Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Com a bola a rolar finalmente sobre os relvados no pouco de erva por chamuscar que sobra num país suícida, os três grandes deram os primeiros sinais das suas reais fortalezas e debilidades, enquanto que o imperial Braga demonstra dar sinais de que a época passada continua e a paragem de Verão foi apenas um mero aparte na sua irresistível ascensão desportiva.

Dois candidatos ao titulo arrancam a prova a zero. Os restantes com vitórias que deixam sensações distintas.

Se o Braga tem a Champions League e esse sonho complicado na mente, o FC Porto começa a nova época a bom ritmo. Depois do repasso futebolistico aplicado a um desmembrado Benfica, tocou sofrer na Figueira da Foz. Um sofrimento demasiado habitual no ano transacto mas que a equipa azul e branca desta vez soube resolver. Com paciência, maturidade e audácia. O onze do FCP foi incapaz de repetir contra a Naval a mesma exibição de gala que lhe permitiu vencer a Supertaça. O jogo lateral não funcionou e no meio João Moutinho ainda não demonstrou que a sua inteligência sem bola é contagiante quando o esférico lhe chega aos pés. O meio-campo a três do Porto viu-se superado, perdendo a chama que tinha marcado a diferença face a um Benfica bem peneirente, e só quando André Villas-Boas percebeu onde estava o erro é que a vitória se tornou inevitável. Surgiu de penalty (uma raridade na época passada) e dos pés de Hulk, o mal amado. Inconsequente no terreno de jogo, o brasileiro resolveu com a sua habitual fúria o problema do golo. Um triunfo suado, mais do que deveria ter sido, e que espelha bem o processo de construção que ainda sobrevoa a mente do técnico portuense. Este FCP é um ganhador em metamorfose ao contrário do Braga, uma equipa que vence pela convicção e pelo hábito de ganhar. É um triunfo de ânimo, mais do que classe. Mas também é dessa, a matéria dos campeões. Por muito glamour que se queira ver, o arranque é sempre uma etapa complexa numa equipa ainda demasiado rodeada de indefinições, de trás para a frente.

Talvez por isso também se entenda melhor a derrota do Sporting.

O azar, o manifesto azar, impediu Paulo Sérgio de voltar a vencer no estádio onde se deu a conhecer de forma categórica como um técnico de arrojo. O Paços de Ferreira foi fiel ao seu espirito combativo que tem permitido à equipa da Capital do Móvel passar, sem grandes apuros, pelas últimas edições da Liga dos dois patrocinadores oficiais. Rui Vitória, outro técnico com passado interessante e uma clara ambição, soube que era na raça e na inferioridade que assentava a superioridade dos pacenses. Uma equipa em construção, como é a do Sporting, com o peso do nome em cima é um rival complicado. Débil na origem, inevitavelmente forte no nome, as expectativas que o Sporting levanta, dá pouca margem de manobra. A veteranização de um clube nos últimos anos marcado pelo seu caracter juvenil é um processo de complexa assimilação. Apostar em jogadores marcados, mas com menos fulgor nas pernas, é uma faca de dois gumes. Paulo Sérgio inventou com Daniel Carriço no eixo do miolo defensivo, mas não foi nesse detalhe que os leões naufragaram. A ineficácia ofensiva de um conjunto muito débil nos derradeiros metros custou caro. Nem a maturidade dos novos nomes pode valer, quando os niveis de concentração se arrastam pelo relvado. Do previsivel ao inevitável, a saga leonina arranca titubeante.

Na Luz viveu-se a grande surpresa da jornada. Ou talvez não. O Benfica exuberante da época passada durou três meses, de Setembro a Dezembro. A partir daí viveu-se uma fase musculada e marcada por inevitáveis golpes de asa dos pés de alguns dos seus mais ilustres virtuosos. O mérito de Jesus foi saber manter a equipa na linha, com os niveis de motivação sempre altos, mesmo contra os rivais mais débeis. Mas essa mentalidade perde força quando a equipa abdica do musculo (Ramires) e do génio (Di Maria) que resolveram os grandes problemas do ano do titulo. Sem a velocidade do argentino a equipa é coxa e, portanto, previsivel. A falta de uma alternativa a Fábio Coentrão no eixo defensivo corta a asa esquerda da águia. A incapacidade de encontrar um jogador tão presencial como o internacional brasileiro, corta o pulmão da equipa. Os restantes elementos continuam presentes, mas são vitimas claras de uma equipa descompensada perigosamente em posições chave. Abdicar de jogadores insubstituiveis e colocar outros, de caracteristicas diametralmente opostas (Gaitan pela esquerda, Carlos Martins descaido na meia-direita) é forçosamente desmembrar uma equipa que encantou, precisamente, pelo seu estilo. Jesus provavelmente terá de apostar no falso 4-3-3, dando protagonismo a Jara. Abrirá o jogo, uma vez mais, mas debilitará o combate a meio que tantas vezes ganhou com o esforço de Ramires-Javi Garcia na época passada.

 

No meio dessas dúvidas existenciais que assaltam a mente do campeão, a Académica de Jorge Costa emulou o seu treinador. Ferreamente disciplinada, soube dar o golpe no momento certo, aguentar fileiras. O golo de Laionel foi a cereja no topo do bolo. Desta arranque de prova.



Miguel Lourenço Pereira às 14:33 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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