Terça-feira, 22 de Junho de 2010

A maldição europeia parece continuar. Hoje partimos para a terceira e decisiva ronda e tudo leva a crer que o Hemisfério Sul continuará o seu dominio sobre este Campeonato do Mundo. Enquanto as favoritas perdem gás, emergem as equipas sul-americanas como as principais candidatas a vencer a competição. O clima, a altitude, a preparação e atitude são as chaves de uma realidade que nem as grandes potências europeias parecem ser capazes de contrariar.

No arranque do torneio, exceptuando o omnipresente Brasil, todos os analistas pareciam claros e elegiam as equipas europeias como as grandes favoritas para o primeiro torneio disputado em África.

Desde a campeã da Europa Espanha até à actual campeã do Mundo, passando pela Inglaterra de Capello, a Alemanha de Low ou a sempre perigosa Holanda, parecia claro que o torneio estava feito à sua medida. Impossível ter-se estado mais longe da verdade. Um torneio disputado no inverno austral feito à medida das equipas do hemisfério sul. Que se têm revelado intratáveis.

O frio austral faz-se há muito sentir, com temperaturas negativas em muitos dos casos. O vento, a chuva e a altitude são outros elementos que jogam directamente a favor do exército austral. Quando a França defrontou o México, a 1300 kms de altitude, os jogadores gauleses estavam a jogar a uma altitude que era de 1000 kms maior do que a actual altitude Paris. Os mexicanos, por sua vez, jogavam a menos 1000 kms de altitude do que encontram habitualmente na sua capital. A mais rápida adaptação dos americanos à estrutura geográfica sul-africana é inevitável. E isso tem-se visto à medida que as duas primeiras rondas vão decorrendo. As equipas europeias, tecnicamente superiores, têm muita dificuldade em aguentar o ritmo dos encontros. O cansaço fisico é notório cada vez que entram para a segunda parte. E se a Alemanha disfarçou bem essa realidade no jogo inaugural (resultado da habitual preparação fisica germânica), já a Inglaterra, Itália, França, Portugal e até mesmo a Holanda, a única equipa europeia já qualificada para a próxima fase, parecem ser incapazes de reagir. Olhando para o jogo argentino, chileno, paraguaio ou mexicano é inevitável não ver a abrumadora diferença. O fisico está a jogar contra as equipas do Velho Continente.

 

Outro elemento que se tem revelado fulcral é a hora dos desafios.

Os europeus, com maior cartel mediático, têm jogado habitualmente no horário nocturno, já a sofrer temperaturas que muitas vezes roçam o grau zero. É o peso de terem o melhor horário televisivo. Um preço que têm de ser os jogadores a pagar, como se vê, com luvas, camisolas interiores e meias-altas para disfarçar o tiritante frio que sente na África do Sul.

Gratos, os sul-americanos e asiáticos, têm aproveitado o menor cartel mediático e disputado os jogos pela tarde, quando o sol ainda disfarça o frio e o ar é menos rarefeito. A Argentina, por exemplo, não teve ainda de jogar um único jogo pela noite, ao contrário da Inglaterra, por exemplo, que tem sofrido, e bem, com o frio austral. Um frio que, aliado ao clima tropical, com chuva e vento, se torna um autêntico pesadelo para os jogadores mais técnicos, que muitas vezes encontram também relvados que não estão nas melhores condições. Tudo somado, parece claro o significativo atraso dos onzes europeus face aos restantes rivais.

E no entanto, e isso também é significativo, África tem sido madrasta com os seus filhos. Os Camarões foram a primeira equipa oficialmente eliminada, mas o destino parece ser negro para as equipas africanas. A África do Sul, a Argélia e a Nigéria precisam de um milagre, já que partem como últimos da seu grupo para a ronda final. E mesmo as equipas com maior cartel, Gana e Costa do Marfim, precisam de fazer muitas contas para seguir em frente. Os ganeses terão de, pelo menos, empatar com a Alemanha. Os marfilenhos disputarão com Portugal o posto final. Um duelo Europa-África, que tem marcado a prova. Que pode passar para a última fase sem uma única equipa "da casa".

No meio disto a surpresa está nos onzes do hemisfério sul, que vão desde as combativas Austrália e Nova Zelândia (ainda com opcções de apuramento) aos conjuntos sul-americanos. O bom futebol do Chile, a força e resistência de Paraguai e Uruguai e o ressuscitar da Argentina transformam as equipas austrais nas grandes favoritas em seguir em frente. Os cálculos podem inclusive fazer com que a América do Sul seja o único com todos os conjuntos apurados para a última ronda. A Europa pode perder até a um máximo de dez equipas, se bem que o mais provável é que na próxima ronda se igualem os números. Cinco sul-americanos para oito europeus. Um torneio muito mais nivelado do que muitos previam. Mas com o centro de gravidade a deslocar-se, rapidamente, para sul.


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Miguel Lourenço Pereira às 02:57 | link do post | comentar

2 comentários:
De feromonas a 22 de Junho de 2010 às 13:54
Estou contente pelos países "pequenos" que estão fazendo bonito no mundial, chega de que ganhem sempre os mesmos!!!


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Junho de 2010 às 14:15
Está a ser um Mundial equilibrado, mais pela baixa de forma fisica e mental das grandes equipas europeias, do que pela subida da qualidade de jogo dos paises "pequenos".

E sem dúvida, o Mundial da América do Sul.



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