptos mais descontentes incapazes de imaginar que em pouco mais de meio ano o clube que Madrid às vezes esquece daria uma volta de 180 graus.

Ainda hoje é uma imagem impactante.

No estádio Camp Nou de Barcelona, meia hora depois da equipa da capital espanhola ter perdido a final da Copa del Rey frente ao Sevilla, a afición colchonera continuava no seu sitio. De pé. Aplaudindo. Gritando. Saltando. Um sentimento de orgulho numa equipa que meio ano antes parecia destinada ao abismo e que se soube reconverter no momento exacto. Os jogadores, deitados no relvado, não paravam de contemplar as hostes que tinham feito mais de seis horas de viagem para os apoiar. Ninguém prestava atenção ao palco, onde os campeões andaluzes celebravam o novo titulo. A força do Atleti estava ali, nas bancadas.

A equipa madrileña, eterna segunda força da capital desde a explosão definitiva do Real Madrid durante os anos 50, tinha acabado de vencer, dias antes, a Europe League. Um triunfo europeu que matava uma fome de mais de quatro décadas, a maior da história do futebol espanhol nos palcos europeus. Um triunfo sofrido, é certo, contra um inesperado rival, o Fulham inglês, mas que culminou numa noite inesquecível na praça Neptuno, no coração do paseo del Prado. Para inveja da sua vizinha Cibeles.

A vitória europeia do Atlético de Madrid e a presença na final da Copa del Rey ajudou a remendar um ano que arrancou desastroso. Sob o comando de Abel Resino, histórico guardião do conjunto rojiblanco, o Atlético fracassou estrepitosamente na Champions League e navegava em águas perigosas na Liga BBVA. A direcção optou por substituir o técnico pelo mais jovem e mediático Quique Sanchez Flores, com um passado reconhecido em Getafe e Valencia. Uma opção que fez tod a diferença.

 

Quatro meses depois a nave segue orgulhosa o seu caminho.

Dois jogos, duas vitórias no arranque da liga espanhola o que permite ao clube colchonero desfrutar de uma liderança utópica há anos atrás. A isso pode juntar-se a dupla consagração nos palcos europeus, com a vitória sobre o Inter de Rafael Benitez no palco monegasco onde se disputa a Supertaça Europeia. Um ano que arranca em grande e que promete grandes feitos para uma equipa que vive constantemente entre o céu e o inferno.

Diego FórlanSérgio Aguero, as traves mestras do 4-4-2 que mais se parece a um 4-2-4 ultra-ofensivo que Quique Sanchez Flores implementou a partir de Fevereiro passado, continuam aí, como as grandes referências de uma entidade que parecia ter perdido um lider quando Fernando Torres, o precoce capitão, rumou desalentado a Liverpool para esquecer as penas de anos de frustrações sucessivas. Com Torres (e Maxi Rodriguez, e Petrov e tantos outros), o Atlético pareceu sempre um bom projecto de equipa que nunca saiu do papel. Apuramentos europeus inconstantes, muitas jornadas de sofrimento e derrotas quase inevitáveis nos duelos com o eterno rival da capital foram desalentando os adeptos. A imprensa, afecta ao Real Madrid, começou a catalogar os adeptos do clube que não celebra um titulo de liga desde 1996 (ano em que conseguiu o "Doblete" com um onze fora de série), de "Pupas", ou seja, os eternos "doi-dois" infantis, sem estofo para uma prova de adultos. Um rótulo que foi ficando e que levou mesmo a direcção a arrancar uma campanha de marketing para os mais novos que começava sempre com a frase "Papá, porque soy del Atleti?". Anos depois das frustrações acumulados, os mais pequenos já o sabem. O Atleti voltou a ser a equipa de moda, levando os principais analistas a considerar o onze do Vicente Calderón a única equipa capaz de fazer frente ao excessivo poderio que continuam a demonstrar Barcelona e Real Madrid numa liga de estrelas demasiado bipolarizada.

Nem a saída de Jurado, no último dia de inscrições para o Schalke 04, parece esmorecer as ambições dos adeptos. Com o flamante De Gea nas redes, Perea reconvertido num defesa fiável, Ujfalusi e Dominguez certos nas alas e Camacho, Gomez, Mérida, Assunção, Reyes, Simão e Tiago no apoio ao "duo-dourado" do ataque, o Atlético pode, realmente, ambicionar a tudo. 

Num clube com uma história tão grande amor e ódio com o sucesso tudo é possível. Haverá sempre o cínico que pense que no final do ano os foguetes da festa colchenera à muito que estarão no longinquo esquecimento de mais um ano de desilusões. Mas dois triunfos europeus e uma final perdida em três meses é mais do que a maioria dos adeptos e dirigentes seriam capazes de imaginar. Voltar à Champions, repetir o brilharete europeu e bater-se de igual com os dois grandes de Espanha são os desafios do ano. Não são pequenos, mas o Atleti tão pouco o é... 

 



Miguel Lourenço Pereira às 14:00 | link do post | comentar

3 comentários:
De Joao a 12 de Outubro de 2010 às 14:57
Adoro este blog e já o sigo à alguns dias a seguir todos os artigos. Não entendo quase nada de Weblogs, será que há maneira de receber os mais recentes posts e os novos comentários no meu mail?


De Miguel Lourenço Pereira a 13 de Outubro de 2010 às 08:42
Caro João,

Obrigado pelas amáveis palavras e pelo comentário e não faz falta repeti-lo seis vezes com nomes diferentes ;-)

Respondendo à sua dúvida, o EJ não disponibiliza nenhuma newsletter que chegue directamente ao seu mail pelo que as suas visitas serão sempre bem vindas!

um abraço


De espanhol a 13 de Maio de 2013 às 11:58
Max Merkel, el mejor entrenador que ha tenido el Atlético de Madrid.....


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