Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

No inesquecível "Mostrengo", Fernando Pessoa exalta a coragem de um país a quem "a hora" espera na imagem de un anónimo capitão capaz de encarar o "mostrengo", na vontade que o ata ao leme, "por el-rei D. João II". Essa naus fizeram história do Mundo com a bandeira de Portugal. Hoje a nau foi ao fundo porque nunca teve um capitão assim. Nos instantes finais do jogo, quando Portugal perdia por 1-0, os marinheiros olhavam desalentados. Ao fundo o "capitão", cuspia para o chão e ajeitava as meias. O seu navio é outro. O de Portugal afundava-se. Inevitávelmente!

Acabou o Mundial para Portugal depois de um duelo ibérico que se canta nas ruas quentes de um Madrid sem metro e sem preocupações por 72 horas. Até que chegue o duelo com o Paraguai, que Villa, como o pouco gentleman mineiro asturiano que sempre foi, já anunciou que será muito mais duro que Portugal. Não fosse a virtude dos guarani a mesma dos portugueses: defender muito bem, atacar de vez em quando, marcar muito pouco. Porque esse continua a ser o grande problema estrutural do nosso futebol. Não saber marcar.

Foi o número 7 espanhol o único a quebrar a barreira portuguesa em quatro jogos. Um golo em fora de jogo evidente, aproveitando uma falha de marcação de Ricardo Costa, Tiago e Simão, mas também um genial toque de calcanhar de Xavi Hernandez, ontem de volta a si, foi suficiente. Para acabar com o sonho de uma equipa que, sejamos justos, nunca fez muito para ganhar enquanto fez tudo para não perder. Se o jogo fosse a pontos, seria fácil dizer que Portugal jogou para o empate. Apesar de lançar Hugo Almeida em campo, a mensagem de Carlos Queiroz foi clara. O avançado seria o primeiro estorvo defensivo, e não o ponta-de-lança que Portugal precisava. Defendeu quase sempre na linha de meio-campo, muitas vezes descaído para a esquerda, enquanto Cristiano Ronaldo ajeitava as meias no miolo. O número 7 de Portugal é o espelho perfeito de um jogador com tudo para singrar, menos o intelecto. CR7, ou como goste de ser conhecido para efeitos de marketing, corre o risco de se tornar num novo David Beckham. Não só porque o seu poder mediático há muito que ultrapassou o seu real poder futebolistico. As suas exibições no Mundial roçaram o sofrivel, salvando-se o jogo da Coreia, e continua a desaparecer nos grandes jogos. O homem que falhou marcar em cinco jogos contra o Barcelona, que falhou um penalty na final de uma Champions League, que marcou 27 golos na Liga Espanhola mas nenhum às equipas qualificadas para a prova rainha europeia e que, por Portugal, tem tido a brilhante média de um golo por prova, foi sempre um homem a menos. No final, espelho do desiquilibrio que reina no balneário de Portugal, culpou o seleccionador da derrota. Como há um ano fizera com o seu "mentor" Ferguson em Roma. E como sempre fará. Cristiano nunca perde. Os outros é que não o ajudam a ganhar.

 

Sem essa figura desiquilibrante que deveria ter sido o extremo, agora assim a jogar na banda, Portugal sobreviveu aos primeiros 10 minutos electrizantes de Espanha com apuros. A equipa entrou desconcentrada e três remates rápidos, o primeiro de Torres e os restantes de Villa, até agora o homem do Mundial junto com o alemão Ozil, deixaram claro que tipo de jogo iamos ver. No entanto a equipa das Quinas soube sacudir a pressão inicial. Fábio Coentrão, o melhor de Portugal ao largo da prova, soube fazer do seu carril uma arma secreta a explorar e foi criando desiquilibrios num meio-campo estático e criado para defender e suar. Se no lado direito a equipa não atacava, apesar de ser o ponto mais débil da equipa espanhola, pela esquerda foram surgindo várias oportunidades, desde o remate de Tiago - depois de uma boa jogada colectiva - e do livre de Ronaldo até ao centro de Hugo Almeida que Puyol quase desviava para dentro. O intervalo podia ter dado uma injecção de confiança aos portugueses que sabiam que os espanhóis estavam nervosos porque Eduardo, acima de tudo, e a defesa, mantinha a defesa impenetrável. Mas não, a equipa voltou sem chispa. 

Queiroz tinha colocado de inicio Ricardo Costa a lateral direito, em lugar de Miguel, e acabou por amputar todo esse flanco. O defesa central nunca soube parar Villa nem ajudar nas transições a Simão e Tiago, duas sombras hoje no terreno de jogo. A saída de Hugo Almeida, fulcral a aguentar a defesa espanhola e a ganhar as primeiras bolas do habitual pontapé para a frente luso, e a entrada pelo inexistente Danny, foi o primeiro tiro no pé. Del Bosque leu bem o jogo e trocou o apagado Torres por Llorente e mudou o ritmo de jogo, sempre a descair pela esquerda. Por aí veio com força Espanha, por Villa e Iniesta, preciso a deambular pelo miolo com Xavi em constante associação. Foi daí que veio o golo. Um lance que atravessou todo o campo, encontrou Sérgio Ramos à direita e depois de um cruzamento onde Portugal não soube coordenar as marcações defensivas, Xavi desvia subtilmente para Villa. O primeiro remate acabou nas mãos de Eduardo, a recarga na baliza. Estava quebrada a defesa de ferro. A nau ia ao fundo.

Com esse golo esperava-se um Portugal mais acutilante, mas quem tomou controla do jogo foi Espanha.

Aproveitando várias desatenções defensivas, os espanhóis estiveram sempre mais perto do segundo golo, com o guardião do Braga a exercer, uma e outra vez, como salvador da pátria. Lançar Pedro Mendes - e não Deco - e Liedson (que não tocou na bola) foi um lance desesperado mas sem sentido. Se no relvado Ronaldo resmungava com tudo e todos sem ser capaz de driblar um só rival (que saudades de Figo naqueles momentos em que Portugal careceu, verdadeiramente, de um lider), no banco Queiroz seguia o jogo impotente sabendo que a melhor qualidade colectiva de uma equipa que se deu ao luxo de lançar o veloz Pedro para os aplausos a Villa era insuperável. Nem o toque de sorte, que sempre escapa às camisolas das quinas, nem a equipa de arbitragem, tão caseira (leia-se, "pro-espanhola"), ajudaram. A explusão ridicula de Ricardo Costa, com óscar para Capdevilla incluido, confirmaram o que se viu durante 90 minutos. Não é por acaso que Villar, presidente da RFEF, é também presidente do conselho de arbitragem da FIFA. Não foi por isso que Portugal perdeu, mas essas coisas contam e deixam perceber qual é realmente o nosso lugar no mundo do futebol.

O jogo chegou ao final com o chuveirinho do desespero, as lágrimas de Eduardo, o gesto arrogante de Cristiano Ronaldo e a euforia de uma equipa que acredita estar predestinada para entrar nos livros de história, mesmo se futebolisticamente o seu bom jogo já não tem o mesmo sabor que há dois anos atrás. Portugal pode estar orgulhoso de ter sabido negar a evidência durante tanto tempo. Uma equipa amputada de duas flechas (Bosingwa e Nani), um pensador (R. Micael) e com vários jogadores em final de carreira (Simao, Liedson, Deco, Carvalho, Ferreira), mesmo assim soube trepar o "Grupo da Morte" sem sofrer um golo e cair de pé nos Oitavos de Final. Algo que, por exemplo, a "Geração de Ouro" em 2002 não soube fazer. E apesar desta ser a década chave do futebol português, há sempre a tendência a esquecer que este foi apenas o quinto Mundial de Portugal e o terceiro apuramento da primeira fase. Nas outras duas edições chegou-se às meias-finais. Mas o potencial futebolistico de um país que abandonou a formação (ao contrário de Espanha), que não soube jogar com os emigrantes/imigrantes (como França, Holanda e Alemanha) e que continua perdido em demasiados fait-divers extra-futebol para singrar em grandes provas.

Portugal sai do Mundial como se esperava à partida, com melhor impressão do que seria expectável, particularmente do sector ofensivo. Sai, sabendo que foi uma das seis equipas europeias sobreviventes à razia deste Mundial de toque sul-americano, e olhando em frente para o ataque ao Euro 2012. Uma campanha que será marcada por três elementos chave: a rápida renovação que já se começa a verificar com jogadores como Eduardo e Coentrão; a necessária busca de um goleador eficaz e com margem de crescimento; e o inevitável afastamento de Cristiano Ronaldo, pelo menos do cargo de capitão, sob pena de que a equipa das quinas se transforme num reality show made by MTV com o CR qualquer coisa de protagonista. Até lá, o Mundo continua. Portugal volta ao nevoeiro. Pessoa fica adiado. Não era a hora!


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Miguel Lourenço Pereira às 08:15 | link do post | comentar

13 comentários:
De ze luis a 30 de Junho de 2010 às 11:02
Desta vez, concordo com tudo, Miguel e gostei da alusão ao mostrengo e ao nemesis cr7 - cr0 como bem escreve O Jogo hoje - que comparas muito bem com Becks ambos com máquina por detrás...

Mas eu até achei boa a opção quer por HA, porque segurou os centrais e especialmente Piqué que gosta de subir, e Ric. Costa, ainda que este desse demasiado espaço e recuasse na progressão do Villa até ao limite da área sempre perigoso.

Mas no golo o Ric. Costa tenta fechar o Xavi frente à área onde devia estar Tiago. E Simão não compensa esse movimento do RC e deixa Villa à solta a entrar, ainda que em fora-de-jogo que não será tão evidente assim mas existe, ainda que muito difícil de ver porque só existe mediante o toque de Xavi na bola. Caso o passe em diagonal fosse directo para o Villa não haveria fora de jogo, passou a haver com o seu adiantamento antes do toque decisivo de Xavi. Mas é a vida.

Tal como é a vida evocar, precisamente, a falta de aposta na formação que vemos triunfar em equipas como Suíça, Chile e México, além do Gana que, por isso, fez o contraste com as outras equipas africanas.

E CQ é o homem para tratar disso. Este ano, coincidentemente, temos os sub-17 e sub-19 em simultâneo nas fases finais dos respectivos Europeus. É a alavanca para o futuro.

O resto são desculpas de mau perdedor e fala-baratos avulso que metem dó de tantas cambalhotas nas suas opiniões que são como as cerejas deterioradas pelo mau tempo.


De Miguel Lourenço Pereira a 30 de Junho de 2010 às 11:22
Viva Zé Luis,

É precisamente esse o problema de Portugal, esse abandono da formaçao que hoje faz com que países pequenos tenham selecçoes competitivas. O que fez de nós pós-colonias numa potencia de respeito que hoje se perdeu entre naturalizados e jogadores descartados pelos 3 grandes como R. Costa, H. Almeida ou Danny.

O HA foi uma boa opçao, era fundamental alguém ali a prender o Pique e a abrir espaços para o CR0 e o Simao. Mas este nao existiu e o outro vive num mundo à parte, o que destroçou o esquema que funcionaria melhor com um Nani-Varela, mais entregados e com ganas.

O RC é um central sem rotinas e o Miguel tinha mais experiencia contra o Villa. Viu-se nesse lance que o RC foi para o meio por tentaçao de central e esqueceu-se do seu lado. O Tiago e o Simao a dormir, este ainda permite o ressalto, foram a consequencia de uma desorganizaçao inevitavel quando havia 4 homens à volta de um génio que mesmo assim soube dar o toque de midas na bola.

Perdemos bem nesse sentido e agora é pensar no futuro. Acho que CQ deve seguir, apesar de se notar que ha ali problemas de balneario (Deco, Ronaldo, Simao) que muito têm a ver com a "lesao" do Nani. Apostar na formaçao é chave para sobreviver na proxima década e nao cair na monotonia de equipa de 2nd e 3ra linha como passou com a Belgica (tao potente nos anos 80) e que andou 20 anos abandonada. Agora tem uma das melhores canteras da Europa à espera de explodir. Teremos de começar do zero.

um abraço


De Paulo Milheiro a 30 de Junho de 2010 às 13:04

Finalmente vejo algum discernimento na avaliacao do que foi este jogo, a prestacao da nossa seleccao neste mundial e da sua actual situaccao no contexto do futebol internacional.
Concordo, tambem, quanto a prespectiva do futuro desta Seleccao.

Mais que a prestacao da nossa seleccao neste mundial ( que considerei bastante positiva, atendendo ao seu real valor face a outros gigantes, e, acima de tudo, DIGNA), assustou-me a reaccao extemporanea, e digna de abutres, dos ,demasiados, agentes que gravitam a volta da seleccao com algum do media institucionalizado a cabeca.
Assim, obrigado aos dois. Ao Miguel, pelo post, e ao Ze Luis pelo comentario e tambem pelo post que li no Portistas de Bancada. Ajudam-me a seguir acreditando neste pais que adoro e que quero que se queira cada vez melhor.
Bem hajam!


De Miguel Lourenço Pereira a 30 de Junho de 2010 às 14:10
Paulo,

É sempre fácil criticar e lançar as feras quando se perde mas é preciso sempre relembrar o que de facto vale esta equipa antes de prestar contas. Talvez CQ e a FPF tenham responsabilidades ao falar em meias-finais, com um grupo como era aquela, sem margem de manobra para calculos. Mas Portugal nao é uma equipa de elite e mais numa prova dominada por outros factores onde se percebe a supremacia sul-americana.

O futuro é a chave e sem um trabalho planeado de raiz e algumas decisoes corajosas, Portugal pode passar uma época complicada. Cabe a quem toma decisoes nao esquecer que o Euro está já aí e que a base desta equipa deve ser rejuvenescida com vista ao Brasil e ao Euro Frances de 2016.

um abraço e bem vindo sejas


De manuel antonio a 30 de Junho de 2010 às 14:59
Acho que estamos todos dominados por um sentimento parecido... Por um lado, sabemos já ha muito tempo que um equipa tao debilitada como a desta convocatoria podia muito bem ter caído ainda na fase de grupos. E por outro, fica o amargo de saber que, quando os pequenos jogadores da selecçao conseguem por em campo o melhor que tem para oferecer, ainda havia ali alguma futebol e vontade tipicas de portugal. Impossivel nao adorar Eduardo, admirar o Fabinho sem clubites, fazer vénia a dois centrais que durante a epoca dão as suas fifias mas que foram impecáveis sempre durante a prova e até aos dois magricelas do meio-campo, que têm aquele estigma de jogadores "médios" mas que se portaram como campeoes. E Pepe, que canta o hino portugues no jogo com o Brasil.

Depois disso, é preciso esperar e reformular. Estou ansioso pelo regresso da selecçao, mm com o Queiroz, esse molezito. Que hoje até deu uma Conf imprensa de força. Estou ansioso, porque me dá vontade ver Bosingwa, Nani, Varela e claro o turco Quaresma, que vai renascer.

A precisar de uma grande liçao de vida, CR0 devia, para mim, ser smp convocado mas aquecer o banquinho numa boa série de jogos. E está na hora de dizer bye bye e obrigado ao Deco, Simão e Liedson. Danny por mim também iria, mas é fetiche do CQ...

Acredito, e como outros disseram aqui, fico feliz em ler comentarios de outros que vem futuro nesta Selecçao. E nao estamos a ser derrotistas, nem a queixar-nos de penalties da França nem nada do género. Estamos a ler, e parece-me que bem, os males que para ali vão. Pode ser que amanha seja melhor!


De Miguel Lourenço Pereira a 30 de Junho de 2010 às 15:59
Manel,

O futuro existe, é preciso é estar atento.

Falo sempre no caso do Kevin Gameiro, melhor marcador da Ligue 1 que é filho de portugueses e seria uma opçao para o ataque se alguém se lembrasse de lhe ligar. Para nao repetir casos como o do Gelson Fernandes, primo do M. Fernandes, por exemplo, que marcou o golo da Suiça contra a Espanha depois de ninguém da FPF lhe ter ligado a saber se queria jogar por Portugal.

Há os Nani, Varela, Quaresma, Carriço, Moutinho, Bosingwa, Edgar Costa, P. Machado, Micael e outros jovens que precisam de outra rotina competitiva (algo que falta, quando os clubes os colocam a rodar em clubes de baixa gama como os Ukra, Castro, Diogo Viana, André Martins, Filipe Oliveira e afins).

Queiroz pode nao ser, porque nao é, um grande treinador. Mas deve tentar ser um grande seleccionador, ou seja, potenciar esse lote de selecçao e provar até conseguir um colectivo forte e com um leque de opçoes abertos. Resolveu o problema da baliza (quem se atreve agora a falar em Quims, Patricios e Betos?) e do defesa-esquerdo (com a ajuda de JJ, é preciso dizer) e agora tem o problema do ponta-de-lança e do número 10 titular. E dois anos para apresentar essa equipa.

Quanto a CR0, e gosto muito da analogia numerica, merece o meu desprezo porque, realmente, nunca fez um jogo digno pela selecçao em 7 anos que por lá anda. É preciso acabar com os cancros dentro do balneario e o maior seja talvez o seu ego e importancia que se assume, marcando tudo o que quer e da forma que quer. Se Queiroz tiver força nesse mano a mano já terá ganho a aposta. Porque Portugal pode ser uma ou outra equipa nos proximos 8 anos, dependendo de como se gerir as vontades da vedeta.

um abraço


De Mariana a 30 de Junho de 2010 às 16:02
Gostei bastante desta análise, é perspicaz, assertiva e não se limita só a criticar (como a maioria das análises que andam por ai). É verdade que fomos derrotados e estamos fora do mundial, mas nem tudo foi mau. Jogamos contra o Brasil e não os deixamos marcar, bloquemos o jogo deles e isso não é fácil. E contra a Espanha, não fomos brilhantes, mas soubemos (na primeira parte) gerir as coisas...Houve coisas positivas a tirar deste mundial, e muito bem referidas neste post , como os casos do Coentrão (finalmente temos alguém para aquela posição)e do Eduardo (que merecia mais). O Raul Meireles também esteve bem...Problemas...falta de espírito de equipa e não haver respeito pelo treinador. O Queiroz nunca conseguiu ganhar o respeito da equipa e isso fez com que não houvesse grande união. O caso da Argentina, o Maradona não é treinador, nem anda lá perto, mas tem a admiração e respeito de todos os jogadores que em campo dão o que têm e o que não têm só para não desiludir o "mister"...O que Portugal precisa é de encontrar um treinador que consiga meter ordem no balneário, fomentar espírito de equipa e acalmar o ego de muitos jogadores.


De Miguel Lourenço Pereira a 30 de Junho de 2010 às 16:19
Mariana,

No caso da Argentina é fácil porque aquele é o único país onde um jogador tem uma igreja com milhoes de seguidores. Os jogadores vêm em Maradona o seu idolo, nao um técnico, e por isso seguem-no até à morte, como aos antigos generais. Por muito maus estrategas que fosse.

No nosso caso já tivemos 6 anos a versao "sargento" da ordem e disciplina. Queiroz nao é respeitado por alguns elementos da velha guarda, reaccios à sua escolha. Mas é o homem certo para escolher a sua propria guarda como em 1989 e 91. Porque é para o futuro e para os jogadores com futuro que temos de olhar. O problema de Portugal, como em tudo nesse país miserável, é estrutural. Parte de uma FPF sem perfil profissional, numa gestao humana errada, num desastre financeiro que depende em excesso do dinheiro dos patrocinadores (Nike, Sagres) e num abandono de areas estratégicas para a manutençao da equipa das Quinas na elite.

Com tempo, e depois de superada uma prova onde muitos pensavam que Portugal podia sair goleado contra Brasil e Espanha (e até Costa do Marfim), percebeu-se que esta geraçao nao dá mais e que é preciso ir mais longe. Quando caimos em 96 contra a R. Checa (que foi á final) com a Geraçao de Ouro, ninguém se queixou. E depois falhou-se um Mundial. Foi a última vez. Que este seja um ponto de partida e nao só um ponto de chegada. A Espanha andou anos a pregar no deserto e trabalhou para chegar onde está. Nada acontece por acaso e nós já sabemos como lá ir. É só começar de novo.


De Ricardo a 1 de Julho de 2010 às 00:18
Só ficou surpreendido com o resultado de ontem quem anda a dormir e passou uma esponja na qualificação de Portugal e nos casos da selecção antes e durante o Mundial.
Não se trata de falta de talento porque os nossos jogadores têm-no para dar e vender. O problema é o seleccionador que para além de ser teimoso não tem carisma nem ousadia.
Não gostei nada da atitude do CR durante o mundial mas com um treinador a sério ele nem sequer tinha sido nomeado para capitão e a sua postura em campo teria mudado. O Hulk tem o mesmo problema. E o Querioz disse uma coisa muito acertada "Ainda estão a tempo de ser educados". Mas nunca será por ele.
De resto, acho que a selecção jogou bem no computo geral. Todos os erros são da culpa do seleccionador e não dos jogadores, mesmo quando eles não jogam nada porque quem os escolhe e os põe a jogar é o mister Queiroz.
A maior parte das pessoas não tem direito a exigir nada porque desde o primeiro dia em que Queiroz assumiu funções na selecção apregoavam o falhanço e muitos até o desejavam.


De Miguel Lourenço Pereira a 1 de Julho de 2010 às 08:34
Ricardo,

Por muito que o Mourinho seja um génio e o diga convictamente, no futebol nao ganham todos e só perde o treinador. Portugal nao foi eliminado por causa do seleccionador, foi-o também ou apesar de. CQ cometeu erros de palmatória, sim. Na escolha dos 23, na gestao de alguns casos e tacticamente ao nao tentar atacar o Brasil nos ultimos 15 minutos ou tirando H. Almeida para depois arrepender-se com Liedson. Tudo bem.

Mas isso nao faz dele um mau tecnico, porque que dizer entao dos Lippi, Capellos, Domenech e todos os multititulados que foram para casa antes e que têm um CV impressionante?

Se Portugal jogou bem "no computo geral", foi tambem porque CQ percebeu que com esta equipa o velho jogo de posse de bola no meio campo e contra-golpes (o que faz agora a Espanha, mas com a eficácia de quem tem pontas de lança) era impossivel. E apostou em reforçar o sector defensivo, aguentar as cargas e procurar o contra-golpe na velocidade de CR0. Que falhou na sua missao mais do que o proprio técnico.

Portugal pode crescer com CQ no banco, nao o pode é fazer com jogadores com a mesma mentalidade que levaram, como diz o Zé Luis, a jogar muitas vezes com 9 ou 9,5 jogadores em campo.

abraço


De ze luis a 1 de Julho de 2010 às 00:22
"Talvez CQ e a FPF tenham responsabilidades ao falar em meias-finais, com um grupo como era aquela, sem margem de manobra para calculos".

Bem, vou alertar de novo para a incongruência. Calma, eu até previ que não passaríamos dos 1/8 final com a Espanha e não me admito nada com isto.

Agora, não podemos cair no 8 e no 80, preso por ter e não ter cão.

Se alguém diz o que está em cima, pôs-se a expectativa muito alta, vem aí o Jorge Jesus e diz que desde o início "o discurso foi negativo". Assim, ninguém se entende. Não há pachorra.

Portugal teve dignidade e lutou até aos seus limites com muitas... limitações. Pior: muitas delas descobertas no correr da prova. CR0 é o maior exemplo, Danny foi outro que não cumpriu com o que era esperado.

Os melhores estão identificados, é unânime, pelo que sobra muita gente a léguas do que esperávamos e ansiava o seleccionador que os escolheu.

Sobre a liderança, é um problema de duas responsabilidades. Não só do treinador. Maradona, como lembra o Miguel, é o D10s, CQ não e nem CR0 é Messi. Há um mundo de diferenças.

Obrigado Paulo pela referência, mas nunca faço leituras pelo que leio ou oiço, apenas pelo que vejo e, com alguma experiência, raciocino por mim. Posso partilhar opiniões como é o caso com o Miguel, embora nem sempre a 100%. Importa é pensar bem e defendermos com razoabilidade e isenção o nosso ponto de vista, com a devida explicação e não a reagir por impulsos ou revanchismos.

Há que pôr os nomes aos bois. Detectei logo o fora-de-jogo de Villa mas não esqueço a falha de Simão na marcação. Pelo visto, Mourinho ta´mbém o salientou, mas a crítica que poupa uns jogadores mais "simpáticos" continua a fazer de conta que vê jogos e tece análises lúcidas e descomprometidas.

Com paninhos quentes não vamos lá.

E, já agora, Mariana, CQ tem defeitos como qualquer um, mas não se pode negar que conhece CR0 como ninguém: aconselhou-o ao M.U., treinou-o 5 ou 6 anos, tal como Nani, defendeu-o em Old Trafford, elogiou-o em 2008 quando foi eleito Melhor Jogador do Mundo e não, CQ não merecia esta traição, porque CR0 traiu quem sempre o defendeu e até apaparicou e minou em demasia - vide a defesa do jogador na véspera ao afirmar que a época não acabara ainda para negar um título pelo menos a Ronaldo.

É CR0 que tem o título, o desprezo e o puxão de orelhas de hoje do CQ. Que, obviamente, tem de contar com ele, mas tem de ser noutros moldes.

Às vezes confunde-se liderança com pulso e confiança nas pessoas com facilitismos e concessões extravagantes. Aí sim, CQ tem de traçar outro paradigma e ele sabe como lidar com isso.


De Miguel Lourenço Pereira a 1 de Julho de 2010 às 08:39
Zé Luis,

O que eu digo é que a FPF, na sua megalomania, e ainda hoje isso se viu com as declaraçoes do "desiludido" Madaíl, tinha posto a bitola demasiado alta. Nao é o mesmo Portugal das meias-finais de 2000 e 2006 ou da final de 2004. Ja nao o era há dois anos onde fomos, mais tristemente, afastados à primeira eliminatória. Tenho pena que o CQ, sabedor dessas limitaçoes (até mesmo conhecendo o caracter de CR0 e a sua propensao de "traidor" e fantasma nos jogos importantes) tenha entrado nesse discurso quando se calhar devia ter dito o que ninguem queria ouvir. Que Portugal nao tinha ambiçao para lá dos Oitavos porque era realmente isso que valiamos. E tudo o que viesse, era bonus.

A nossa equipa caiu para a 2nd divisao europeia de forma perfeitamente natural como o nosso campeonato é hoje quase da 3 liga europeia. E a qualidade dos nossos emigrantes baixa à medida que a formaçao decresce. Falar, como andam, em contratar um espanhol, um tal de Aragones, mais vale fazer como a Nigéria e abandonar a competiçao porque Portugal nao precisa de ganhar o Euro 2012. Precisa de reformular a base do seu futebol de selecçoes para a proxima década, nem que depois venha um brasileiro qualquer colher os louros do trabalho dos outros.

um abraço


De ze luis a 1 de Julho de 2010 às 00:24
"minou". Queria dizer mimou, obviamente.


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