Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Foi uma despedida que soube a pouco mas a UEFA já se foi e com sabor a caipirinha misturada com vodka de primeira. O Shaktar Donetsk entrou para a história como o primeiro clube ucraniano a vencer uma prova europeia desde a independência mas o triunfo é mais brasileiro que outra coisa. A armada desconhecida vinda directamente do sambódromo mundial foi demasiado para um clube que teve saudades também do seu intérprete mais virtuoso e que nunca se soube reencontrar em campo. Justiça seja feita a taça ficou em boas mãos, mas quem esperava o espectáculo do Carnaval teve de contentar-se com um forró de favela.

 O quinteto de brasileiros do Shaktar entra directamente para o hall of fame de vencedores de uma prova que diz adeus e no final foram eles quem realmente fez a diferença. O projecto milionário de Donetsk não serve para consumo caseiro (que o diga a vantagem que tem o já campeão Dynamo) mas nesta edição europeia assentou que nem uma luva. Ontem, em Istambul, foi demasiado para um Werder Bremen constantemente nervoso e sem uma única ideia na cabeça. Feitas as contas ás estatísticas que daqui sempre saem, no final os teutónicos até atacaram mais, mas os “ucraniano-brasileiros” foram sempre mais eficazes e claros nas transições. Resultado: cada ataque do Shaktar era um perigo real, cada avançada do Werder uma sequencia atabalhoada de jogadores que não sabiam o que fazer com a bola. Notava-se que faltava ali o chefe e que os demais eram simples operários, habituados a obedecer sem que lhes peçam que mandem em si mesmos. Diego foi a chave do Werder Bremen dos últimos três anos. No jogo mais importante da década estava na bancada. E no campo a equipa esteve ausente. O ataque foi ineficaz do principio ao fim – por muito que Pizarro gesticula-se a torto e a direito – e o meio campo, mais habituado a conter que a criar, pediu demasiado ao jovem Ozil que tem talento mas ainda não anda para estas andanças. A defesa, essa, foi o verdadeiro calcanhar de Aquiles como se viu ao minuto 15. Um passe a rasgar a toda a linha, uma série de trapalhadas e Luiz Adriano a bater um desamparado Wiese. 

A festa brasileira tinha começado antes, com todo o seu esplendor. Qual estarolas, entre eles passava todo o jogo do Shaktar, que entre o técnico romeno, capitão croata e quinteto brasileiro pouco tem de ucraniano a não ser a tenacidade. William a Fernando, Fernando a Ilsinho, Ilsinho a Jadson e Luiz Adriano. Enfim, é só trocar os nomes que o resultado vai sendo o mesmo e os ataques sucedem-se para desespero de Schaaf. O golo de Naldo – o mais inconformado ao final – foi mais erro alheio que mérito próprio e só durante esses vinte minutos finais da primeira parte se viu algum traço de esclarecimento por parte do onze alemão. Soube a pouco. Os teutónicos atacaram mas os ucranianos controlaram. O jogo seguia empate e cada lance venenoso dos avançados brasileiros era um ai Jesus na defesa alemã. A passagem dos 90 foi vendo a Lucescu ir trocando o seu esquadrão brasileiro por jogadores da casa, mais habituados ao choque físico que se esperava no prolongamento, já que os alemães, pouco hábeis mas bastante voluntariosos, não pareciam desarmar. O espectáculo, esse tinha ficado em casa certamente, até porque nunca se viu em campo verdadeiros momentos de grande futebol. Do prometido pouco, do visto menos ainda. 

Chegamos a esses trinta minutos fatais, onde ninguém arrisca e onde poucos chegam a petiscar, e tudo ficou na mesma, com os ucranianos a entrar e os brasileiros a sair, e com os amarelados alemães (Medina Cantalejo gostou de ir distribuindo cartões escusados a torto e a direito) a sair por outros gigantes de poucas ideias e muita força. Por largos momentos este Werder não era o mágico onze que tinha eliminado AC Milan ou Hamburgo mas sim o espelho daquelas equipas teutónicas dos anos 80 e 70, mas sem qualquer tipo de eficácia. E o pezinho de samba do escrete laranja foi fazendo das suas até que um centro medido a régua e esquadro encontrou o pé atrevido de Jadson. O brasileiro desconhecido até este ano – como os colegas que fazem este “samba Donetsk” – quis ficar para a história e rematou suavemente, mas com o engenho necessário para fazer com que o nervoso Wiese não agarrasse a bola por completo. O escorregão foi fatal, a bola deslizou sobre as redes e já estava Jadson e amigos a festejar na bandeirola de campo para delírio dos milhares de ucranianos que baixaram até ao Bósforo. Feita a festa na bancada sul, lançado o desespero entro os que já pouco acreditavam e Diego, de telemóvel na mão, a acertar detalhes do contracto milionário com a Juve.

 

Os 120 minutos foram passando e no final os jogadores ucranianos aplaudiram os rivais, que acabaram por sê-lo pouco em campo, antes de subirem à tribuna. Srna, o irascível croata de bandeira ás costas, subiu ao palco para receber do senhor Platini – que volta a recuperar uma tradição antiga – essa pesada taça que já por tantas mãos ilustres passou. A história fecha-se com chave de ouro para os de Donetsk que ainda devem andar de festa rija. A Taça UEFA chegou ao fim, mas para o Shaktar promete ser apenas o princípio de uma era de sucessos.



Miguel Lourenço Pereira às 08:27 | link do post | comentar

2 comentários:
De Ricardo a 21 de Maio de 2009 às 09:16
Não vi o jogo mas aposto que se o Diego e o Hugo Almeida estivessem disponíveis a história seria outra.


De Ricardo a 21 de Maio de 2009 às 09:30
Não resisto! Isto tem que ser partilhado. Este videos prometem horas de riso. xD

http://www.youtube.com/watch?v=dC8_RC2BfDs

http://www.as.com/futbol/video/gol-tonto-liga-japonesa/dasftb/20090511dasdasftb_9/Ves

http://www.youtube.com/watch?v=JNai6xZp3pI

http://www.youtube.com/watch?v=ZsgzFzKL2GQ&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=1eTEiKXKJr4&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=1-p9pzkKAKI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=-EJ2-ZeWn5Q&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=AdoEwnCoEVk

Divirtam-se!!!


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