Sábado, 3 de Julho de 2010

Franz Beckenbauer tem, como sempre, toda a razão. O efeito Maradona não pode ser desprezado de nenhuma forma. Como aconteceu com Guardiola no Barcelona, o seleccionador argentino tem do seu lado o efeito mito. Um jogador mitico transformado em técnico tem, automaticamente, a admiração suprema dos seus jogadores. Quando esse jogador é para muitos um semi-deus, percebe-se bem porque o onze da albiceleste está disposta a lutar até para lá da morte. A ressurreição está-lhes prometida.

Fala a voz da experiência.

A antiga estrela alemã, herói do Mundial de 74, presente em três fases finais de um Mundial, é a única figura capaz até hoje de erguer a taça de Campeão Mundial como jogador e treinador. Nomeado seleccionador alemão em 1984, sem experiência prévia como treinador, o Kaiser demorou seis anos a cumprir o seu objectivo. Pelo meio uma meia-final de um Europeu e uma final perdida. Contra Maradona. Em 1990, no Olimpico de Roma, a Alemanha mostrou ter aprendido com os erros. Tinha uma equipa disposta a morrer pelo maior icone futebolistico de um país reunificado. E assim foi. Foi o último titulo mundial germânico. E a última final argentina.

Hoje as duas selecções voltam a olhar-se olhos nos olhos. Há quatro anos foi o papel de Jens Lehmann que fez pender a balança. Mas Diego Armando Maradona estava na bancada, como espectador. Agora está no banco a orientar 11 jogadores que a última coisa que precisam é de olhar para o seu particular "Dios" e encontrar decepção nos seus olhos. Maradona não é um técnico nem um estratega. Provavelmente o trabalho táctico duro é feito pelos seus adjuntos, Billardo à cabeça. Mas se a equipa argentina, tão criticada antes, se tem revelado um festim para os olhos, deve-o à sua presença. As quatro semanas que levam juntos uniram técnico e jogadores mais do que nunca. Os jogadores argentinos sabem que não podem falhar perante o seu idolo. Estarão dispostos a morrer e ressuscitar, se isso significa vencer. Serão a equipa mais dificil de bater porque acreditam, verdadeiramente, na superioridade do seu lider. E na sua, por arrasto.

 

Maradona é o único técnico que decidiu fazer deste Mundial uma festa. Joga com a importância da sua imagem. As suas conferências de imprensa são sempre o ponto alto do dia e as suas pérolas, muitas vindas da celebre escola existencialista de Eduardo Galeano, dão cor a um Mundial de gente cinzenta como Dunga, Del Bosque, van Maarjwick, Capello, Lippi ou Queiroz.

O "efeito mito" fez-se sentir pela primeira vez num Mundial com Beckenbauer. Foi o primeiro craque mundial que saltou para o outro lado com sucesso. Depois Platini tentou o mesmo, sem sucesso. E o mesmo se pode dizer de vários jogadores de menor ou maior prestigio, de Klinsmann a Marco van Basten. Mas faltava-lhes esse efeito congregador que poucos atingiram na história. Josep Guardiola foi um desses homens. No Barcelona pós-Cruyff ele é o "principe" eleito, o maestro do bom jogo, o iniciador da escola do médio centro de corte técnico eximio, de leitura de jogo impecável, simbolo do catalanismo moderno. Guardiola é o espelho perfeito do que é a filosofia do clube. Os seus actuais jogadores reverenciam-no como um mentor, confessando habitualmente que tinham o seu poster no quarto, que sonhavam em ser como ele e que não acreditam poder partilhar do seu conhecimento. Esse "efeito mito" é visivel na forma como os jogadores, principalmente da cantera, se entregam a cada jogo. Dificilmente, por muito bom técnico que seja, Guardiola criaria o mesmo efeito noutro sitio. O efeito perde-se com o afastamente geográfico da base. Mesmo Maradona, uma figura mundial incontornável, seria incapaz de conseguir o mesmo noutro espaço que não o futebol argentino. Na selecção albiceleste ele está em casa. No seu templo.

A Alemanha hoje tem melhor equipa, melhor técnico e melhor onze que a Argentina. Se Messi é o melhor da actualidade, Ozil tem sido o melhor do torneio. Se a defesa argentina tem experiência e fisico, o ataque alemão tem mobilidade e presença. No entanto se há algo que os germânicos não têm, por muito bom que seja (e é) Joachim Low, é um mito no banco. Quando tocar o hino a Alemanha jogará por si. O onze argentino, Messi incluido, jogará por Maradona. A Alemanha está a milhares de kilómetros de distância. Maradona estará ali a olhar, a gritar, a sofrer. É preciso não esquecê-lo!  



Miguel Lourenço Pereira às 04:28 | link do post | comentar

2 comentários:
De Ricardo a 6 de Julho de 2010 às 01:48
Coitado... É maluco mas é bom rapaz. Pena não ser bom treinador. Fica para a próxima


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Julho de 2010 às 08:22
Não se pode ser tudo...


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