Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Diego Armando Maradona ganhou "sozinho" um Mundial. Agora quer ganhar outro colocando, ele próprio, os obstáculos pelo caminho. Depois de uma lista final abrumadora, espelho perigoso de uma campanha de apuramento assustadora, a Argentina parece tudo menos uma equipa favorita. Parece querer acelarar uma eliminação, que nas últimas edições tem sido sempre precoce. No entanto tem tudo a favor para ir longe. E tem Messi. Pode-se ser favorito sem nunca o parecer?

 

Imaginem uma das melhores gerações do futebol argentino. Agora, desfaçam-na em bocados.

Acabaram de se tornar em Maradona, o técnico. O jogador transformado em treinador criou uma lista que tem tanto de polémica como de surpreendente. Como o próprio Dios argentino. Abdicou de laterais (incluindo Zanetti, Jonás e Ansaldi) e de médios de contenção com Banega, Cambiasso ou Lucho Gonzalez. Convocou seis avançados quando promete alinhar apenas com dois. Prepara-se para ensaiar um 4-2-2-2, muito similar ao que a equipa albiceleste utilizou no Mundial de 86 e 90. Recuperar uma fórmula antiga para voltar à senda do sucesso? Conjugação perigosa. Maradona, polémico quando baste, conseguiu transformar uma das grandes favoritas, numa equipa em que ninguém tem coragem de apostar. Há demasiados "ses" e "senões" para acreditar que Leo Messi e companhia podem ir até ao final sem um esqueleto sólido e com tantas interrogações. Uma defesa com quatro centrais de choque (incluindo Samuel, Jonás, Burdisso e Heinze) e dois médios mais recuados (Mascherano e Verón) pode ser suficiente para um dos grupos mais acessíveis da primeira fase. Mas aguentará o choque de quipas de primeira linha? Os quatro atacantes (inevitavelmente Messi, mais os previsiveis Higuian, Di Maria e Maxi Rodriguez) aguentarão a solidão de largos 90 minutos de olhos postos no sol? Nem a época genial de Messi parece ser suficiente para garantir uma candidata a 100%. E no entanto, porque é que ninguém descarta esta Argentina?

Da última CAN ficaram poucas sensações positivas das equipas africanas mundialistas. A Nigéria foi um raro exemplo.

As Green Eagles estão a anos luz da melhor equipa africana dos anos 90 (apesar de por lá andar, ainda, Kanu) mas apesar da sua nova geração ser menos mediática, a verdade é que parece bem mais organizada no terreno de jogo. Os nigerianos apostam num 4-4-2 flexível, confiando na potência ofensiva de Anichebe, Odemwingie, os irmãos Uche e Obinna. No meio caberá a Obi Mikel, o patrão indiscutivel, impor ritmo e ordem. Faltão-lhe musicos de classe para montar uma orquestra, porque Haruna e Ideye não têm o perfume dos seus antecessores. Talvez surja Obasi, como uma confirmação há muito esperada. Ou talvez Martins volte a ser o que uma vez prometeu ser. São várias as dúvidas de uma equipa que pode ser a surpresa africana da prova. 

Do outro lado da barricada, nessa luta pelo mágico apuramente, a Coreia do Sul apresenta os argumentos do costume. Rapidez, determinação e um singular efeito surpresa que costuma acompanhar a selecção a cada prova. Repetir 2002 é impossível e o essencial passa por melhorar a imagem da última edição do torneio. As jovens promessas Lee Chung Yong e Ki Seung Yeung serão dificeis de reconhecer numa equipa que é homogena, e não só no aspecto fisico. Uma equipa feita com jogadores do campeonato doméstico, onde todos parecem um pequeno clone do irrepetível Park Ji Sung, o lider da armada.

 

Depois do milagre de 2004 ninguém se pode fiar a 100% da Grécia. Mas há uma ligeira tentação em colocar de lado a equipa helénica.

Otto Rehaggel está de saída e sabe que há milagres que não se repetem. O grupo não é complicado mas os gregos deram uma imagem muito pobre na fase de apuramento. Há jogadores chave da campanha de 2004 que já não estão e o último Europeu deixou uma imagem muito pobre do jogo de uma equipa que necessita um rápida rejuvenescimento. Na lista está Ninis, está Manolas, está Papastathoupoulos mas pouco mais. Os veteranos seguem e com eles um modelo de jogo hermético, com uma larga zona defensiva e um futebol de choque. Poderá servir para uma desiquilibrada Nigéria, mas terá capacidade de lidar com a rápida selecção coreana?

 

O Duelo: São dois dos médios centros mais fascinantes do futebol contemporâneo. Dois mestres na arte de defender bem e atacar melhor. Javier Mascherano e John Obi Mikel transmitem a magia dos relvados britânicos neste reencontro, tantas vezes vivido, nos relvados da África do Sul. Dois dos melhores do Mundo na sua exigente posição que se verão frente a frente, uma vez mais.

 

A Figura: Todas as atenções estão postas em Leo Messi mas o jogador argentino que chega em melhor forma ao torneio é, sem dúvida, Diego Milito. Numa equipa que conta com seis avançados, o avançado do Inter parece, à partida, a última opção. Maradona tem uma semana para mudar de opinião.

 

O Em Jogo aposta em: Argentina e Nigéria


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Miguel Lourenço Pereira às 04:53 | link do post | comentar

1 comentário:
De Pedro a 5 de Junho de 2010 às 01:32
Miguel,

Maradona já anunciou a sua defesa com 4 centrais. Da direita para a esquerda: Otamendi, Demichelis, Samuel e Heinze. Jonas Gutierrez deve começar como ala direito em vez de Maxi. De resto não há surpresas. Mas falta claramente um substituto para Véron, que aos 35 não deverá aguentar todos os jogos. É obviamente o mais lento, mas ainda pauta o jogo com classe apreciável. Depois...depois são 10 feras famintas de vitória. Impressionante o ritmo que impuseram num dos únicos particulares que jogaram. Maradona campeão do Mundo seria um pontapé na lógica, o mundo do futebol de pernas para o ar! Difícil, no meio da anarquia maradoniana, mas ironicamente sedutor...

Na Nigéria, um pivot defensivo que se tornará playmaker? Mikel é fundamental, mas será bem "conduzido"? O resto parecem todos correr muito mas muita fragilidade mental e lacunas defensivas.

A sensação-choque de 2004, parece doente. Tomará o remédio certo? Falta muito pouco, mas o motor parece gripado. 4-3-3 ou 3-4-3? Ou os dois? Mas em qualquer dos casos com 3 avançados possantes na frente. Pouco tecnicistas? Não interessa. Jogam com o físico, desgastam defesas? Óptimo. Rehagel parece apostar no 4-3-3 para defender menos: Chalkias; Vyntra, Kyrgiakos, Moras, Spyropoulos; Karagounis, Katsouranis, Tziolis; Salpingidis, Charisteas, Samaras.
Com a Argentina voltará ao 3-4-3, tirando Tziolis para entrar mais um central ou Seitaridis, puxando Vyntra para dentro. Camaleão táctico mas ainda com pouca dinâmica.

Abraço

Pedro


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