Terça-feira, 25 de Maio de 2010

O Em Jogo inaugura esta temporada o nosso particular Top 10.

 

Antes do arranque do Mundial - prova quem tem o condão de desfigurar uma época de dez longos meses - deixamo-vos a lista daqueles que foram, para o Em Jogo, os 10 Melhores Futebolistas a actuar na Europa na época 2009/2010. Uma escolha baseada nas exibições, na constância demonstrada ao longo da temporada e na evolução desportivo face à anterior época. Representantes das principais ligas do continente, figuras chave nas competições europeias, aqui está o nosso Top 10 2009/2010.

 

 

 

1. WESLEY SNEIJDER

 

Em Madrid acusavam-no de tudo e literalmente Jorge Valdano expulsou-o do clube. A pontapé.

360 dias depois Wesley Sneijder voltou a Madrid para coroar-se o Jogador do Ano. Foi uma longa época de um atleta de excelência que recuperou o seu melhor rosto, o do Ajax e da Orange que o levou a Madrid onde passou sempre ao lado dos grandes momentos. Eregido general por José Mourinho, a batuta assentou-lhe que nem uma luva e durante uma época, o médio teve a destreza para liderar as hostes sem um falho. Golos chave, com um pontapé canhão demolidor, e assistências primorosas como as do duelo com o Barcelona, Roma ou da própria final de Madrid. Rei dos últimos passes na prova rainha da Europa, jogador decisivo num Calcio sem fim, Sneijder pode finalmente sacar a espinha atravessada. Este ano ninguém jogou como ele. Por isso foi o melhor.

 

2. ARJEN ROBBEN

 

Durante os 90 minutos da final de Madrid viu-se, uma vez mais, o determinante que pode ser Arjen Robben.

Nessa noite acabou por não sê-lo, mas foi apenas um aparte numa larga época de sucessos de um jogador renascido das cinzas, depois de dois anos sofridos em Madrid. Pelo lado direito ganhou a época, graças às suas demoniacas diagonais. Letal nas bolas paradas, eficaz no remate, determinante nas assistências, o extremo holandês foi uma das grandes noticias do ano voltando a exibir-se como na sua primeira etapa em Stanford Bridge. Enquanto o Mundial espera por ele em Munique já sabem que para o ano podem voltar a sonhar. As bases estão montadas e Robben não vai a nenhum sitio.

 

3. XAVI HERNANDEZ

 

Um ano mais o Barcelona voltou a dominar qualquer ranking de equipa mais admirada. Apesar de ser uma versão menos espectacular da que vimos na época passada, o conjunto culé ganhou em eficácia, o que perdeu em espectáculo. E tudo sob a batuta do mesmo maestro.

Xavi Hernandez continua a puxar dos galões de melhor jogador do Mundo. Foi o rei das assistências do super-Barça, sendo o principal responsável pela notável época goleadora de Messi ou pela explosão do jovem Pedro Rodriguez. Perdeu o seu parceiro perfeito, Iniesta, e teve de trabalhar mais na arrumação defensiva do meio-campo. Mas foi exemplar. Basta ver que em Madrid, no duelo do titulo, sairam dos seus pés as duas assistências para golo. Só parando o número 6 logrou o Inter controlar o carrousell ofensivo dos blaugrana e agora levanta-se a expectativa sob o que se pode esperar no próximo Mundial do jogador que foi eleito o MVP do último Europeu. Tarde ou cedo o Mundo entenderá a classe de jogador que é o cerebro do Camp Nou.

 

4. WAYNE ROONEY

 

Não é dificil perceber que o Manchester United perdeu dois titulos num só segundo. Quando Rooney, então o jogador mais em forma do futebol europeu, se lesionou no confronto da primeira mão com o Bayer Munchen, a época dos Red Devils entrou em suspenso. Haveria sempre um antes e um depois da lesão no tornozelo do avançado inglês.

Por essas alturas Rooney era o jogador de moda. Liderava a corrida pela Bota de Ouro, liderava a equipa que se preparava para um histórico Tetra e tinha tudo para sonhar com o titulo europeu. Nesse instante perdeu tudo mas é impossível esquecer a sua época fabulosa. No primeiro ano sem o seu amigo Ronaldo ao lado, Rooney explodiu literalmente. Com golos, com assistências (ele que voltou ao centro do ataque) e com a raça que o caracterizou desde os primeiros dias no Everton. No mundo dos "ses" tinha tudo para ser o Jogador do Ano, mas o futebol não perdoa.

 

5. CRISTIANO RONALDO

 

Depois de seis anos em Inglaterra o extremo madeirense tornou-se no jogador mais caro de sempre e mudou-se, de malas e bagagens, para Madrid. Cristiano Ronaldo fez valer, centimo por centimo, os 100 milhões que o clube merengue pagou pelo seu passe.

Não fosse uma larga e inoportuna lesão e ninguém sabe realmente se o impacto teria sido maior. Mas em campo, o novo CR9 foi imparável. Apontou 26 golos na Liga espanhola e sete mais na Champions League - a sua segunda melhor marca goleadora de sempre - e rapidamente tornou-se no lider em campo (e no balneário) do exército desalmado de Madrid. Fica marcado pelo ano em branco da sua equipa e talvez no próximo ano acabe com uma racha de três épocas sucessivas a disputar os mais importantes prémios individuais, mas ninguém pode questionar que chegar e impor-se de esta forma a uma liga estrangeira é algo ao alcance de muito poucos. Um clube onde Ronaldo entrou sem ter de pedir licença.

 

6. LIONEL MESSI

 

Não é fácil a alguém que ganha tudo superar-se. Mas Lionel Messi logrou-o.

O extremo argentino é forçosamente um dos nomes próprios da época. Bota de Ouro com 34 golos, a sua melhor cifra de sempre, Messi foi o espelho mais evidente da transformação táctica que sofreu o Barcelona, no segundo ano de Guardiola. Abandonou a posição de extremo direito, onde brilhou na época passada, e passou a deambular pelo meio do terreno de jogo. Um processo em tudo igual ao de Cristiano Ronaldo na sua última etapa em Old Trafford e que lhe permitiu, como ao português, marcar mais e entrar na construção do jogo ofensivo desde o coração da equipa. Golos, assistências e atitude, foram as palavras-chave do ano de Leo, consagrado pela imprensa como o melhor do Mundo. Apesar do estéril debate sobre a eternidade, é mais do que certo que o jovem de 22 anos está aí para ficar durante muito tempo.

 

7. DIEGO MILITO

 

Aos 30 anos, Milão teve direito ao "seu" Diego.

Um goleador que nunca teve nada de precoce e fácil. Herói de Avellaneda, Diego Milito chegou a Genoa no pior momento da história do clube. Marcou mas não chegou e, face à despromoção dos genoveses, emigrou para Espanha apenas para reviver o mesmo drama, no Zaragoza. Viagem de ida e volta a Génova com destino Milão. Foi mais eficaz num ano que Zlatan Ibrahimovic em três temporadas e ergue-se como o sniper perfeito para o exército de Mourinho. Marcou golos determinantes nos jogos chave. Numa semana fechou três titulos para o seu Inter com quatro golos. Em Madrid ergue-se como um avançado monumental, ganhando, quase sozinho, uma final inteira. No Mundial esperem pouco dele porque o outro "Diego" há muito que deu sinais de ter os seus favoritos. 

 

8. HUGO LLORIS

 

Desde que chegou a Lyon o jovem Hugo Lloris ainda não saboreou qualquer titulo. Algo anormal, tendo em conta que o clube francês tinha-se revelado, até há um ano, uma máquina de ganhar. No entanto o guardião não pode estar arrependido, especialmente depois do notável ano que acabou de cumprir. Melhor jogador da Ligue 1, um dos mais determinantes na última edição da Champions League, o guardião é hoje indubitavelmente um dos cinco melhores guarda-redes do planeta. Alto, ágil, rápido e certeiro nos timings, Lloris promete acabar com uma longa malapata de um país que nunca teve um guardião de elite. A sua imensa juventude só deixa adivinhar que o seu mandato será longo e que, tarde ou cedo, se desenrolará noutras paragens.

 

9. LUIS SUAREZ

 

É impressionante como este prodigío uruguaio tenha passado os últimos dois anos no Ajax Amsterdam quando meia Europa gasta milhões em jogadores com metade do seu calibre de jogo. Porque apontar 35 golos, mesmo na liga holandesa, é muito. Porque fazer 20 assistências, na mesma prova, também é muito. E porque Luis Suarez está chamado a ser uma das estrelas desta década.

Um ano pautado sem grandes titulos (apenas a vitória da Taça da Holanda) mas com uma qualidade de jogo incomunsurável e um espirito colectivo fora do vulgar num jovem de apenas 21 anos. O Mundial espera por ele (uma dupla Suarez-Forlan é sempre temivel), e será um crime se, no próximo ano, o pequeno grande génio esteja ainda no Amsterdam Arena. Os adeptos ajaccied vão agradecendo.

 

10. GERARD PIQUE

 

Há defesas que marcam décadas. Foi assim com Moore nos anos 60, Beckenbaeur nos anos 70 e Baresi nas décadas de 80 e 90. A próxima poderá ser, indubitavelmente, a década de Gerard Pique.

O jovem espanhol está no restricto lote de campeões do Mundo em anos consecutivos por dois clubes distintos (Man Utd e Barcelona), mas é no conjunto blaugrana que, finalmente, se erigiu como o lider defensivo número 1 do Mundo. Uma posição que acumula também na selecção espanhola, onde estamos mais habituados a concentrar-nos no trabalho dos pequenos génios do meio-campo. Pique encarna o espirito do defesa moderno. Implacável na marcação (Cristiano Ronaldo já o provou por várias vezes), excelente a sair com a bola sem perder posição, o central até já demonstrou ter dotes de goleador. Completo como poucos, este ano também foi seu!



Miguel Lourenço Pereira às 14:21 | link do post | comentar

2 comentários:
De sergio a 25 de Maio de 2010 às 16:54
Concordo com os 10, mas se calhar o Drogba também poderia caber. Espero é que faça um péssimo Mundial...


De Miguel Lourenço Pereira a 26 de Maio de 2010 às 08:19
Sérgio,

Estamos na mesma sintonia porque durante semanas Drogba esteve no top, mas acabou por pagar o notável fim de época de Milito. Mas seria o 11 sem qualquer dúvida.

um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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