Sábado, 29 de Maio de 2010

Até nisto Cristiano Ronaldo, Xavi Hernandez e Leo Messi são um caso àparte. Os três melhores do Mundo são também os raros exemplos de figuras de grandes empresas desportivas que vão actuar na África do Sul com uma camisola da mesma marca das suas flamantes chuteiras. O Mundial de Futebol é também um duelo de marcas e mercados. Nike e Adidas preparam-se para mais um choque. Mas será preciso trocar alguns cromos?

Muitos dos milhões que move o mundo do futebol passam pelo imenso e misterioso mundo das marcas desportivas.

Equipamentos, chuteiras, acessórios, naming, publicidade, anuncios e mais publicidade. Não é por acaso que as vendas aumentam, a publicidade dispara e, durante um mês, Nike, Adidas, Puma e Umbro parecem estar em todo o lado. Uma omnipresença pouco inocente.

Os anuncios televisivos já começam a assaltar a televisão com a sua espectacularidade, tons de irónica comédia e, claro, as inevitáveis fintas e lances impossíveis. O duelo principal, entre Nike e Adidas (juntas congregam 21 das equipas presentes na prova), volta a ser o principal atractivo. No total serão 7 as marcas presentes no torneio (Walon, Chollima, Umbro e Joma contam apenas com uma selecção).

O último Mundial foi um ligeiro parentesis num duelo que tem marcado os últimos 20 anos do futebol mundial. Até 1994 a Adidas dominava à vontade o Mundial de Futebol (do qual é patrocinadora oficial), com quatro finais em cinco só com equipas com as celebres três tiras no equipamento. Na década de 90 assistimos à resposta da Nike. A firma norte-americana foi a primeira a utilizar os clips publicitários para transformar a marca num fenómeno de massas. Abriu a saga de clips com uma colectânea dos melhores jogadores de então num duelo demoníaco e há poucos dias voltou a apresentar um trabalho (dirigido pelo consagrado Alejandro Iñarritu), que roça a genialidade em todos os aspectos. Tanto marketing, no entanto, não deixa esquecer que no último Mundial a companhia se viu suplantada pelas alemãs Adidas e Puma. Só colocou uma equipa nas quatro primeiras. Quatro anos antes, na Ásia, foram duas (as mesmas da Adidas) e no França 1998 tinham sido três em quatro (no entanto, o titulo foi para a Adidas). Se a Nike surge com algumas das grandes favoritas ao titulo, a Adidas parece evocar um passado histórico quase imaculado. No entanto, há 12 anos que os alemães não celebram um Mundial. Este ano têm armas de sobra para sonhar.

 

Olhar para o catálogo de ambas as marcas (a Inglaterra continua com a Umbro, que por sua vez foi adquirida pela Nike, enquanto Itália e Camarões continuam fieis à Puma), é dividir em dois esquadrões os máximos favoritos ao torneio. A Nike aposta forte, como sempre, no Brasil. O conceito de "jogo bonito" foi inventado pela própria companhia e mesmo com uma formação de choque, como promete apresentar Dunga, o que importa é a mensagem. Numa segunda linha estão Holanda e Portugal, as eternas promessas, mas também Estados Unidos, Coreia do Sul ou Austrália, importantes mercados emergentes.

Ao contrário, a Adidas continua a apostar nos mercados tradicionais. O trio europeu Alemanha, França e Espanha (e outros países do Velho Continente como Grécia, Dinamarca, Eslovaquia ou Ucrânia) e a aposta na América (Argentina, Mexico) são as grandes armas da empresa germânica que é a única que pode presumir de ter tido finais exclusivas com equipas por si patrocinadas, a última das quais em 1990. A terceira força em linha, a Puma, reina no mercado africano. Fruto de uma histórica cisão com a Adidas, a marca alemã patrocina sete selecções e quase uma centena de jogadores.

Aliás, verdadeiramente original será mesmo o duelo de figuras.

Nike e Adidas contam apenas com três das suas maiores figuras no seu catálogo de equipas. Cristiano Ronaldo, para os norte-americanas, e Leo Messi e Xavi Hernandez ao serviço dos alemães.

Ver Kaká (atleta da Adidas), como simbolo de um país intimamente ligado com a Nike é quase o mesmo que olhar para Wayne Rooney, com Umbro ao peito e Nike nos pés. Uma troca que se poderá ver igualmente nos casos de Ribery, Drogba, Iniesta, Eto´o ou Cannavaro. Uma circunstância que, em mais de uma ocasião, dará aos directores da emissão uma forte dor de cabeça. Nestas coisas da publicidade os meandros escuras contam, e muito, e os rumores de favorecimento a esta ou aquela marca são inevitáveis. Particularmente numa prova onde a bola, as bancadas e a maioria das equipas, jogam com as "mesmas cores". Não é também inocente a aportação financeira das grandes companhias às equipas nacionais. O caso Nike (Brasil 1998) está ainda bem presente na memória de muitos e os prémios de vitórias das corporations muitas vezes superam os das próprias federações e até da mesma FIFA. Uma circunstância a ter, sem dúvida, em linha de conta.

Certo é que um duelos mais apetecidos do próximo Mundial será, sem dúvida, a luta Adidas vs Nike. Os alemães venceram o último Europeu (com uma final "perfeita"), e estiveram nas últimas três finais consecutivas. A Nike traz o espectáculo à americana, o grande icone global da prova e um perfume samba que vão torcer para que não se torne nem tango, nem flamenco. A 11 de Julho milhões de adeptos vibrarão com uma histórica final, seja ela qual for. Por detrás da cortina, certamente haverá mais do que um rosto bem preocupado mais com números do que com a história. Até 2014 não terão uma nova oportunidade para brilhar.

 

As camisolas das selecções:

13 - Adidas (África do Sul, Alemanha, Argentina, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, França, Grécia, Japão, México, Nigéria, Paraguai, Ucrânia)

8 - Nike (Austrália, Coreia do Sul, Eslovénia, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia, Portugal, Sérvia)

7 - Puma (Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Itália, Suiça, Uruguai)

1 - Chollima (Coreia do Norte), Joma (Honduras), Umbro (Inglaterra) e Walon (Chile)



Miguel Lourenço Pereira às 06:50 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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