Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Quando tudo parecia indicar que a África do Sul seria o coroloário do futebol sul-americano, as equipas europeias viraram o jogo do avesso e repetem o cenário mais habitual da história dos Mundiais. Três semi-finalistas, um dos quais o provável campeão. Qual a razão para este volte-face final que coroará, pela certa, uma equipa europeia pela primeira vez longe do "Velho Continente"?

Quando se preparava para arrancar, o Mundial parecia destinado a ser um de muitos a cumprir as eternas lenga-lengas da história.

O anfitrião parecia determinado a apurar-se, as equipas sul-americanas davam um forte sinal de quererem fazer deste Mundial uma festa privada e os grandes favoritos europeus pareciam eclipsar-se. Foi assim durante quase 20 dias. Mas à medida que os africanos iam caíndo, reforçando o sinal de regressão do "Continente Negro" e que os sul-americanos iam seguindo em frente (só o Chile, e por defrontar-se com o Brasil, não chegou aos Quartos de Final) também se ia percebendo que havia seiva nova na Europa. Capaz de dobrar o destino.

É certo e sabido que nunca uma equipa europeia ganhou um Mundial longe da Europa. Hoje ninguém se arrisca a otorgar o titulo ao esforçado Uruguai, regressado, 40 anos depois, a uma meia-final. Uma noticia histórica que reforça a importância do futebol europeu como eixo central do futebol mundial. Mais ainda, dos três semi-finalistas europeus, só um já venceu previamente o trofeu. Uma circunstância que não se vivia desde 1994 (na altura, dos três europeus só a Itália tinha ganho a prova). O selecto clube de vencedores pode conhecer um novo membro, caso a genial Alemanha (ou o surpreendente Uruguai) não vençam os dois jogos que têm diante de si. Desde a sobrevalorizada Espanha à eterna adiada Holanda, podemos estar prestes a testemunhar um feito histórico. Algo que este Mundial teve de sobra.

 

As principais razões por detrás deste volte-face estão na própria estrutura da prova mas, também, nos falsos-mitos que roderam as equipas europeias que viajaram até à África do Sul.

Apesar de ser o continente com presença mais clara (13 selecções em 32, um 40%), as equipas europeias foram forçadas a jogar entre si na primeira fase, com a excepção de Portugal, Grécia e França. Essa circunstância facilitou as eliminações precoces de várias equipas e, também, a passagem de 7 das 8 formações do continente americano (só as Honduras ficaram de fora). A Inglaterra causou a eliminação da Eslovénia, a Alemanha da Sérvia, a Holanda da Dinamarca, a Espanha da Suiça e a Eslováquia da Itália. Das restantes três formações, só Portugal soube seguir em frente, em parte graças à goleada diante da Coreia do Norte que tornou o decisivo encontro final contra o Brasil num trâmite. Não é de excluir, verdade seja dita, que as condições climatéricas, geográficas e de estruturação de provas oficiais tenham sido outra razão para que as pequenas formações americanas tenham superado rivais europeus de maior prestigio. A maioria dos jogadores destas equipas joga nos seus campeonatos e por isso beneficia de uma pré-época recente, de um cansaço muscular menos acentuado e de uma maior capacidade de adaptação climatérica. 

A isso também é obrigatório referir que tipo de selecções representaram o Velho Continente na prova.

Uma decadente França, entregue a uma guerra-civil inevitável, foi o exemplo perfeito de uma formação europeia que viajou milhares de kilómetros para nada. O mesmo se pode dizer da Itália, uma pálida versão da campeã do Mundo em 2006. Ou até da Inglaterra, que teima em não resolver os seus problemas internos (disciplinares e tácticos), mesmo com Capello ao leme. Mas há aqui novidade? Se os Pross nem se apuraram para o Euro 2008, com este mesmo plantel, já a França e Itália mostraram um rosto decepcionante na prova suiço-austriaca. Nada mudou. Se a isso juntamos o pouco futebol demonstrado por eslovenos, gregos e suiços (em tudo semelhante ao que vimos na fase de qualificação), estamos explicados. A Sérvia mostrou ter uma equipa de futuro mas caiu no grupo mais complexo, como se percebeu pela última ronda, quando tinham tudo para seguir em frente. Talvez, de todos, tenha sido a Dinamarca a grande desilusão. Mas nem sempre um apuramento, com circunstâncias particulares, é um bom indicador do que se segue. E nesse aspecto, Maradona tem razão. A Europa tem direito a tantas vagas que a primeira selecção é sempre aberta a equipas de menor nível competitivo. Para que a FIFA não se esqueça.

Ao perceber que equipas europeias seguiram em frente, chegamos à conclusão de que os Oitavos de Final (onde cairam, em duelos só entre europeus, Inglaterra, Eslováquia e Portugal)  foi um exercicio de separação do trio do joio. Os americanos não tiveram problemas, em parte porque defrontaram equipas asiáticas mais débeis (Coreia do Sul e Japão) e em parte porque jogaram entre si (México e Chile). Quando chegou a hora do confronto directo entre os melhores de cada continente, só o Uruguai se salvou. Porque foi o único a evitar equipas europeias. Nos três duelos mano-a-mano, que definiriam se a África do Sul 2010 seria uma mini-Copa América ou um mini-Europeu, venceu a tradição europeia sobre as figuras sul-americanas. Alemanha, Holanda e Espanha são claramente as três formações mais fortes do Velho Continente. Os holandeses têm do seu lado o duelo mais acessível. A Alemanha, por sua vez, joga agora melhor do que os espanhóis faziam quando bateram os teutónicos em Viena, há dois anos. Num Mundial facilmente para esquecer (começa a ser um processo ciclíco, de oito em oito anos) a unica consolação seria voltar a ver holandeses e alemães num duelo final. A história merece-o. Os espectadores merecem-no. O futebol merece-o. Que o polvo adivinho não se engane! 


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Miguel Lourenço Pereira às 15:05 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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