Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

A UEFA parece ter uma necessidade de se reinventar constantemente. Hoje, o máximo organismo europeu de futebol vai anunciar o organizador do Europeu de 2016. Uma edição chave, que significará um claro antes e depois no espectro de uma prova considerada pela esmagadora maioria como o mais exigente troféu de selecções do Mundo. Uma realidade que pode estar prestes a mudar.

França, Turquia e Itália.

Três nações com projectos distintos, esperam ansiosamente a decisão de Michel Platini e os seus pares.

Os analistas consideram que França parte em vantagem já que não organiza o evento desde 1984 e conta com a benção do presidente. A Turquia, por sua vez, traz um toque de novidade e exotismo que a UEFA aprecia. Por fim, a Itália, a candidatura mais modesta, precisa desta prova como de água num deserto. Seria a desculpa perfeita para reinventar um país destroçado por dentro. Mas quem, no país da bota, sabe algo sobre esta candidatura?

Se a UEFA mantém os padrões de exigência, então a França seria favorita. Se optar por levar o futebol a outros pontos do continente, a aposta seria na candidatura turca. Mas provavelmente o trofeu acabará por disputar-se em terras italianas. Um país que oferece muito pouco à partida mas que pode ganhar mais do que qualquer outro. Renovar por completo os estádios empobrecidos. Melhorar as infra-estruturas. E apostar num claro desenvolvimento desportivo são os grandes chamarizes de uma candidatura derrotada há quatro anos por Polónia e Ucrânia. E é precisamente o problema dos atrasos e erros que rodeiam a candidatura vencedora do Euro 2012 que serve de alerta para novas aventuras. Depois de duas provas com um duplo organizador em países sem tradição, a UEFA vai procurar uma nação com história, infra-estruturas e background. Especialmente com as caracteristicas que se prepara para impor.

 

O grande problema à volta do torneio de 2016 passa pelo seu modelo organizativo.

Pela primeira desde 1996, a UEFA vai preparar-se para ampliar o número de equipas de 16 a 24. Um número perigoso. Complicado até. E que desvirtua uma das máximas da prova. Desde que o torneio arrancou com 16 equipas os analistas foram unanimes em considerar o Europeu como a mais dificil prova de selecções do Mundo. Num continente de 54 países, escolher os 16 melhores era escolher la creme de la creme. Ao contrário do Mundial, onde pululam muitas vezes países sem chamam nem tradição, o Europeu é uma prova de exigência máxima do principio ao fim. Foi assim desde o Euro inglês até à aventura austro-helvética. Mas que tem as horas contadas.

A UEFA não ligou às criticas sobre o que pode significar esta mudança. A FIFA sabe, melhor do que ninguém, o que é preciso numa prova a 24. De 1982 a 1994, os Mundiais disputaram-se com esse número de participantes. Isso implicava, entre outras coisas, muita matemática na primeira fase. Deixam de se apurar apenas os dois primeiros, e agora há quatro de seis terceiros que também passam à fase a eliminar. Acaba o efeito surpresa (como o causou as eliminações precoces de França em 2008, Espanha e Itália em 2004 ou Inglaterra e Alemanha em 2000) e dá-se mais margem de manobra ás favoritas. Por outro lado, baixa o nivel exigência da primeira fase. De uma forma assutadora.

 

A Europa habituou-se à elite.

Os seus torneios de 16 eram caracterizados sempre por ausências de luxo. As equipas enviadas ao Mundial eram, praticamente, no mesmo número. O que significa que agora passarão a existir oito selecções de segundo nível com possibilidades de ir ao máximo palco europeu. Um cenário que facilitará certamente o trabalho às selecções de leste, aos países nórdicos ou aos estados britânicos, que têm deixado os grandes palcos às potências do ocidente europeu. Os adeptos podem agradecer. Haverá mais jogos (20 no total), mais equipas, mais jogadores e um maior impacto mediático. Grosso modo, metade da Europa estará presente no certame. O Euro aproxima-se assim de provas como a Copa América ou Golden Cup, e deixa de ser um torneio selectivo.

A esta aumento de equipas a UEFA responde com uma contenção de custos. Os países candidatos, por indicação da UEFA, apresentam um dossier com apenas dez estádios, dos quais provavelmente só utilizarão oito. Reduzem-se os tempos, os gastos logisticos, as distâncias. E logo numa edição que será entregue, forçosamente, a países de significativas dimensões dentro do espectro europeu. A Turquia precisa de um evento deste genero para, politicamente, reinvidicar a sua condição europeia. A França vive marcada pela derrota "olimpica" face a Londres e joga com o trunfo de ter, praticamente, tudo feito. Por sua vez, Itália, com o Calcio em queda livre e sem qualquer perspectiva risonha de futuro, encontraria num torneio destas caracteristicas a oportunidade perfeita para reinventar-se. Um argumento de peso que poderá hoje surtir efeito. Mesmo que o torneio de 2016 não tenha o mesmo glamour dos seus antecessores. 

O novo formato do Europeu é a continuação da política de Michel Platini, que já arrancou com o novo formato da Champions League, dando mais armas aos países médios e pequenos para chegarem a um torneio de elites. O formato garante no entanto que a elite europeia deixa de se preocupar em falta às grandes noites. Uma fase de qualificação simplificada, um joker de apuramento na etapa de grupos dará sempre um bónus às equipas de maior prestigio. As boas intenções da UEFA chocam com a inevitabilidade das evidências. Com este novo modo competitivo, o Europeu de Futebol perde (grande) parte da sua magia. 


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Miguel Lourenço Pereira às 08:16 | link do post | comentar

2 comentários:
De Pedro a 28 de Maio de 2010 às 12:23
Sem dúvida que esta medida que aumentar vai tirar o brilho ao melhor campeonato, pelo menos o mais competitivo a nível de selecções, que existe.
Não entendo que razão esta medida foi tomada, porque ainda não consegui entender se economicamente será assim tão vantajoso, mas só pelo facto de esta competição começar a tornar-se banal ao ponto de, a partir desse momento, as grandes equipa estarem "automaticamente" qualificadas perde o encanto e a piada.
O futebol precisa mudar, mas é preciso haver consciência. A continuar assim, este desporto rei vai cai do trono.


De Miguel Lourenço Pereira a 28 de Maio de 2010 às 14:30
Pedro,

A vitória da França, na organizaçao da prova, indica perfeitamente que esta medida é um espelho da nova politica de Platini. Distribuidor o bodo pelos pobres, aumentando as equipas, mas garantindo a organizaçao numa potencia para gerar lucro para os cofres. Nao é por acaso que os gauleses prometeram o dobro do lucro ganho no último Euro.

Baixa o nivel competitivo, aumentam as equipas medianas, as grandes ganham vantagem. O Euro desfigura-se.

um abraço


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