Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

Se Mourinho marcou o futebol europeu da última década, Fabio Capello fez o mesmo nos anos 90. E agora estreia-se num Mundial com a insuspeita Inglaterra. A selecção dos Pross chega, por uma vez, com legitimas esperanças de ir até ao fim. De Londres ao Cabo distam mais do que muitos milhares de kilómetros. É o espaço de perceber até que ponto chegarão os efeitos da experiência Capello.

 

Arrigo Sacchi, o homem a quem Fabio Capello sucedeu no Milan, declarou numa entrevista que na sua carreira só lhe tinha faltado ganhar um Mundial.

Esteve quase lá, com a sua Itália. Também Capello quer chegar tão longe, à primeira tentativa. Mas depois, inverter o resultado. Até porque o italiano não sabe perder e, realmente poucas vezes é atropelado por um rival. Ganhador de uma Champions League, várias ligas italinas (com AC Milan, AS Roma e Juventus) e duas ligas espanholas (ambas com o Real Madrid), realmente é dificil encontrar um buraco na sua carreira. A de um homem preparado para os grandes momentos. Metódico, eficaz e sabedor da realidade número um do futebol: o resultado é que conta.

Depois de dois anos é de esperar que a Inglaterra já tenha bebido da sua filosofia. A ausência do Euro 2008 ensinou aos ingleses uma boa licção, que o professor Capello não deixa de repetir. O seu onze, montado com base no esforço fisico e na velocidade de transições, tem ainda alguns buracos. Falta-lhe um grande guarda-redes (ou um bom guarda-redes, já agora, coisa que nem Hart, nem Green nem James são) e talvez um extremo desiquilibrante. Mas tem Lampard, Gerrard, Ferdinand, Terry, Cole e Rooney na sua máxima forma. Na sua oportunidade de ouro. E isso terá de pesar.

O grupo de arranque é bastante acessível, mas sempre aberto a pequenas surpresas. Ninguém espera que Capello caía tão cedo mas o fantasma dos penaltys (ver Alemanha 90, Argentina 98, Portugal 2006) ainda pesa sob a Old Albion. Mais do que no terreno de jogo, a experiência Capello terá de funcionar na mente dos seus jogadores. É aí onde o italiano fará toda a diferença. 

 

Depois do brilharete da Taça das Confederações no ano passado, já não há quem não leve a sério a selecção dos Estados Unidos.

A equipa de Bob Bradley conhece o país, as condições e demonstrou estar em forma. Um onze coeso, algumas individualidades interessantes, e um espirito de grupo que nestas provas de curta duração elimina muitos handicaps. Da frescura ofensiva de Donovan e Dempsey, à temperança de Bradley (filho), Bocanegra, Spector e Clark, é dificil erigir uma figura entre os jogadores dos States. O duelo contra a Inglaterra trará certamente reminiscências da mitica partida disputada em Belo Horizonte, há sessenta anos. Mas é contra argelinos e eslovenos que os Estados Unidos jogam o seu futuro.

Eslovénia que, para muitos, é uma séria candidata a última do grupo. O apuramento, ganho depois de um duplo duelo com a super-favorita Rússia, deixou meio mundo boquiaberto, não fosse o onze esloveno desprovido de jogadores de primeira linha. Ao contrário da Eslováquia que conta nas filas com jogadores de presente e futuro, a Eslovénia vive, apenas e só, do poder colectivo que permitiu aguentar um dos grupos mais equilibrados da fase de apuramento e depois superar uma Rússia displicente. O primeiro duelo, contra os argelinos, será chave para perceber quão depressa acaba a segunda aventura mundialista.

 

Há muitos amantes do beautiful game que não perdoarão nunca à selecção da Argélia. O conjunto do Magrebe, que deslumbrou em 1982, voltou 24 anos depois a um Mundial. Pelo caminho ficou o Egipto, dominador do futebol africano da última década e com ele muitos dos melhores jogadores do continente. Esta Argélia é, portanto, uma equipa a ter em linha de conta. Sem favoritismos, conta com um onze homogéneo e trabalhador, capaz de aguentar situações de máxima pressão. Cuidado com o jogo de Belhadj ou Boudebouz  exemplos da nova geração de futebolistas magrebinos, a viver uma década de ocaso.

 

O Duelo: A abrir, o confronto chave do mundo da anglofilia. No terreno de jogo o duelo entre Clint Dempsey, um dos heróis do ano do Fulham, e a frieza de Frank Lampard, habituado a gestas e títulos apenas uns quarteirões ao lado. O médio avançado americano exemplifica o espirito de grupo da equipa de Bradley enquanto que Lampard chega no melhor momento da sua carreira para coroar-se, definitivamente, como um dos jogadores-chave da história do futebol inglês. 

 

A Figura: É indubitavelmente um dos nomes próprios da competição. Depois de uma época notável, Wayne Rooney chega ao Mundial com a possibilidade de se erguer, definitivamente, como o porta-estandarte do futebol inglês. Tem atrás de si uma armada de primeiro nível e no banco um técnico de confiança. Se o corpo aguentar, Rooney pode fazer deste Mundial seu.

 

O Em Jogo aposta em: Inglaterra e Estados Unidos


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Miguel Lourenço Pereira às 08:20 | link do post | comentar

2 comentários:
De Pedro a 5 de Junho de 2010 às 01:15
Miguel,

Ferdinand já está fora. A dupla de centrais será agora muito provavelmente King-Terry. Na frente o duelo Defoe/Heskey para acompanhar Rooney parece "vencer" a solução Crouch, mais adequada para "deseperos" de última hora. Uma pena Gerrard partindo da esquerda para o meio. Fica mais longe do jogo. Capello dificilmente apostará no 4-5-1 (ou 4-3-3) com Barry a pivot defensivo a suportar Gerrard-Lampard para as transições, esquema que parece, ainda assim, encaixar melhor nos jogadores que tem.

Da Argélia, EUA e Eslovénia é melhor ver para crer. Ainda muitas dúvidas.

Confirmada a aposta em Inglaterra e EUA, mas pede-se que a Argélia repita 82. Mas não Madjer nem Belloumi. Chegará?

Um abraço

Pedro



De Miguel Lourenço Pereira a 7 de Junho de 2010 às 09:43
Viva Pedro,

Todas as analises e gráficos foram feitos antes do dia 2, é normal que surjam lesionados surpresa entretanto. King é seu substituto natural mas nao tem condiçao fisica para aguentar o torneio e Capello terá uma missao complicada para aguentar o que se lhe pede.

Os EUA sao um conjunto mentalizado para ganhar na altura certa, nao vejo grandes problemas em que sigam em frente. Argelinos e eslovenos sao demasiado macios.

um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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