Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Nem Ronaldo, nem Maradona, nem o seu homónimo Gerd Muller lograram o feito de vencer a Bota de Ouro de um Mundial de Futebol com apenas 20 anos. O jogador que há um ano actuava na equipa B do Bayern Munchen é a mais excitante revelação do futebol internacional dos últimos anos. Um jogador chave na estratégia da bela Alemanha que deixa as melhores recordações desta prova sem sal. O futuro é todo dele. O presente também.

Imaginemos que Miroslav Klose, com 32 anos, ficou a apenas um golo de igualar o recorde histórico do brasileiro Ronaldo como o maior goleador da história dos Mundiais. E que o dianteiro do Bayern Munchen tem os mesmos golos que outro Muller, o histórico torpedo da Mannschaftt de 70 e 74. São 14 golos. O recorde está em 15. O jovem Thomas tem já 5. E toda a vida pela frente.

Matematicamente é de esperar que, se as lesões e as improbabilidades da história não entrassem nesta equação, que o genial extremo direito alemão tenha cumprido o seu primeiro de quatro Mundiais. Uma meta acessível para qualquer jogador hoje em dia, o que permitira a Muller marcar presença na prova de 2022 com a mesma idade que o seu parceiro de agora, Klose. Essa realidade ficcionada deixa água na boca. Poderá ser este o homem capaz de fazer história e romper a hegemonia de um brasileiro no meio de tantos alemães?

Antes da prova muitos pensavam que o jovem avançado que Louis van Gaal soube convertir em extremo não teria lugar no onze titular de Joachin Low. Nem Diego Armando Maradona o conhecia. O jovem tinha começado o ano na equipa de reservas, depois de se estrear por breves minutos na época transacta com a equipa principal. Mas face à revolução ofensiva do holandês no ataque do conjunto bávaro, Muller teve direito a passar de figurante a actor principal. E agarrou o papel com as duas mãos. O Óscar tornou-se inevitável. Determinante na época quase perfeita do Bayern Munchen, o extremo ficou com o amargo de boca na noite quente de Madrid, a 22 de Junho. Jurou voltar. Certamente que o fará.

 

Na África do Sul foi a figura mais apaixonante do torneio.

Apesar de ser Bastian Schweinsteiger o pendulo do jogo de rápida transições aplicado por Jogi Low, o verdadeiro dinamo e alma do ataque teutónico foi sempre Muller. A inconstância de Ozil, um diamante bruto ainda a precisar de um retoque, e a irregularidade da velha dupla Podolski-Klose, tornava a surpresa na arma secreta necessária para abrir os buracos mais complicados.

A rapidez de Muller destroçou a defesa da Austrália. Nesse jogo o dianteiro marcou o seu primeiro golo, um exercicio perfeito de classe e oportunismo. Estava dado o mote para uma prova quase perfeita. Frente à Sérvia lutou, como todos, e olhou impávido para o erro de Podolski no lance do penalty. Contra ao Gana fartou-se de lutar para abrir espaços como o que deu a Ozil o golo do apuramento. Depois, surgiu a sua melhor versão. Com dois golos destruiu por completo a armada inglesa. Sentido de oportunismo, rapidez e fome de glória. Elementos determinantes para a forma como dobrou a defesa argentina, antecipando-se a tudo e todos por o primeiro golo e rematando de forma gloriosa a tarde com um passe deitado no chão, no meio da defesa che, dando-se a conhecer a Maradona e companhia.

Nesse jogo chegou o cartão amarelo, o seu segundo na prova. Injusto, inoportuno, inesperado. Privou-o do duelo decisivo contra a Espanha. Sem ele a Alemanha foi uma máquina perra, previsivel e sem chama. Percebeu-se qual era o elemento diferenciador. Uma vez mais. Sem jogar no encontro mais importante, Muller teve direito a uma segunda oportunidade, daquelas que o futebol é parco em oferecer. No duelo contra o Uruguai foi rápido, foi determinado. E marcou. O golo que lhe permitia sonhar com a história. Se era inevitável a sua consagração como Melhor Jogador Jovem, faltava que a conjugação de resultados o permitisse subir a outro patamar. E assim foi. Nem Villa nem Sneijder marcaram. Os minutos decorriam no Soccer City. Quando o jogo terminou, os espanhóis festejaram. E Muller também. Afinal, a Bota de Ouro, esse prémio que todos os avançados veteranos almejam, tinha parado nos pés do mais jovem e inexperiente dos candidatos. Daquele que sempre acreditou.

Thomas Muller é um jogador completo mas com uma imensa margem de progressão. Num mês causou mais impacto que estrelas de outras galáxias, como Cristiano Ronaldo ou Leo Messi, que já vão no seu segundo Mundial sem deixar uma retrato tão impactante e apaixonante como o teutónico. Os próximos anos serão fuclrais na afirmação desportiva do mais jovem goleador de um Mundial de Futebol desde os dias de Pelé. Numa palavra, inimaginável. 


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Miguel Lourenço Pereira às 12:46 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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