Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

HabituadA a ver a vizinha Cibeles celebrar às duas por três, há dezasseis anos que a fonte de Neptuno adormecia silenciosa cada noite, contendo a impotência de um clube perdido em questões existenciais. Ontem rugiu. À distância de 2170 km sentiu o remate certeiro de Forlan e abriu os braços para receber uma nação orfã de momentos de glória. Momentos como ontem.

Aguero correu pela esquerda, mais com o coração do que com a cabeça. Esperou, apontou o dedo para Forlan e disse-lhe, com aquele sotaque charrua "Ahí". O uruguaio deu três passos, penteou a bola, arrancou a camisola e levou os adeptos colchoneros à histeria. Faltavam quatro minutos e todos sabiam que o sofrimento tinha acabado.

O mais contestado dos jogadores atléticos, assobiado pela própria afficion depois de, na época passada, ter sido decisivo com a Bota de Ouro no apuramento para a Champions do conjunto madrileño, foi o herói da final. A segunda ganha pelo Atlético de Madrid depois de, em 1962, ter vencido a Taça das Taças. Pelo meio poucas finais, todas marcadas por copiosas derrotas e um trauma profundo na mente dos adeptos. O "Pupas" espanhol ontem esqueceu-se dos medos e atirou-se para o abismo sem olhar para trás. Foi suficiente para amedrontar um heróico Fulham, mais pela presença numa final europeia do que pelo futebol apresentado. Ontem e nos jogos prévios.

Roy Hogdson, que voltou a perder uma final da UEFA depois do seu Inter ter caído com Schalke 04 há treze anos, tem de estar orgulhoso. A sua equipa nunca deveria ter chegado a Hamburgo. Mas aí estava, contra todos aqueles que até eram optimistas. Dominou a segunda parte, soube reagir à adversidade e quase conseguiu chegar aos penaltys, o seu objectivo claro a partir do momento em que se soube que haveria um prolongamento. O Fulham, com Duff e Zamora debilitados, é menos equipa ainda do que se supõe. Não levou o correctivo do Middlesborough, outro modesto britânico derrotado por outro espanhol, mas ficou claro que esta oportunidade é uma vez na vida.

 

Muitos não deixaram de olhar para o Atlético de Madrid como um vencedor feliz.

O conjunto espanhol entrou na Champions League depois de um play-off sofrido. Foi humilhado pelo FC Porto e Chelsea e sofreu até ao fim para superar o modesto Apoel do Chipre. Caiu na fase a eliminar da Europe League com um novo técnico - Quique Sanchez Flores - e sem Maxi Rodriguez, um dos seus capitães. Foi ganhando por tropeção os duelos com Galatassaray, Sporting e Valencia, com empates consecutivos que lhes valiam o apuramento por golos fora. Golos, muitas vezes, com o oportunista selo de Forlan. À medida que os favoritos iam caindo por todos os lados, os colchoneros chegaram às meias-finais para defrontar o Liverpool. O mais débil dos conjuntos Reds da década. Mesmo assim sofreram até ao último segundo para marcar o lugar na final. Onde, apesar de tecnica e tacticamente superiores, não se livraram de um bom justo. Um campeão sim, mas um campeão que emerge entre uma mediania gritante que pautou a primeira edição da prova.

Com Reyes Simão apagados (e bem substituidos por Jurado e Salvio), coube a De Gea nas redes, Dominguez na defesa e Aguero no ataque, carregar com a equipa. À frente, o "uruguayo", esperava. Marcou o primeiro. Marcou o segundo. Dois golos de oportunismo. Dois golos com o selo de fome. De titulos, de glória, de história, de raiva.

Com Neptuno acordada toda a noite, Madrid descubriu que tem em si uma equipa ganhadora para lá do histórico Real, algo que o tempo deixou esquecido depois de 16 anos de vazio. A UEFA consagrou a Champions como a prova do glamour, mas há algo nesta Europe League que continua a soar de forma gritante a segunda divisão europeia. Uma década de poucas noites entusiasmantes e ainda menos equipas fascinantes que ganha mais um nome para o seu historial. Um nome que há muito o céu sem estrelas de Madrid queria gritar. 



Miguel Lourenço Pereira às 11:18 | link do post | comentar

.O Autor

Miguel Lourenço Pereira

Fundamental.
EnfoKada
Novembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


FUTEBOL MAGAZINE. revista de futebol online


Futebol Magazine


Traductor


Ultimas Actualizações

Toni Kroos, el Maestro In...

Portugal, começar de novo...

O circo português

Porta de entrada a outro ...

Os génios malditos alemãe...

Be right back

2014, um Mundial de parad...

Brasil vs Alemanha, o fim...

Di Stefano, o jogador mai...

Portugal, as causas da hu...

Últimos Comentários
ManostaxxSaiba onde estão os seus filhos, esposo/a...
En el libro último de Carlos Daniel ni siquiera se...
.Xavi e o melhor jogador meio campista atual e da ...
.Xavi e o melhor jogador meio campista atual e da ...
Ya existe Avenida Eusebio, Estadio da Luz; NO EXIS...
Posts mais comentados
69 comentários
64 comentários
47 comentários
Arquivo
.Do Autor
Cinema
.Blogs Portugueses
4-4-2
A Outra Visão
Açores e o Futebol
Duplo Pivot
Foot in My Heart
Futebol Finance
Futebol Portugal
Lateral Esquerdo
Leoninamente
Minuto Zero
Negócios do Futebol
Pitons em Riste
Porta 19
Portistas de Bancada
Reflexão Portista
TreinadorFutebol
.Blogs Internacionais
Os mais destacados blogs internacionais de futebol
.Imprensa Desportiva
Edições Online Imprensa
Aviso

Podem participar nesta tertúlia futebolistíca enviando os vossos comentários e sugestões à direcção de correio electrónico: Miguel.Lourenco.Pereira@gmail.com


Bem Vindos a Em Jogo...


Nota



O Em Jogo informa os leitores que as fotos publicadas não são da autoria do weblog sendo que os seus respectivos direitos pertencem aos seus legítimos autores.



Siga o Em Jogo através do:

Follow Em_Jogo on Twitter


Em Jogo

Crea tu insignia

Bem vindo!

Categorias

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO