Sábado, 10 de Julho de 2010

Não é preciso esperar pela final que consagrará um campeão inédito para encontrar o 11 ideal do Mundial 2010.

Um Campeonato do Mundo demasiado pobre, demasiado estático, sem emoção e jogos para entrar na galeria dos momentos mais altos do futebol. Mas, mesmo assim, com alguns jogadores a exibirem-se ao mais alto nível. Uma eleição complicada, com algumas exclusões naturalmente injustas. É assim tudo na vida, até no futebol!

 

 Eduardo

 

Apesar de ter saído demasiado cedo, foi o guarda-redes mais espectacular da prova. Sem patriotismo. Eduardo exibiu-se a um altissimo nível nos três jogos onde foi chamado a intervir (e também nos momentos iniciais da goleada à Coreia do Norte). Frente ao Brasil esteve particularmente acertado, revelando uma tranquilidade inesperada. No duelo final contra a Espanha saiu derrotado pelos erros defensivos dos colegas, porque até o primeiro remate de Villa soube parar. Um desperdício que nenhum grande da Europa se atreva a contratá-lo. Fica o Genoa a ganhar.

Philip Lahm

 

Imenso até ao jogo decisivo. Tal como em 2008 o lateral direito germânico revelou-se uma verdadeira máquina defensiva, até que encontrou os espanhóis. Se então ficou muito mal na fotografia, desta vez foi apenas mais um dos inofensivos germânicos. Mas até lá foi um verdadeiro regalo aos olhos. Fundamental nas transições com Muller e Schweinsteiger, o capitão germânico tornou-se num terceiro médio, provocando os desiquilibrios que destroçaram todos os rivais alemães até à fatídica meia-final.

Fábio Coentrão

 

A grande revelação da prova (para os que já conheciam Muller).

Carlos Queiroz confiou-lhe a titularidade, depois de Jorge Jesus ter operado uma verdadeira mutação táctica no jovem extremo que baixou a lateral. Se no jogo inicial foi lutador, mas contido, contra a Coreia do Norte revelou-se o elemento mais desiquilibrante do ataque luso. Face ao Brasil aguentou a dificil tarefa de marcar Maicon e Dani Alves. Mesmo contra a Espanha foi batalhador e eficaz no duelo directo com Iniesta e Sérgio Ramos. A sua transferência é mais do que merecida. É inevitável.

Gerard Piqué

 

Continua a dar provas de que é, sem dúvidas, o melhor centro do Mundo. E talvez o melhor de uma geração.

Foi essencialmente graças ao seu esforço que a equipa espanhola chegou à final como a defesa menos batida da prova. Teve culpas no golo da Suiça, no jogo inaugural, mas a partir daí não voltou a cometer um solo erro. Tragou o ataque chileno, as investidas paraguaias, o jogo de Cristiano Ronaldo e o posicionamento de Klose. Tudo sem perder a classe que o caracteriza, a forma solta como sai a jogar e é o primeiro a lançar o ataque. Completissimo, Piqué é alma e coração da defesa espanhola, um verdadeiro colosso imbatível.

Diego Lugano

 

A sua ausência no jogo da meia-final fez-se notar. Diego Lugano foi durante toda a prova um farol para o conjunto do Uruguai.

O central celeste foi cerebral na manobra defensiva de uma equipa muito segura, que passou da primeira fase sem conceder um só golo. Marcação implacável, soltura com a bola nos pés, velocidade nas transições. Tudo isso foi Lugano durante quatro jogos. No duelo contra a Coreia do Sul esteve uns furos abaixo da sua melhor forma mas ressuscitou de forma impressionante contra o Gana. Confirmou ser um digno herdeiro da velha escola de eficácia defensiva sul-americana.

Sebastian Schweinsteiger

 

Se a Alemanha tivesse ido à final, estariamos sem dúvida a falar do MVP do torneio.

A transformação do médio alemão é um dos fenómenos desportivos do ano. Louis van Gaal pegou no extremo veloz mas sem precisão e transformou-o num médio volante de exímia qualidade. Todo o bom jogo alemão saiu dos seus pés. A raça e a luta que sempre o caracterizaram uniram-se agora à destreza e rápida leitura de jogo. Fulcral no movimento trás para a frente da Mannschaftt, o médio assistiu e fez brilhar os colegas. Faltou-lhe o golo e o toque de mestre no jogo com a Espanha, onde, em inferioridade númerica, perdeu a luta do meio-campo. Outra vez.

Xavi Hernandez

 

Poucas palavras existem para descrever Xavi Hernandez.

Há vários anos que o seu estilo de jogo senta cátedra no futebol mundial. Um elemento que tem um acerto de 85% de todos os seus passes no Mundial (mais de 2 mil passes certos em seis jogos) e que pauta todo o jogo de uma equipa a seu belo prazer, só pode ser bom. Xavi é genial. A escola de jogo horizontal do Barcelona, que Espanha copiou em 2008 e desde então tem utilizado a gosto, é sua. Falta-lhe a coragem para marcar, essa obsessão com o último passe que destroçou a maioria das defesas na prova, desde o Chile a Portugal, passando por Paraguai e Alemanha. Aos 30 anos está no zénite da sua forma, consagrado como o mais completo jogador do futebol mundial. Porque sem Xavi esta equipa espanhola era um conjunto absolutamente vulgar. De isso não sobra nenhuma dúvida. 

Thomas Muller

 

Os mais distraidos, como Maradona, não conheciam Muller. Passaram a conhecer.

O extremo direito que Van Gaal resgatou da equipa B do Bayern Munchen para lançar ao estrelato, explodiu na Alemanha. Foi o melhor jogador jovem da prova, uma verdadeira lufada de ar fresco. Quando falhou Muller, falhou a Mannschafft. Mais claro, impossível.

Marcou quatro golos, um registo de sonho para um estreante de 20 anos, e assistiu para outros dois. Foi chave na transição ofensiva e fez com Ozil e Schweinsteiger, um trio inesquecível. O seu descaro arrasou com Inglaterra e Argentina. A sua ilusão faltou quando era mais necessária, fruto de um desses cartões amarelos que mancham um Mundial muito pobre em arbitragens. Merecia mais.

David Villa

 

É avançado mas passou o torneio descaído no flanco esquerdo. Onde se revelou letal.

David Villa é há quatro anos o avançado mais em forma do futebol espanhol. Perde em poder mediático para Fernando Torres, mas ganha em eficácia. Foi o melhor marcador do último Euro e parte amanhã para um duelo a quatro com Klose, Muller e Sneijder pelo titulo de melhor marcador da prova. Já tinha marcado por quatro vezes em 2006 e foi peça chave para as vitórias pela minima da equipa espanhola contra Portugal e Paraguai. Fundamental pelos golos e pelo trabalho fisico imenso, a nova contratação do Barcelona (que inteligentemente fechou o negócio por 40 milhões antes da prova) está em estado de graça. Um dos nomes próprios da prova.

 

Wesley Sneijder

 

O MVP do torneio. Passe o que passar.

Ver jogar Wesley Sneijder este ano é uma delicia a que poucas vezes os adeptos têm direitos. Se fosse um jogador com maior marketing (leia-se Zidane ou Xavi), o Mundo tinha perdido a cabeça com a época deliciosa do holandês. Ganhou tudo o que havia para ganhar num clube que não ganhava na Europa há 45 anos. Depois pegou aos ombros na selecção holandesa e fez o que nem Gullit ou Bergkamp lograram. De volta à final de um Mundial. Quer perca ou ganhe, esta prova será sempre a do carequinha holandês, com um disparo irreverente, um sentido de oportunidade imenso e um espirito de grupo fulcral para o modelo de jogo aplicado pela Holanda mais mecânica.

Diego Forlan

 

Quem imaginaria que o Uruguai, aquela equipa que os mais novos só conhecem dos livros de história, poderia voltar a chegar às meias-finais de um Mundial, 40 anos depois? Nem os 3 milhões de uruguaios se atreveriam a tanto. Só Fórlan acreditava. E acreditou sempre. O dianteiro do Atlético de Madrid, fulcral na vitória da Taça UEFA este ano, foi um verdadeiro diabo à solta neste Mundial. O seu remate certeiro destroçou o sonho sul-africano e a esperança ganesa. O seu jogo colectivo anulou o meio-campo francês e a intempestiva Coreia do Sul. Mesmo contra a Holanda, quando todos pensavam que a missão estava cumprida, Fórlan fez os seus sonhar. Um pouco mais. Sem o glamour de outras estrelas sul-americanas, o dianteiro foi o verdadeiro herói do continente, demonstrando que o Manchester United perdeu há seis anos um grande goleador. E que o Uruguai tem nele um seguro de vida em quem confiar.

 

Suplentes (de luxo)

 

Vincent Eneyema

 

Caiu na primeira fase, é certo, mas é impossível não ficar apaixonado pelo estilo do guardião nigeriano, capaz de tudo para evitar o golo. Sofreu dos efeitos da mitica Jabulani, teve de lidar com o Messi mais endiabrado, mas mesmo assim ultrapassar Eneyema foi um verdadeiro pesadelo para qualquer jogador que se colocasse à sua frente. Foi talvez - a par de Gyan e Ayew - o melhor africano do torneio. E joga em Israel. Impressionante.

 

Maicon

 

Foi o melhor defesa de toda a primeira fase. Um jogador imenso, acabado de chegar de uma temporada inesquecível, capaz de quebrar barreiras como sempre se apreciou na escola de laterais ofensivos brasileiros. Abriu o ferrolho contra a Coreia do Norte, foi peça nuclear frente à Costa do Marfim e funcionou sempre bem quando conectou com Dani Alves nos dois duelos seguintes. Um jogador imenso que acabou por ser o melhor do escrete canarinho em toda a prova.

 

Carlos Salcido

 

Os mexicanos ainda têm aquele golo em offside atravessado. Salcido, provavelmente, o que mais. O central transformado em lateral esquerdo do México foi um dos nomes próprios deste Mundial. Os seus temerosos remates de meia distância mereciam melhor sorte. A sua eficácia a defender garantiu que, pelo seu lado, o México esteve sempre tranquilo. Implacável a defender, aplicado a atacar, nunca falhou e raramente comprometeu.

 

Leo Messi

 

Dos astros globais que chegaram à África do Sul, é dificil não sair com uma imagem decepcionante. Apesar de não ter marcado, Messi tem pelo menos o mérito de ter sido o que melhor imagem deixou. O argentino foi transformado em número 10 por Maradona e cumpriu. Por ele passou todo o jogo da Argentina. Defensivo e ofensivo. Jogou demasiado longe da área, mas mesmo assim tentou os dribles e remates que o caracterizam. Saiu vergado por uma derrota humilhante e com a certeza de que não é tanto como a imprensa espanhola nos quer fazer crer. Mesmo assim lutou até ao fim.

 

Arjen Robben

 

Nesta selecção holandesa a estrela é Sneijder. Mas Robben é fulcral. Não jogou os dois primeiros jogos. Quando se viu recuperado da lesão, percebeu-se a sua importância. Fulcral na vitória frente aos Camarões e no duelo com a Eslováquia, o extremo do Bayern, que tal como o colega foi descartado pelo Real Madrid para arrancar para uma época de sonho, foi também fulcral nos duelos contra Brasil e Uruguai. A sua fortaleza fisica impede-o de atingir outro patamar mas a sua versatilidade e estilo de jogo é já legendária. Um jogador insubstituível.

 

Keisuke Honda

 

O salto qualitativo do futebol asiático nesta década tem sido evidente. Se a Coreia do Sul leva clara vantagem, o Japão provou que está também num patamar interessante. Keisuke Honda, máxima revelação oriental dos últimos anos, é a prova viva. Arrancou o ano num clube do meio da tabela holandês (VV Venlo), em Janeiro mudou-se para o CSKA Moscow, tendo sido chave no duelo contra o Sevilla. Chegado o Mundial, Honda pegou na batuta da equipa nipónica, confirmou categoricamente um apuramento improvável, com bom futebol incluido, e só caiu quando a defesa paraguaia o cercou por completo e o afastou dos colegas. Vai a caminho de converter-se no melhor jogador japonês da história.

 

Miroslav Klose

 

Está a um golo (falta-lhe o jogo de hoje) de igualar Ronaldo como melhor marcador de sempre da história dos Mundiais. Falhou no jogo contra a Sérvia (expulso) e falhou no jogo contra a Espanha (anulado por Pique) e a equipa germânica perdeu ambos os jogos. É essa a relação entre o dianteiro e a eficácia ofensiva da sua equipa. Hábil a mover-se entre os centrais, o avançado apontou cinco golos de belo efeito, confirmando-se como um especialista em Mundiais de futebol. A história deve-lhe o golo que lhe falta.

 


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Miguel Lourenço Pereira às 10:11 | link do post | comentar

4 comentários:
De José Lemos a 13 de Julho de 2010 às 12:04
Miguel,
onde estão Casillas, Sergio Ramos, Mezut Ozil e Andrés Iniesta?!

E o Futebol Magazine, em que ponto vai?

abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 13 de Julho de 2010 às 12:15
Viva José,

Como sabes nisto dos Onze é sempre dificil deixar alguém de fora. Casillas foi fundamental em dois jogos da Espanha mas teve três ou quatro abaixo das expectativas. Sérgio Ramos o mesmo, se bem que fez uma prova em crescente. Quanto a Iniesta, prefiro apostar em Muller, e no caso de Ozil, prefiro o jogo de Xavi ;-)

O FM vai-se desenvolvendo, como podes ir acompanhando, longe de um formato diário e apostando em artigos intemporais. A nivel de visitas e feedback a experiência está a ser bastante positiva, e o FT?

Um abraço


De José Lemos a 14 de Julho de 2010 às 10:43

Claro, é sempre difícil, mas seriam sempre jogadores que penso eu não poderiam ficar de fora das referências, nem que se alargasse os 11 a 23 :)

Li agora a repercussão que teve o teu último texto sobre a Espanha, e embora de facto também eu não concorde absolutamente com ele, preocupa-me o caminho ridicularizador que, em parte da blogosfera, se dá a opiniões contrárias.
Elas devem ser rebatidas, obviamente, mas nunca levadas para campos insultuosos. Sugiro, se o aceitares, que não gastes energias em respostas, no máximo, uma nota de tomada de posição e sempre no teu site.

Quanto ao FT, a carga de trabalho fez-me ter que deixar o projecto um pouco de lado. Por um lado ainda bem.

Colaboro com a Academia de Talentos, no registo que sempre me cativou, e a experiência e o feedback também estão a ser bastante positivos.

abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 14 de Julho de 2010 às 11:19
Viva José,

Entre os espanhóis, ganeses, uruguaios, holandeses e alemães ficavamos aqui todo o dia ;-) E claro, há debilidades pessoais como Eneyema ou Lahm!

Ainda bem que as coisas estao a correr bem na AT, o ideal seria que houvessem varios sites como esse, o FT e outros que tais que elevassem o nivel de discussao e troca de ideias.

Quanto ao artigo de que falas, naturalmente não há nenhuma necessidade de notas ou feedback. As pessoas não são estupidas e sabem ver para lá das entrelinhas o nivel de quem escreve o que quer que seja. E as que o são, as que, como dizes, acham que em vez de discutir ideias o melhor é insultar, bem, essas não fazem falta em lado nenhum. E no EJ muito menos.

um abraço


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