Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Uma tarde inesquecível para os adeptos suiços. A sua equipa, com uma precisão milimétrica, desarmou por completo a ambiciosa armada espanhola que naufragou estrepitosamente no seu particular cabo das Tormentas. Nenhuma equipa chegou ao título Mundial depois de arrancar com uma derrota e em Espanha devem estar a agradecer, mais do que nunca, o grupo acessível onde ficaram colocados. Porque estão mais perto do que nunca de voltar para casa.

A campeã da Europa não existiu em Durban.

Uma equipa organizada, metódica e bem distribuida foi suficiente para desarmar a suposta bomba espanhola que não se revelou mais do que pólvora seca. Lembrou-nos a derrota frente á Nigéria, em 1998. Uma derrota com que ninguém contava e que deixa a nu todas as debilidades da equipa que há dois anos venceu o último Europeu de Futebol. Desde então os números, a qualidade do plantel e a baixa de forma das principais rivais faziam da Espanha, pela primeira vez na história, uma candidata clara ao titulo. Mas isso de ser candidato é um peso que nem todos sabem levar aos ombros. Num jogo que parecia acessível, num grupo claramente modesto, os espanhóis fizeram o mais dificil. A justa vitória de uma Suiça desenhada á perfeição para este embate deixou claro que o jogo criativo dos espanhois, como o do Barcelona, emperra quando defronta equipas equilibradas e seguras no eixo defensivo. Hitzfield sabia a licção e demonstrou ser mais hábil que Vicente del Bosque ao adoptar um 4-5-1 que se revelou perfeito para encaixar no jogo de toque espanhol. Nem Xavi, nem Xabi Alonso nem Busquets conseguiam pautar o jogo ofensivo dos espanhóis e só Andrés Iniesta dava um certo ritmo a uma equipa adormecida e sem ideias. Ocasionalmente os suiços saiam da sua zona de meio-campo e demonstravam que poderiam ser perigosos. Era uma aviso.

 

Com a segunda parte chegou mais do mesmo. A Espanha não sabia o que fazer com a bola e a Suiça controlava os tempos.

Num lance perfeito de futebol directo a Suiça chegou ao golo. Merecido pela ousadia com que planteava cara á super-favorita. Rematou Derdyakok e Iker Casillas não soube agarrar a bola que caiu aos pés de Gelson Fernandes. O médio, de ascendência cabo-verdiana, com um mixto de raiva e fúria empurrou a bola para as redes levando com ele Pique e o desespero dos milhões de espanhóis que já festejavam a vitória a 11 de Julho. Que ainda é possível. Mas para tal, Espanha terá de quebrar uma maldição de 80 anos. O que não será fácil.

Depois do tento, a Espanha fez o que se lhe pedia. Tentou abrir o campo com Navas, Torres e mais tarde, Pedro, passando de um 4-5-1 a um 4-4-2 bem aberto nas alas. O meio-campo perdeu força, mas a velocidade imprimida por Navas e Pedro deu outro ritmo ofensivo aos espanhóis. Xabi Alonso teve a melhor oportunidade, num remate á barra, mas apesar do vendaval ofensivo, não havia clarividência nas manobras de ataque espanholas. O perigo estava aí mas nunca foi realmente asfixiante para Diego Benaglio. O tempo corria, os suiços podiam até ter feito o segundo (um espantoso remate ao posto de Derdyadok), e a pressão de jogar com o marcador em contra - algo a que esta Espanha não está habituada - foi superior para os super-favoritos. No final a Espanha caiu bem, e agora terá forçosamente de vencer os dois jogos para seguir em frente. E isso pode até nem chegar para ganhar o grupo, o que abre novas e inesperadas perspectivas para a fase a eliminar.

A sorte espanhola pode ser a próxima jornada, que veremos na segunda-feira. Defrontar as Honduras e esperar que os lideres do grupo, Chile e Suiça, joguem entre si determinará a corrida final ao apuramento. Um triunfo suiço deixa os helvéticos como primeiros de grupo, passe o que passar. Uma vitória do Chile pode levar a um empate triplo na última jornada e o empate deixa tudo ainda mais em aberto. Mas para isso Espanha terá de vencer as Honduras. Não o logrou em 1982, em sua casa. E se antes da Suiça a imprensa espanhola falava em goleada, há que ver o que nos espera o próximo encontro. Os nervos poderão com La Roja?  


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Miguel Lourenço Pereira às 18:10 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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