Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Talvez o campeonato mais impressionante em largos anos. O Barcelona exibiu-se uns furos abaixo da época transacta. O Real Madrid uns furos acima. O choque de titãs tornou-se inevitável e os números a que ambas as equipas chegaram foram escandalosos. É normal, portanto, que o onze da época se divida entre uns e outros. Com algumas surpresas, como o jovem Felipe Luis, o veterano português Nunes e o surpreendente Banega. Uma equipa orientada pelo milagreiro Gregorio Manzano. O que fez este técnico andaluz ao longo do ano está para lá da razão.

 

Victor Valdés

(Barcelona)

 

Em Espanha vive-se o eterno debate sobre quem é melhor. Para Del Bosque o guardião catalão nem tem sido opção entre três, mas a verdade é que a vitória em mais um Zamora não deixa margem para dúvidas. Hoje por hoje, Valdés é o número um da La Liga. Uma época espantosa, com defesas prodigiosas que ajudaram o Pep Team 2.0 a manter o título de campeão nos momentos mais complicados. Um guarda-redes de excepção que cresceu muito nos últimos três anos.

 

Sergio Ramos

(Real Madrid)

 

Em Espanha é tarefa complicada encontrar um grande lateral direito. Estrangeiro ou local. Especialmente quando um jogador como Dani Alves passa a época em valores medianos. No meio de tudo isso destaca-se Sérgio Ramos. O andaluz até rende mais como central, mas na corrida pelo Real Madrid rumo ao titulo foi um elemento fulcral em muitos dos obstáculos. Perito em incorporações pelo flanco, Ramos tornou-se num falso extremo de grande utilidade para Pellegrini. Ao mesmo tempo comprometeu menos do que lhe vimos noutras épocas. Chega em boa forma ao Mundial.

 

Felipe Luis

(Deportivo la Coruña)

 

Jogou quase meia época, mas foi suficiente. Em Dezembro o Deportivo de la Coruña era a equipa sensação de Espanha e militava no terceiro posto de forma inesperada. Os méritos colectivos podiam reduzir-se à acção de um homem. Felipe Luis fez do carril esquerdo uma segunda casa. A defender e a atacar fez lembrar o melhor Roberto Carlos. Marcou, deu a marcar e evitou golos. Mais do que se lhe podia pedir. A gravíssima lesão que sofreu, num lance onde até marcou golo, ditou o final da época do Depor.

 

Gerard Pique

(Barcelona)

 

Se hoje Pique não é o melhor central do Mundo, não lhe faltará muito. Tem os traços de liderança que nos últimos quarenta anos só se apreciaram da mesma forma em Franz Beckanbauer e Franco Baresi. O que já é dizer muito sobre o espantoso rendimento do central que Guardiola repescou no Man Utd. Pique já o patrão da defesa e, ao mesmo tempo, acaba sempre por ser o primeiro jogador de toque do carrousell ofensivo blaugrana. Letal diante das redes rivais, já assumiu dotes de goleador surpresa. Um dos jogadores do ano, sem dúvida.

 

Nunes

(RCD Mallorca)

 

Aos 33 anos o central português é o exemplo perfeito de como um jogador pode passar debaixo de muitos radares e, mesmo assim, fazer uma época espantoso. No maravilhoso Mallorca, Nunes é o fiel da balança. Uma época de uma enorme segurança do central vimaranense, comandante em chefe de uma das defesas menos batidas da prova. A isso junta um faro de golo que poucos centrais cultivam. E acaba por ser um dos nomes próprios deste projecto que tinha tudo para acabar na II Liga e que acaba por saber de novo o que é viver a Europa.

 

Ever Banega

(Valencia)

 

Depois de uma época cinzenta no Atlético de Madrid o Valencia decidiu repescar o argentino Banega. Em boa hora. A equipa Che terminou a época no terceiro lugar e muito deve-o ao jogo do médio. Nem Villa, nem Silva, nem Mata, nem Pablo. Foi a destreza do seu pé esquerdo, a segurança do seu pé direito que permitiram à equipa de Emery manter-se num campeonato à parte de todas as outras 19 equipas ao longo da temporada. Uma temporada de luxo para Maradona ver.

 

Xavi Hernandez

(Barcelona)

 

Continua a ser o melhor jogador do Mundo. Um ano mais voltou a ser ele a alma do Barcelona de Guardiola. Com a baixa constante de Iniesta (em ano para esquecer), o trabalho de Xavi duplicou. A falta de apoio de Alves e a movimentação táctica de Messi também tiraram espaço de manobra ao número 6. E no entanto Xavi voltou a ser o rei das assistências, o rei do futebol de toque e o lider espiritual de uma equipa que continua a encadilar a Europa, apesar de se apresentar numa versão mais soft da que acompanhamos no ano passado. As capas dos jornais podem preferir o duelo Ronaldo-Messi, mas o argentino só é quem é porque tem o catalão atrás. E o português não é mais porque, não tem ninguém que faça o mesmo papel. Os três sabem isso. E o mundo?

 

Lionel Messi

(Barcelona)

 

A imprensa mundial empenhou-se em fazer de Messi a séptima maravilha da história. O argentino esteve, realmente, endiabrado. Guardiola moveu-o para o meio, criando-lhe o posto de falso número 10, e a sua faceta goleadora disparou a números históricos. O número 10 foi o interprete do futebol de toque de Xavi e companhia e ajudou a levar o Barça ás costas em duelos complicados. Mas continua a ser mais o espelho da filosofia de Can Barça do que um fenómeno isolado. Basta ver a sua performance com a albiceleste. É no entanto inevitável colocá-lo no top 3 do ano da Liga. Até porque aos 22 anos, Messi tem uma década para provar se aqueles que hoje querem dele fazer um Dios, têm realmente razão.

 

Cristiano Ronaldo

(Real Madrid)

 

O extremo português conseguiu o que muito poucos jogadores são capazes de lograr. Depois de cinco anos em Inglaterra, adaptar-se a um campeonato diametralmente oposto como o espanhol e emergir como um dos jogadores da liga foi algo que nem Zidane ou Ronaldinho lograram. Sem tempo para adaptar-se, a pressão dos 100 milhões de euros e do jogo de Messi começaram cedo a pesar nos ombros de Ronaldo. Notável até Outubro, a lesão cortou-lhe a margem de progressão. Depois demorou em encontrar-se numa equipa em eterna convulsão, sem modelo de jogo e sem espirito de iniciativa. Mas quando o sonho do titulo tornou-se real, Ronaldo emergiu como o lider que o Real Madrid não teve nos últimos anos e pegou literalmente na equipa às costas com assistências, golos e muita raiva acumulada. Merecia o título pelo esforço, apesar da equipa no seu todo ter sido sempre inferior ao rival de Barcelona. E mostrou que a diferença com Messi é apenas coisa de jornais. Só lhe falta o Xavi perfeito ao lado. 

 

Pedro Rodriguez

(Barcelona)

 

Foi a grande revelação do ano na Europa. Já na época passada tinha entrado, algumas vezes, como uma opção para Guardiola. Mas este ano, Pedro tornou-se na arma secreta perfeita do Barcelona. Tornou-se no único jogador da história em marcar em todas as competições em que participou. Deu a Supertaça Europeia no Monaco, ajudou a conquistar o Mundial de Clubes e marcou golos decisivos na Liga e na Champions. No campeonato espanhol rendeu definitivamente Henry e Iniesta no lado esquerdo do ataque. Determinado, vertical e ambidextro, Pedro Rodriguez foi a aposta mais certeira da Masia e um espelho perfeito de qual é a filosofia blaugrna.

 

Gonzalo Higuain

(Real Madrid)

 

Higuain foi decisivo nos titulos de Schuster e Capello. E no entanto sempre teve a imprensa de Madrid contra o seu estilo de jogo, bem argentino. Este ano, face ao flop que foi Benzema, o número 20 merengue tornou-se no novo santo e senha do ataque madridista. E respondeu com mais golos do que nunca. Nos dois meses em que Cristiano Ronaldo esteve fora, foi ele quem manteve a equipa no rumo certo com golos determinantes. Egoista em muitos lances, é um avançado de dificil convivência na área, mas não deixa de ser uma arma importante numa equipa que vive do futebol de choque, mais do que do jogo de associação.

 

Gregorio Manzano

(RCD Mallorca)

 

Foi o técnico milagreiro do ano. Em Espanha e qualquer liga europeia. O que conseguiu atingir com o Mallorca é algo que está ao alcance de muito poucos. A equipa das Baleares começou o ano com o espectro da descida. Sem dinheiro, com meses de salários em atraso e a iminência de fechar portas. A mudança de proprietários não melhorou a situação e há muito dinheiro ainda por pagar. A isso juntam-se os casos em tribunais por falta de liquidez e dividas. No meio de toda a tempestade, o andaluz montou uma equipa. Que sabe jogar futebol. Uma equipa sem estrelas, sem nomes sonantes. Mas com toda a ilusão do Mundo. E assim se manteve durante todo o ano, trepando na classificação até sonhar com a Europa. Falhou a Champions por segundos mas a viagem á Europe League é um prémio mais do que justo para os peregrinos do ano.



Miguel Lourenço Pereira às 20:38 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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