Terça-feira, 1 de Junho de 2010

É assim sempre. Uma realidade imutável de uma prova que começa a disputar-se muito antes da bola rolar pela primeira vez. Os eliminados, os descartados e as vitimas de lesões inoportunas vão aumentando à medida que o jogo inicial se aproxima. Muitos são estrelas planetárias, outros jovens promessas. Todos eles partilham de um mesmo sentimento. O Mundial terá de ser visto pela televisão.

 

As primeiras lágrimas verteram-se ainda em 2009. Com a confirmação dos 32 finalistas ficou claro que o Mundial ia perder alguns dos rostos mais sonantes do futebol actual. E menos mal que os astros do momento, Messi e Ronaldo, se salvaram in extremis. Ou o cenário teria sido bem mais complicado.

A eliminação precoce da Bélgica, Turquia, Irlanda, Ucrânia, Suécia e Rússia deixou de parte uma legião de talentos que terão de guardar as suas ambições para o Europeu de 2012. Entre eles pode formar-se um onze de primeiro nível, desde o guardião Igor Akinfeev aos centrais Verthogen e Vermaelen sem esquecer um meio-campo composto por Hazard, Denisov, Altintop ou Duff. O ataque Arshavin-Ibrahimovic meteria respeito a qualquer defesa. Infelizmente nenhum deles estará no outro lado do Mundo este ano. A estes juntaram-se também as estrelas egipcias - com o genial Zidan à cabeça - com mais uma eliminação inesperada, ou figuras em grande forma como o colombiano Falcao ou o avançado do Mali Frederic Kanoute. Nomes de primeira linha que ficaram imediatamente de fora de qualquer lista. Mas que não seriam os únicos. Ainda faltava muito para arrancar a Jubalani.

 

Chegados a Maio os seleccionadores foram forçados a realizar os primeiros descartes.

E levantaram uma nuvem de polémica que dificilmente acentará até ao final do torneio. Se Fabio Capello se poupou ao drama de uma Inglaterra sem David Beckham graças à lesão do médio inglês, já Dunga teve de viver com as criticas de meio Mundo quando declarou que nem Diego, nem Neymar nem Ronaldinho estavam entre os seus legionários. Fiel a si mesmo, Dunga declarou que prefere enfocar a participação num ambiente colectivo forte onde a individualidade é o de menos. Uma posição diametralmente oposta à de Diego Maradona que abdicou de cinco jogadores profundamente colectivos como Javier Zanetti, Esteban Cambiasso, Lucho Gonzalez, Ever Banega e Lisandro Lopez para levar consigo todas as individualidades que se lhe ocorreram. Uma desdita imperdoável que o destino quis compensar com uma série de titulos para os preteridos, desde o titulo da Ligue 1 à vitória na Champions League.

No espectro europeu a polémica foi menor do que a esperada. As sessões eróticas de Karin Benzema com uma jovem prostituta magrebi retiraram-lhe grande parte do apoio da imprensa e a sua ausência passou ao lado de muitos. Em Itália também poucas foram as vozes que se levantaram contra a não-convocatória dos três únicos pensadores italianos com algum critério de magia: Del Piero, Totti e Cassano. A própria Espanha, sempre amiga de uma polémica pontual, manteve-se em silencio quando Del Bosque preteriu os campeões europeus Diego Lopez, Cazorla, Senna e Guiza pela juventude de uma nova geração de talentos. E, ironicamente, acabou por ser o alemão Joachim Low a pagar a fava. Perdeu cedo Adler e Rolfes, e também preferiu ignorar os pedidos de Kuranye. Depois arriscou ao deixar de fora Borowski, Frings e Hitzlsperger e viu-se surpreendido, já no estágio, com as baixas de Ballack e Trasch. 

 

Entre lesões (como as de Michael Essien), ausências mediáticas (que nem os anuncios televisivos ou cadernetas de cromos souberam antever) ou eliminações precoces, ficaram de lado jogadores suficientes para armar um candidato ao titulo mundial. Como sempre não se pode agradar a todos e será preciso esperar pelo 12 de Julho para perceber se as ausências se notarão mais no fim do que no inicio desta aventura na África do Sul. 



Miguel Lourenço Pereira às 12:44 | link do post | comentar

1 comentário:
De espanhol a 1 de Julho de 2013 às 01:18
¿Injusta preterición de Diego López y de Marcos Antonio Senna?


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